Ausência
13 Animosidade
Notas iniciais
My heart in my throat
(Meu coração está na minha garganta)
I won't say a word
(Não vou dizer uma palavra)
But I think he knows
(Mas eu acho que ele sabe)
That I've hardly live
(Que eu quase não sobrevivi)
Since the night he left
(Desde a noite que ele partiu)
Home — Daughter
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— O que aqueles dois tanto fazem lá embaixo, mãe? — Estava com a mãe no sofá, assistindo a um programa qualquer.
Era bom ver que outra coisa estava passando na TV, além das notícias sobre a Bug Noir, a nova e poderosa heroína de Paris, que havia tomado o tempo de quase todos os programas de notícias, além também de algumas matérias sobre os outros heróis, que estavam ajudando nos reparos da escola.
O LadyBlog também havia mudado o nome para BugBlog, e postado sobre o triunfal retorno da heroína. Alya fez uma comparação, que Marinette achou bem dramática, dela como uma Fênix, ressurgindo das cinzas depois da derrota de sua última luta.
— Eu não sei, querida, mas deixe os dois. Seu pai fica tão feliz quando o Adrien tá aqui. — A mãe respondeu com carinho.
Enquanto estava ali com sua mãe, seu pai e Adrien estavam fazendo alguma coisa na padaria. Aparentemente, preparando alguma coisa para ela, para realizar uma pequena celebração.
Estavam comemorando sua primeira semana em casa. E Marinette estava se sentindo bem melhor, apesar de ainda sentir muita dor, e precisar de ajuda para se locomover.
Após passada a adrenalina da luta semana passada, achou que ficaria esgotada, e talvez até com mais dor, assim que se transformasse de volta. Mas a verdade é que no dia seguinte, seu abdômen parecia até um pouco melhor, e estava ficando menos dolorido a cada dia que passava.
Só podia esperar que a anulação do azar em seu universo, fosse algo tão rápido e poderoso assim também, para que tudo pudesse voltar ao normal.
Mesmo que já não soubesse o que era normal há semanas.
O pensamento a faz analisar o anel grosso, de tom ouro rosê, em seu anelar. Ninguém havia comentado nada sobre ele ainda, nem Adrien, nem seus pais. Ele ficava lindo quando disfarçado, sem contar que se sentia mais próxima de Chat Noir com ele.
E, ao mesmo tempo, mais distante.
Não havia tido coragem ainda de ligar para a caixa postal do bastão, pois sabia que se não ouvisse a voz dele, desmoronaria. Preferia fingir que o recado dele ainda estava lá, disponível, para quando precisasse ouví-lo.
Pelo menos, Plagg parecia mais contente, agora que não seria mais deixado para trás nas lutas.
— Sabe, nosso coração se aperta ao ver esse menino sozinho. — Sua mãe começou a falar, atraindo sua atenção para ela. — Sem pai, e sem mãe… — Viu quando os olhos dela marejaram, precisando fazer um esforço maior para as palavras continuarem a sair. — Nossa, não consigo nem imaginar a tristeza que ele deve sentir.
Encontrou a mão dela sobre o sofá e apertou.
— Nem eu, mãe. — Esse era um medo constante seu.
— Que bom que ele tem você, meu bem. — Ela expressou de volta, antes de soltar sua mão para enxugar os próprios olhos. — E Nathalie também, claro. Eu não a conheço muito, mas fiquei tão feliz quando soube que ela se ofereceu para criá-lo.
— Sim, ela tem sido muito boa para ele. — Confessou. Era grata demais à mulher, apesar de todo o passado das duas, mesmo que Nathalie não soubesse o quanto Marinette sabia.
Nunca havia presenciado de perto a convivência com alguém em luto antes. E Adrien não era só alguém próximo, era seu amigo e namorado. Ela só pode torcer para estar fazendo bem a ele, em toda essa situação.
Mas seu estado deplorável, física e mentalmente, a fazia duvidar muito. Para sua sorte, ele não tinha só a ela, todos os amigos também o apoiaram bastante nesse tempo. Isso sem mencionar seus pais, que o tratavam com tanto carinho quanto tratavam ela mesma.
— Isso me deixa feliz. — Sua mãe concluiu.
Após a luta, a escola precisou fechar por alguns dias para fazer a restauração em sua estrutura, mesmo com a ajuda dos outros heróis. Marinette estava se sentindo muito mal por não ter conseguido arrumar toda a destruição, mas tinha certeza que logo seus poderes voltariam ao normal, e Paris não teria que passar por isso de novo.
Nesse meio tempo, todos os alunos receberam o comunicado de afastamento da escola, até que tudo fosse reparado. Então agora, ela não era a única a não ir para as aulas.
E isso resultou em Adrien ali todos os dias, quase que o dia inteiro, e seus pais estavam exuberantes. Até mesmo Gorila havia almoçado com eles alguns dias.
Seus amigos também haviam ido visitá-la, claro, já que o churrasco da turma dali a uma semana foi cancelado depois de seu “acidente” mais recente.
— Vou checar o forno, querida. — Sabine depositou um beijo em sua cabeça, antes de ir em direção à cozinha, finalizar o jantar.
Logo ouviu a porta da sala de abrindo, e Tom e Adrien se juntaram às duas na casa.
— Desculpem-nos por fazê-las esperar. — O pai informou, ao entrar na sala.
Marinette se virou com cuidado para trás, em direção aos dois homens, estreitando os olhos e lançando um olhar com desconfiança.
— O que vocês dois estavam fazendo?
Tom trocou um olhar divertido com Adrien, antes de responder.
— A sobremesa. — Disse, simplesmente, antes de abrir um sorriso e ir se juntar à esposa na cozinha, ajudando-a a finalizar a mesa de jantar.
Adrien se aproximou dela, se sentando do seu lado, no sofá.
— Seu pai estava me dando dicas de padeiro. — Ele sussurrou em seu ouvido, logo depois, depositou um beijo na lateral de sua cabeça.
O braço dele veio por cima de seus ombros, e Marinette encontrou a mão dele com a dela, recebendo aquele meio abraço. Ela deu um suspiro profundo, apreciando aquele momento, e também, a presença deliciosa de seu namorado. Marinette sentiu o familiar perfume masculino dele, mas desta vez, o cheiro estava misturado com o aroma de açúcar. Em resumo: estava tudo maravilhoso.
Ela sentia que não podia se cansar dele, jamais. Estar com Adrien era o ponto alto de todos os seus dias, apesar de tudo o que estava vivendo.
Com ele, ela conseguia ser só a Marinette: uma menina bem azarada e muito machucada, mas feliz.
Porém, quando estava só, é que as coisas ficavam verdadeiramente ruins.
— Cuidado para não dar esperanças demais a ele com essa ideia. — Ela sussurrou de volta, esperando soar divertida. — Meu pai gosta demais da ideia de você cuidar da padaria.
— Não precisa preocupar. — Ele sorriu de volta. As mãos dos dois estavam entrelaçadas, e não demorou muito para Adrien começar a brincar com seus dedos, ele fazia muito isso. — Tom até tem me ajudado com a escolha de carreira.
Marinette afastou um pouco o rosto para olhar para ele, as sobrancelhas franzidas.
— Ele tem? E o que meu pai disse? — Tinha até medo dos conselhos que o pai poderia dar.
“A vida é como uma massa, às vezes você só precisa descansar para conseguir crescer”?
Ok, não parecia ser um conselho tão horrível assim.
— Disse que quando nos apaixonamos por algo, devemos investir naquilo, e não desistir. — Adrien relatou, e ela precisou concordar. — Mas que para ele não foi difícil, já que desde pequeno ele amava ajudar o pai na cozinha.
— Isso é verdade. — Ela confirmou, não querendo aumentar o desânimo de Adrien com esse assunto.
— Então ele tenta, mas não sabe muito como pode me ajudar, já que nem eu mesmo sei pelo que tenho paixão. — Então ele virou, o rosto com diversão, e Marinette já sabia o que viria a seguir. — Além de você, claro.
Ela sorriu, lisonjeada, sentindo-se uma boba apaixonada. E mesmo um pouco constrangida, amava quando ele dizia coisas assim.
Ela encarou o loiro ao seu lado, analisando o garoto incrível que ele era. Adrien tinha tantos talentos, mas ele se enxergava como alguém desprovido de qualquer habilidade ou aptidão, para um sonho específico seu.
Não queria pensar se isso era uma consequência de ter passado a vida inteira tendo as próprias escolhas sendo tiradas de suas mãos.
— O que você escreveu na sua ficha para o colégio? — Perguntou, depois de pensar um pouco.
Na época, Adrien ainda não usava as alianças, e apesar de ter demonstrado dificuldade, ele entregou uma ficha, no fim das contas. Havia algo que ele queria, de verdade, mesmo quando ainda não tinha seu total livre arbítrio.
Viu quando Adrien abriu um sorriso, permanecendo em silêncio, como se lembrando daquele detalhe. Mas depois, ele se virou para frente, tirando o braço de seus ombros, e colocando a mão sobre a boca, antes de responder.
— Não sei se aquilo vai ser de muita ajuda. — Marinette estava começando a ficar preocupada, ainda mais quando ele se afastou dela para responder.
Só depois notou o motivo: Adrien estava corado, e tentou esconder isso dela.
Ela sentiu um sorriso sincero se abrir em seus lábios, e agora estava mais curiosa do que nunca. Adrien quase nunca corava.
— Meu lindo, me conta. — Insistiu. Ela não sabia como poderia convencê-lo a falar, mas o viu virar o rosto em sua direção, apenas por chamá-lo daquela forma.
Notou quando o namorado deu um suspiro, e soube naquela hora, que havia vencido.
Adrien virou em direção a ela, os olhos verdes mirando-a profundamente, antes de responder.
— Eu escrevi, que eu não sabia o que fazer, mas que sabia que queria ficar com você. — Não teve como não ficar surpresa com aquilo. O ar que estava em seus pulmões pareceu ser arrancado com suas palavras.
Ela abriu a boca em surpresa.
— Adrien, isso foi adorável. — Disse, sentindo uma linda emoção de amor esquentar em seu peito.
— É, mas não é algo que possa me ajudar muito na escola, infelizmente. — Ele continuou desviando o olhar para baixo.
Marinette odiava vê-lo tão perdido. E o pior, o fato de ser uma das únicas a saber o provável motivo disso. Félix ainda não havia conversado com ele. Teria que ter outra conversa com o loiro de Londres, e rápido.
No meio tempo, tentava animá-lo com o que podia. Puxou a mão dele, que estava sobre a sua, e recebeu um olhar chocado, quando levou a mão masculina aos lábios, depositando um beijo nos dedos dele, como ele sempre fazia com ela.
— Nunca se sabe. — Disse, após o gesto.
O rosto de Adrien agora não estava apenas corado, estava vermelho.
— Ah, acho que o jantar tá pronto. — Ele se levantou de repente, indo na direção da cozinha a passos rápidos. Mas pareceu se lembrar no meio do caminho que ela precisava da ajuda dele para levantar, e retornou ao sofá com um sorriso constrangido.
Aquilo a fez soltar uma risadinha de verdade. Não era comum vê-lo agindo dessa forma, tão tímido perto dela.
Adrien ofereceu ambas as mãos como apoio para ela levantar do sofá. Assim que ela os segurou, impulsionou para cima e soltou um sibilo de dor, travando no lugar, ainda encurvada sobre o próprio corpo.
Movimentos como esses eram os piores, pois causavam uma fisgada grande de dor nas costas e abdômen. Tentou não demonstrar muito, segurando a careta de agonia, e prendendo a respiração, pois Adrien sempre parecia terrivelmente preocupado ao vê-la sofrer.
Mas claro, o namorado sempre notava cada detalhe dela.
— Pode levar seu tempo, respira. — Ele disse baixinho perto de seu rosto, segurando ambos os seus antebraços enquanto ela seguia seu conselho. — Estou aqui, estou te segurando.
Ficou dando respirações espaçadas, até o desconforto passar, mas não conseguiu conter o sorriso que se abriu em seus lábios ao ouvir aquelas palavras.
— Prontinho. — Anunciou segundos depois, erguendo a cabeça em direção a ele. Adrien retribuiu seu olhar, apesar de ter um semblante de sofrimento estampado no rosto.
Odiava que sua dor também doesse nele.
Eles então andaram juntos, a passos lentos até à mesa, onde ele puxou uma cadeira, ajudando-a a sentar com carinho.
Os pais estavam terminando de servir o jantar, colocando as travessas na mesa. O menu da noite era um delicioso Coq au vin*, acompanhado de aligot*.
Com os quatro já sentados, a mãe se dispôs a servir seu prato, com Adrien partindo a comida dela em seguida, pois ainda não conseguia manusear as coisas com o braço esquerdo. Era quase impossível não se sentir inútil, dessa forma.
E pensar que estava usando esse mesmo braço na luta, dias atrás.
De repente, seu pai ficou em pé.
— Um brinde à Marinette! — Ele disse, com um copo estendido à sua frente. — Por uma semana em casa. Tente ficar mais uma semana sem nos dar mais sustos, minha filha. — Ele finalizou rindo, e sua mão brindou, rindo junto.
Marinette sentiu a culpa a rasgar por dentro. Seu pai poderia parecer o mais forte do casal, com todo seu tamanho, mas era ele o mais sensível, e aquele quem mais sofria por ela.
— Obrigada, pai. — Respondeu, um pouco envergonhada por receber tanta atenção de todos. Pegando seu próprio copo e unindo aos deles.
— À Marinette. — Adrien juntou seu copo também, e ela virou o rosto para o namorado ao seu lado, que estava com os olhos verdes brilhando em sua direção.
Após esse pequeno momento, eles iniciaram a refeição.
— Está delicioso senhora Dupain-Cheng, 謝謝 (obrigado). — Adrien declarou em direção à sua mãe, colocando mais um pouco da carne macia na boca.
Ela achava uma graça quando falava coisas em chinês para a mãe dela.
— Não há de que Adrien, é o mínimo que podemos fazer por estar cuidando tão bem da nossa filha. — Sabine declarou. — Tem nos ajudado muito.
Adrien lançou apenas com um aceno contido. Marinette sabia que ele jamais aceitaria esse tipo de elogio. Cuidar dela parecia apenas ser algo natural dele, esteja ela machucada ou não, sabia que sempre podia contar com o namorado quando precisasse.
Então os quatro comeram a refeição em um clima agradável, mesmo ela não conseguindo comer muito, seus pais pareciam felizes em ver que ela estava melhorando.
Após o jantar, Tom e Sabine se levantaram para lavar a louça, dispensando a ajuda deles. Bom, apenas a de Adrien, já que Marinette não estava sendo de muito auxílio ultimamente.
Adrien a levou de volta para o sofá, a deixando confusa. Eles não haviam dito que teria uma sobremesa?
Mas permaneceu quieta, após conseguir sentar em seu lugar, até que seu pai mudou sua atenção para os dois.
— Não fiquem acordados até tarde. Já combinamos com Gorila o horário para buscá-lo. — Tom informou.
— Obrigado, Sr. e Sra. Dupain-Cheng. — Adrien agradeceu, e logo os pais deixaram dois a sós, indo para o quarto.
Adrien se levantou, a deixando ainda mais confusa, e caminhou em direção às luzes, apagando a maioria delas, deixando o ambiente iluminado apenas com um abajur.
— O que está acontecendo? — Marinette precisou perguntar, se sentindo completamente perdida com tudo aquilo. O namorado estava atrás dela, pegando algo que ela não conseguia ver do lugar de onde estava.
Quando retornou, Adrien se postou à sua frente, ambas as mãos escondidas nas costas, e um sorriso travesso no rosto.
Antes que ela pudesse dizer algo, Adrien retirou uma das mãos de trás de si e estendeu acima dela. Foi quando pétalas de rosa começaram a cair em sua cabeça, e ao seu redor, o que fez Marinette rir de alegria, mesmo que de forma contida, por causa da dor.
Aquilo era, completamente, encantador.
Enquanto estendia as mãos para a chuva de pétalas, pegando as que estavam caindo de seus cabelos soltos, Adrien ajoelhou a sua frente, tirando de trás de si uma caixa rosa, em formato de coração.
Marinette ficou boquiaberta com a visão do loiro à sua frente, e com tudo aquilo que ele estava fazendo.
Deus, ela era mesmo tão apaixonada por ele.
Mas como não se apaixonar com Adrien agindo assim?
— Para você, minha pequena desastrada. — Ele disse, com bom humor. — Precisa da energia desses doces para se recuperar rápido.
Então abriu a caixa, revelando seu interior. Marinette não conseguiu conter a surpresa.
— Adrien! Você que fez esses éclairs*? — Exclamou, admirada.
Havia quatro éclairs, todos recheados com calda de morango, seu sabor favorito. E por cima, uma cobertura de uma linda ganache branca, com corações de chantilly vermelho os enfeitando. Os corações estavam todos tortos, e de tamanhos diferentes. Alguns pareciam mais umas bolinhas do que corações.
Ainda assim, ela os amou. Cada pequeno coração imperfeito.
— Bom, com a ajuda do seu pai, sim. — Confessou, e depois colocou uma mão atrás da nuca, equilibrando a caixa com a outra. — Eles não ficaram tão perfeitos…
— Eles são perfeitos. — O interrompeu, abrindo um sorriso sincero. Estava, estupidamente, feliz. Pegou a caixa da mão dele e a colocou sobre seu colo, antes de continuar. — São os melhores e mais bonitos que já vi. — Desviou os olhos da caixa para mirar os olhos dele. — Obrigada, meu lindo.
Adrien tombou a cabeça para o lado, se aproximando dela.
— De nada, meu amor.
Adrien, ainda ajoelhado no chão, passou ambas as mãos nos cabelos dela, contornando seu rosto.
— Você é tão linda, Marinette Dupain-Cheng. — Sussurrou à sua frente. — Eu havia planejado fazer algo, há semanas atrás, em um restaurante a altura digno da sua beleza.
Ela quase revirou os olhos. Ela sabia bem sobre qual restaurante ele estava se referindo. O lugar onde ele havia feito reserva para os dois, antes dela quebrar sua costela.
— O Le Ciel saiu na Vogue, Adrien. — Emitiu os fatos, apontando o absurdo que era aquela comparação.
Mas o namorado apenas concordou com a cabeça.
— Exatamente o que quero dizer. — Ela não conteve o riso, totalmente sem jeito, diante desse elogio.
Mas então Adrien deu um suspiro, e seu rosto mudou para um semblante sério. Ele parecia nervoso, como se estivesse se preparando para fazer algo, o que intrigou ainda mais Marinette, já que ela achou que a surpresa já havia acabado.
— Mas você vem se machucando tanto que não conseguimos ir lá, e eu tenho pensado muito nisso, e não quero mais esperar. — Adrien explicou, rapidamente, e então, após uma respirada profunda, ele disse. — Gostaria de te dar isso.
Com horror, Marinette o viu tirar uma das alianças gêmeas do anelar, e segurá-la entre os dedos, em direção a ela.
E então soube o que estava acontecendo, e foi como se tivesse tomado um soco em seu estômago já tão lesionado.
Um pedido oficial de namoro.
Este era para ser um momento romântico e memorável entre os dois. Uma noite que ambos jamais esqueceriam, e que contariam aos seus filhos no futuro.
Mas tudo o que ela conseguia pensar era:
“Amok… amok… amok…”
— Marinette, a menina mais linda, doce, bondosa e incrível que conheço. — O namorado continuou a declaração, alheio ao desespero em seu interior. — Sei que estamos juntos já há algum tempo, mas me daria a imensurável honra, de ser, formalmente, a minha namorada?
O coração dela estava batendo tão forte, que era possível ouvir suas batidas. Talvez, se Adrien estivesse ouvindo também, confundiria apenas com emoção. Enquanto isso, não conseguia desviar o olhar daquela aliança nos dedos dele, estendia à sua frente.
Ela estava petrificada, apertando a caixa em seu colo com força, sabendo que precisava recuperar sua voz rápido, sob o olhar esperançoso do namorado.
— Adrien, eu… é claro que aceito. — Conseguiu responder, sem fôlego, após alguns segundos. Começando a sentir a tristeza lhe invadir, ao perceber o que teria que fazer.
E também a raiva. Esse era para ser um momento lindo, mas ela teria que estragar tudo, por saber demais.
Por saber segredos ainda não revelados, a ele e sobre ele.
Mirou os olhos esmeralda, a fitando com tanto amor. E sentiu a garganta apertar, não querendo dizer o que iria a seguir, mas sabendo que precisava.
— Mas Adrien, não posso aceitar o anel de seus pais.
Ela viu a postura dele murchar, as sobrancelhas se erguendo em confusão.
— Ah, se você não se sente confortável, por ter sido deles, tudo bem. — Ele começou a se explicar, se levantando do chão e sentando-se ao seu lado.
Ótimo! Agora ela havia ofendido os póstumos sogros.
— Não, Adrien, não é esse o problema. — Ela virou para ele ao seu lado, pegando sua mão. Ainda pode sentir a aliança ali. — É que, não sei. Sinto que essas alianças devem ser suas. Só suas. — Enfatizou.
Queria tanto poder dizer a ele o motivo disso. Que ele entendesse a importância que aquelas alianças tinham em sua vida.
Mas Adrien apenas a olhou de volta, uma faísca de esperança no olhar.
— Isso é sobre o que eu disse sobre serem um presente dos meus pais para mim? Porque se for, eu não me importo, contanto que a outra pessoa a usar seja você.
Sentiu seu coração ser esmagado. Não era culpa de Adrien não ter ciência do que estava acontecendo ali, mas isso não deixava a situação mais fácil.
Ela iria magoá-lo, e ele nem ao menos saberia o motivo disso.
— Me desculpe. Mas eu prefiro não usar. — Não havia jeito de se explicar sem revelar o segredo. Tudo que ela podia fazer era negar.
Começou a mexer no anel rosê em seu dedo de forma inconsciente, e só notou quando o olhar de Adrien foi em direção à sua mão.
Ela parou na mesma hora.
— Tudo bem, então. — Ele concordou, mas era explícito a mágoa em sua voz.
Que ótimo jeito de começar um namoro.
— Mas aceito de bom grado os éclairs. — Tentou dizer com bom ânimo, para amenizar aquele clima.
Viu uma sombra de sorriso formar no rosto dele.
— Vão ser os melhores que você já comeu. — Afirmou, mas o ânimo em sua voz não parecia correto, e sim, forçado.
E de fato, o sabor não era o mesmo. Havia sal demais na massa, o recheio não estava no ponto certo, e tinha muita manteiga na ganache da cobertura. Mas ainda assim, eram os melhores que ela já havia comido.
Pois haviam sido feitos por ele.
— Eu amei, de verdade.
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O restante da noite foi, no mínimo, desconfortável. Mesmo ela e Adrien tentando disfarçar, ambos sabiam que todo o clima havia ido embora.
Por isso, assim que Gorila ligou para buscá-lo, e ele se foi, Marinette pegou o celular para ligar para Félix, torcendo para o garoto estar acordado naquela hora.
Quando viu a imagem do garoto no visor, agradeceu internamente por Paris estar uma hora à frente do fuso de Londres.
— Félix, preciso que conte ao Adrien, e rápido! — Exclamou, ignorando as saudações. Félix não fazia muita questão delas mesmo. O loiro apenas manteve a feição de puro tédio, enquanto ela surtava sozinha. — Ele tentou me dar uma de suas alianças, como um sinal de compromisso do nosso namoro! — Narrou, mostrando a urgência da situação.
Observou o loiro formar uma careta de dor fingida, em sua face. Também percebeu rapidamente, pelo campo de visão, que ele estava conversando com ela através da câmera de seu computador, na escrivaninha de seu quarto,
— Ouch, isso deve ter sido péssimo para você. — Disse de forma divertida.
Ela estava aprendendo a ignorar o jeito dele, por isso, tentou não levar sua falta de empatia para o lado pessoal
— É claro que foi! — Declarou, exasperada. — Kagami me disse que você viria conversar com ele. Mas já se passaram semanas, e você ainda não veio. — Reclamou.
Foi apenas nessa hora, que viu o loiro abandonar a postura debochada, soltando um suspiro audível pelo nariz, e se aproximando da tela.
— Marinette, eu havia planejado ir para Paris e ficar com Adrien no fim de semana, a dez dias atrás. — Ele ergueu uma sobrancelha ao final da frase. — Consegue adivinhar o que aconteceu?
Mas não foi necessário pensar muito, ela lembrava, vividamente, de todos os detalhes daquele dia.
— Foi quando a minha luta aconteceu, e eu me machuquei. — Informou, tentando não deixar o sentimento de derrota a abater novamente.
— Sim. Cancelei a viagem, e agora preciso te contar. — Ele fez uma pausa, desviando o olhar da câmera por um momento, antes de olhá-la de novo e revelar, com a voz grave, e séria. — Eu não vou mais contar ao Adrien, que ele é um senti-ser.
Aquilo a pegou desprevenida, fazendo Marinette erguer as sobrancelhas em confusão.
— O quê? Por que Félix? Achei que tínhamos um acordo. — Replicou, lembrando da conversa que tiveram semanas atrás.
Já havia sido custoso convencê-lo a fazer isso pela primeira vez, não queria ter que repetir toda a discussão novamente.
— Sim, tínhamos. Até eu descobrir sua sucessão de idas ao hospital nas últimas semanas, e como meu primo tem ficado de babá para você. — Ele praticamente cuspiu a segunda parte, mostrando seu claro desprezo pela situação. — Ele já está preocupado demais, Marinette, e com razão. Você não está em seu estado normal, e se ele descobrir a verdade sobre sua própria origem nesse meio tempo, vai ficar devastado. — Concluiu, não abrindo brechas para ela argumentar de volta.
Mas Marinette não iria desistir com facilidade.
— Uma coisa não tem nada a ver com a outra, Félix. — Informou. — Ele aguenta saber!
O garoto continuou a lançar olhares de desdém em sua direção. E Marinette se perguntou, se era possível olhares serem tão gelados, mesmo através de uma tela de celular.
— Você tem certeza disso? Porque eu não.
Aquilo não podia estar acontecendo, ela pensou. Já havia tantos problemas a serem resolvidos, ela não aguentaria mais sustentar esse por mais tempo.
— Félix… — Suplicou, cansada. Estava ficando cansada dessa situação, cansada de tudo.
Ou talvez, fosse apenas sono. Estava tarde, afinal de contas, e nenhum pensamento é bom depois das onze da noite.
— Se quiser contar, conte você mesma. — Ele rebateu. — Eu não vou ser o responsável por devastar o que resta de bom no mundo dele, Marinette. — Então o loiro se aproximou bem da tela do computador, enfatizando as palavras. — Eu me importo com ele.
Aquilo a tomou com um ódio profundo.
— E você acha que eu não me importo? — Apertou o punho da outra mão, senão tinha quase certeza, que mesmo em seu estado, quebraria o celular em sua mão direita.
Quem ele era para questionar seus sentimentos por Adrien?
Mas Félix não se deixou abalar com sua raiva
— Acho que, no momento, se você for revelar a ele, vai ser por motivos egoístas. — Ele explicou, com bastante calma. — Será porque você quer se livrar desse segredo, e não porque isso é o melhor para o Adrien.
Marinette precisou apertar os lábios para não gritar. Seus pais tinham um sono profundo, mas não tanto assim.
— Eu só penso no bem dele!
— Será mesmo? — Ele rebateu de volta, entrelaçando as mãos na frente do rosto, cotovelos apoiados na escrivaninha. — Ou você tem pensado mais em seu Gatinho ultimamente?
Foi cruel, e completamente inesperado. Não estava pronta para receber esse golpe. Os olhos dela se encheram d’água instantaneamente.
— Vai se ferrar, Félix. — Disse entredentes, segurando as lágrimas com toda sua vontade.
Não permitiria que elas caíssem. Não por causa dele.
— Não sabia, querida? — Ele ergueu uma sobrancelha, abaixando a voz antes de falar. — Já me ferraram a vida toda, e eu sobrevivi.
Então ele encerrou a chamada, e ela quase arremessou o celular do outro lado do cômodo.
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Adrien achava engraçado. Estavam em uma reunião da Resistência, e ficou imaginando como Nino reagiria se soubesse que, nessas reuniões, estava a maioria dos heróis de Paris.
Rena Rouge, Carapace, Bunnyx, Pigella e Pegasus. Ryuko, ou melhor, Kagami, não estava presente, porque o primo havia a chamado mais cedo para Londres naquela semana, depois de cancelar a visita que os dois haviam marcado. E Luka, ainda não era um membro da Resistência
Adrien olhou para Marinette, sentada no sofá ao seu lado. Sabia que a namorada estava com saudade dos amigos, então quando Nino convocou a Resistência, Adrien os convenceu de fazerem essa reunião em sua casa, um lugar onde Tom permitia que ela fosse, pois ele sabia que Adrien estaria cuidando dela.
Também para fazê-la sair de casa, esperava que isso a animasse um pouco. Já fazia mais de duas semanas desde seu acidente, e ficar parada tanto tempo não era algo que a namorada lidava bem.
Até parecia que isso piorava sua condição.
No momento, estavam todos na antiga sala de reuniões de seu pai, e Marinette estava bem quietinha sentada no sofá, cumprindo as ordens de repouso. O clima entre os dois ainda não estava dos melhores, mas Adrien tinha esperança que ter momentos assim com os amigos fosse ajudar.
Mexeu nas alianças de sua mão esquerda com o polegar, tentando não deixar a vergonha abater. Tinha certeza que dar uma dessas alianças para a namorada iria deixá-la feliz, mas não podia estar mais enganado. Em sua defesa, jamais chegou a passar pela sua cabeça, que Marinette recusaria. Não ficou chateado, apenas confuso e depois, tentou deixar esse assunto morrer, mas a namorada ainda não estava em seu estado “normal” quando estava com ele, desde aquele dia.
— Olá a todos, obrigado por virem. — Nino, ou melhor, o agente Ketchup iniciou a reunião, ficando de pé no meio deles. — Devem ter notado a ausência de Zoe e Marc hoje. Fui informado há algumas semanas, que não era certo fazê-los perder aulas para estarem em nossas reuniões. Então agora, os dois foram promovidos a Agente Bechamel e Agente Bolonhesa, e começaram a própria resistência no Colégio Françoise Dupont. — Explicou com calma.
Adrien sabia que os dois ainda estavam tendo aulas, diferente deles, cuja escola ainda estava em recesso pelos reparos, e só reabriria na próxima semana.
— Eles terão suas próprias reuniões, e nos manterão informados sempre que houver alguma atualização. — Então ele apontou para a namorada ao seu lado. — Passo agora a palavra para a Agente Molho de Manteiga.
Alya ficou de pé e começou a relatar a reunião dos heróis, e sobre como Ladybug havia os informado sobre a renúncia do Chat Noir, e os efeitos inesperados dessa ação.
Esperou alguma reação de surpresa da namorada, mas ela parecia apenas abatida. Sem nenhum sinal de choque pela notícia. A conversa com ele deveria ter, mesmo, surtido efeito. Se sentiu mal ao vê-la assim, pois percebeu que Marinette se importava, verdadeiramente, com Chat Noir.
— A Bug Noir precisa de nós, agora mais do que nunca. — Alya disse, após dar um relatório detalhado das ações da heroína na última luta, dando uma breve olhada em direção aos dois enquanto informava.
Adrien estranhou, mas depois pensou que isso era apenas algo da sua cabeça, ela estava falando isso para todos na sala, afinal. Ou talvez, fosse apenas pelo fato dela saber que ele e Nino haviam sido resgatados por ela naquele dia.
— Os heróis não estão mais autorizados a lutar, mas eles vão continuar a ajudar, arrumando a cidade, como viram nos noticiários essa semana. — Ela finalizou.
— Espero que isso seja o suficiente. — Rose disse, parecendo aflita por deixar a Bug Noir sozinha, juntando ambas as suas mãos, como uma oração.
Juleka colocou uma mão sobre as suas, a acalmando.
— Ela é a Bug Noir, ela sabe o que está fazendo. — Kim jogou de volta, sentado no sofá de forma confortável, com ambas as mãos atrás da nuca.
Mas Adrien sabia que isso era ele, em sua própria forma, tentando confortar os colegas. Era assim que Kim fazia, demonstrando confiança em si próprio, e nos outros.
— Mas ela está sozinha agora. — Sabrina se manifestou, parecendo temerosa. — E se ela se machucar de novo? Não vai ter nenhum herói lá para ajudá-la. — Aquilo os deixou pensativos. Adrien sabia que todos deviam estar se lembrando daquela luta no centro, quando toda essa confusão começou.
Ele mesmo a remoía em seus pensamentos, mais vezes do que gostaria de admitir. Se questionando o que poderia ter feito, se ainda tivesse seu Miraculous, e se poderia tê-la salvado. E consequentemente, salvado Marinette de se ferir.
Com isso precisou se perguntar, se Bug Noir sabia mesmo, o que estava fazendo.
Foi então que Nino deu um soco no estofado em que estava sentado.
— Se eu soubesse quem o Chat Noir é, iria nele agora e o faria mudar de ideia! — Ele expressou, com raiva.
Não conseguiu deixar de sentir também uma revolta, não pelas razões que Nino estava falando, mas pela situação. Bug Noir estava sendo teimosa, e pessoas inocentes haviam se machucado por isso.
Até que ouviu algo baixinho ao seu lado.
— Sim, a Ladybug precisa do Chat Noir. — A namorada expressou, mais para si mesma do que para os outros.
Mas Adrien estava ao seu lado, a ouviu bem.
— Ela devia ter entregado o Miraculous para alguém. — Respondeu mais alto, para todos ouvirem. — Ela precisa de alguém com o Miraculous do Destruição, não dele.
Mas antes que alguém pudesse dizer algo, Marinette virou o rosto em direção a ele.
— Mas ela não quer alguém qualquer! Ela quer o parceiro dela de volta! — Retrucou, raiva borbulhando nos olhos azuis.
Adrien ficou confuso, olhando para o semblante dela. Durante essas semanas, achou que os dois estavam compartilhando da mesma frustração, da Ladybug ter falhado com ela, a deixando machucada.
Agora, a namorada parecia estar com raiva do herói, por ter partido.
Mas Marinette jamais poderia entender que ele havia saído por bons motivos, pelo próprio bem dela.
— Bom, ela não pode continuar a fazer tudo sozinha. — Ele expôs, torcendo para a amada entender seu ponto. — Como a Sabrina apontou: e se precisar ela de ajuda? E se ela se machucar de novo?
Mas Marinette não parecia disposta a ceder.
— Ela não estaria sozinha se ele não tivesse ido embora. — Ela revidou, gesticulando com a mão direita. — E se ele está tão preocupado com ela se machucando, então ele deveria voltar!
Adrien travou a mandíbula, prendendo a língua atrás de seus dentes, querendo muito poder revelar os motivos daquela ausência, mas sabendo que não podia.
— Tenho certeza que ele teve seus motivos para sair! — Assegurou, com mais força na voz, desta vez.
— Não acho que ela ligue para os motivos dele! — Marinette se exaltou, igualando o tom de voz com o seu. — Ele a traiu!
— A traiu? De onde você tirou isso? — Perguntou revoltado. — Chat Noir sempre só quis o bem da Ladybug!
Pode ver a raiva borbulhando nos olhos azuis, antes dela responder, com a mandíbula já tensa.
— Eles eram parceiros! E quando algum problema ficou grande demais, ao invés dele ficar com ela, ele cai fora? — O rosto de Marinette estava transtornado. — Isso é traição!
— Talvez essa fosse a única opção! — E era, a única opção que ele encontrou. Jamais uma traição, mas proteção da parceira.
— A ÚNICA OPÇÃO ERA ELE FICAR COMIG…
— Com a Ladybug! — Alya interveio repentinamente, e Marinette fechou a boca com força.
— É gente, calma! O que é isso? — Nino alertou, só então Adrien percebeu os olhares do resto da sala em direção aos dois, e se deu conta do que estavam fazendo.
A namorada pareceu ter feito a mesma coisa, pois desviou o olhar para baixo em seguida, parecendo envergonhada pela discussão.
Alya logo caminhou em direção a ela, e colocou uma mão sobre seu ombro.
— Tenho certeza que os dois têm suas razões. A Bug Noir está sendo teimosa sim. — Ela declarou com ênfase, antes de continuar. — Mas isso não é motivo para brigar com o namorado, não é, amiga?
O sermão dela serviu para ele também, que respirou fundo. Sim, estava explodindo com Marinette sem motivo. Sua frustração não devia ser direcionada a ela, que não tinha nada a ver com isso.
Mas então a namorada se virou, com os olhos arregalados.
— Eu sinto muito, Adrien.
— Não, eu é que me desculpo, meu amor. — Ele se aproximou dela no sofá, a puxando cuidadosamente para um abraço, não se importando por não serem os únicos na sala. Confortá-la era sua prioridade. — Eu só estou tão preocupado com a Ladybug. Não sei por que ela tem insistido em fazer tudo sozinha.
Sentiu o corpo dela se apertar mais contra o seu, como se estivesse buscando por mais aconchego. Como se um abraço não fosse o suficiente para aplacar, o que quer que ela estivesse sentindo, em seu interior.
— Eu tenho certeza de que, se ela tivesse escolha, não estaria sozinha. — Ela expressou por fim, perto de seu pescoço.
Adrien sabia que não.
Mas Bug Noir não tinha mais escolha.
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Após o fim turbulento da reunião, recusou o convite de Adrien para passar o restante da tarde lá com ele, então o namorado a deixou em sua casa. E Marinette estava se sentindo péssima.
Aquela discussão à tarde só serviu para mostrar que seu problema com Chat Noir, estava começando a afetar seu namoro. Além disso, sentia que seus segredos estavam a afastando de Adrien, como bem mostrado naquela noite do pedido de namoro fracassado, arruinado por ela.
Estava cansada. Exausta, na verdade, e sentindo que precisava aliviar o peso de alguns deles, antes que a exaurissem.
Havia até perdido o apetite ultimamente, pois vinha se sentindo horrível todos os dias, desde sua conversa com Félix.
O maior problema, era que ele não estava errado. Marinette queria, sim, se livrar desse peso. Poderia ser egoísmo, mas torcia para que, se Adrien ficasse tão focado em seu próprio segredo, então ele não teria tempo para tentar descobrir os dela.
Só havia um problema, não era Marinette quem teria que contar isso a ele.
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