Auroras em tempo de guerra
1 prólogo
Sofia, Isabela e Camila cresceram juntas, como se fossem irmãs, desde os primeiros passos até os sonhos mais profundos que ainda compartilhavam. Elas se conheciam tão bem que os silêncios entre elas nunca eram incômodos.
Sofia, sempre teve os olhos brilhando com a promessa de aventuras. Com 25 anos, ela já era uma jornalista investigativa renomada, conhecida por sua mente aguçada e coragem inabalável. Seus cabelos castanhos, longos e iluminados, refletiam sua natureza sonhadora e o olhar profundo que buscava sempre mais. Para Sofia, o mundo não tinha limites, e ela sabia que, um dia, iria além de qualquer fronteira. Sua paixão pela verdade e pelo desconhecido era contagiante, mas, por dentro, havia algo mais — uma vontade irrefreável de sentir o vento da liberdade em lugares que ela só via em suas histórias.
Isabela, com seus 25 anos e olhos verdes intensos, sempre foi a protetora do grupo. De coração imenso e mãos sempre prontas para cuidar, ela se tornou enfermeira, uma profissão que refletia sua essência cuidadosa e pragmática. Seus cabelos castanho-escuros e sua postura tranquila pareciam ser um reflexo de sua natureza: calma, mas corajosa quando o momento exigia. Se algum de seus amigos ou familiares estava em perigo, Isabela era a primeira a agir. Sua coragem não vinha da falta de medo, mas da capacidade de enfrentá-lo com o coração firme.
Camila, a mais nova do trio com seus 22 anos, tinha olhos negros como a noite e cabelos loiros que brilhavam com a luz do sol. Como professora pedagoga, ela trazia para o grupo uma criatividade inusitada, capaz de transformar o ordinário em extraordinário. Camila amava a beleza em todas as suas formas e, acima de tudo, era apaixonada pela arte. Sua energia espontânea e imprevisível fazia com que qualquer momento se tornasse uma obra-prima. Se alguém tivesse dúvidas sobre um sonho, Camila era a primeira a reacender a chama com suas palavras cheias de poesia e encantamento.
Embora as três fossem diferentes em muitas coisas, havia algo que as unia profundamente: a paixão pela patinação no gelo. Nascer em um país tropical, cercadas por uma vida agitada e pela realidade de uma periferia na capital, não fazia o sonho delas menor. Na verdade, isso só tornava o desejo mais forte, como uma chama que se recusava a se apagar. A cada Olimpíada de Inverno, o trio se reunia com suas famílias para assistir à competição. As famílias se tornavam uma só, compartilhando risadas e gritos de apoio ao Brasil. Mas, ao longo dos anos, as meninas sempre aguardavam com mais ansiedade a parte das Olimpíadas dedicada à patinação no gelo. Elas se viam ali, nos movimentos graciosos, nas piruetas e na dança, imaginando-se deslizando pelos campos congelados com a mesma elegância e liberdade que as atletas.
Longe do gelo, elas arrasavam no patins. Sempre que podiam, iam ao parque da cidade para praticar manobras nas pistas de skate e andar nas ciclovias acompanhadas com água de coco. No final do ano, participavam dos eventos de patinação nos shoppings, aproveitando as pequenas sessões em pistas diminutas.
Durante anos, elas sonharam juntas, dividiram ideias e, com o tempo, viraram profissionais em suas áreas. Mas o sonho parecia sempre distante. Até que, com o esforço de quem sabia que os sonhos são feitos de pequenas conquistas diárias, Sofia, Isabela e Camila finalmente conseguiram. Depois de anos de plantões, turnos duplos e noites em claro, elas economizaram cada centavo para tornar o sonho realidade. A meta estava traçada: uma semana na neve. Um lugar distante, seguro e tranquilo, onde poderiam viver o que sempre haviam desejado. A Finlândia era o destino perfeito.
E foi lá, nas paisagens nevadas e sob as luzes do norte, que suas vidas tomariam um rumo inesperado. Um destino que as levaria mais longe do que imaginavam. Mas isso, elas ainda não sabiam.
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