Aurora
20 Daniele
—Obviamente o garoto estava embriagado. –Dizia Aurora em quanto balançava em uma cadeira giratória. Seu terninho dava-lhe um aspecto de confiança –Um garoto embriagado não precisa de muito para cair numa piscina e bater a cabeça, acidentes acontecem, eles estão em toda parte. Se vocês mesmos já afirmaram que ele era um bom garoto quem ia querer mata-lo?
A investigação permaneceu por dias, e Aurora fez de tudo para esconder que na verdade o garoto tinha sido empurrado por sua sobrinha. E com a junção de dinheiro e muito charme, conseguiu com que todos ficassem inocentados, inclusive ela de permitir tal acontecimento. Marcelo foi seu álibi confirmando que ela se encontrava em Maria da fé. Dentro de pouco tempo o rosto da mulher já se encontrava em todas as revistas e jornais, programas de tv. Marcelo deu uma entrevista inocentando-a e afirmando ter passado duas semanas se encontrando com a mulher o que gerou novas especulações. —Ahhhhh – Podia ouvir o grito feminino de fúria pelos corredores do prédio. Em seguida barulhos de estilhaços, e coisas se quebrando. Mel rasgava os jornais com o rosto de Aurora e seu ex marido Marcelo –Ela é uma desgraçada. –Mel tacou um vazo quebrando os vidros da janela de seu consultório. Rasgou os jornais que questionavam um relacionamento do empresário Marcelo e Aurora. —Senhora, essa é Daniele e veio para entrevis.....-Disse a secretária de Mel se protegendo de um retrato da Moraliza que veio em sua direção. Mel olhou as duas mulheres, e respirou fundo, limpou as mãos na calça preta que usava e sorriu afobada. —Eu estou bem, foi só....tpm....muito prazer. –Estendeu uma das mãos a novata que não demonstrou estar assustada. —O prazer é todo meu doutora. —Obrigada. –Disse dispensando a atual secretária. –Por favor, sente-se, não se incomode com a bagunça, eu realmente estava precisando de uma reforma. Vamos seguir com a entrevista. —Tudo bem. –Respondeu Daniele aparentemente confiante e tranquila. Daniele era uma jovem de 22 anos, cabelos longos pretos que ficavam na altura da cintura. Pele morena, mas o que mais chamava a atenção de todos eram seus olhos verdes claros, hipnotizantes. O óculos de grau dava-lhe um aspecto mais sério e envelhecido, mas qualquer pessoa novata que se tratava de uma menina quase adolescente. Era inteligente, versátil e dinâmica. Decidida e possuía um currículo expendido, Mel não sabia como aquela garota não estava empregada. Ótimas referências e uma conversa encantadora. —Está contratada.—Quando começo? —Hoje, ou melhor agora mesmo me ajudando a escolher como vai ser o novo escritório. A sua iniciação em psicologia deu a Mel confiança, e á acalmou. Em duas horas já se sentia à vontade na presença da garota que tinha além de tudo um gosto maravilhoso e refinado. —O que acha dessa cor para as paredes do corredor? —Acho que um azul ficaria melhor, um mais claro sabe? –Apontou no prontuário. –Esse olha, imagine. —ótima ideia. Quero tudo o mais rápido possível. —Sim senhora. –Respondeu o vendedor. —Sabe Daniele. Eu nunca fiz uma inauguração, agora quando tudo estiver pronto eu vou fazer junto com a comemoração do meu aniversário, quero mostrar pra todos que eu venci, que consegui...—Você é maravilhosa senhora Mel, vai ser um sucesso . —Eu gosto de você menina. O que Mel não sabia é que Daniele se tornaria alguém muito mais que importante em sua história. As duas iam se aproximando cada vez mais a cada dia que passava, e aos poucos a garota ia trazendo vida, trazendo cor para o mundo preto e branco de Mel. Iam no cabelereiro juntas, escolhiam os móveis do consultório, conversavam sobre tudo, compravam roupas juntas, e Daniele sempre notava quando Mel pintava os unhas ou quando passava um rímel. A mínima mudança que fosse. E a garota nunca errava um presente, com o passar dos dias Mel sentia que ela era capaz de ler pensamentos e adivinhar até o que a psicóloga gostava. —Ficou incrível doutora. –disse Daniele olhando o resultado final da reforma. –Nem parece aquele consultório que você destruiu. —Você é maravilhosa Dani. –Disse dando uma gargalhada.—Posso ser indiscreta? –Perguntou em quanto caminhava passando a ponta dos dedos em todos os móveis.—Você é minha amiga, pode perguntar o que quiser. —Você é tão linda. –Olhou-a com aqueles olhos verdes. –E nunca te ouvi falar de marido, filhos....ou esposa....tanto faz. O modo como Daniele a olhava fazia com que ela se sentisse estranha, embora a cor dos olhos fossem diferentes sabia que já tinha visto aquele olhar em outra pessoa, mas se repreendia pensando que poderia ser paranoia. —Bom, é uma longa história que eu te contaria hoje, mas estou tão cansada, tudo que eu preciso agora é de um banho. —Tudo bem, é que eu sou muito curiosa mesmo. —Mas eu tive um marido, e olha não foi a melhor experiência da minha vida não. –Disse sorrindo. –Certamente meu próximo relacionamento vai ser com uma mulher. –Brincou. Dani sentou-se no braço do sofá do consultório e sorriu. —Onde é meu lugar na fila? –Perguntou deixando a mulher sem graça.
—Bom, deixa eu ir, que amanhã começamos cedo para enviarmos os convites não é? —Certo, vou só terminar a lista e vou também. —Obrigada por tudo. —Não há de que –Sorriu a moça. ♥ ♥ ♥ ♥ —Bruna, está acordada? –Disse Aurora batendo na porta do quarto da menina e entrando com uma bandeja de café na mão. —Não sinto fome. —Vamos, coma um pouca, vai, sente-se. –Deixou a bandeja no criado mudo, e abriu as cortinas verdes escuras deixando com que a luz do sol entrasse no quarto. –Temos que ir ao hospital ver seu amigo que acordou. —Não. Você está falando sério? –Disse a menina incrédula. –Meu Deus isso é verdade? —Sim. Ele acordou e perguntou por você. A menina deu um salto da cama e se arrumou nervosa.—Se arrume bastante porque o que tem te imprensa la fora cogitando a possibilidade de irmos vê-lo. É maninha, sua festa é a mais comentada, foi um sucesso. Então a feição de alegria da menina se transformou em uma expressão de preocupação. —E se ele não me perdoar? E se ele não quiser me ver? —Deixa de bobagem, ele que perguntou por você, e outra você não sabia que ia machuca-lo você não teve culpa. —Obrigada Aurora, desculpa pela forma que te tratei. –Disse abraçando a irmã que deu um sorriso forçado mas tinha completa aversão por demonstrações de afeto. –Eu amo ele, amo ele mais que tudo, só de pensar que ele ia morrer e eu não ia mais vê-lo . —Jovens, vocês amam rápido de mais, não tem dois meses que você está aqui.—Ele era diferente dos outros sabe, falávamos de ter filho de ter uma casa, cachorros, ai nem acredito que ele acordou.—Quanta bobagem, anda, se arruma. Aurora não estava enganada, tinha muita gente na porta do hospital esperando a chegada da menina, foram quase engolidas por uma multidão de pessoas fazendo perguntas, fotógrafos, jornalistas, e pessoas xingando a dama de irresponsável. Ao entrar no quarto Bruna logo abraçou o namoradinho apertado, o garoto ainda brincou que seus cabelos loiros estavam entrando em sua boca. Os dois se abraçaram forte e ela pediu perdão repetidamente em seu ouvido. —Eu te amo Bruna.—Eu também te amo muito, pra sempre. —Pra sempre. Os pais do garoto estavam acabados, não diziam uma só palavra e quando Aurora foi mostrar seu apoio a eles do lado de fora do quarto a mãe se exaltou. —Seu apoio? Seu dinheiro? Isso não vai fazer meu filho voltar a andar, isso não vai devolver a ele a vida. –Disse a mulher agredindo aurora fisicamente. Aurora se afastou e a mulher teve de ser contida pelo marido que pedia a ajuda de Deus. Bruna também não se conformava com a notícia, ninguém estava sendo aceitar muito bem tudo que estava acontecendo. Aurora temia que sua irmã não suportasse, mas aceitava a possibilidade, pois sentia que a menina tinha de arcar com as suas consequências. ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ Logo cedo Daniele e Mel iniciaram os preparativos para a festa, as distribuições e convites e a contratação do bufe. —Você vai convidar seu ex marido, é isso mesmo? —Ele está na mídia, vou convidar todo mundo que tenha fama para promover o meu evento.—Mas não é só trabalho, é também seu aniversário, não é justo com você.—A vida é injusta criança, se tudo der certo no meu trabalho será um presente pra mim. —Pegue aquela caixa. —O que tem nela? —Abra, é seu... Mel sorriu desacreditada e abriu, um lindo vestido vermelho aveludado, e por baixo um vinho e duas taças. Aquele vestido era muito caro. —Meu Deus é maravilhoso, mas é muito caro, onde você comprou. —Você é horrível né? Não sabe ser cuidada, ser presenteada, fica quieta e abra esse vinho, vamos comemorar seu aniversário, você não acha que merece? Pedi comida japonesa. —É...-sorriu pois havia muito tempo que não era cuidada. –Eu mereço. Abriram o vinho em seguida outro e quando notaram já eram três garrafas de vinho. —Por que você largou do senhor Marcelo? –Disse Daniele já embriagada deitada no divã, em quanto olhava Mel deitada no sofá. —Ele que me largou acredita? Logo eu vi ele e minha ex paciente viciada em sexo na capa de uma revista. –Riu —Ser viciado em sexo deve ser bom não é? –Gargalhou. —Não sei, nunca gostei muito. —Só pegou parceiros ruim de cama, porque sexo é muito bom, é muuuuuito bom –Gritou. —Xiiiiuuuuu- Disse Mel rindo em seguida seus olhos quase não se abriam, sempre soube de sua fraqueza por vinhos mesmo assim se arriscava a tomar um porre as vezes, e Daniele incrivelmente acertou seu vinho favorito. Daniele então desceu no chão e foi se arrastando até o sofá que Mel estava e a fitou fixamente..—Para de me olhar com esses olhos assustadores. —Você já sentiu atração por uma mulher? –Perguntou com entonação de quem já sabia a resposta. O álcool costumava deixar Mel muito sincera, —Sim, mas ela me traiu. —Já a beijou? Sentiu os lábios dela? O toque? –Com uma das mãos tirou um fio de cabelo da boca de Mel colocando atrás de sua orelha. —Nunca. –Respondeu trêmula. —Você pensa nela? –Disse se aproximando...—O tempo todo. —Se ela estivesse aqui onde eu estou você a beijaria agora? –Mel não respondeu a pergunta, mas seu ato respondeu por si. Dani pode sentir seus lábios suaves como algodão, e sua língua quente tocar-lhe o céu da boca explorando-a toda. Talvez fosse sua embriaguez, mas o tempo todo pensava em Aurora, e sentia seu cheiro, seus lábios e por um instante realmente acreditou senti-la ali. Em seguida se lembrou de Marcelo e sua mente ficou confusa, dando em Daniele uma forte mordida nos lábios. —Ai doutora, a senhora ficou louca? Pensou em se justificar, em se desculpar mas em seguida preferiu não dizer nada e voltou a beijar sua funcionária. A raiva para ela muitas vezes era muito excitante.
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