Aurora | Nárnia
6 A mesa de pedra
Notas iniciais
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Narradora On
De madrugada o vento soprou na cabana das meninas, a pequena Lúcia se mexe e abre os olhos. Ela olha para a entrada de sua tenda e vê uma sombra passar calmamente.
— Emma! — a pequena Pevensie olha para Emma e Susana dormindo. — Susana! Acordem!
— Tudo bem? — Emma acorda e pergunta.
— Volta a dormir Lúcia. — resmunga Susana.
— Acho que vi Aslam passar. — sussurrou a mais nova, Emma estreita os olhos.
— Aslam...
Lúcia acordou Susana e as três colocaram suas capas, por precaução Emma pegou sua espada, Susana o arco com a trompa e Lúcia seu punhal e o frasco de poção magica. As três saíram da tenda em silêncio e seguiram a mesma direção que Lúcia viu o leão sair, Emma achou pegadas e sem demorar muito avistaram o leão logo a frente. Quando chegaram em uma certa parte da floresta, Aslam para e olha para trás.
— Não deveriam estar na cama?
Emma, Lúcia e Susana saem de trás das árvores e olham para o grande leão.
— Não conseguimos dormir. — Lúcia responde.
As três de aproximam dele.
— Por favor, Aslam. Não podemos ir com você? — Susana pergunta.
Aslam abaixa a cabeça, depois olha para Emma que estava calada apenas observando.
— Ficarei contente com a companhia por enquanto. Obrigado. — ele responde.
Caminharam por mais um tempo, até Aslam parar novamente e dizer para que as garotas voltassem ao acampamento. As três veem o leão se distanciar, Emma suspirou.
— Eu sei onde ele está indo. — disse baixo.
— Onde? — Susana pergunta.
Emma acena com a cabeça e Lúcia e Susan a seguem por um caminho diferente que Aslam foi. Em cinco minutos as três subiram um rochas e de cima viram centenas de ogres da feiticeira, comemorando e com tochas na mão. Aslam apareceu caminhando no meio deles até a frente d'A Mesa de Pedra. Então, Jadis surge, vestida em um vestido preto e uma faca na mão. Emma segura a espada com ódio e ameaça se levantar, mas Susana a segura no braço.
— Observem, o "grande" leão. — zombou Jadis.
Um minotauro se aproximou de Aslam e o empurrou com um grande machado, o leão caiu no chão e não reagiu contra.
— Porque ele não reagi? — Lúcia pergunta, Emma e Susana a olham, as três com os olhos marejados.
— Ele fez uma escolha. — Emma diz com um nó na garganta.
— Amarrem o animal! — ordenou Jadis.
Quando todos os seus Ogres horríveis se aproximaram de Aslam, começaram a amarrar cordas nas patas e ao redor da boca.
— Esperem! — Jadis diz colocando um discreto sorriso. — Tirem todo o pelo dele.
Emma derrubou a primeira lágrima, ela sabia que aquilo não era apenas um sacrifício para a feiticeira, mas uma oportunidade de brincar com o grande leão. Depois dos ogres arrancarem o pelo de Aslam, o arrastaram até a mesa de pedra, onde estava a feiticeira a espera. Com apenas um sinal de mão, ela manda todos se calarem e começarem a bater cajados no chão em sincronia, o sacrifício começaria. Jadis se aproximou de Aslam.
— Sabe Aslam, estou meio decepcionada com você. — disse a feiticeira — Ninguém será salvo, e nenhuma Aurora ou reizinhos vão me parar. É nisso que dá o amor.
Ela se levanta e as batidas no chão se tornam mais rápidas e uivos de lobos são ouvidos.
— Está noite, será satisfeita a Magia Profunda! — Jadis grita. — Mas amanhã, nós tomaremos Nárnia, para sempre! — ela gritou novamente, mas olhou para Aslam. — Consciente disso, desespere-se e morra!
A feiticeira levanta a faca para o alto e depois se abaixa rapidamente, cravando a faca em Aslam. O grande leão arfa de dor e arregala os olhos ao sentir a facada. Emma derrubou mais lágrimas e Lúcia soltou uma gritinho, Susana a abraçou chorando. Aslam fecha os olhos, sua vida chegando ao fim.
— O grande gato, está morto! — comemorou Jadis. — General, prepare suas tropas para a batalha. Por mais curta que ela possa ser.
Emma observou Jadis, o ódio só aumentando. Aos poucos todos foram embora, as três garotas se aproximaram da Mesa de Pedra chorando. O sol já estava nascendo, a escuridão da madrugada indo embora. Lúcia se sentou na mesa e pegou o frasco de poção.
— Já é tarde. — Susana disse. — Ele se foi.
Susana se sentou no outro lado e as duas o abraçaram. Emma se aproximou da cabeça de Aslam e afagou com um carinho, derrubando lágrimas.
— Ele sabia o que estava fazendo. — Emma diz. — Temos que avisar os outros.
— Mas, não podemos deixá-lo. — Lúcia diz.
— Jadis está preparando o exército, tenho que voltar e ajudar Pedro.
— Avise que vamos ficar com Aslam. — Susana diz, seu rosto vermelho.
— Cuidem dele. — Emma segura a mão das duas e dá uma última olhada em Aslam.
— Emma, por favor, fique de olho em meus irmãos. — Lúcia diz com os olhos cheios lágrimas.
— Daria minha vida por eles. — prometeu Emma.
A última Aurora sai as pressas, correndo entre as árvores da floresta, derrubando lágrimas a tona. Chegou ao acampamento e poucos soldados estavam de pé. Ela correu até chegar a tenda de Pedro e Edmundo que ainda estavam dormindo.
— Pedro! — Emma diz ao abrir a tenda e entrar.
O loiro se acordou em um pulo e pegou a espada apontando para Emma, mas assim que viu a morena ele abaixa a espada. Edmundo que também tinha acordado, ficou assustado ao ver o estado de Emma. O rosto dela vermelho, o cabelo levemente bagunçado e o peito subindo e descendo sem folego.
— Emma? O que houve? — Pedro perguntou.
— Aslam... — engoliu em seco — Está morto.
— O que? — Pedro e Edmundo dizem juntos.
— Ele foi no lugar de Edmundo, um sacrifício na Mesa de Pedra pela Feiticeira Branca. Eu e as meninas vimos tudo, elas ficaram com ele... não queriam deixá-lo lá.
Edmundo abaixa a cabeça com lágrimas nos olhos, se sentia culpado.
— Aslam...
— Não se culpe, Edmundo. — Emma disse. — Ele sabia o que estava fazendo, e confiou em nós.
...
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