Aurora Goldwin and The Rise of Night
13 As Coisas Ficam Frias em Cleveland
Notas iniciais
— O que? — Nico franziu as sobrancelhas.
— Serra Nevada. É uma cordilheira que fica na Califórnia. — falei.
— Você acha que Nix está se erguendo em um dos cumes? — perguntou Nico.
— Sim, o mais alto, mas eu esqueci o nome. — respondi, tentando me lembrar do nome que eu sabia que conhecia. Mas me cérebro não cooperava.
— Acharemos um mapa quando chegarmos em Cleveland, que muito provavelmente será amanhã a tarde. — ele disse.
— Agora durmam. — sussurrou Mea, na água ao nosso lado, e então começou a cantar uma canção de ninar em grego. Sua voz era doce e calma. Após alguns minutos, adormeci.
***
Já estávamos quase chegando em Cleveland, quando eu comecei a notar algo estranho no céu. Estava nublado, seriamente nublado. As nuvens estavam tão escuras que pareciam roxas. Um trovão retumbou, primeiro suavemente e depois de um jeito mais violento. Raios começaram a riscar o céu, luminosos.
Nico e Ariana começaram a olhar para o céu atentamente.
— São apenas trovões. — falei.
— Estranho. — Ariana não parecia relaxada — O tempo esteve bom durante toda nossa viagem, eu não estava esperando um céu nublado hoje, e nem mesmo, — um trovão soou mais alto, a cortando, e em seguida pesadas gotas de chuva começaram a cair.
— Chuva. — Nico completou.
Aquela tempestade não era norma. Os raios pareciam ir certeiramente em direção a um arranha-céu. Eu sabia que raios eram atraídos por grandes objetos de metal, mas aquilo era diferente. Sobrenatural.
— O que é aquilo? — exclamei, apontando enquanto nos aproximávamos mais e mais de Cleveland. Eu poderia jurar que era uma encenação de King Kong. A não ser que eu estivesse enganada, dois... gigantes! Eles tentavam subir mais alto, porem os raios e a tempestade os impediam de avançar.
Já em terra firme e correndo com nossa mochilas, conseguimos chegar até onde toda aquela tempestade se concentrava. Os gigantes pareciam tentar estapear algo, que voava perto deles. Era um adolescente, o ar girava ao redor dele e ele usava uma espécie de espada dourada.
— Eu sou Oto, você não pode me ferir, meio-sangue. — rugiu um dos gigantes.
— Jason. — disse Nico.
— Filho de Zeus? — chutei.
— Tecnicamente, ele é filho de Júpiter. — disse Ariana — E eu acho que a irmã dele está aqui também.
Nos aproximamos mais do prédio. Uma adolescente vestida de prata estava no chão, com os olhos fixos nos gigantes, erguendo uma lança prateada e gritando algo que eu não conseguia ouvir devido aos trovões. Quando ela ergueu a lança, um raio caiu do céu até a ponta da lança e ela o atingiu no pé de um dos gigantes.
— Thalia! — gritou Ariana.
A garota se virou; ela tinha feições angulosas e cabelos negros, pele branca, olhos azuis elétricos, literalmente, e algumas sardas no nariz. Ela parecia ter dezesseis ou dezessete anos, mas algo em seus olhos me dizia que ela na verdade era mais velha.
Nico, Ariana e eu largamos nossa mochilas no chão.
— Ariana? Nico? — a garota tombou levemente a cabeça para o lado — O que vocês estão fazendo aqui? — ela me olhou — E que é ela?
— Thalia, essa é Aurora, filha de Apolo com a benção de Morfeu. Rory, essa é Thalia, filha de Zeus e agora Caçadora de Ártemis. — disse Ariana.
— Filha de Apolo com a benção de Morfeu? — questionou Thalia — Acho que já ouvi falar de você. Foi você que pôs o Kraken para dormir, não foi?
— Sim. — concordei, olhando para os gigantes, pensativa — Tem algum plano? — gesticulei em direção ao gigante.
— Jason e eu não conseguimos derruba-los, eles são grandes demais, só conseguimos atrasa-los. Alguma ideia? — ela perguntou.
— Acho que sim. — falei — Posso tentar bota-los para dormir como fiz com o Kraken.
— Por que você usa mais os poderes de Morfeu? — Thalia ergueu uma sobrancelha.
— Porque provavelmente uma flecha não irá derruba-los de lá. — rebati, bem humorada — Chame Jason aqui.
— Sim? — perguntou uma voz atrás de mim.
O garoto parecia ter dezesseis anos. Tinha os mesmos olhos de Thalia, mas seus cabelos eram loiros cortados rentes e tinha uma pequena cicatriz em seu lábio superior. Ele era realmente muito, muito bonito.
— Bem, — organizei meus pensamentos — meu plano é simples. Nico, abra uma cratera no chão enquanto Jason me leva até os gigantes. Vou faze-los adormecer e assim que eles caírem você a fecha, ok? — Nico assentiu — Thalia e Ariana, distraiam eles caso nós estejamos em desvantagem lá em cima. — as garotas assentiram em concordância — Jason, pode me erguer até ficarmos de frente para os gigantes.
— Claro. — ele sorriu — Não sei quem você é, mas é esperta.
Jason segurou minha cintura e eu o abracei pelos ombros enquanto ele usava o vento para nos impulsionar para cima. Ficamos frente a frente com os gigantes.
— Outra meio-sangue? — exclamou o que se chamava Oto — Sinto cheiro de girassóis e papoulas!
— Pronta? — sussurrou Jason.
— Vou precisar me concentrar, não deixe eles me derrubar. — sussurrei de volta, ao mesmo tempo em que o gigante tentava nos atingir.
Jason desviou, subindo mais alto. Olhei para baixo; Nico havia aberto uma cratera enorme no chão.
Ergui minha mão, tentando me concentrar e fazer o mesmo que havia feito com Sra. O'Leary. Uma luz roxa brilhou em minha mão.
— Hey! — gritei acima dos gigantes, sentindo Jason me segurar — Por que não dormem um pouco?
Dessa vez foi estranho. Eu conseguia sentir a energia de Oto e Elfiates se esvaindo e vindo para minhas mãos. Eles tombaram, caindo do arranha-céu para a cratera, que em seguida Nico fechou, como combinado.
Jason riu, mas parecia cansado. Já eu, me sentia mais forte. Era estranho como eu podia me sentir tão fraca quando usava os dons de Apolo, mas tão forte quando usava os de Morfeu.
— Então, qual o seu nome? — Jason perguntou, nos fazendo descer.
— Aurora Goldwin. — respondi, timidamente.
— Goldwin? — ele franziu as sobrancelhas — Esse sobrenome não me é estranho...
Eu não queria que ninguém ficasse sabendo sobre minha mãe ser a cantora Lisa Goldwin.
— É que... — gaguejei — é um sobrenome comum. — mentira.
Nossos pés tocaram o chão. Nico se inclinava, apoiado em sua espada, parecia mais pálido que o normal. Thalia parecia bem e Ariana respirava com um pouco de dificuldade. Fui para o lado de Nico.
— Bem, aquilo foi interessante. — disse a filha de Ares — Bom plano. — sorriu.
— Obrigada. — agradeci, olhando para o céu conforme a tempestade se suavizava — Aqueles gigantes eram horríveis. — não evitei o tom de repulsa em minha voz.
— Sim. — a voz de Nico estava sombria, como se recordasse algo. Perguntaria a ele depois.
— Eles estavam atrás de que? — perguntou Ariana.
— Está vendo as chaves lá em cima? — Thalia apontou para as grandes chaves vermelhas próximas do topo do prédio — As chaves no Key Tower, são na verdade as chaves para o mundo inferior, eram mantidas em segredo. Mas agora muitos monstros vem tentando pega-las, e Jason e eu fomos designados para protege-las por um tempo.
— Por que os monstros iriam querer ir para o mundo inferior? — perguntei.
— Para libertar monstros e almas que estão presos lá. — explicou Thalia — Cada entrada para o mundo inferior é um grande problema para os deuses.
Olhei para Nico pelo canto de meus olhos; ele estava mais pálido que o comum e seus olhos escuros, arregalados.
— Bem, — Jason mudou de assunto — para onde vocês estão indo?
— Columbus. — respondeu Ariana.
— Sério? Legal... eu gostaria de saber mais sobre a missão de vocês, mas é melhor vocês irem, tem um trem que irá sair para Columbus meio-dia. — ele disse.
— Como você sabe? — perguntei.
— Nós iriamos para Columbus amanhã, e então voltaríamos para cá depois. — respondeu ele.
— Por que? — dessa vez Nico questionou.
— Porque Zeus disse que algo importante estava acontecendo lá. — disse Thalia.
— Ele disse o que era? — perguntei.
— Não, mas eu acho que um titã possa está se erguendo lá, — disse Thalia — um grande.
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