Notas iniciais
Primeiramente, muitíssimas desculpas pelo meu sumiço. Problemas pessoas apareceram, maiores do que eu poderia imaginar e me vi atropelada por eles, sem chance de escape. Desabafei com um amigo que disse que: se ele fosse eu, ficaria apenas no quarto chorando. Acreditem, é minha vontade (e o que eu fiz algumas vezes). Mas a vida continua, e precisa continuar. Também agredeço as inúmeras mensagens de carinho e preocupação, vocês são uns amores. Vai ficar tudo bem, tudo passa, mesmo que às vezes tenha que passar por cima de nós kkk. Segundamente, espero que gostem do cap, boa leitura!

I thought we were the same, birds of a feather

(Eu pensei que nós éramos iguais, pássaros da mesma pena)

Now I'm ashamed, I told you a lie

(Agora estou envergonhada, eu te contei uma mentira)

Désolé, mon amour, I'm trying my best

(Desculpa, meu amor, estou tentando ao máximo)

A bird in a cage, thought you were made for me

(Um pássaro numa gaiola, pensei que você tivesse sido feito pra mim)

...

You were born bluer than a butterfly

(Você nasceu mais azul do que uma borboleta)

Beautiful and so deprived of oxygen

(Lindo e tão desprovida de oxigênio)

You were born reaching for your mother's hands

(Você nasceu tentando segurar as mãos da sua mãe)

Victim of your father's plans to rule the world

(Vítima dos planos do seu pai de governar o mundo)

Blue — Billie Eilish

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Bug Noir retornou pela noite, pulando pelos telhados e se camuflando na escuridão, sentindo que havia deixado uma parte de seu coração para trás.

Oh, Adrien, seu querido Adrien, estava sofrendo tanto. Quando eles finalmente teriam paz?

Mesmo querendo muito ter continuado lá com ele, e não deixá-lo sozinho, ela preferiu sair. Sentiu que iria acalmá-lo melhor se fosse outra pessoa no momento.

Ouviu barulhos pelas ruas enquanto retornava para casa, mas não tinha tempo para aquilo agora, apenas se certificou que não era nenhum akumatizado ou alguém em perigo, antes de retomar seu trajeto.

Paris teria sua heroína em outra hora, mas não agora.

Finalmente, avistou a sacada de sua casa, pulando diretamente da claraboia para sua cama.

— Destransformar. — Tikki e Plagg foram liberados de suas joias.

— Oh, tadinho do Adrien! — Tikki exclamou, quase que imediatamente, flutuando
à frente de seu rosto. — Ele não merecia isso.

— Não mesmo. — Marinette concordou pesarosa, enquanto iniciava uma descida lenta para a parte de baixo do quarto.

Precisava encontrar seus pais. Apesar de sua conversa com Adrien parecer ter durado horas, os dois ficaram apenas alguns minutos juntos, o que significava que ainda estava cedo.

O aparecimento de Crisálida havia sido apenas poucas horas antes do pôr-do-sol e foi capaz de trazer tanto caos em tão pouco tempo.

— Ah, se eu soubesse quem é essa Crisálida, eu ia cataclismar as borboletas dela uma por uma, bem na cara dela! — Ouviu Plagg resmungando atrás de si. — Depois eu ia ameaçar todo mundo que ela ama...

— Plagg! — Ouviu Tikki o repreender.

Marinette deixou os kwamis discutindo em seu quarto e desceu em direção à sala.

— Mãe, pai! — Ela chamou já das escadas enquanto descia cada degrau com cuidado, segurando firme no corrimão ao seu lado. Não estava confiando na firmeza de suas pernas ultimamente.

Por sorte, os dois já estavam lá, sentados no sofá e atentos às notícias da TV onde o pronunciamento de Crisálida estava sendo repassado e analisado pelos jornalistas.

— Filha, querida. — Sabine foi a primeira a se levantar e vir ao seu encontro, seu tom transbordando em preocupação. — O Adrien, meu Deus! — Então a mãe a abraçou, enquanto o pai desligava o aparelho de televisão para se juntar a elas.

— Nunca gostei daquele Gabriel, mas isso eu não esperava. — Tom informou.

— Eu preciso ir vê-lo. — Marinette apenas disse, depois se afastou dos braços de ambos para poder olhar em seus olhos.

— Claro filha, mas agora? — Sabine questionou, olhando para o marido, parecendo buscar sua opinião.

Porém, os olhos amáveis de Tom estavam fixos em Marinette.

— Você está bem? — Foi sua única pergunta.

Ela sabia o quando estava deixando todos ao seu redor preocupados com ela, e a última coisa que queria era piorar essa situação.

Porém, a força do amor fazia coisas estranhas com as pessoas. No momento, qualquer falta de disposição, cansaço ou desânimo haviam sumido de seu corpo. Tomada de adrenalina, ela só conseguia pensar em uma coisa:

— Ele precisa de mim.

A resposta firme saiu de seus lábios, porém com palavras derramando zelo, enquanto encarava o pai.

Tom saiu de perto das duas sem dizer nada, o que deixou ambas confusas, mas retornou segundos depois e depositou uma chave conhecida em sua mão.

— Dirija com cuidado, por favor.

Marinette não sabia se havia se emocionado por receber as chaves de sua mini scooter de volta ou se pela compreensão de seu pai de saber que isso era importante para ela. Então apenas se jogou nos braços do homem em forma de agradecimento.

— E cuide bem do nosso menino. — Ele continuou.

— Claro, pai. Assim como ele cuidou de mim.

Não se demorou muito para despedir dos dois e saiu pela porta. Enquanto descia as escadas para chegar ao térreo, aguardou por Tikki e Plagg virem ao seu encontro e alcançou o celular em seu bolso.

Apenas dois toques soaram antes de ser atendida.

— Adrien! — Ela mal esperou ele dizer alguma coisa. — Eu sinto muito.

— Marinette. — Seu nome pareceu sair como uma prece, antes de Adrien soltar um suspiro profundo e confidenciar com uma voz quebrada. — Não sei o que fazer, amor.

Doeu imaginá-lo por tamanho sofrimento. O quão confuso deveriam estar seus pensamentos naquele momento.

— A Bug Noir vai resolver tudo. — Ela afirmou, tentando trazer alguma luz de esperança para ele. — Tenho certeza.

Já estava subindo na motocicleta, com os kwamis devidamente escondidos em seu baú, quando Adrien murmurou do outro lado.

— Mas é verdade. O meu pai... era mesmo ele. — Finalizou a sentença com a voz baixa, como se nem ele mesmo quisesse dizer aquilo em voz alta.

Ela compreendia, claro. Porém, não deixava a situação mais fácil. Ela só queria poder fazer alguma coisa por ele.

— O que posso fazer para te ajudar?

— Acha que consegue vir para cá? — A resposta veio rápida, o que a deixou aliviada. Temia que ele pudesse querer ficar sozinho novamente, e dessa vez, ela não iria ceder tão fácil. — Mando Gorila te buscar.

— Não precisa, meu lindo, já estou a caminho.

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Saindo de sua casa, avistou um grupo de pessoas na praça em frente à padaria, porém estava tão focada em dirigir com cuidado, mas também rápido, que o caminho até a mansão passou em um piscar de olhos.

Tocou o interfone ao chegar, os portões foram abertos e em instantes, ela já estava atravessando as portas duplas do hall de entrada.

Seus passos rápidos só foram interrompidos quando avistou a figura feminina sentada à escada.

— Ele não quer falar comigo. — A voz de Nathalie chegou aos seus ouvidos assim que se aproximou. Ela estava com ambas as mãos na cabeça, e postura derrotada, que só piorou quando a mulher ergueu os olhos e então ela pode ver que estavam encharcados de lágrimas. — Marinette, precisa saber, tudo o que eu queria era o bem dele, achei que estava fazendo o correto, eu jamais...

— Eu sei, Nathalie, eu sei. — Marinette a interrompeu, antes que começasse a chorar novamente. Agachou perto dela e tocou seu ombro, na tentativa de confortá-la. — Eu vou conversar com ele.

— Se ele não me quer por perto, eu vou entender. — Nathalie fungou antes de continuar. Dizendo as palavras, mas desviando o olhar, como se não quisesse acreditar nelas. — Só preciso que o Adrien entenda o porquê fiz aquilo, e porque o pai dele fez o que fez.

Marinette, como Ladybug, sabia que Nathalie havia tido sua participação nos esquemas de Monarch, porém, como uma civil, ela não deveria saber de nada.

No entanto, Nathalie parecia estar tão chateada consigo mesma que não parecia mais se importar em guardar isso em segredo.

— Ele vai entender, e o que ele precisa agora é de você e o Adrien sabe disso, não importa o que diga agora, ele só está confuso e magoado no momento.

Nathalie balançou a cabeça em concordância, ouvindo atentamente as palavras. Depois, ela retirou seus óculos e secou os olhos e levantou.

— Obrigada, Marinette. — Ela ofereceu um delicado sorriso, que não chegou aos olhos já avermelhados, e depois foi em direção ao próprio quarto.

Esperava que suas palavras a tivessem consolado, mesmo que um pouco, mas depois seus pensamentos se desviaram para o loiro que estava a esperando a poucos metros.

Terminou de subir os degraus e bateu à porta.

— Adri... — Estava o chamando quando a porta entreabriu. — Adrien, vim o mais rápido que pude! — Ela disse, já passando pela fresta aberta e se jogando nos braços dele, o abraçando forte.

Não demorou para o namorado retribuir e enlaçar sua cintura, bem apertado. O rosto de escondendo na curvatura de seu pescoço

— Ele era o meu pai. Ele era o meu pai. — Ele sussurrou contra seu corpo. O bolo em sua garganta cresceu ao ouvir o tom triste de sua voz.

Porém, Marinette apertou os olhos e respirou fundo, precisava se manter forte por ele.

— Eu sei. Sinto muito.

Foi então que Adrien se afastou, apenas para pegar o rosto dela com ambas as mãos, então dizer, com uma voz aflita, enquanto olhava em seus olhos.

— Precisa acreditar, eu não sabia de nada, eu juro!

Marinette sentiu sua respiração travar. Ali estava ela, disposta a consolá-lo, enquanto Adrien estava preocupado em seu explicar para ela

— Adrien, eu jamais desconfiaria de você. — Foi sua vez de pegar o rosto dele entre as mãos. Os lindos olhos verdes, esta noite, estavam mergulhados em inseguranças. — E mesmo que soubesse, quem poderia julgá-lo por não contar? Ele era sua família.

— Não, acredite, eu teria contado sobre ele. — Adrien parecia irritado apenas por pensar nessa possibilidade. Ele se afastou, apenas para fechar a porta enquanto falava. — Ou eu, ao menos, teria tentado convencê-lo a parar com isso.

Marinette sabia que sim. O coração de Adrien era bom demais para permitir que Gabriel tivesse continuado com seus planos.

Seguiu o namorado pelo quarto, que se sentou na cama parecendo cansado, e ficou com a mesma postura derrotada que Nathalie estava minutos atrás na escada, ambas as mãos enterradas nos cabelos dourados.

Em certas situações, palavras não são o suficiente, por isso Marinette apenas sentou-se ao seu lado, e debruçou sobre seu corpo. Com o rosto apoiado em seu ombro.

Ficaram juntos alguns segundos em silêncio, antes de Adrien respirar fundo e se virar para ela.

— Obrigado por estar aqui. — A mão dele buscou a sua por cima de seu colo, e Marinette sentiu um pequeno sorriso surgir em seus lábios, enquanto apertava os dedos dele com os seus.

— Eu nunca vou te abandonar, Adrien. — A frase, dita semanas atrás, ainda era sua total verdade.

Era impensável deixá-lo sozinho, sem seu apoio, no momento em que ele mais precisava dela. Algumas pessoas não valem o sacrifício que são feitos por elas, mas Adrien não era uma delas.

O que ele não merecia, era tanto sofrimento em sua vida.

— Eu também preciso te contar uma coisa. — As palavras, ditas em um tom tão sério, chamaram sua atenção. Marinette o olhou apreensiva, enquanto Adrien parecia estar hesitante no que iria dizer a seguir. — Sei que esse não deve ser o melhor momento, na verdade, acho que é o pior momento, mas eu estava esperando para poder te contar, e com esse segredo revelado, eu não quero esconder mais nada de você.

Ele deu uma pausa, esperando o pequeno discurso ser assimilado por ela, mas Marinette já sabia o que era.

E naquela hora, Marinette se sentiu a pior pessoa do mundo por ele estar passando por mais uma dificuldade, mas agora, por causa dela. Claro, se ela soubesse que o segredo do pai dele fosse vir à tona, ela jamais teria contato a ele sobre sua origem antes, ao menos não até saber que ele estava preparado para isso.

Adrien pareceu ter interpretado seu silêncio como um sinal para seguir em frente, pois prontamente inspirou fundo, antes de soltar as palavras que pareciam estar lutando para sair de dentro dele.

— Marinette, eu não sou um ser humano. Sou um senti-ser. — A angústia era visível nos olhos verdes. — Meus pais não podiam ter filhos, então me criaram usando um Miraculous. Acredito que isso matou a minha mãe, e meu pai, louco pela ausência dela, usou o Miraculous da Borboleta para tentar trazê-la de volta.

Sentiu a mão dele querer buscar pela sua por cima do colchão, mas estava relutante, como se Adrien estivesse com medo da reação dela.

Marinette fez então o que já deveria ter feito há muito tempo, ela o puxou para seus braços e o confortou.

— Oh, Adrien, isso não faz diferença para mim. Eu te amo da mesma forma.

Sentiu os braços dele apertando mais ainda sua cintura, enquanto a voz veio abafada de seu pescoço.

— Eu nem deveria existir se não fosse pelos Miraculous. Você não acha que sou um monstro?

Os olhos de Marinette abriram de súbito, tamanho seu susto.

— Adrien Agreste, nunca diga isso! — Ela o puxou para frente, precisando mirar em seus olhos enquanto reafirmava em palavras. — Você jamais, em hipótese alguma, seria monstruoso. Entendeu?

Porém, o brilho de Adrien não estava ali. Seu semblante apagado mostrava o quanto essa situação havia o desgastado.

— Minha mãe morreu por minha causa. — Ele afirmou, não com raiva ou tristeza, mas simplesmente com cansaço. De saber, sem dúvidas, que aquela era a amarga verdade. — Me criar com o Miraculous danificado foi o que a matou.

Marinette sentiu suas narinas inflamadas com obstinação. Se Adrien não tinha mais forças para encarar e aceitar essa verdade, ela teria pelos dois. Ao menos, por enquanto.

Apertou a mão dele entre as suas antes de declarar a ele, com a voz amável.

— Emilie Agreste morreu porque ela já te amava, antes mesmo de você existir. E ela preferiu morrer do que saber que você nunca viveria. Ela te deu a vida, Adrien, em troca da vida dela. Honre isso, meu lindo, vivendo. Livre. — Então ela tocou as alianças, e a medida que falava, viu o brilho das lágrimas inundar o olhar esmeralda do namorado.

— O que eu faria sem você, Marinette? — Foi a vez dele puxá-la para seus braços, afundando o rosto em seus cabelos escuros. — Eu te amo tanto. Obrigado por estar aqui hoje, obrigado por estar comigo. Eu não mereço seu amor.

— Claro que merece, Adrien. Você é tão digno de receber amor quanto qualquer outra pessoa.

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Marinette passou mais algumas horas ali com ele, antes dele convencê-la que estava bem e chamar Gorila para levá-la para casa.

Ele não estava bem, obviamente, mas estava melhor do que achou que poderia, principalmente após a conversa que teve com Bug Noir e com a namorada.

Marinette tê-lo aceitado tão facilmente, e não apenas isso, mas também conseguir confortá-lo foi surpreendente. Não que ele devesse ter ficado surpreso, pois sabia que nas situações mais difíceis era onde Marinette mais brilhava, e isso o encantava. Ela nunca ignora a dor do outro, mas a acolhe como se fosse dela mesma, ao mesmo tempo em que o guia para sair daquela dor. Ela era incrível e maravilhosamente bondosa.

Ter estado com ela naquelas poucas horas o fez esquecer de todo caos e sorrir para o teto por alguns minutos, e isso na "pior" noite da sua vida.

Mas isso também o fez pensar: se conversar com as duas o deixou melhor, então talvez Adrien também deveria dar a mesma oportunidade para Nathalie e não deixá-la angustiada mais, sem a oportunidade de se explicar.

Por isso, naquela manhã, após se arrumar para a escola, ele a encontrou na cozinha.

Nathalie pareceu surpresa ao vê-lo, fazendo menção a se levantar da mesa, mas Adrien a impediu com um gesto e depois, sentou-se à sua frente.

— Acho que devemos conversar.

— Eu nunca deveria tê-lo ajudado. — Foi a primeira coisa que ela disse, e depois continuou, em um só fôlego, talvez temendo que Adrien não lhe desse outra chance. — Mas eu o ajudei, e isso é irrefutável. Eu nunca deveria ter sido enganado por sua loucura, mas eu fui. Também sei que eu deveria ter recuperado o juízo mais cedo, porque talvez, se eu tivesse tentado impedi-lo antes, nada disso...

Ela então parou, com um suspiro, desviando o olhar dele para cima, recarregando suas forças.

— Vou viver com essa culpa pelo resto da minha vida. Como eu disse, não espero seu perdão, eu só precisava que soubesse que eu jamais quis causar nenhum mal.

Ela terminou o discurso e o silêncio reinou no ambiente.

Adrien ainda estava assimilando tudo o que ela havia dito. Não queria duvidar de Nathalie, a mulher não havia sido nada além de gentil com ele todo esse tempo. Porém, desvincular sua imagem à de Mayura demoraria um tempo.

— Vou deixá-lo terminar seu café da manhã com tranquilidade.

Porém, quando a ouviu limpar a garganta e arrastar a cadeira para sair, sabia que precisava fazer algo. Antes que ela pudesse se afastar da mesa, Adrien se levantou e a abraçou.

— Nós dois fomos enganados por ele. Mas somos só nós aqui agora, acho que nos culpar pelo passado não vai nos fazer nenhum bem.

— Oh, Adrien. Você é um garoto tão bom. — Nathalie disse com a voz embargada, e só então ela retribuiu seu gesto. Parecendo mais do que aliviada por não tê-lo perdido. — Me perdoe por tê-lo feito passar por isso.

— Está tudo bem, não precisa do meu perdão.

Adrien sentiu seu coração mais leve. Não queria odiar Nathalie, não queria guardar rancor de seu pai, não queria ficar triste ao pensar em sua mãe. Ele só queria viver uma vida em paz, e mesmo que talvez isso fosse impossível publicamente, ao menos dentro de casa, ele agora poderia se sentir assim.

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Não sabia quais seriam as repercussões do discurso de ódio de crisálida, mas elas chegaram rapidamente. Já no dia seguinte, bem cedo pela manhã.

— O povo de Paris está enfrentando uma onda de crimes nesta manhã. Cidadãos revoltados pelas informações fornecidas pela Crisálida estão expressando seu ódio em relação à heroína de Paris por meio do vandalismo. — Clara narrou, fornecendo imagens das pichações e da estátua quebrada do finado estilista. — Os ataques parecem ter sido feitos no meio da madrugada. Além desse, outros atos de vandalismo e pichações também foram encontrados ao longo de toda a cidade.

Picharam "Bug Noir mentirosa" no lugar dos destroços, assim como em muros e outros monumentos.

Marinette nunca havia se sentido tão perdida.

Mesmo com o apoio de Alya, estava se sentindo completamente sozinho. Essas eram as consequências de suas próprias escolhas, havia atraído isso sobre ela mesma quando decidiu manter sua promessa a Gabriel.

E agora, precisava encarar as repercussões.

Desligou a TV e pegou sua mochila. Ela só deveria retornar para as aulas no dia seguinte, mas adiantou um dia para poder estar com o Adrien. Ela jamais o deixaria sozinho nessa situação.

— Tem certeza que vai ficar tudo bem, filha? — Sabine perguntou, parecendo aflita ao se despedir dela na porta. — Talvez você e o Adrien devessem faltar hoje.

— Se ele se esconder vai ser pior, mãe. É melhor encarar as pessoas de uma vez, e eu quero estar ao lado dele para isso.

Os olhos incisivos a inspecionaram por alguns segundos, antes de ceder e lhe dar um beijo na bochecha.

— Só se cuidem, ok?

Marinette apenas concordou e logo ouviu o carro de Adrien se aproximando na rua.

Sentiu o coração disparar com o sentimento de nostalgia. Já fazia tanto tempo que não iam para a escola juntos que parecia a primeira vez de novo.

Quando o carro parou, o namorado saiu do banco de trás para abrir a porta para ela.

— Bom dia, minha linda. — Adrien sorriu ao cumprimentar.

Estava aliviada ao vê-lo tão sereno. Não sabia o que esperar dele naquela manhã, não seria um dia fácil, mas talvez se agissem normalmente, então talvez logo tudo poderia, de fato, voltar ao normal.

Finja até que consiga.

— Bom dia, meu lindo. — Ela sorriu de volta ao entrar.

No trajeto, os dois estavam de mãos dadas, e Marinette sentiu um suor na palma de sua mão, de nervosismo. Se era seu ou de Adrien, isso ela já não sabia.

— Hoje deve ser horrível. — Ele constatou.

— Sim. — Ela só pode concordar. Será horrível mesmo. — Mas estaremos juntos.

Adrien concordou em silêncio, porém o vinco entre suas sobrancelhas e o balançar de sua perna pioraram à medida que o carro se aproximava da escola.

— Tem certeza que quer ir? — Ela então questionou, atraindo a atenção dele de volta para si e o distraindo momentaneamente do trajeto. — Eu sei que dissemos que seria pior não aparecer, mas você não precisa se obrigar a fazer isso se não quiser...

Adrien apenas negou com a cabeça, fazendo as palavras morrerem em sua boca. Depois, ele pegou a mão livre dela que estava por cima do banco e apertou os dedos finos entre os seus, antes de soltar um suspiro cansado.

— Já passei tempo demais preso em minha casa, meus compromissos, tudo por causa dele. — A voz de Adrien estava mortalmente séria naquele instante. — Não vou deixar que isso continue, mesmo após sua morte.

Marinette assentiu, encerrando o assunto. Já havia passado do tempo de Adrien viver sobre suas próprias escolhas, e não seria ela a pessoa que o negaria liberdade, mesmo que sua intenção fosse apenas protegê-lo.

O carro estacionou e já na porta de entrada e ambos respiraram fundo enquanto entravam na escola. Já no hall de entrada do prédio, conseguiram notar vários alunos os encarando, cochichando às suas costas à medida que passavam, não que eles estivessem tentando ser discretos. Marinette sequer se dignou a desviar o olhar, caminhando sempre em frente, e segurando a mão do namorado durante todo o tempo.

Apesar de tudo, era bom estar de volta à escola, pois somente naquele momento Marinette percebeu o quanto sentiu falta do lugar. Ela estava tão empolgada no começo do ano com a nova escola e os novos cursos que iria fazer, que nem ao menos notou o quanto disso seu atual desânimo havia arrancado dela.

E como nada estava normal naquele dia, ao invés de irem para alguma área estudantil específica, os dois foram diretamente para a sala de reuniões de Nino. O amigo havia convocado os dois por mensagem naquela manhã, uma mensagem completamente caótica que demonstrava a total urgência de Nino diante da situação.

Ao chegarem lá, Marinette se pegou soltando um suspiro aliviado ao se ver longe dos olhares maldosos. Agora estava cercada de seus antigos amigos e até alguns alunos que Marinette não reconhecia, mas que prontamente suspeitou de serem novos membros da resistência, recrutados no tempo em que ela estava afastada.

— Vocês chegaram! — Alya foi a primeira a notá-los, e também a vir ao encontro deles.

Porém, em seguida, todos já estavam vindo ao encontro dos dois.

— Forças, Adrien. Não ligue para o que ninguém está dizendo. — Rose disse enfática, segurando as mãos de Adrien, quase não dando tempo para Marinette soltar a mão do namorado nesse tempo.

— É Adrien, vários protagonistas de histórias clássicas se descobriram filhos de vilões, veja o Luke Skywalker, por exemplo. — Nathaniel prontificou, e Marinette sorriu com a forma carinhosa que o amigo encontrou de animar seu namorado. — Sua história só ficou mais interessante!

— É, valeu Nathaniel. — Adrien respondeu sem jeito, e continuou agradecendo por cada palavra de encorajamento que os amigos e colegas continuaram a lançar em sua direção.

— Tá legal, chega disso! — Nino falou, se espremendo entre os corpos da pequena multidão para chegar até eles. — E aí cara, só quero que saiba que estamos contigo. — Ele pousou a mão no ombro de Adrien, que estava prestes a agradecer, antes de ser interrompido. — MAS precisamos iniciar nossa reunião urgentemente!

— Calma, Nino. Só estamos mostrando solidariedade com nosso amigo! — Milene o respondeu, com Ivan atrás dela mostrando seu total apoio.

— Eu sei, eu sei! — Ele se defendeu, com as mãos à frente do corpo em sinal de rendição, enquanto voltava para o centro da sala. — Mas a Bug Noir vai precisar do nosso apoio, agora mais do que nunca. Chegou ao meu conhecimento ontem à noite que um grupo de alunos está apoiando a Crisálida. Não entenderam a gravidade disso? Eles são o oposto da Resistência! São os anti-resistência!

O restante da turma se espalhou em um círculo ao redor de Nino, ouvindo atentamente às suas palavras enquanto ele contava sobre o convite que recebeu desses alunos para participar da primeira reunião deles.

Marinette aproveitou que a atenção não estava mais sobre ela e Adrien, e procurou a cadeira mais próxima para se sentar. Estava exausta, e isso com apenas alguns minutos depois que chegaram à escola. Toda essa situação estava drenando sua energia, não sabia como Adrien estava se mantendo tão firme. De pé ao seu lado, ele também ouvia com atenção a pequena discussão que se formou.

— Alguém deve estar enchendo a cabeça deles com essas ideias erradas. — Kim disse consternado.

— Não só a deles. — Mas continuou. — De acordo com os noticiários essa manhã, quase 60% dos parisienses estão confusos com toda essa situação, e mais da metade deles estão revoltados com a Bug Noir nesse momento.

— Por isso, é nosso dever ser a maior fonte de suporte da Bug Noir agora! — Nino disse enfático, batendo com seu punho na mesa ao final da fala.

— Já escrevi um artigo no Bugblog, e também soube que a Bug Noir vai dar uma entrevista para a imprensa hoje. — Alya afirmou, lançando um olhar para todos os rostos da sala. Mas Marinette sentiu quando o olhar da amiga demorou em seu rosto milésimos de segundos a mais.

Ela havia conseguido a entrevista exclusiva com Nadja, o que era bom. Mais tarde, as duas só precisariam se reunir sozinhas para acertar todos os detalhes.

Nunca havia ficado nervosa para falar com os repórteres antes, mas também, ela nunca havia sido difamada dessa forma antes.

Respirou fundo e decidiu que não iria se deixar abalar. Como Bug Noir, ela encontraria a coragem necessária para desfazer esse nó na teia de mentiras da Crisálida, que de borboleta não tinha nada. Quem quer que fosse a pessoa por trás do broche, era uma cobra traiçoeira e Marinette não iria ceder ao seu veneno.

— Também vamos ajudar o meu camarada, Adrien aqui. — Nino se aproximou de Adrien, colocando um braço por cima de seus ombros e distraindo Marinette de seus pensamentos. — Adrien, sei que seu pai foi um vilão horrível, eu mesmo tinha medo dele antes de saber que ele usava um miraculous, mas não vamos deixar ninguém te fazer mal!

Não conseguiu deixar de sorrir com essa pequena declaração, e percebeu que o namorado também não, mesmo abaixando um pouco o rosto para esconder sua timidez do restante das pessoas.

— Obrigado, Nino, sei que posso contar com você. Com todos vocês, na verdade. — Ele agradeceu de forma ampla, agora olhando ao redor para os amigos, que o encaravam com apoio.

Após isso, acertado mais alguns detalhes sobre o que cada um poderia fazer, não só na escola, mas em suas casas e nas ruas também, para ajudar a Bug Noir, a reunião foi encerrada.

— Beleza, vamos imprimir os cartazes e espalhar a verdade sobre nossa heroína. — Alix disparou, enquanto todos saíam para suas respectivas classes.

Marinette permaneceu mais quieta naquela reunião, apenas concordando com alguns pontos quando questionavam a ela. E ainda estava imersa em pensamentos quando Adrien segurou sua mão antes de passar pela porta, a impedindo de sair com os outros.

Estavam apenas eles com Alya e Nino na sala, mas os outros dois estavam imersos ainda em suas mirabolantes estratégias de salvar sua honra como heroína para notar os dois ali.

— Acha que eu deveria conversar com a Alya e pedir para dar uma entrevista também?

A pergunta foi tão inesperada que a deixou atordoada. E confusa.

— O quê? Por quê?

— Não sei. — Ele então desviou o olhar e passou a mão atrás da nuca, de forma pensativa. — Mesmo não me sentindo tão à vontade com isso, eu sei que a Bug Noir está muito mal agora, e por algo que ela fez para me proteger. Sinto que eu deveria fazer algo.

— Adrien, você se afastou desse mundo da fama e da mídia por um motivo. A imprensa pode dizer o que quiser, você não precisa se sentir obrigado a fazer isso.

Então o loiro a encarou, com carinho no olhar, mas também com dor. Não poder fazer nada o estava realmente machucando.

— Mas eu quero, não me importo de fazer isso se significa que vai ajudá-la.

Marinette sentiu o peso da lealdade dele cair em seus ombros.

— É muito nobre da sua parte ainda querer apoiá-la, mesmo ela tendo mentido para você. — Não conseguiu conter a negativa de sair em suas palavras.

Foi então que sentiu o toque carinhoso de Adrien encontrar seu rosto, erguendo seus olhos para ele. Olhos esses, que ela nem sequer reparou que haviam se desviado.

— Nós sabemos quem ela é, minha linda. — Aquilo a petrificou por segundos, antes de Adrien soltar uma risadinha e continuar sua fala. — Não literalmente, claro, mas você entendeu. Sabemos que a Bug Noir não faria isso se não acreditasse que é o certo. Não fique com raiva dela por isso.

Recuperado do mini infarto que teve, Marinette engoliu seco e balançou a cabeça em concordância.

— Sim, claro, eu sei. — Passou a língua sobre seus lábios, que ficaram secos de repente. — E eu não estou com raiva, só estou feliz que você também não esteja se sentindo assim.

Adrien não respondeu com palavras, mas também não foi preciso quando ele apenas sorriu e levou os dedos dela ao encontro de sua boca, depositando um suave beijo neles.

— Então vamos, acho que podemos encontrar um lugar mais afastado na biblioteca hoje para termos sossego.

Porém, o sossego, antes almejado, já foi logo destruído ao pisarem para fora da sala de Nino. Pois os aguardando, bem ali em frente, um grupo de alunos estava discutindo com seus amigos.

— A Bug Noir é uma mentirosa! — Um garoto disse, e parecia estar discutindo com o Ivan. — E vocês são uns idiotas por continuarem a acreditar nela depois dos absurdos que ela fez!

— Ela é uma assassina! — Gritou uma garota ao lado dele.

Marinette tentou não se encolher com aquela palavra sendo proferida ao se referir a ela, mas foi difícil.

E com Adrien ao seu lado, também viu os olhares que estavam sendo direcionados a ele assim que chegaram. Alguns apenas curiosos, com pena, outros o olhando com assombro, como se ele pudesse se transformar em um vilão também a qualquer instante e ser igual ao seu pai.

Mas os piores eram os olhares de raiva. Como se Adrien tivesse culpa pelo o que seu pai fez, de alguma forma.

Apertou a mão dele mais forte, enquanto o conflito continuava a se desenrolar à frente dos dois.

— Ela é nossa heroína! — Kim gritou de volta. — E tem cuidado de nós há quase um ano! Como vocês puderam trocar de lado só porque uma pessoa disse coisas contra ela?

— Ah é? Então cadê o parceiro dela? — Outro garoto tomou a frente, falando com deboche. — Ela e o Chat Noir viviam juntos e de repente ele some. Ela deve ter matado ele também!

Apenas imaginar tal ato a fez sentir calafrios pela espinha. Quase despistando a dor em seu coração ao ouvir o nome dele sendo pronunciado.

— A Bug Noir jamais faria isso! — Se assustou quando Adrien saiu em sua defesa, mas também sentiu um aquecer em seu peito por isso.

— Ela é boa! — Milene continuou. — Vocês é que estão sendo enganados! Essa crisálida fez uma lavagem cerebral em vocês? Acordem!

— E quem é você para nos dizer alguma coisa, Adrien Agreste? — Um garoto resmungou, ignorando Milene completamente. — Vai nos dizer que não sabia mesmo que seu pai era um vilão, durante esse tempo todo?

Marinette sentiu a raiva subindo em seu corpo. Eles podiam falar o que quisessem dela, mas Adrien não merecia nada desse ódio gratuito.

— Não sei se você nunca notou, mas a mansão Agreste é um lugar enorme. Vários segredos podem ser escondidos atrás daquelas paredes. — Ela devolveu com irritação. — Como se você soubesse o que os seus pais fazem o tempo todo, ainda mais dentro de casa. Filhos mais educados é que não é!

Ficou surpresa com a própria má resposta, e o garoto também, pelo rosto em choque. Mas logo seus amigos tomaram a frente da discussão outra vez e sentiu a mão de Adrien a puxando para trás.

— Vamos sair daqui, minha linda. — Ele cochichou perto de seu ouvido, fazendo os pelos de seu pescoço se arrepiarem com a proximidade. — Falar não adianta para aqueles que não querem ouvir.

Ela apenas concordou e se permitiu ser levada para longe dali, escapando dos "anti-resistência", como Nino os chamou, por um corredor lateral.

Assim que entraram na biblioteca, Adrien os levou para uma das mesas mais ao fundo, onde havia poucos alunos. Ainda receberam olhares hostis e cochichos desagradáveis quando passaram, mas apenas ignoraram.

Adrien estava certo, tentar justificar atos que não eram deles e tentar provar sua verdade por enquanto não iria adiantar, só restava aos dois aguentar esses primeiros dias. A bomba havia explodido e eles teriam que aprender a lidar com os destroços, pelo menos por enquanto.

Quando chegaram à mesa, Adrien puxou a cadeira para Marinette se sentar.

— Como você está?

Se o namorado estava perguntando isso a respeito da sua saúde física ou mental, Marinette não sabia. As duas pareciam estar em frangalhos ultimamente.

— Esgotada. — Ela respondeu, conseguindo abranger seus dois estados em uma única palavra.

— Você não precisava ter feito aquilo. — Ele anunciou, sentando ao seu lado, mas virando o corpo na cadeira para ficar de frente para ela. — Não precisava ter me defendido. Agradeço por isso, mas eu não me importo com o que eles dizem. — Ele completou, ao notar sua incompreensão.

— Eu me importo. — Marinette respondeu com firmeza. — No dia em que eu não te defender, pode me mandar internar, pois eu não estarei bem.

Sua resposta séria fez Adrien rir, o brilho nos olhos dele indicando o quanto ele apreciava suas ações, apesar de dizer o contrário.

— Ok, mas sem mais internações, por favor. Você já teve mais que o suficiente. — Ele então se levantou novamente, depositando um beijo no topo de seus cabelos, antes de ir buscar os livros que iriam ler naquele tempo.

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O restante da manhã passou de forma tranquila na biblioteca, a escolha da mesa foi certeira e puderam desfrutar de um pouco de paz, antes de sair e ter que encarar o mundo novamente.

Marinette cochilou um pouco entre um livro e outro, mesmo tentando disfarçar. Adrien apenas permaneceu ali, fazendo cafuné em seus cabelos até ela acordar e dizer que estava apenas concentrada demais na leitura, e que precisou fechar os olhos para absorver melhor o conhecimento.

— Claro. — Ele respondeu com graça, tentando esconder a nota de preocupação por ela atrás de seu sorriso.

O pequeno e fugaz momento de tranquilidade dos dois logo findou, quando o celular de Marinette começou a apitar loucamente, a fazendo se endireitar na cadeira e olhar suas notificações.

— Ai, droga. — A namorada murmurou baixo.

— O que foi? — Adrien perguntou, já intrigado, tirando os olhos do seu livro para encontrar Marinette com um olhar inquieto para a tela do celular.

— Eu esqueci de ligar para o Luka ontem e agora a Alya disse que também está precisando de mim.

Adrien assentiu, aliviado por não ser nada de ruim. Aquele dia já estava sendo difícil o suficiente e eles não precisavam de mais más notícias.

— Vai lá, eu só vou terminar esse livro e depois me junto ao Nino na sala de filmagens. — Disse com calma, apenas de não ter sido esse seu plano inicial, ele gostava de ajudar seu amigo nas filmagens.

Porém, os olhos azuis da namorada ainda estavam ansiosos em sua direção.

— Tem certeza? Eu disse que ficaria com você hoje.

— Está tudo bem, minha linda. — Ele disse, não contendo o sorriso em seu rosto pelo cuidado dela. Aproveitou para levar uma de suas mãos aos cabelos escuros, uma carícia para deixá-la mais tranquila. — Se tem alguém mais feroz que você em querer me manter seguro nessa escola, esse alguém é o Nino. Eu vou ficar bem.

Seus argumentos pareceram ter surtir efeito quando ela soltou um breve suspiro.

— Tudo bem. — Então ela apontou um dedo em sua direção, a voz ficando mais firme e séria. — Mas me liga se acontecer qualquer coisa.

Adrien tentou levar a sério toda a "ferocidade" dela.

— Pode deixar, meu amor.

Então contra todas as regras, sejam da escola ou entre eles, Adrien aproveitou sua mão já em sua cabeça e a puxou para mais perto.

— A-Adrien...

— Obrigado por ser você. — Ele disse, sentindo que precisava expor a gratidão que estava em seu coração por ela. Também necessitando de sua proximidade, mesmo que só por alguns instantes.

Logo pode ver a vermelhidão tomando seu rosto, e não querendo piorar a situação, ele abaixou sua mão e voltou sua posição para frente, pegando o livro e continuando a ler normalmente.

— Nos vemos mais tarde? — Questionou, percebendo que Marinette ainda estava ali, paralisada ao seu lado.

— A-ah, sim, claro. Até mais. — Então ela saiu, e Adrien pode sentir um sorriso se abrindo em seus lábios.

Mesmo em meio aos caos, era reconfortante saber que ainda podiam roubar pequenos momentos de alegria e descontração como esses.

Retomando sua leitura, concentrando nas últimas páginas do capítulo, sentiu uma presença se aproximando à sua esquerda.

— Oi, Adrien!

A voz feminina já estava bem familiar para ele, por isso não foi nenhuma surpresa encontrar a garota de cabelos escuros de pé ao seu lado.

— Ah, oi Iris. — Ele cumprimentou com eduação. — Como está?

— Estou bem, e você? — Ela rapidamente puxou uma cadeira ao seu lado, depositando os grossos livros que carregava nos braços na mesa à sua frente. — Ainda mais com tudo isso sobre seu pai... — Então ela continuou, a voz caindo para um tom condescendente, colocando uma mão sobre seu ombro.

Adrien tentou se afastar discretamente, disfarçando o incômodo que sentiu, tanto pelo toque quanto pelo tópico da conversa.

— Estou bem. — Era a resposta mais evasiva do mundo, mas também, Iris não era alguém com quem Adrien gostaria de ter conversas profundas sobre seus sentimentos.

— Também sinto muito que você e a Marinette tenham terminado. — Ela continuou, recolhendo a mão, mas dessa vez para colocá-la sobre a sua mão esquerda que estava sobre a mesa.

Porém, o que ela tinha dito foi algo tão absurdo, que seu tempo de reação para tirar a mão dela da sua foi demorado.

— O quê? — Ele finalmente encontrou palavras após o choque. — Nós não terminamos.

Achou que Iris ficaria envergonhada, ou que iria dizer que havia se confundido com outro casal, porém ela apenas colocou um dedo no queixo e fez uma cara pensativa.

— Ah, que estranho. Eu achei que tinha ouvido ela falar sobre um tal de Luka e que queria encontrá-lo mais tarde. — Ela disse de forma confiante. — Mas deve ter sido um engano meu então. — Porém a forma irônica como ela disse indicava que, definitivamente, ela não achava que havia se enganado sobre nada.

Adrien respirou fundo, procurando a paciência que sempre teve com pessoas como ela para não ser grosseiro. Porém, Íris havia escolhido o dia errado, na verdade, o pior dia, para testá-lo. Sem falar que já estava ficando cansado dessas conversas tortas que essa garota continuava a trazer para ele sobre sua Marinette.

Por isso, ao invés de dizer qualquer coisa educada e ignorá-la, como sempre fazia, Adrien arrastou sua cadeira para trás e se pôs de pé, atraindo a atenção da menina para si. E assim que ela o olhou, Adrien inclinou o corpo em sua direção.

— Escuta Íris, eu não sei que tipo de pessoas podres você era amiga antes de você vir para cá, ou que tipo de pessoa horrível que você namorava, mas eu e meus amigos não somos assim. Nós não traímos uns aos outros. — Então com as mãos apoiadas sobre a mesa, ele se aproximou mais da garota, dizendo as próximas palavras com uma voz baixa, banhada em pura raiva. — Portanto, aproveite enquanto estou sendo educado e pare de aparecer de repente nas mesmas aulas que eu ou as conversas que teremos serão bem diferentes, e acredite, você não vai gostar nem um pouco do que vai ouvir.

Endireitou seu corpo e começou a juntar os livros que ele e Marinette haviam pegado para ler. Não esperou uma resposta da garota ao seu lado, porém antes de sair, resolveu deixar mais um recado, se virando para ela, esperou encontrá-la assustada, porém seus olhos cerrados apenas indicavam raiva.

— E fique avisada: se você sequer insinuar de novo que a minha Marinette ou o Luka possuem esse tipo de mau-caráter, eu vou fazer você se arrepender de ter vindo para Paris, e você vai descobrir, da pior forma, que mexer comigo foi a pior decisão da sua vida.

E com isso, ele saiu da biblioteca a passos duros, querendo deixar lá para trás sua raiva.

De fato, que dia horrível aquele estava sendo.

Notas finais
Finalmente a Iris teve o fecho que merece, AI QUE DELÍCIA que foi escrever isso. Bom galera, então foi isso. Sei que o cap foi mais "parado", porém também pesado, sei lá kkk. Nosso casal está passando por momentos difíceis agora, tadinhos. No próximo cap teremos mais da nossa Bug Noir... se isso é bom ou ruim, eu não sei kkk Beijos doces! Até lá.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.