Aurora | Nárnia
5 A Feiticeira
Notas iniciais
Emma Sallow On
Estávamos todos reunidos, aguardando a entrada da Feiticeira em nosso acampamento com seus soldados, Floy e Cass estavam ao meu lado, Susana, Lúcia, Edmundo e Pedro também estavam perto. Enquanto Jadis passava encarou Edmundo, ela venho por causa dele, por que invadimos seu acampamento e resgatamos ele. Jadis passa seu olhar para mim, frio e ameaçador, mas eu a encarava de volta, com meu olhar de predadora.
ㅡ Jadis, a Rainha de Nárnia! Imperatriz das ilhas Desertas! — anuncia o Anão, a Feiticeira sentada sobre um trono carregado por trolls enormes.
Era muita ousadia se intitular de rainha de Nárnia, quando todos sabem que ela não tem direito de carregar esse titulo. Eu sentia nojo e raiva dela.
ㅡ Você tem um traidor entre os seus, Aslam. — Jadis fala, olhando Aslam.
ㅡ A ofensa dele não foi contra você. — Aslam responde.
ㅡ Vejo que se esqueceu das leis sob as quais Nárnia foi construída. — ela rebate cinicamente.
ㅡ Não cite a Magia Profunda para mim, Feiticeira! — disse Aslam com um rugido nas palavras. — Eu estava lá quando foi escrita.
ㅡ Então se lembra bem que todo traidor pertence a mim. O sangue dele é minha propriedade. — meu sangue ferveu, ela queria matar Edmundo, mas eu não iria permitir tal ato sem lutar! Edmundo vai ser rei de Nárnia e nada vai impedir que a profecia se cumpra.
Com um reflexo rápido, vejo Pedro irritado empunhar sua espada e dar um passo a frente.
ㅡ Tente pegá-lo! — gritou
ㅡ Acha mesmo que a força bruta vai tirar meu direito? Reizinho. — usou tom de deboche. — Aslam sabe que a menos que eu tenha o sangue dele, como manda a lei, toda Nárnia será sobvertida e perecerá em fogo e água.
Eu me aproximo de Pedro e abaixo seu braço, ele me olha como quem busca por reforço, eu apenas aceno com a cabeça e fico ao seu lado.
ㅡ Esse menino morrerá, na mesa de pedra! Como diz a tradição. — Jadis aponta para Edmundo.
Eu vejo o olhar de preocupado e apavorado em Pedro, ele poderia fazer algo precipitado ali mesmo a qualquer momento. Mas eu estou ao seu lado para impedir, não quero que nenhum dos dois morra. Eu olho para Edmundo, o medo estava deixando seus olhos, ele olha para seu irmão mais velho e depois se vira para o feiticeira, seu olhar era de derrota. Eu vejo que ele estava pronto para aceitar, pronto a morrer por Nárnia. Morrer e não ver o olhar de Pedro de reprovação.
ㅡ Quando a carne de Adão, quando o osso de Adão em Cair Paravel no trono sentar, então há de chegar ao fim a aflição. — eu digo firmemente olhando para Jadis, ela me olha com repulsa. — Essa profecia vai se cumprir, custe o que custar. Você não vai ganhar, Feiticeira.
ㅡ Garota insolente! — Jadis se irrita comigo mas Aslam ruge.
ㅡ Basta! Quero falar com você, a sós. — Aslam fala para Jadis, que desce de seu trono e entra na tenda com Aslam.
ㅡ Deixou ela furiosa citando a profecia. — disse Cass para mim, os irmãos Pevensie me olham.
ㅡ Nada vai acontecer com você Edmundo, com nenhum de vocês. — olhei de Edmundo para os outros três.
Lúcia correu e abraçou Edmundo, a pequena tinha os olhos marejados, Susana e Pedro se entreolharam tensos. Eu suspiro me sentando na grama, olhei para a tenda, o que eu não faria para ser uma mosquinha agora? Queria saber o que se passava lá dentro, o que Aslam estava falando com ela.
ㅡ Obrigado. — Pedro diz, sentando-se ao meu lado na grama.
ㅡ É meu dever. — dei de ombros suspirando.
ㅡ Como assim? — ele pergunta.
ㅡ Auroras defendem, protegem e além disso... eu sei o que você está sentindo. — expliquei, olhei para ele que estava concentrado em mim.
ㅡ Mesmo assim, obrigado. E... desculpe se fui grosso depois da nossa luta. — Pedro parecia mesmo arrependido, eu apenas sorri de lado e acenei.
Longos minutos se passaram e finalmente a Feiticeira e Aslam aparecem. Jadis caminha de volta para seu trono cravando seu olhar em Edmundo que tremia no lugar.
ㅡ Ela renunciou ao direito do sangue do filho de Adão. — anuncia Aslam a todos, que comemoraram, eu vejo os irmãos ficarem felizes e abro um sorriso também.
ㅡ Como vou saber se manterá a promessa? — Jadis pergunta.
Aslam apenas ruge, assustando a Feiticeira que se sentou no trono de imediato. Nós rimos de seu rosto congelado e a vimos ir embora. Eu desmancho meu sorriso quando ela me lança um último olhar, a próxima vez que eu estiver em sua frente com minha espada, vou matá-la. É uma promessa.
[...]
Pouco antes de anoitecer, acenderam uma fogueira e nos sentamos a volta, alguns narnianos cantaram cantigas antigas, mostrei a Lúcia uma dança e logo Susana se junta a nós, dançar não era meu forte, mas acho que elas aprenderam. Estavam felizes por Edmundo, por essa vitória. Por mais que eu estivesse contente, me incomodava não saber o que fez Jadis mudar de ideia.
Quando escureceu, os soldados foram dormir, outros montavam guarda nas montanhas e na entrada do acampamento. Sobrou apenas, eu, Floy, Cass e os irmãos Pevensie na volta da fogueira, Cass terminava de cantar uma canção, quando olhou para todos na roda com olhares tediados.
ㅡ Que tal uma história? — Cass pergunta empolgado.
ㅡ Sobre o que? — Lúcia pergunta se empolgado também. Cass me olha divertido e eu reviro os olhos.
ㅡ Não. — digo segurando o riso.
ㅡ Sobre uma guerreira, que treinou soldados, liderou exércitos, era temida por feiticeiros e titãs. Até dizem também que O Gigante Piro tem medo dela. — Cass contava, andando pela volta do circo e todos olhavam para ele atentos. — Venceu cada uma das batalhas que entrou...
ㅡ Menos uma. — eu o interrompo com o olhar vago na fogueira.
ㅡ Essa guerreira é a Emma? — Lúcia pergunta com o olhar brilhando.
ㅡ Na época a chamavam de Capitã Aurora. — Floy diz. — Era muito desejada por soldados e reis. Mas ninguém conseguiu ganhar seu coração.
Eu revirei os olhos, senti o olhar de Pedro queimando em mim.
ㅡ Ganhar meu coração é o sentido figurado de me quererem morta. — olhei para Floy. ㅡ Tem suas desvantagens em ser temida pelos três grandes reinos.
ㅡ Mas ainda assim, você tinha muitos pretendentes. — Cass disse voltando a se sentar. — Só não quis ficar com nenhum.
ㅡ Porque? — Susana pergunta. — Eram tão feios? — ela riu junto com Lúcia.
ㅡ Meu coração pertence a Nárnia, minha alma gêmea é a guerra. — respondo calma, mas me virei para Susana. — E realmente não eram lá tão bonitos. — eu ri vendo elas gargalharem.
ㅡ Porque a Feiticeira Branca ficou tão furiosa quando você citou a profecia? — Edmundo perguntou, depois do longo silêncio que tinha ficado.
ㅡ Eu chamo aquilo de medo, ela sabe que o fim do governo dela em Nárnia será quando vocês se sentarem nos quatro tronos de Cair Paravel. — expliquei.
ㅡ Eu acho que ela pode temer muito isso e a Aslam, mas tem uma coisa que ela teme mais ainda. — Floy diz olhando a fogueira.
ㅡ O que? — Pedro e Edmundo perguntam juntos.
ㅡ A realização da terceira profecia. Que ela teme ser o fim da vida dela, não só do seu governo sobre Nárnia. — o moreno responde.
ㅡ Qual profecia? — Susana pergunta.
ㅡ A profecia diz assim; Para o Magnífico uma âncora, para a Feiticeira um fim, tudo cumprir com o Brilho da Aurora surgir. — Cass recita, um calafrio percorre meu corpo.
ㅡ Você vai dar um fim a Feiticeira. — Pedro diz, olhando para mim com seus intensos olhos azuis.
ㅡ Pode ser apenas uma metáfora, majestade. — falei dando de ombros.
ㅡ Mas da última vez você chegou perto de matá-la. — Floy falou.
ㅡ O que aconteceu na última vez? — Pedro pergunta, ele estava interessado.
ㅡ Houve duas batalhas contra Jadis, na primeira nós vencemos, o exercito dela era menor que o nosso, mas eram fortes. Ela fugiu para o norte, se escondeu nas grandes montanhas. Ela estava ferida...
ㅡ Emma cravou sua espada no ombro esquerdo dela. Por pouco a matou. — Cass me interrompe a história com um sorriso largo de nostalgia.
ㅡ Cass... — Eu o repreendo.
ㅡ Desculpe, eu me empolgo. Pode continuar. — ele diz e Floy revira os olhos dando um tapa na nuca de Cass. Os Pevensie dão risada.
ㅡ Eu iria atrás dela para terminar a luta, mas eu também estava ferida e não podia entrar no Grande Abismo, onde ela se escondia. Então se passaram dois anos sem termos noticias dela, até sermos atacados novamente. A segunda guerra durou dois dias, ela tinha criado um exército maior de Ogres. Nosso exército foi morrendo e eles iriam ganhar, mas então... Antes de eu chegar até Jadis, tudo acabou.
Cass e Floy tinham os rostos curvados, olhando tristemente para o chão. Nós três havíamos deixado nossos companheiros na batalha.
ㅡ O que aconteceu? — Pedro pergunta.
ㅡ Aslam nos mandou para o outro mundo. Ele sabia que morreríamos na batalha e Jadis ganharia de qualquer jeito. Então, disse que havia uma forma de virar o jogo. Lutando ao lado dos filhos de Adão e das filhas de Eva, Nárnia voltaria a ser o que era.
Eu respiro fundo, vendo os Pevensie olharem para mim, o rosto de Pedro começou a ganhar uma feição de esperança.
ㅡ Está tarde, amanhã temos que montar uma estratégia de batalha. — eu digo me levantando. — Temos que descansar.
Lúcia bocejou, ela estava apoiada no ombro de Pedro com os olhos fechados, Susana se levanta ficando ao meu lado.
ㅡ Emma está certa. — Susana diz.
[...]
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