Aurora

12 Epílogo I


Notas iniciais
Para aqueles que amaram muito o casal, esse final acontece numa realidade onde Harry e Gina não ficaram juntos após a Batalha de Hogwarts... Beijo! ♥

Fazia cinco anos desde o dia da derrota de Lorde Voldemort, e o mundo bruxo vivia em paz e harmonia. O mesmo servia para o mundo trouxa, onde apenas as questões políticas e econômicas mudavam o quadro, mas não interferia muito na vida de Harry Potter.

O auror resolvera sair mais cedo de casa naquela manhã de verão e passar num café em Londres que Hermione havia recomendado, tentando convencê-lo que a torta de caramelo era quase melhor do que a de Hogwarts.

Ele gostava de caminhar sozinho pelas ruas iluminadas pelo sol morno das primeiras horas do dia, ajudavam ele a pensar e também não havia muitos bruxos na rua naquele horário para encara-lo ou cumprimenta-lo por ter derrotado o maior bruxo das trevas de todos os tempos, de novo. Harry andava com as mãos no bolso do jeans, os cabelos negros estavam menos bagunçados, porém ainda espetavam no alto da cabeça, os olhos continuavam absurdamente verdes, agora tinha uma barba rala crescendo envolta do rosto e a cicatriz em forma de raio ainda chamava atenção em sua testa. Continuava usando óculos de aros redondos e estava mais alto.

Perdido em pensamentos sobre a reunião que teria naquele dia com Kingsley Shacklebolt, o Ministro da Magia, acerca das novas implantações na Seção de Aurores, ele atravessou a rua e pôde ver algumas mesinhas e cadeiras na calçada a poucos metros de distância, e ao se aproximar enxergou a plaquinha que indicava o Café Aurora.

A decoração do lugar era agradável e cheia de cores em tom pastel, Harry sentiu o quão acolhedor era o espaço assim que atravessou a porta e o sininho tocou, anunciando sua entrada. Poucas pessoas ocupavam o interior do café, e ninguém pareceu reparar em sua chegada.

Tentando continuar passando despercebido, ele se dirigiu para o balcão e bateu os olhos na magnífica torta de caramelo que descansava atrás da vitrine lotada de outras guloseimas e bolos. O cheiro de café adentrou suas narinas, fazendo-o se perguntar se precisaria levar um para Rony também, para que não ameaçasse cochilar no meio da reunião.

— Ela é ainda mais gostosa do que parece. – uma voz feminina disse e ele ergueu a cabeça para ver quem lhe falava – Bom di...

A mulher de cabelos castanhos repicados e olhos cor de mel atrás do balcão o olhou com assombro, interrompendo sua fala, tamanha a surpresa. Ela tinha a estatura mais baixa, era muito bonita e estava vestindo um avental delicado por cima de suas vestes casuais.

— Bom dia. – ele sorriu, encantado com a beleza dela, mas incerto do motivo da reação inesperada.

Ela sorriu, de forma tímida e aconchegante, seu assombro pareceu se transformar em reconhecimento e admiração. Alguma coisa despertou em Harry, sentiu uma aceleração nos batimentos cardíacos e um formigamento no lado esquerdo da cabeça que não sabia dizer qual era a causa. O mais estranho era que estava entre trouxas, e era fácil reconhecer um bruxo, principalmente porquê nenhum passava por ele sem cumprimenta-lo desde a queda de Voldemort, e aquela sensação parecia algum tipo de sintoma causado por magia, por algum feitiço, repentino e inexplicável.

— Você é o Harry. – ele ouviu a voz melodiosa dela falar seu nome.

— Hum, sim. – os olhos cor de mel dela o prenderam num transe, o observavam atentamente, passando por sua cicatriz várias vezes – E você, quem é?

A pergunta pareceu afetá-la um pouco, e ele se perguntou se tinha dito algo errado. Não se lembrava de ter visto aquela mulher encantadora alguma vez na vida. Ela piscou os olhos rapidamente e algo parecia ter clareado em sua mente quando voltou a falar.

— Aurora. – respondeu, e o nome ecoou na mente dele e não trouxe nenhum vestígio de memória – Então, como posso ajuda-lo?

— Bem, Aurora... – ele voltou sua atenção para vitrine com esforço – Eu queria uma fatia dessa torta de caramelo e dois cafés com pouco açúcar, para viagem.

— Certo. – ela rapidamente se colocou a preparar o pedido e Harry tentou não deixar seus olhos se cravarem tão descaradamente nela enquanto aguardava.

Ele ainda estava sinceramente intrigado, não apenas por ser abordado daquela forma, mas porquê ela não parecia conhecê-lo pelos motivos de sempre, ela sequer parecia ser bruxa. Esses questionamentos pipocavam em sua cabeça enquanto coçava a barba rala e a observava tampar os dois copos de café.

— Prontinho. – Aurora pousou no balcão um saco de papel com o logo do café na frente e seus olhos se encontraram de novo com constrangimento.

Enquanto pagava, suas bochechas coravam violentamente e ela fazia de tudo para evitar contato visual, e ele não entendia o quê estava causando toda aquela inquietação.

— Obrigada, esperamos que volte logo. — ela sorriu novamente e ameaçou se afastar, então ele não pôde se refrear mais.

— Perdão, mas... – Harry se dirigiu a ela com cautela após guardar a carteira no bolso – Nós nos conhecemos?

Aurora mordeu o lábio inferior enquanto seus olhos passeavam pelo rosto de Harry, e ela pareceu hesitar em responder.

— Faz muito tempo, mas nós nos conhecemos, sim. – revelou num tom baixo e contido, como se estivesse prestes a contar uma história que gostava muito.

— Eu me lembraria se a tivesse visto algum dia. – ele respondeu com gentileza, temendo que a chateasse.

Ela sorriu e desviou os olhos para o chão, mas ainda parecia um pouco insatisfeita.

— Está tudo bem. – disse brandamente – Eu passei um verão na Rua dos Alfeneiros, alguns anos atrás.

— Bem, lá nunca foi meu lugar favorito. – ele deu de ombros, tentando se justificar por não saber quem ela era.

— Nem o meu, não fui parar lá em boas circunstâncias. – a tristeza nublou seu semblante por um segundo – Mas foi bom te conhecer.

Um silêncio intrigante caiu sobre os dois enquanto se encaravam, como se não tivessem certeza se deveriam continuar tendo aquela conversa.

— Como eu posso não me lembrar de você? – a pergunta saiu abruptamente, sua testa estava franzida.

— A memória pode ser traiçoeira as vezes. – ela deu de ombros, e parecia muito honesta, não havia razão para que estivesse mentindo, mas nada fazia sentido na cabeça dele.

— Como você pode se lembrar de mim?

— Ah, Harry. – ela riu-se – Eu nunca vou me esquecer de você.

Ele não a conhecia, ou pensava que não, mas aquela declaração fez um sorriso ameaçar surgir em seus lábios e um fogo cálido queimar em seu peito. Aquela mulher causava nele uma sensação indiscutível, uma sensação de calma e firmeza.

— Estou tomando o seu tempo. – Aurora afastou os cabelos do rosto e se recompôs, voltando a postura profissional – Não quero que se atrase.

— Trabalho perto daqui. – ele informou para tranquiliza-la.

— Ficamos abertos até as 21h00. – ela disse tentando soar displicente – Espero que goste da torta, Harry.

Eles trocaram um olhar significativo de novo e ela foi para os fundos do estabelecimento, deixando-o ali no balcão completamente aturdido.

Durante o dia todo o rosto daquela estranha ficou gravado na cabeça dele, até Rony achou estranho o quão aéreo o melhor amigo estava, e ele nem sequer prestou atenção no sabor da torta de caramelo, no final das contas. A conversa incomum que tiveram ainda ecoava em seus pensamentos até quando deixou o Ministério, decidido a voltar no café.

Era 21h15 quando ele atravessou a rua, como naquela manhã, correndo como se sua vida dependesse disso. Um alivio intenso tomou conta dele como se fosse uma brisa refrescante ao ver Aurora do lado de fora do café, carregando uma cadeira que estava na calçada.

Harry foi rápido em se aproximar e pegar a cadeira das mãos dela para ajuda-la, mas acabou assustando a mulher, que soltou um gritinho e se afastou apressadamente. Ao ir para trás ela tropeçou e quase caiu, não fosse Harry agir rápido e apontar a varinha, disfarçadamente, para uma outra cadeira que se moveu e parou atrás de Aurora, a tempo de fazê-la cair sentada, intacta.

— Desculpe! – ele repetiu várias vezes, percebendo que aquela abordagem não tinha sido a melhor – Sou o Harry, vim hoje de manhã.

— Pelo amor de Deus, Harry, eu sei disso, mas você quase me matou. – ela colocou a mão sobre o peito e a outra segurou a borda da cadeira em que tinha ido parar.

— Não era minha intenção. – estava realmente arrependido – Me desculpe.

— Tudo bem. – ela inspirou profundamente e o olhou nos olhos – Então, você voltou.

— Voltei. – ele segurou o braço da cadeira com força, sentindo um nervosismo gelar seu interior – Não consegui parar de pensar em você.

Ela sorriu e balançou a cabeça como se desacreditasse, então se levantou, aproximou-se e tomou a cadeira das mãos dele com delicadeza.

— Se você quiser entrar, a gente pode tomar um café por conta da casa. – ela indicou a porta.

— Eu adoraria. – ele assentiu, ansioso.

Os dois terminaram de colocar as mesas e cadeiras da calçada para dentro e Harry se sentou no balcão enquanto Aurora preparava o café. Logo estavam sentados lado a lado, um pouco perdidos com a situação em que se encontravam, mas estranhamente confortáveis na presença um do outro.

Aurora o explicou que seus falecidos tios eram vizinhos dos Dursley, os Catburry, e que ela tinha tomado conhecimento que a casa de N°4 fora abandonada alguns anos depois do verão em que ela foi visita-los, sem nenhum motivo certo. Ela seguiu a vida sem pensar nele, até aquele momento. Harry não sabia como encarar o que estava acontecendo, mas não conseguia duvidar de nenhuma palavra dela.

Eles só se calaram quando já passava das 23h00 e ele teve que ir embora, a contragosto, com o rosto de Aurora gravado em sua mente e outro pedaço de torta bem embrulhado na mão.

— Você sabe onde me encontrar. — ela falou quando se despediram.

"Eu não vou me esquecer de você." Harry pensou, sozinho, quanto virava a esquina da rua e se preparava para aparatar para casa.

"Não desta vez."

Não se esqueceu e voltou ao café muitas vezes depois, até se ver completamente apaixonado e, eventualmente, ele soube por Aurora que naquela noite em que se reencontraram, ao lançar um feitiço na cadeira para ampara-la, ela tomou conhecimento de seu segredo, sem saber dos detalhes, é claro.

A relação dos dois mostrou a todos que a magia poderia ser mais que um dom. A magia, sem duvida, vivia em Aurora, mesmo que de uma forma diferente de como vivia em Harry.

Logo ela conheceu tudo sobre o mundo bruxo e automaticamente se encantou, e Harry não poderia ser mais feliz em tê-la ao seu lado. Ela o amava mesmo antes de saber o peso do nome que carregava e de suas façanhas, e o amou mais ainda depois de descobrir. Ele a amava por ser compreensiva, sábia, carinhosa, espontânea e questionadora, e por tentar lembra-lo de histórias apaixonantes e aventureiras de anos atrás, de quando eles supostamente se conheceram. Harry nunca se lembrou, porém, nunca deixou de ama-la de verdade.