Notas iniciais
Olá meus lindos, bem vindos de volta! Como foi a semana de vocês? Gostaria de deixar registrado aqui que eu decidi, deliberadamente, ignorar alguns dos problemas criados no final da 5ª temporada. O motivo é simples: eu não consigo resolvê-los kkk sério. E juro que tentei. Um dos exemplos é a maleta que a Lila usou para hackear e invadir a mansão Agreste. Ok, ela já a usou para fazer isso, mas a maleta faz várias coisas a mais, como controlar aqueles robôs. E aquele brilho que apareceu para ela no final? E o que a Tsurugi vai fazer agora sem o seu "parceiro de negócios"? Não, muito obrigada. Os produtores que resolvam essas coisas, nós já temos problemas demais aqui (que eu criei) para resolver. Além de que, aparentemente, muitas coisas vão ser explicadas no especial de Londres. O que é ótimo (ou péssimo), posso ir encaixando isso na fanfic à medida que eu for escrevendo. Foi revelado que a Lila descobriu a identidade da Ladybug, de fato. MAAAAAAS, como a Chronobug e a Bunnix vão, aparentemente, consertar isso, então a Lila segue aqui, sem descobrir, pois elas arrumaram. A história esta sendo betado, pelo meu editor maravilhoso @Camren_Crazy123. É isso, recado dado. Boa leitura a todos!

Love, let's talk about love

(Amor, vamos falar sobre o amor)

Is it anything and everything you hoped for?

(Ele é tudo que você esperava e mais um pouco?)

Or do the feeling haunt you?

(Ou esse sentimento te assusta?)

I know the feeling haunt you

(Eu sei o sentimento que te assusta)

All the Stars

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Era tarde da noite, de uma terça-feira qualquer. Marinette deveria já estar na cama, mas estava muito concentrada em um esboço de vestido, que queria logo terminar, para poder ir dormir.

Quando o alerta de akuma apareceu em seu celular, ficou grata por estar bem acordada, pois ela quase não acreditou.

— Acho que finalmente vamos descobrir quem está por trás disso agora. — Tikki flutuou até perto de seu celular, lendo o alerta junto com ela.

— Eu estava ansiosa e temendo, esse momento. — Confessou, sentindo o coração acelerar de inquietação.

Tikki, que parecia a conhecer mais do que ela própria, já se adiantou e flutuou para frente do seu rosto.

— Vai dar tudo certo, Marinette. Você vai se sair ótima, como sempre.

Com poucas palavras, sentiu sua confiança tomando forma.

— Obrigada, Tikki. Transformar!

Saiu pela noite escura, em direção ao lugar indicado no alerta, uma rua adjacente ao Panteão.

Pousou acima de um prédio para analisar a situação.

A vilã era uma garota que a Ladybug não foi capaz de reconhecer. Tinha os cabelos brancos, um livro grosso e velho na mão. Ao redor dela, símbolos roxos estavam aparecendo e destruindo tudo ao redor.

Monarch, por costume ou familiaridade, acabava sempre akumatizando as mesmas pessoas, principalmente nos últimos meses. Então a heroína os reconhecia logo de cara, ainda mais quando a maioria deles eram seus amigos. Além disso, essas pessoas já tinham um conhecimento básico sobre akumatização por experiência própria, e já estavam conseguindo se auto libertar, ou resistir, com a ajuda de seus talismãs.

Mas é claro, que essa outra pessoa iria fazer as coisas do seu jeito. E seus alvos nem talismãs possuiriam. Estavam completamente indefesas.

— O que temos aqui? — Chat apareceu ao seu lado, e ela quis se repreender por estar tão distraída em pensamentos para não notá-lo chegando.

— Oi, Chat. Aparentemente é uma adolescente akumatizada. Ainda não sei seus poderes. Só que parece estar os controlando com aquele livro. — Deu um breve resumo, e viu um vinco se formar no meio das sobrancelhas dele, enquanto também analisava a situação.

— Que é também, provavelmente, onde o akuma está! — Ele disse empolgado, e parecia estar mais do que pronto para entrar em ação.

— Não acha isso frustrante? — Não conseguiu segurar o questionamento, virando-se para ele e gesticulando com as mãos. — Quando finalmente conseguimos nos livrar de um problema, alguém aparece e simplesmente o reinicia. Começou tudo novamente!

Chat nem ao menos hesitou em responder.

— Bom, M'lady, sabíamos que tinha a chance de outra pessoa ter mesmo pego o Miraculous da Borboleta. Além do mais, estava começando a ficar com saudade de ser herói. — Lançou uma piscadinha na direção dela, junto com um sorriso confiante.

Ela bufou divertida, antes de ceder e concordar.

— Bom, isso é verdade.

Chat Noir então se levantou, rodando habilmente seu bastão com o dedo.

— Então vamos ao resgate. Como nos velhos tempos!

Os dois saltaram do telhado, seguiram atrás da garota pela rua. Ela havia começado a atacar os prédios, os explodindo e forçando as pessoas a evacuarem.

— Acho que vamos precisar de reforços. — A heroína comentou, ao ver aquela confusão. “Mas quem?” Se questionou, internamente.

Haviam quase dezesseis heróis agora, todos dispostos a ajudá-la em momentos como esse. Mas deveria agir com prudência.

— Eu a distraio enquanto você elabora um plano, M’lady! — E sem esperar mais um segundo, Chat se lançou na frente da garota. — Oi, pequena explosiva. Por que tá fazendo essa bagunça toda?

Sem nenhuma surpresa, Ladybug viu Chat Noir sendo arremessado para trás por um brilho roxo, caindo quase que aos seus pés.

— Nossa, parece que bati de cara com uma parede. — Ele choramingou.

Ladybug estava pronta para atacá-la, quando a garota desapareceu.

— Olá, Ladybug. — Ouviu a voz atrás de si, e se assustou com tão próximo à garota apareceu perto dela. — Estava esperando vocês.

— E quem é você? — Ficou em posição de defesa, e sentiu Chat também se armar ao seu lado.

Aproveitou que ela estava mais perto e notou um brilho roxo saindo do livro. Definitivamente, era o objeto akumatizado.

O parceiro deve ter pensado o mesmo, pois foi rápido tentar atacá-lo.

— Cataclismo! — Correu, mas em menos de um segundo, a garota levantou o braço livre e o ergueu no ar, usando apenas seu poder.

— Podem me chamar de Feiticeira. — Ela respondeu com tranquilidade, em seguida, com um movimento de mãos, lançou Chat longe.

— Chat…! — Mal teve tempo de chamá-lo, antes de ser arremessada ao chão.

— Melhor prestar atenção em mim, Ladybug, pois sou eu quem vai pegar o seu Miraculous!

Feiticeira avançou para atacá-la, mas Ladybug a derrubou com um movimento de pernas, e se postando de pé logo em seguida.

— Talismã! — Invocou seu poder e recebeu uma algema. Precisava segurar as mãos daquela garota.

— Você não é digna desse poder! — Feiticeira gritou, se levantando irada, e lançando as mãos para frente.

Vários símbolos roxos brilhantes foram em sua direção, mas ela se desviou com agilidade.

— Esses truques de magia são um pé no saco! — Chat Noir surgiu, atacando a garota. Garras em riste.

A joaninha aproveitou a distração que ele estava causando para poder prendê-la. Obteve sucesso em menos de um minuto, apenas para ser recebida com um sorriso debochado.

— Acha que só isso vai ser necessário para me conter? — Então o corpo dela virou fumaça, as algemas vermelhas de bolinhas pretas caindo no chão.

— Droga, eu devia saber que não ia funcionar. — Reclamou, recolhendo as algemas e saltando para trás, desviando de outro feitiço. — Vou achar a Vesperia. — Disse, já pegando o ioiô para mandar a mensagem.

— Eu te dou cobertura! — Chat se posicionou em sua frente com o bastão, mas a akumatizada o ergueu com poder, novamente. — Ei! Não sabe que os gatos caem em pé? — Ele começou a reclamar lá do alto, antes de ser jogado contra a lateral de um prédio.

— Como se eu desse a mínima!

Ladybug partiu novamente para o ataque. Tentando tomar o livro da mão da Feiticeira, mas os feitiços dela eram quase impossíveis de ultrapassar. Ela os repelia, içava, então sumia e aparecia em outro lugar.

— Cheguei, Ladybug! — Vesperia surgiu após alguns minutos.

— Vesperia, precisamos dar um jeito de paralisá-la e pegar aquele livro!

— Cataclismo! — Ouviu Chat Noir em outra de suas tentativas. Falhando e sendo repelido para a calçada, onde ele cataclismou uma lixeira. — Ops.

— Espere até Vesperia usar a Ferroada! Aí poderá alcançar o objeto, sem erro. — Ladybug explicou, as algemas sumiram em sua mão, em um brilho rosa de joaninhas, e se transformaram em uma vassoura.

Então os três investiram contra a garota ao mesmo tempo, e Ladybug percebeu a dificuldade dela em desviar dos ataques em conjunto.

A prendeu com a corda do ioiô, antes de dar uma rasteira nela com o cabo da vassoura, e viu Feiticeira caindo no chão, o livro voando de sua mão. Mas antes que Chat pudesse alcançá-lo, ele desapareceu, assim como ela, e reaparecendo, de novo, atrás de Ladybug.

— Sou eu quem deveria usar esses brincos!

Porém, antes de quase ser atingida de novo, conseguiu enrolá-la novamente.

— Agora, Bee!

— Ferroada! — Vesperia logo viu uma abertura e a ferroou nas costas.

Paralisada, Feiticeira e seu livro viraram um alvo fácil para Chat Noir.

— Cataclismo! — Ele foi sem dificuldade.

Então, a milímetros de tocar no objeto, um brilho roxo tomou o lugar.

O Cataclismo de Chat Noir atingiu o abdômen de Ladybug.

Ladybug viu, com horror, a Feiticeira, ainda paralisada atrás de si, mas agora, com o livro na outra mão.

Aparentemente, ainda havia um feitiço na manga.

“Chat me atingiu. Me atingiu com o cataclismo.” — Pensou em meio ao choque.

Nossa, e doía como nada igual.

Era como uma queimação forte, mas também, como se estivesse sendo cortada de dentro para fora, implodindo dentro dela, criando milhares de mini rachaduras. Era, quase, insuportável.

Ela gritou de dor, enquanto caía no chão.

— LADYBUG! — Chat agachou ao seu lado. A voz dele estava instável, repleta de horror. — Meu Deus, meu Deus. O que foi que eu fiz?

Ela tentou se concentrar para se levantar e acabar logo com a luta.

— E-estou bem. Logo isso vai acabar. — Apoiou no braço dele e olhou em direção à Akumatizada e Vesperia, essa, a olhava assustada, sem saber o que fazer.

Mas Chat nem ao menos a respondeu. Parecia em choque. Não que ela pudesse dar muita atenção nesse momento. Só queria acabar com a dor logo.

— Ves… pegue o livro! — Pediu com dificuldade, e Vesperia tomou o livro da mão da feiticeira e o rasgou ao meio. A familiar borboleta negra surgiu logo em seguida.

— Chega de maldade, pequeno Akuma. — Capturou com o ioiô, e para seu grande alívio, jogou a vassoura para cima — Miraculous Ladybug.

O efeito do poder regenerador das joaninhas foi instantâneo. E Ladybug suspirou fundo, completamente agradecida.

Só então notou Chat Noir com um olhar assombrado no rosto, enquanto segurava a mão direita, a encarando com terror.

— Eu te feri, M'lady. Eu te feri.

Trocou um olhar com Vesperia, uma conversa silenciosa passando entre as duas e por fim, a outra heroína ajudou a civil, que agora estava agachada no chão, assustada e confusa. Ladybug se aproximou de Chat.

— Gatinho… — Estendeu a mão para pegar no braço do herói, mas ele o encolheu, para longe dela.

— Não! Não toque! Não quero te machucar. — Chat ergueu o rosto, olhando-a com os olhos verdes arregalados, respiração acelerada.

Ladybug ergueu as duas mãos, na tentativa de acalmá-lo.

— Chat Noir, tá tudo bem. Olha! — Apontou para o próprio abdômen. — Eu estou bem.

Mas ele balançou a cabeça severamente, discordando dela. Parecia que ele ia entrar em pânico a qualquer momento.

— Preciso sair daqui. — Então ele se virou, ergueu o bastão e sumiu na noite.

Ele havia fugido. Fugido dela! Isso foi o que mais a preocupou.

— Chat! — Estava indo atrás dele quando Vesperia a chamou.

— Ladybug! Precisa ouvir isso. — A contragosto, parou o ioiô no mesmo instante. Tentaria conversar com ele alguma outra hora. Provavelmente, na patrulha do dia seguinte.

Ela se aproximou, então, das duas garotas, para ouvir o que a ex-akumatizada tinha a dizer.

— Era uma voz feminina na minha cabeça. — Ouviu quando se agachou ao lado dela.

— Consegue se lembrar de mais alguma coisa? — Estava surpresa, se lembrar de algo depois de uma akumatização era raro, mas precisavam de mais informações.

— Não, sinto muito Ladybug. Eu estava com tanta raiva! — A garota relatou em meio ao choro. — Tudo na minha vida está um caos e eu só queria sumir! Queria ir para dentro da história de fantasia que estou lendo. Eu só queria me sentir poderosa! Ela disse que podia me ajudar.

Ouviu todo relato com atenção. Pelo menos agora, sabia que estava combatendo uma vilã. Já era um começo.

— Olha, eu sei que às vezes a vida pode ficar complicada, mas não podemos desistir. — Ladybug a aconselhou com carinho, e viu os olhos marejados da garota a fitarem. — O que quer que esteja acontecendo, saiba que essa situação vai passar. Lide com os problemas, um dia de cada vez. Sei que você vai conseguir resolver tudo. Não precisa de poderes mágicos para isso.

— Obrigada, Ladybug!

Então, a heroína entregou o talismã para ela e a levou para casa.

Vesperia ainda a estava seguindo, e assim que ficaram sozinhas, ela a questionou.

— Tem certeza de que está bem mesmo, Ladybug? — Viu o olhar incrédulo no rosto da garota, só não entendeu o motivo.

— Estou sim. As joaninhas fizeram seu trabalho como sempre. Por que a dúvida?

Viu a loira dar de ombros.

— Bom, o Chat Noir ficou tão assustado, eu só fiquei com medo que algo de errado tivesse acontecido.

Ladybug se aproximou dela, colocando a mão em seu ombro.

— Eu lido com ele, não se preocupe. Obrigada pela sua ajuda hoje.

Vesperia abriu um sorriso contente.

— Sabe que sempre pode contar comigo.

Então as duas uniram os punhos juntos.

— Zerou!

E seguiram seus próprios caminhos.

Ladybug se destransformou, já caindo direto em sua casa.

— Tudo certo? — Tikki perguntou, começando a comer o macaron que Marinette a entregou.

— Sim, Tikki, só preocupada com o Chat Noir. Ele ficou muito assustado hoje.

E ela também, teve que admitir. Pousou a mão sobre o próprio abdômen, e mesmo não tendo mais nenhum ferimento, ainda podia sentir as sombras daquela dor.

Viu a kwami concordar com a cabeça.

— O poder do Plagg pode ser bem assustador às vezes. Principalmente quando acontece um erro, igual hoje.

Teve que concordar com a kwami.

— Sim, foi apavorante. Acho que ele ficou muito preocupado.

Mas já estava bem tarde, e precisava acordar cedo no dia seguinte. Resolveu que lidaria com isso amanhã. Sabia que, depois que conversasse com Chat Noir, tudo ia se resolver.

Exceto, que a Ladybug se encontrou sozinha na Torre no dia seguinte.

Chat Noir não apareceu na patrulha.

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O pôr do sol havia chegado. Estava na hora de ir.

Mas não conseguiu.

Estava pronto para sair, quando não aguentou nem um minuto de transformação e já teve que desfazê-la, e correr para a pia do banheiro lavar sua mão. Podia vê-la tremendo, apesar de sentir esse tremor em todo o seu corpo.

Havia aguentado disfarçar durante o dia, pois com Marinette e seus amigos na escola, até que conseguiu se distrair um pouco.

Mas agora só conseguia pensar nisso. A sensação das cinzas dela em suas mãos.

Só que agora, estava pior. Bem pior. Na noite anterior, sentiu o poder saindo de sua mão, entrando no corpo dela.

Foi uma das coisas mais horríveis que já sentiu.

Isso o fez ir esfregar a mão com mais força debaixo d’água.

— Calma aí, garoto. Daqui a pouco sua pele vai estar em carne viva!

Levou o comentário de Plagg como um aviso, e se forçou a parar. Se apoiou, com as mãos na bancada, para se acalmar e respirar fundo antes de sair do banheiro.

— Então, nada de Torre Eiffel com a Ladybug hoje? — O kwami perguntou, enquanto Adrien se jogava na cama.

— Hoje não. — O loiro mal teve forças para responder, antes de sentir os olhos queimando. Jogou o antebraço por cima deles, como se, de alguma forma, isso fosse impedir as lágrimas de saírem. — Droga, Plagg, não sei o que fazer.

— Converse com a Ladybug. — Sentiu a presença do pequeno perto de sua cabeça. E devia estar com algum queijo na mão, pois sentiu o cheiro desagradável. — Ela deve ajudar.

— Sim, talvez. — Respondeu, sem muita esperança. — Vou conversar com ela amanhã.

Porque naquela noite, Adrien não tinha forças nem para levantar dali.

Era como se fosse o acontecimento de Nova York novamente, quando cataclismou a Inovatrix.

Só que dessa vez, não haveria Ladybug para consertar tudo. Não haveria Ladybug nenhuma.

Ela estaria morta.

Morta pelas mãos dele.

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— Estou dizendo, depois desse ataque, precisamos marcar uma reunião da Resistência, o quanto antes! — Ouviu a voz de Nino, mas mal prestou atenção.

Estavam juntos na cafeteria da escola. Adrien havia acabado de soltar outro suspiro, mal tocando na comida de sua bandeja, quando ouviu um resmungo vindo de Alya.

— Vocês dois parecem meio para baixo. Tá tudo bem?

Ergueu rapidamente a cabeça, e sentiu Marinette também se agitar ao seu lado.

— Sim, claro.

— Está sim.

Responderam ao mesmo tempo, e olharam um para o outro logo em seguida. Adrien estava tão distraído naquele dia, que mal havia prestado muita atenção nas coisas ao seu redor.

Sua Marinette não estava bem e ele não havia notado? Isso causou um desconforto dentro dele.

— Então tá. — Ouviu Alya comentar, de forma arrastada. — Nino, vem cá me ajudar com uma coisa. — Ela disse, antes de se levantar e agarrar o braço de Nino para levar ele consigo.

— Ok, eu ajudo. — Ele levantou, lançando um olhar aguçado para Adrien e apontando com o garfo. — Mas vamos marcar essa reunião em breve!

Mas agora, tudo que Adrien conseguia pensar, era na garota ao seu lado.

— Você está mesmo bem? — Perguntou temeroso. Se ela não estivesse e ele mal houvesse notado, se sentiria péssimo.

— Só estou preocupada com um amigo. Mas e você? — Ela perguntou, preocupação inundando seus lindos olhos azuis.

Adrien não pode deixar de se perguntar que amigo era. Luka, talvez?

Ele sabia o tanto que a namorada e o guitarrista eram próximos. Ele mesmo havia se aproximado bastante do mais velho, e se ele não estivesse bem, Adrien também gostaria de saber.

Mas, um problema de cada vez.

— Não tive uma boa noite. — Respondeu apenas, desviando o olhar do dela.

Adrien havia contado a Marinette que vinha tendo pesadelos. Ela não sabia sobre o que era, pois não podia contá-la sem revelar sua identidade como herói. Só disse que tinha pesadelos ruins, e que eles o assombravam à noite. A namorada achava, provavelmente, que eles estavam relacionados ao seu recente luto.

Se ela soubesse que era um luto tão diferente. Um tão pior…

Sentiu a pequena mão dela encontrar com a sua por baixo da mesa.

— Quer ir lá em casa hoje, depois da aula, e jogar um pouco? — Ela ofereceu de forma doce, o tirando da espiral de pensamentos sombrios, que o estavam puxando cada vez mais para baixo.

— Eu adoraria. — Respondeu, com um sorriso, surpreendentemente, sincero.

Ela queria animá-lo, e ficar com ela era tudo o que ele mais queria, e precisava, naquele dia.

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Ladybug continuou a ir às patrulhas, mas Chat não apareceu mais. Tentou não ficar muito preocupada com aquilo, mas depois de três dias sem o ver, isso estava sendo impossível.

Além do mais, também estava angustiada por Adrien.

Desde aquele dia em que conversaram na cafeteria da escola, ele não parecia bem. Mesmo que respondesse o contrário, sempre que ela perguntava.

Marinette não sabia o que poderia ser, quando havia tantas possibilidades! Ele podia estar sentindo falta do pai, principalmente agora que as férias haviam acabado e a rotina voltado ao “normal”. Poderia não estar se adaptando à escola e não queria contar para ela, com medo de decepcioná-la ou algo assim.

Ela já estava surtando, tentando encontrar o motivo.

E também, poderia ser algo que ela temia ainda mais. E foi por esse medo que estava ligando para Félix e Kagami naquela tarde.

— O Adrien tá estranho! — Iniciou a chamada de vídeo com o casal.

— Olá para você também, Marinette. — Félix a saudou, com um sorrisinho sarcástico.

— Oi, e oi Kagami. Preciso da ajuda de vocês. — Continuou seu assunto, sem pausa.

— E o que isso tem a ver com a gente? — A amiga perguntou, sensível como sempre. Mas com isso, Marinette já estava acostumada.

Já Félix, ainda parecia completamente desinteressado no assunto.

— Tem a ver, porque eu não sei se o motivo dele estar assim, tem relação com o fato dele estar usando as alianças agora. — Adrien nunca havia tido autonomia sobre a própria vida. Seria compreensível, se ele estivesse sentindo algum tipo de confusão. Perdido em meio às escolhas das suas próprias vontades.

Hora ou outra, esse assunto vinha em sua mente, era inevitável não pensar nisso, desde que descobriu.

Mas Marinette ouviu Félix resmungar através do celular.

— Muito pouco provável.

Foi a vez dela de resmungar de volta. Batendo a mão na própria testa por tamanha teimosia do garoto.

— Félix, não acha mesmo que devemos contar para ele? — Ele voltou à pauta de maior discussão entre os dois.

— Com qual propósito? Ele já tem o amok dele, ninguém mais o controla. Não vai mudar nada. — Era o que o garoto sempre dizia. Isso a fez revirar os olhos com impaciência.

— Se eu tivesse um segredo sobre a minha vida, eu gostaria de saber!

Viu o loiro franzir as sobrancelhas, com aborrecimento.

— Olha, eu sempre achei que havia algo errado comigo, pela maneira que o meu pai me tratava. Mas depois descobri que o errado era ele, por me tratar daquela maneira. Eu só precisava do meu amok para ser livre, e foi o que eu fiz.

Marinette o entendia. Mas não conseguia concordar, por isso, franziu o nariz para sua resposta.

— Eu sei que o Adrien já tem as alianças, mas não acha que saber é um direito dele? — Cruzou os braços, podia estar sendo teimosa, mas acreditava estar defendendo o certo.

Se pudesse, ela mesmo contaria à Adrien, mas sentia que não tinha esse direito. Primeiro: ela só sabia dessa informação pois era a Ladybug. Segundo: Sentia que Félix que deveria contar, afinal, ele era família, além de poder oferecer um conhecimento maior sobre o assunto.

— Porque não conta a ele que é a Ladybug? — Félix devolveu, seco. Sua postura relaxada de braços cruzados a irritando.

Marinette quis gritar de frustração com ele. Mas apenas apertou os punhos e respirou fundo.

— Você sabe que não posso! Não era nem para vocês dois saberem disso! — Ela apertou os lábios antes de responder. Não queria ter que explicar o óbvio. — Pessoas demais já sabem sobre a minha identidade, está cada vez mais arriscado, ainda mais agora com uma nova ameaça.

— Na minha opinião, esse segredo é maior que o dele e não vejo você ansiosa para contar. — O garoto ergueu uma sobrancelha para ela, e agora estava conferindo as abotoaduras da própria roupa, como se esse fosse o assunto mais irrelevante possível.

— Eu só não quero mentir para ele mais do que já minto. Além do mais, isso é sobre ele, não sobre mim! — Respondeu sincera.

Às vezes, sentia que apenas metade dela namorava Adrien. A outra metade, era feita de mentiras e segredos. Era exaustivo.

— Você o enxerga diferente desde que descobriu o que ele era? — Arregalou os olhos com essa pergunta, completamente chocada, por ele considerar isso dela.

— O quê? Não, claro que não! — Disse, indignada. — Eu ainda o amo da mesma forma.

— Félix, por que não vem fazer uma visita ao Adrien? — Kagami perguntou, se pronunciando pela primeira vez, e Marinette viu Félix mudar de postura na hora. — Talvez ele esteja mesmo precisando, e conversar com você vai ajudá-lo.

— OK, se você acha que devo.

Impressionante. Kagami conseguiu em segundos, e com uma frase, o que ela estava tentando fazer há dias!

Por fim, com a cabeça zonza, agradeceu e se despediu dos dois, finalizando a chamada.

Queria poder ter alguma forma de saber que estava fazendo a coisa certa.

Terminou alguns projetos da escola, jantou com seus pais, e foi para seu quarto, já vendo o sol descer no céu. Se transformou para ir à Torre Eiffel, e tentou não ficar decepcionada por se encontrar sozinha, de novo. Sua mente, já criando várias explicações, para o sumiço do parceiro.

Decidiu rodar a cidade pelos telhados, conferindo se estava tudo em ordem. Algumas horas depois, quando a noite havia caído, e estava voltando para casa, se surpreendeu com a chegada de uma mensagem de Chat Noir em seu ioiô, pedindo para encontrá-lo.

“Ai, Gatinho bobo, fazendo eu me preocupar à toa.” Pensou com alívio, antes de sair ao seu encontro. Agradecida por ter um problema a menos.

E não que fosse admitir, mas estava com saudades dele.

Notas finais
Ansiosa pelos comentários de vocês. Eu percebi que temos um relacionamente tóxico aqui, eu sempre desejo "boa leitura", mas ninguém nunca me deseja uma "boa escrita", ai, to chorando kkk. (Que dramática, mds.) Enfim, vocês sabiam que temos um canal no telegram? Não, então tomem https://t.me/Insoniados Por lá vocês vão receber informações de Ausência, e também, poder entrar no nosso grupo que existe DESDE INSÔNIA. Eu sei, tenho os melhores leitores desse wattpad. É isso galerinha. Nos vemos sexta, às 19h novamente? Então ZEROU! Beijos doces! Amo vocês. ~ colete e capacete pro próximo, tá?