—Aline, querida.

—Sim senhora. –Respondeu a secretária, a típica fiel escudeira de Aurora.

—Ligue na sala do Simon e avise que ficarei três dias fora. Tenho que marcar presença no desfile de Londres se não meu irmãozinho querido me mata. Sabe como é o Rafael não é? –Disse sorrindo em quanto saboreava um suco de laranja.

—Pode deixar senhora. –Respondeu anotando os pedidos da chefe.

—Ah, antes que eu me esqueça, minhas irmãs estão vindo passar férias aqui. Quero que peça ao Simon para busca-las no aeroporto amanhã as 18 horas, e leve para minha casa que eu e o Rafa voltamos na quinta e finalmente passamos um tempo juntos como antigamente.

—Anotado farei isso agora mesmo senhora.

—Muito obrigada, não sei o que seria da minha vida sem você. –Disse dando um beijo na testa da secretaria em sinônimo de carinho. –Tem alguma duvida?

—Só uma pergunta. Senhor Simon vai querer saber por que não foi convidado para acompanha-la dessa vez.

Aurora sorriu ,e disse baixo como quem fosse fazer uma fofoca;

—Então, Rafael está namorando, um estilista mara. Simon certamente causaria problemas por lá.

—Entendi, eu penso em alguma desculpa então.

—Ok, obrigada Alinita bonita. Tenha um bom dia. E lembre-se em quanto estou fora você é quem manda.

—Obrigada senhora, um ótimo dia.

Rafael irmão mais próximo de Aurora e Simon tiveram um romance por dois anos. Mas quando a mídia começou a questionar a homossexualidade de Rafael dona de grandes grifes e Simon produtor dos maiores eventos, Simon achou que seria prejudicial a sua carreira e desistiu.

Aurora deixou a empresa as pressas, pela primeira vez na vida se sentiu atrasada, em cima da hora. Um taxi a esperava na porta para leva-la direto ao aeroporto.

—Precisa de ajuda com as malas senhora? –Perguntou o taxista educadamente.

—Não carrego malas, odeio. Tenho uma casa na onde vou, devo ter algo la que ainda me sirva.

—Tudo bem. –O rapaz então abriu a porta para a mulher entrar no carro.

—Obrigada.

Aurora entrou no carro, em seguida tirou os óculos escuros e colocou dentro da única bolsa que tinha em mãos. O rapaz bateu a porta e verificou se estava trancada. A mulher não pode deixar de notar o belo físico do menino. A camisa branca que ele usava, era apertada e mostrava seus braços definidos. Então ele entrou no carro e deram inicio ao trajeto.

—Agradecemos a confiança da senhora por nossos serviços.

—Você é muito gentil. A empresa de vocês é muito eficiente e elogiada.

—Sou fanático na senhora. – Aurora ao contrario de outras mulheres não se incomodava nenhum pouco de ser chamada de senhora, naquele momento sua mente já começava a vagar como aquele garoto poderia ser submisso, e já podia ouvir sua voz o chamando de senhora em uma noite de muito prazer.

—Fico lisonjeada. Como você se chama?- perguntou olhando os olhos marcantes do rapaz pelo retrovisor.

—Pode me chamar de Nils senhora.

—Nils –Repetiu o nome com um sorrisinho no canto dos lábios dizendo quase que para si mesma para parar de fantasiar.

Transito, movimento, gente. Aurora odiava tudo aquilo, mas as vezes era interessante imaginar-se fodendo em uma pista com um taxista. Ela puxava a memória e não se lembrava de já ter pegado um taxista. Em quanto Nils falava sem parar ela só observava aquelas lábios rosados, e em alguns momentos ele passava a língua molhando os lábios entre uma frase e outra. Ela já podia imaginar inúmeras coisas que queria fazer com aquele taxista alí naquele exato momento, mas ao mesmo tempo dizia para si mesma em pensamentos.

—Pare Aurora é uma viagem a trabalho.

Em quanto isso Nils falava sobre o seu grande sonho de ser dançarino. Ela até ouvia o que ele dizia mas não conseguia prestar atenção, pois sua imaginação já caminhava em sexo em um carro em movimentos.

—Odeio pedir mas a senhora pode me ajudar com esse sonho não é? –Disse o rapaz a tirando de seus devaneios.

—Desculpe-me mas não prestei atenção no que me disse, eu estava pensando em outras coisas.

—Disse que a senhora podia ajudar a realizar meu sonho, sei que é chato pedir isso mas talvez eu nunca mas te veja...

—É talvez nunca mais...-Só ela sabia como já estava se sentindo e imaginando.

—O que disse senhora?

—Que tem que aproveitar as oportunidades que não batem a porta duas vezes. –Concertou.

—A senhora pode me arrumar um trabalho na tv, algo no mundo da moda, me apresentar a boas pessoas.

Aurora fitou o rapaz que estava dirigindo no banco a sua frente, olhou sua mão passando a marcha, sem aliança, sorriu em indignação. Como pode alguém que nem a conhece aborda-la dessa maneira?

—Ousado, invasivo, atrevido...

—O que?

—É, eu gostei de você Nils. Vou ver o que eu posso fazer –Disse em quanto analisava o perfil do moço. Tão novo e bonito, parecia realmente alguém que nasceu para aparecer.

—Obrigado, obrigado mesmo. –Falava sorrindo e com a respiração acelerada. –Eu confio na senhora.

Aquela frase para Aurora significava bem mais do que ele poderia imaginar.

—O que faz você confiar em mim? Eu posso ser uma psicopata e nesse exato momento posso estar com muita vontade de fazer sexo com você, tendo que te matar em seguida para ninguém saber-Então ela deu uma risada ,Nils fez o mesmo em quanto seu rosto vermelhava entregando toda sua timidez. Quem era aquela mulher dizendo aquelas coisas, era inevitável não se imaginar tirando aquele batom vinho de sua boca e fazer sexo com ela uma noite inteira, era quase impossível esconder sua excitação e seu nervosismo com a frase dita pela dama.

—O sexo seria bom...-Disse Nils em baixo tom maliciosamente.

Aurora então colocou sua mão direita no ombro do rapaz e apertou-o carinhosamente descendo até a metade de seu braço.

—Você é corajoso?

Por um instante Nils tentava não demonstrar o quanto estava acelerado.

—A senhora não sabe o quanto.

—Bom você é bonito, tem carisma. Um banho de loja te deixaria perfeito para o que eu preciso pra hoje. –Disse recuperando-se, colocando os óculos e falando com uma voz mais imposta e profissional. –Se você realmente quer entrar nesse meio, tem uma oportunidade agora.

—O que a senhora está dizendo?

—Estou indo para um desfile em Londres, e preciso muito de um acompanhante e um modelo, se você aceitar, embarcamos hoje mesmo.

—Mas, eu não tenho condições, talvez na próxima semana, hoje não consigo.

—Vou pagar tudo, vou te transformar no que você quiser, basta um sim. Pode ser sua única chance bebe.

—Mas..

—Pensa aí, que já estamos chegando no aeroporto.