Ausência
12 Equilíbrio
Notas iniciais
You're my hero
(Você é meu herói)
You always pick me up
(Você sempre me levanta)
Before I self-destruct
(Antes que eu me autodestrua)
Save me — Steffany
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Adrien ficou na escola até mais tarde naquela sexta, a pedido de Nino. O amigo queria ajuda com o novo curta-metragem que estava produzindo, o braço dele já estava melhor, não precisando mais usar a tipoia, mas ainda não podia fazer esforço. E apesar de não querer deixar Marinette sozinha, ele precisava se lembrar que também tinha amigos que ele precisava dedicar sua atenção.
Uma rápida troca de mensagens com a namorada e ela rapidamente disse para ele ficar tranquilo, pois ficaria bem em casa. Mas Adrien só relaxou quando Alya se dispôs a ficar com ela após a aula, e Adrien pediu que Gorila levasse a amiga até lá.
Então agora, estava com o amigo, ajudando-o com as luzes e dando dicas para seus atores.
— O professor de teatro é legal, mas eu queria alguém que entendesse na prática. — Nino explicou, quando pediu a Adrien para ajudar alguns alunos, dando seus conselhos sobre atuação. — Além do mais, se eu deixar, esses caras fazem o que querem no meu filme.
Adrien até gostou de passar o conhecimento que tinha adiante. Sem contar que por ser conhecido, os alunos levaram suas orientações bem a sério, e Nino estava ficando satisfeito com a performance.
— Ação! — Ele iniciou outra cena, e Adrien foi para trás das câmeras, ainda ajudando com as luzes.
Porém, após alguns takes, o alerta de akuma soou em seus telefones, interrompendo a gravação e fazendo todos largarem seus afazeres. Ligou para Marinette na mesma hora, com o coração acelerado. Mesmo sabendo que ela estava segura em casa, pois ainda estava muito debilitada, com menos de uma semana desde o acidente, não podia deixar de sentir medo pelo que houve no último ataque.
Talvez Adrien tivesse desbloqueado um novo trauma.
Cerrou a mandíbula e os punhos, já se preparando para ficar preso até que o ataque terminasse, mas torcendo para que isso não demorasse muito.
— Alô. — Não conseguiu esconder o assombro ao não ser atendido por ela.
— Alya? — O coração já pulou uma batida, já se perguntando o motivo da namorada não estar com o celular. — Cadê a Marinette? Tá tudo bem?
— Oi Adrien, está tudo bem. — A amiga explicou de forma rápida do outro lado. — Desculpa, é que a Mari tomou uns remédios para dor e acabou dormindo. Mas ela ta bem sim.
Aquilo serviu para acalmá-lo, mas não de forma completa. Ainda preferia ouvir a voz dela, ou melhor, estar lá com ela.
— Ok, viu o alerta de akuma? Fiquem em casa protegidas, vocês duas. — Declarou de forma insistente.
Não permitiria que acontecesse com sua amada o que houve da última vez.
— Pode deixar, Agreste. — A ruiva afirmou de forma divertida, antes de desligar o celular.
Guardou o aparelho no bolso e foi em direção ao amigo, que estava terminando de guardar seu equipamento.
— A Alya tá bem, Nino, acabei de falar com ela. Ela está cuidando da Marinette. — Clareou a situação, de forma breve, ajudando-o com a mochila.
— Valeu cara. — O amigo terminou o que estava fazendo e se virou para ele.
Apenas nessa hora, Adrien se levantou e percebeu que estavam só eles na sala de teatro. Nino pareceu perceber a mesma coisa, pois logo questionou também.
— O quê? Por que as trancas das portas não estão funcionando? — O garoto perguntou, começando a caminhar em direção à saída.
Quando as luzes de emergência soaram e a voz altos falantes iniciou uma mensagem
“Todos os alunos, por favor, mantenham a calma e se dirijam até a saída."
Apenas naquele momento, Adrien se lembrou do manual da escola, e sobre o que estava escrito lá a respeito de uma situação como aquela.
— Não trancam quando o ataque vem de dentro da escola! — Respondeu em um só fôlego, recebendo o olhar assustado de Nino.
Os dois saíram da sala, no terceiro andar do prédio, e foram em direção ao corredor, em meio a um mar de alunos, todos correndo desesperados. Como nada nessa escola era convencional, os horários também não eram. Havia uma hora certa para a abertura, mas não para a saída. Os alunos podiam chegar, fazer suas aulas, saírem e voltarem mais tarde, assim como trocar de turno quando quisessem. O importante era apenas ter cumprido o mínimo da carga horária ao final de cada mês.
E por isso, a escola ainda estava cheia. E no momento, cheia de estudantes apavorados.
Sabia que eles estavam com medo de se machucar, ou de algo pior, desde a última luta da Ladybug.
Ouviram um estrondo e todos se abaixaram juntos no corredor, uma fumaça estranha invadiu o corredor e logo vários alunos estavam correndo sem rumo, tentando achar direção das escadas ou dos elevadores.
Adrien logo percebeu que precisaria fazer algo, e usou todo o treinamento que adquiriu sendo parte da resistência. Procurou ao redor, encontrando a luz da saída de emergência, brilhando fracamente em meio à névoa.
Conseguiu, com dificuldade, costurar entre os corpos até alcançar a porta no meio do corredor.
— Por aqui! — Ele gritou, guiando os alunos para lá, tentando acalmá-los ao mesmo tempo, para não ter nenhum acidente nos degraus.
Nino logo ficou do outro lado da porta, também direcionando os alunos.
— O que será que rolou? — O amigo perguntou alto, mas foi um aluno que estava indo entrar pela porta, que o respondeu.
— Um garoto pirou no laboratório de química, porque queria mostrar que era mais inteligente que o outro, mas como não existem notas nessa escola, ele disse que faria isso na prática. — Então o aluno sumiu em direção às escadas.
Adrien ficou pasmo. Mesmo com tanta ajuda emocional que a escola estava disponibilizando, ainda havia adolescentes que se importam tanto com isso? Notas? Isso valia pôr em risco a vida de tantos inocentes?
— Esse cara precisa relaxar! — Nino externou seus pensamentos.
Quando o fluxo de alunos acabou, ambos estavam prestes a sair também, quando outra explosão aconteceu, balançando o piso aos pés dos dois, levando-os ao chão e destruindo a parede ao lado.
Adrien tossiu, impedindo toda fumaça de entrar em sua garganta, e abanando a mão na frente de seus olhos para conseguir enxergar. Nino não estava diferente ao seu lado, mas estava bem. Graças a Deus, nenhum dos dois havia se ferido.
Após se levantar e ajudar o amigo a fazer o mesmo, foi em direção ao buraco na parede, onde agora, era possível ver o pátio da escola.
O akumatizado estava lá. Usava um jaleco de laboratório e uma máscara no rosto. Ele tinha uma bolsa ao redor de sua cintura, e aparentemente, estava pegando ingredientes de dentro dela para fazer suas poções explosivas.
“O akuma deve estar na bolsa ou na máscara” — Ele pensou, mesmo não sendo mais o seu trabalho, ter que analisar essas questões.
Foi afastado de seus pensamentos ao sentir Nino balançando seu ombro de forma frenética.
— Cara! Olha aquilo! — A voz dele estava cheia de espanto, então rapidamente tentou encontrar o que ele estava apontando.
É então que ele a vê, pela primeira vez. Estava saltando do primeiro andar em direção ao pátio da escola, salvando alguns alunos, antes de se virar em direção ao akumatizado.
Seu coração parecia ter parado de vez em seu peito. Era ela.
Bug Noir.
Ela não havia entregado o Miraculous a outra pessoa, Adrien percebeu em seguida, com horror. Ela havia pegado-o para si.
E onde estavam os outros heróis?
— Agora entendi o que ela quis dizer. — Nino declarou, mas Adrien ainda estava chocado com a visão dela.
— O quê?
Antes que recebesse a resposta, Nino o puxou para mais fundo no corredor, se agachando no chão para se protegerem. Eles agora estavam sozinhos, mas o amigo ainda olhou para os lados, antes de começar a narrar.
— Tivemos uma reunião com a Ladybug ontem a noite. — Ele revelou.
— Como ela estava? — Não conseguiu se controlar, e precisou perguntar.
Mesmo Viperion afirmando que ela havia melhorado depois da luta, a imagem dela na TV, caída no chão, ainda o deixava aflito, pois ela não havia mais aparecido em lugar algum.
Bom, até agora.
Se sentia mal por ter deixado essa dúvida por tanto tempo, mas depois de toda a situação com a namorada, ele não conseguiu pensar em mais nada nem ninguém, além de Marinette.
Por isso, saber que ela já havia se reunido com os heróis trouxe um acalento às suas preocupações.
— Ela estava bem. Mas convocou todos os heróis, pra dizer que a situação tava feia, Adrien. Tudo aquilo aconteceu porque o Chat Noir renunciou, e ela ainda não tinha escolhido um substituto pra ele.
Adrien ergueu as sobrancelhas com essa informação. Ladybug havia, finalmente, anunciado sua saída. Porém, um aperto em seu peito surgiu, ao descobrir que o motivo daqueles erros na luta foram por sua causa. Na verdade, por sua ausência.
Ainda precisava saber o porquê dela ainda se recusar a colocar outra pessoa em seu lugar, e deixar tudo isso acontecer como consequência.
— E por que ela não escolheu? — Era a pergunta que rondava sua cabeça todos os dias.
— Não sei, cara. Aí é que tá! — Nino declarou, batendo a mão uma na outra, de forma revoltada. — Depois que ela nos contou isso, achei que ela tinha nos chamado também com o propósito de escolher um de nós, mas não. — Ele então, balançou a cabeça, olhando em direção ao buraco. — Aparentemente, decidiu usar o anel ela mesma.
Ladybug estava louca? Adrien jamais pensou que ela faria isso.
Olhou na mesma direção de Nino, estavam longe da parede agora, mas podia ouvir os sons da luta, e fumaça vindo lá debaixo.
— Você não tem que ficar a postos agora, caso ela chame? — Questionou.
— Outra exigência dela, não vamos mais participar das lutas, até que tudo volte ao normal.
Adrien agradeceu por estar agachado ao chão, pois se estivesse em pé, precisaria se sentar um pouco depois dessa notícia.
— O quê?! — Emitiu em surpresa, logo depois, precisou respirar fundo para conseguir assimilar, mas ainda não conseguiu acreditar. — Ela planeja lutar completamente sozinha?
Nino apenas lançou um olhar de compadecimento para ele.
— Ela disse que está fazendo isso para nos proteger, pois não pode mais nos curar. — O olhar amigo foi inconscientemente para o próprio braço e Adrien fez o mesmo.
Infelizmente, era a cara dela fazer esse tipo de coisa, mas isso não impedia sua vontade de agarrá-la pelos ombros e dizer para ela parar com isso e não lutar sozinha.
— Mas não cai nesse papo, acho que tem algo de errado, Adrien. Vou marcar outra reunião da resistência, em breve. — Nino continuou, precisou concordar com ele.
Se Ladybug descobriu que toda essa situação começou com a sua saída como Chat Noir, então não demoraria muito agora, até ver alguém usando seu anel. Conhecia a heroína muito bem, e mesmo não gostando dessa decisão, sabia que ela não ia permitir que as pessoas se machucassem por causa dela.
Além do mais, os dois haviam conversado antes, sobre os perigos de manter os dois Miraculous juntos por tanto tempo. Ela estava ciente dos riscos que estava correndo, alguém poderia tentar capturá-la para roubá-los ou teria a tentação do desejo.
Ela não continuaria sendo Bug Noir por muito tempo.
Uma nova explosão de químicos aconteceu perto deles, balançando chão e paredes, levantando mais fumaça, e Adrien soube que precisavam se proteger antes que se machucassem.
— Vem, a gente precisa sair daqui. — Exclamou, puxando Nino para cima.
Correram em direção à saída de emergência, mas a porta da escada de estava fechada e impedida por blocos da parede que explodiu, que nem os dois juntos conseguiram tirar.
Então foram em direção às escadas centrais do prédio. Mesmo elas sendo expostas, sabia que era uma escolha mais segura que os elevadores nesse tipo de situação.
Estavam na metade do caminho até o segundo andar, quando ouviram outra explosão, e os degraus que estavam sob seus pés sumiram de repente, enquanto a escada desabava.
O grito que estava em sua garganta ficou preso durante a queda, pois antes de ser esmagado no chão, eles foram pegos no ar.
— Cataclismo! — Seu coração travou naqueles milésimos de segundos, ao ouvir essa palavra sendo proferida, e um pilar virar cinzas ao seu lado.
Ele nem ao menos percebeu que aquilo ia atingi-los.
Bug Noir os agarrou, balançando-se com o ioiô até depositá-los suavemente em solo firme.
— Saiam daqui! Não é seguro! — Ela exclamou alto depois de soltá-los, e Adrien perdeu o ar ao olhá-la.
Ela era magnífica.
Estava empunhando o bastão e o ioiô à frente deles, como se fossem uma espada e um escudo. Uma verdadeira guerreira.
Seu traje era misturado às cores dos dois: vermelho, preto e verde. As orelhas de gato tricolor, se misturando com os fios escuros de seu cabelo, que possuía agora longas tranças, uma representando a sua cauda de gato.
Ela era muito mais linda do que ele, um dia, poderia ter imaginado.
Mas os olhos… Ela os virou em sua direção, o rosto da heroína em alarme para que obedecessem sua ordem, mas tudo que Adrien foi capaz de fazer naquele momento, foi admirá-la.
Os olhos verdes iluminados, com pintinhas pretas nas íris, eram magníficos. Hipnotizantes.
Adrien não conseguia desviar o olhar dela.
— Vocês não me ouviram? Vão! — Ela falou com mais impaciência, girando o ioiô na frente para protegê-los de mais um ataque de poção explosiva.
— Anda, cara, precisamos sair daqui! — Nino o puxou, praticamente o arrastando para fora, enquanto ele ainda olhava para trás, em direção à sua Lady, a tempo de vê-la saltar em direção akumatizado e sumir em meio à fumaça da luta.
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Estava acompanhando as notícias, e sentiu um gelo no estômago ao ver o akumatizado na escola.
Marinette ainda estava muito debilitada, fazia apenas dois dias desde que ela voltara do hospital. Ela não podia ter se transformado para lutar.
Mas aquela era, sem sombra de dúvidas, uma heroína com a fusão do Miraculous da Criação e da Destruição.
Era ela. Infelizmente, só podia ser ela.
Pegou sua bicicleta, enquanto ligava para Alya na mesma hora.
— Achei que estava cuidando dela hoje! — Ele exclamou, assim que a amiga atendeu.
— E você acha que eu consigo parar ela? — Alya ralhou de volta, do outro lado. — Mesmo de repouso essa menina é impossível. — Ela observou, e Luka soltou um barulho de irritação. — Eu tô aqui sozinha, e os pais dela não podem nem imaginar que ela saiu! — Alya parecia estar perto de um ataque de nervos, algo não muito diferente dele.
Ainda queria acreditar que aquela podia ser outra pessoa, que Marinette havia criado juízo de repente, e passado a responsabilidade para alguém. Mas era claro que não.
E a confirmação de Alya era tudo que precisava.
— E ei! Você não devia estar ajudando ela? — Alya perguntou.
Sim, Luka havia contado a ela sobre o pedido da Ladybug. Mas o único motivo disso foi porque a ruiva ameaçou arrancar os brincos da amiga quando ela estivesse dormindo, caso ela não mudasse de ideia e fosse lutar sozinha e machucada. E sua ajuda era a única razão de Alya não ter feito isso, ainda.
— Ela não me ligou! O que ela está fazendo? — Revelou, mais para si mesmo do que para a garota do outro lado da chamada.
Desligou o celular, sem nem ao menos se despedir. Estava ansioso, e com pressa. Pedalou até o túnel mais próximo e assim que desceu, chamou por seu kwami, que rapidamente, flutuou para seu lado.
— Sass! Mostrar escamas.
Assim que a pulseira estava ativa, verificou suas mensagens e confirmou que, nem ali, havia algum sinal dela. Ativou seu comunicador em segundos.
— Estou aqui, Ladybug. — Inspire, segure, expire.
Contou os segundos de silêncio, até finalmente obter uma resposta.
— Olá, Viperion. — Sentiu um pequeno alívio ao ouvir a voz feminina e suave, do outro lado. — E é Bug Noir agora. — Ela informou de forma sucinta. — Ative o poder. Se algo der errado, sabe o que fazer. — Podia ouvir os barulhos ao redor, mas o que chamou sua atenção, foi o fôlego pesado dela.
Mesmo transformada, parecia estar custando a manter a transformação.
— Espero que saiba o que está fazendo. — Ele sussurrou para si mesmo, mexendo na cobra em sua pulseira. — Segunda chance!
Nunca havia lutado dessa forma antes. Com sua harpa, estava acompanhando a luta, voltando ao tempo quando algo dava errado, mas não era a mesma coisa que estar lá de forma física.
Sentia a tensão crescer a cada golpe que Bug Noir dava, e a cada explosão que ela conseguia desviar. As palmas de sua mão estavam suando, e isso nem era mesmo possível quando estava transformado.
Mas já na terceira tentativa, Bug Noir conseguiu afastar o garoto akumatizado de sua bolsa, e rasgar sua máscara. Já que na segunda tentativa, descobriu que a bolsa não era o objeto do akuma.
— Ela conseguiu libertar o akuma! — Clara anunciou na TV. — Acho que posso dizer, em nome dos nossos telespectadores, que estamos todos aliviados em ver a nossa nova heroína nos protegendo, mais uma vez!
De fato, a apresentadora estava certa, e Viperion se permitiu relaxar os ombros tensos e soltar o fôlego que estava prendendo. Ela não havia se machucado. Marinette estava bem.
Bug Noir estava com seu talismã nas mãos, um prato vermelho de bolinhas pretas que ela, de alguma forma, usou para arrancar a bolsa do akumatizado.
— Mas agora, é a hora da verdade. — Clara anunciou para a câmera, e ao fundo, todos podiam ver Bug Noir jogar o objeto para cima.
— Miraculous Bug Noir! — Conseguiu ouvi-la dizer através da tela.
O prato sumiu em uma nuvem de joaninhas rosas.
Sim, todos sentiram alívio ao ver que a Bug Noir conseguiu.
Mas isso foi antes de ver que as joaninhas não arrumaram nada novamente, ao final.
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Saltou através dos telhados até avisar sua casa, rapidamente pulando em direção à janela da sala e fazendo sua entrada.
Alya estava lá, testa franzida, braços cruzados e batendo o pé direito furiosamente no chão. Mas Bug Noir não poderia se importar menos com isso agora.
Estava exausta.
De pé em frente a ela, com o coração acelerado e respiração pesada, estava puxando grandes goles de fôlego com a boca, para se recuperar de seu estado arfante.
— Você perdeu completamente o juízo! — Alya finalmente soltou sua ira, jogando as mãos para cima.
Analisou a amiga calmamente, antes de fechar a boca com força, inspirar fundo e aprumar a postura. Sabia que Alya estaria brava ao retornar, afinal, ela não contou para a melhor amiga, nem a ninguém, sobre seu plano de começar a usar os dois Miraculous juntos. Bom, além de Tikki e Plagg, claro,
Imagine o choque de Alya, quando o alerta akuma soou, e ao invés dela retirar os brincos e passar para ela, Marinette pegou o anel preto e os unificou, se transformando em Bug Noir diante de seus olhos.
Ainda assim ela não era boba. Saltou da janela antes que Alya pudesse detê-la.
— Salvei Nino e Adrien hoje. — Informou simplesmente, e viu os olhos castanhos-oliva dobrarem de tamanho. — De nada.
Foi inevitável não lembrar daquele momento. Tinha encontrado o akumatizado, mas antes de entrar em confronto com ele, precisava certificar que nenhum aluno ainda estava no local. Estava salvando alguns, quando seu coração quase saiu pela boca, ao ver Adrien e Nino naquela escada. O akumatizado pareceu perceber seu susto, pois abriu um sorriso cínico antes de rapidamente jogar uma de suas misturas químicas explosivas naquela direção.
Ela estendeu seu bastão sem nem ao menos pensar, os resgatando no ar antes que se ferissem. Recordou como seu coração se apertou ao vê-lo cair da escada, temendo não conseguir salvar seu namorado a tempo. Também temeu que ele já estivesse ferido, e com sua sorte ainda abalada, não seria capaz de curá-lo. Mal conteve o alívio ao ver que ele e Nino estavam bem, mas não pode apreciar o sentimento naquele momento, pois precisava que os dois saíssem de lá o mais rápido possível. Ao depositá-los no chão, Adrien ainda estava com um olhar muito assustado, em sua direção.
Queria tanto, poder ter conversado com ele, certificar de que estava bem, mas não tinha esse tempo, não era seguro. Por isso os dispensou depressa, e depois, partiu para a luta.
Deu passos em direção ao colchão depois de relembrar o que houve, desfazendo a transformação e caindo sobre o acolchoado. Toda a dor de seu corpo voltando com força total, parecia estar levando aquele golpe novamente em seu abdômen.
Alya agarrou seu braço com rapidez, impedindo que sua "queda" a machucasse, ajustando seu corpo ferido em uma posição confortável. Precisou de alguns minutos para respirar e se recuperar.
— Ai Marinette, você sabe que não é sobre isso que eu estou irritada. — Alya expressou de forma mais branda.
E após ajudá-la a se sentar no colchão, foi em direção à cozinha, pegando um macaron de morango, um pedaço de queijo na geladeira e seu remédio para dor.
— Obrigada, Alya. — Tikki agradeceu, pegando o macaron e flutuando para perto de Marinette.
Plagg apenas pegou o queijo com um aceno.
— Está irritada porque não queria me deixar ir. — Marinette afirmou, com um suspiro, pegando o remédio e o tomando, para depois fazer uma carícia em Tikki, agora comendo sentada, em seu ombro, que parecia preocupada com seu estado.
— Exato! — A ruiva se sentou no colchão à sua frente, e Marinette a encarou. — Devia ter me entregado o seu Miraculous.
— E atrair o azar para você? — Ela retrucou, erguendo uma sobrancelha.
Mas viu a determinação nos olhos astutos e investigativos da Césaire.
— Então me entregue os dois! — Sabia que deveria estar confuso para ela, por isso, resolveu pôr a situação às claras, de uma vez.
— Eu ainda precisaria usar o Miraculous do Gato para recuperar a minha sorte. Você usá-los não iria adiantar, e usar o da Joaninha sozinha só vai piorar as coisas. — Pois Alya sabia bem, que Mari não entregaria anel a ela, nem a ninguém. Respirou fundo antes de continuar sua explicação. — E além do mais… eu não acho que eu conseguiria usar o do Gato sozinha.
O uso dos dois Miraculous, Yin Yang era mesmo algo indescritível, ela conseguia sentir a diferença instantânea quando os combinava. Não era nada comparado com quando usava o da Criação, de forma isolada. Também não havia sido como a primeira vez que os combinou, já que agora seu corpo estava tão enfraquecido, mas ainda assim, era algo muito forte.
Era como receber uma enorme carga energética de uma vez. Até suas dores amenizaram drasticamente, quando estava como Bug Noir, se tornando apenas um formigamento suportável.
Usar o da Destruição apenas, mesmo sendo muito poderoso, não teria o mesmo efeito.
— Ah! Isso é frustrante! — Alya bradou, se jogou de costas no colchão com os braços abertos.
Marinette achou aquilo engraçado, apesar da péssima situação. Aproveitou a posição para cutucar a ruiva com o pé.
Conseguiu fazer cosquinhas na cintura da amiga, mesmo que aquilo tivesse dado alguns repuxões de dor em sua barriga. Quando Alya sorriu, valeu a pena.
Então ela e Alya se entreolharam, o riso de transformando em uma feição séria, e enxergou a dor da impotência estampada no rosto da amiga.
— Vai ficar tudo bem. — Marinette soprou em sua direção, não aguentando ver a amiga se sentindo tão mal por ela.
Mas Alya apenas negou com a cabeça, demonstrando claramente que não acreditava naquelas palavras. Ainda deitada, ela virou a cabeça para o teto, fugindo de seu olhar.
— Como sabe?
Hesitou antes de responder, pois a ruiva não gostaria da resposta. Ela não sabia. Não estava sabendo de muitas coisas ultimamente. Toda sua confiança e certeza haviam flutuado para um nevoeiro de medos e incertezas, depois que Chat se foi.
“Ela conseguiria ser uma boa heroína, sem ele por perto?” Havia sido seu primeiro questionamento, após perceber que ele não iria estar lá com ela, quando o primeiro akumatizado apareceu, depois de sua renúncia.
E depois disso, os questionamentos nunca mais haviam parado. Na noite anterior, havia se perguntado se estava fazendo o certo.
Então, se ela sabia que tudo ficaria bem, com ela ignorando os avisos de todos para dar o Miraculous da Destruição para outro, e ao invés disso usar ela mesma, a resposta era não.
O que ela sabia, é que queria Chat Noir de volta. Não importava os percalços que estava precisando contornar, estava fazendo o seu melhor para atingir esse objetivo.
— Ele vai ver a luta de hoje. — Disse, sabendo que estava ignorando a resposta de propósito. — Chat conhece os riscos do que fiz, e sabe que eu não unificaria os Miraculous, se tivesse outra alternativa.
E consequentemente, ao ter o retorno dele, tudo ficaria bem. Era sua conclusão final.
Mas Alya apenas virou o rosto em sua direção, e a respondeu com seu silêncio.
Deixou o momento se arrastar em quietude por alguns segundos, sendo interrompida com o celular tocando.
Alya se levantou, pegando o celular de Marinette em cima da mesa da TV.
— É o Adrien, de novo. — A amiga informou, passando o celular para ela em seguida. — Ele te ligou mais cedo, eu disse que você estava dormindo.
Agradeceu com um aceno, antes de atender a chamada.
— Oi amor.
— Mari? — O namorado pareceu querer se certificar, ao reconhecer sua voz. — Oi minha linda, acordou. Como você está? — A voz dele estava banhada em piedade, pelo seu atual estado.
— Estou bem. — Pode ver Alya bufar e revirar os olhos com suas palavras. Sabia que ninguém acreditava quando ela respondia isso.
De fato, estava precisando viver à base de remédios fortes para aguentar a dor em seu corpo, isso sem mencionar o estado caótico de sua mente. Mas, de que adiantaria dizer “estou péssima" se ninguém poderia fazer algo para lhe ajudar? Já estavam todos fazendo o possível para isso, essa era a sua única maneira, para não deixá-los ainda piores.
— Soube que houve um ataque na escola. — Ela desconversou, não apenas para mudar o assunto, também queria checar como o namorado estava.
— Sim, houve. Por isso estou ligando. — Adrien continuou. — Estamos indo aí, a escola dispensou todos os alunos.
Foi então que Marinette ergueu a cabeça, e viu Alya falando em seu próprio celular. Não precisava pensar muito para saber que era Nino, dando as mesmas informações que Adrien estava passando a ela, agora.
— Vocês estão bem?
— Estamos, linda, não precisa se preocupar. — Adrien assegurou. — Quase nos machucamos, sim, mas fomos salvos pela Bug Noir. — Marinette não pode deixar de erguer uma sobrancelha com aquela informação.
— Uau, Bug Noir hein. — Não imaginou que o nome se espalharia tão rápido, mas com tudo sendo noticiado em tempo real, não deveria ter ficado tão surpresa.
— Sim, te conto mais quando chegar, estamos quase aí. — A voz dele parecia enérgica, quase como se estivesse empolgado com aquilo.
— Ok meu lindo. Estarei te esperando. — Disse, com um sorriso. Pelo menos algo de bom saiu daquela luta, ela veria Adrien mais cedo.
Encerrou a chamada, e viu Alya já a aguardando.
— Ele quer falar sobre a Bug Noir. — Explicou sucintamente. — Pareceu fascinado por ela.
Alya torceu a boca, segurando o riso.
— Boa sorte com isso. — Então apontou o dedo em sua direção. — Porque o Nino está puto com você.
Marinette se assustou com aquilo
— O quê? O que eu fiz para ele? — Indagou, completamente perdida.
Ela havia acabado de salvar a vida dele!
— Deu poder ao garoto e agora, tomou de volta! — Alya declarou. — Ele amava ser o Carapace, amiga. Amava ser um herói e ajudar as pessoas.
Não soube exatamente o motivo, mas ouvir aquilo a encheu de raiva. Nino estava reclamando porque não podia mais usar o Miraculous dele em paz? Quanta audácia.
Apertou o cobertor embaixo de si com força, e sentiu sua mandíbula tensa, ao responder.
— Chat Noir também amava ser ele mesmo. — Ela devolveu, já sentindo o seu coração acelerar com aquilo. — Faça-o voltar, então todos nós seremos felizes! — Jogou, sentindo as palavras lhe arranhando a garganta, com o ácido delas.
Novamente, Alya pareceu ter ficado sem palavras diante de sua resposta, ou apenas, optou por não responder e piorar as coisas, pois abriu a boca em surpresa, mas nenhuma palavra foi proferida.
Marinette não queria, mas estava tão sensível com esse assunto, que qualquer menção de Miraculous e poderes já haviam se tornado um gatilho para lembrar dele, e a amiga sabia que, quando se tratava do Chat Noir, Marinette não aceitava opiniões. Ninguém poderia entender a conexão entre os dois, logo, não deveriam se intrometer.
A campainha soou, libertando ambas daquele clima horrível que foi instaurado.
— Nossos namorados chegaram. — A ruiva se levantou para atendê-los, ignorando seu olhar e parecendo chateada, enquanto Marinette se esforçou para esquecer aquele assunto e se acalmar, antes de receber os garotos.
Abriu um sorriso quando Adrien veio em sua direção.
— Oi, meu amor. — Ele se aproximou, o perfume masculino inundando seus sentidos, antes dele depositar um singelo beijo em seus lábios.
— Oi. — Ela cumprimentou, após devolver o beijo.
A mão de Adrien logo foi aos seus cabelos, fazendo uma carícia em seus fios, antes de se sentar ao seu lado.
— E aí, Marinette. — Nino apareceu em seu campo de visão, de mãos dadas com Alya. — Como é que você tá?
— Recuperando. — Respondeu sincera, trocando um sorriso sem graça com o amigo.
Alya estava quieta ao seu lado, e sabia que era sua culpa.
— Bom, agora que o Adrien chegou, nós já vamos. — Ela pronunciou, após dar um puxão na mão de Nino.
— Mas já? — Foi Adrien quem perguntou.
— É, ordens da Ladybug e tal. — Nino então explicou. — Ela nos pediu para ajudar após as lutas.
Ela e Adrien então trocaram olhares. Era estranho os amigos poderem falar tão abertamente sobre isso com os dois, mas o segredo já havia sido revelado, e não havia como voltar atrás.
Marinette, muitas vezes, desejava poder fazer o mesmo, se não fosse tão arriscado.
— Ah, claro. — Ela concluiu. — Tomem cuidado, vocês dois.
Após as despedidas, o casal foi em direção à saída, e uma sensação ruim estava tomando forma em seu estômago ao deixar a amiga ir embora daquele jeito.
— Alya, espera! — Ela chamou, quando os dois já estavam quase à porta.
Quis se virar para trás, para olhar no rosto da amiga quando fosse falar, mas seu corpo completamente moído, não estava sendo de grande ajuda. Adrien pareceu perceber sua inquietação, e a ofereceu apoio com o braço para virar. No entanto, isso não foi preciso, Alya já havia dado meia volta, retornando para perto de Marinette.
— Obrigada, por cuidar de mim. — Declarou quando a ruiva apareceu em seu campo de visão. — Mesmo eu sendo tão teimosa, e dificultando tanto.
Alya afundou os joelhos no colchão e a abraçou com muita cautela, mas não com menos carinho.
— Sabe que eu só quero o seu bem, Mari. — Ela sussurrou em seu ouvido, a voz embargada. Não pode deixar de sentir a culpa corroendo seu interior por isso.
— Eu sei, me desculpa! — Ela tentou devolver o abraço, enlaçando a cintura de Alya, mesmo com a queimação no lado esquerdo de seu tronco.
— Tá tudo bem. — Alya então fungou, se afastando para mirá-la nos olhos, ambas as mãos em seus ombros. — Só, não dê tanta dor de cabeça ao Agreste assim, ok? — Ela ordenou, em um tom bem-humorado, e com um sorriso nos lábios.
Com alívio, Marinette sorriu de volta.
— Eu vou tentar. — Então as duas trocaram um olhar de repleta cumplicidade, antes dela se levantar e sair com Nino.
— O que foi isso? — Foi a vez de Adrien a questionar, se virando para ela, com um olhar confuso, assim que ficaram sozinhos.
Bufou cansada, não querendo e nem podendo admitir, o que havia feito.
— Eu fui uma péssima paciente. — Confessou a meia verdade, recebeu um olhar de falsa repreensão de Adrien.
— Tsc, tsc, que feio. — Ele falou, enquanto balançava a cabeça em reprovação. — Parece que é só eu ficar longe que você arruma problemas.
Bom, não era mentira. Já que seus últimos problemas foram acarretados por estar na sua forma de heroína, e para isso, ela precisava estar longe de Adrien.
— É, não sei por que isso acontece. — Se fez de desentendida, desviando o olhar dele, procurando o controle da TV em meio ao cobertor.
Mas então Adrien tocou seu queixo, virando seu rosto em direção ao dele. E ao mirar os olhos verdes, que pareciam famintos por sua atenção, Marinette não conseguiu mais desviar os próprios olhos.
— O que eu faço com você, minha pequena desastrada? — Adrien usou a outra mão para acariciar sua bochecha, a deixando encurralada com sua presença.
Sentiu os lábios secarem com ele tão perto, mas Adrien não estava mais roubando beijos seus, desde que voltou do hospital. Não sabia o porquê, mas suspeitava que ele estava com medo de machucá-la.
O que era absurdo. Adrien a tratava com tanto amor, que jamais faria isso.
Viu a vontade no rosto dele, mas também a cautela.
— Por que você parou de me beijar? — Não soube como as palavras escaparam de sua boca, mas elas saíram antes mesmo de pensar. E depois que percebeu, sentiu sua respiração trancar e o rosto esquentar.
Adrien pareceu tão surpreso quanto ela, mas depois os olhos se estreitaram e um sorriso tímido surgiu no rosto dele. Ele abaixou ambas as mãos, e afastou o rosto dela.
— Eu… gosto de pegar na sua cintura, quando te beijo. — Ele confessou, mesmo parecendo constrangido, por revelar isso. — Tenho medo de fazer isso inconscientemente, e acabar te causando mais dor. E isso é a última coisa que quero no mundo.
— Adrien… — Foi a primeira vez que sentiu raiva do seu próprio corpo, pois queria aninhá-lo em seus braços, apertar o corpo dele bem forte contra o seu, e dizer que ele não precisava se sentir assim.
Então fez algo melhor. Estendeu a mão para acariciar sua bochecha, e quando o namorado se aproximou, ela trouxe o rosto dele junto ao seu.
Enxergou o protesto em seus olhos, ao perceber o que ela estava fazendo.
— Linda, eu não…
— Não vai me machucar. — Completou por ele, e finalmente, trouxe os lábios de Adrien aos seus.
Soltou um suspiro de deleite ao beijá-lo. Sentiu a mão de Adrien em sua nuca, estabilizando o contato dos dois e a mantendo perto, enquanto Marinette abria os lábios e tocava a língua dele com a sua.
Mas, precisou admitir a derrota e finalizar o beijo, após breve segundos. Por sua condição, sua respiração ainda não havia voltado ao normal, o que resultou em seu fôlego acabar antes do que esperava.
Adrien afastou poucos sentimentos, suas respirações ainda estavam misturadas, enquanto ele a olhava com os olhos brilhantes.
— Obrigado. — Ele soprou, em sua direção.
Marinette não entendeu o porquê do agradecimento a princípio, se quem havia feito o que queria foi ela, mas depois percebeu que o motivo estava claro. Adrien estava inseguro, desde que ela quebrou a costela, e depois tudo apenas piorou.
Agora, ela torcia para que esse simples beijo pudesse devolver sua autoconfiança.
— Eu confio em você. — Declarou.
Adrien então se afastou, com um sorriso largo no rosto, sentando de forma ereta no colchão, achando rapidamente o perdido controle da TV e entregando a ela.
Satisfeita com o rumo que a situação tomou, deitou a cabeça no ombro do loiro, e ligou o aparelho.
Porém, a primeira imagem que apareceu matou sua paz, pois os levaria ao assunto que ela queria poder evitar, mas que agora seria impossível.
— Então me conta, como era a Bug Noir? — Precisou perguntar, enquanto as notícias mostravam suas imagens como heroína, lutando na escola, e notou o namorado com a atenção fixa na tela.
Depois ouviu atentamente, enquanto Adrien contava, do seu ponto de vista, os acontecimentos de mais cedo.
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