Auror

5 Unicórnio e Fada Mordente


Notas iniciais
Os números mostram muita gente lendo, mas pouca gente comentando. :( Gostaria de mais interação com vocês. Boa leitura!

[Draco]

Minha mãe já estava novamente melhor. Já conseguia andar sozinha e se alimentar. Era ótimo vê-la se recuperar daquilo que eu não podia nomear porque nem sabia o que era. Não tinha nem mesmo noção se era alguma doença bruxa ou até mesmo trouxa.

— Draco – ela me chamou, enquanto parecia cortar alguns vegetais sobre a velha tábua de madeira na cozinha do chalé.

Estava sentado na mesa, de frente para as janelas cobertas com algumas tábuas. Uma vela iluminava de maneira precária o livro que eu lia sobre doenças trouxas, na esperança de descobrir o que poderia estar acontecendo com ela. Ao ouvi-la, levantei-me e recostei-me sobre a entrada do recinto, de braços cruzados.

— Oi, mãe.

Ela abriu um pequeno sorriso, sem desviar o olhar dos vegetais.

— Vou fazer o creme de abóbora com legumes que você tanto gosta – soltou, direcionando seu olhar para mim agora.

Apenas sorri de volta e soltei um suspiro cansado de maneira involuntária. Ela não parou de me encarar.

— Tem alguma coisa errada? – perguntei, desconfortável.

— Veja só, como nós estamos – ela olhou em volta – eu mal posso te reconhecer por trás desses cabelos escuros e dessa barba – apontou para o meu rosto. – Eu mesma estou irreconhecível. Está tudo tão diferente.

Pensei durante alguns segundos antes de responde-la. Me partia o coração ver que ambos estávamos pagando o preço pelas escolhas erradas do meu pai. Retomei a consciência e voltei a mim.

— A gente vai dar um jeito de consertar tudo isso e ter nossa vida de volta. Vamos poder voltar pra casa – afirmei, tentando passar alguma segurança para ela.

— Eu nem sei se quero voltar pra lá – arfou e continuou a cortar os seus legumes – aconteceu tantas coisas ruins. Tantas memórias de Voldemort e até mesmo do seu pai que eu não queria ter de volta.

— Não foi pra falar sobre isso que você me chamou aqui – me aproximei do balcão onde ela estava trabalhando. — O que você queria me falar?

Ela terminou de picar uma cenoura em rodelas e colocou os ingredientes dentro do mesmo caldeirão velho que eu fizera a poção ao anoitecer passado. Limpou as mãos no vestido velho que usava e se virou para a mesa da cozinha, indo na direção do meu antigo livro de poções. Ela abriu-o na página 394. Vitalum Vitalis.

— Eu estive lendo o seu livro – iniciou, deslizando os dedos pelas folhas amareladas do livro.

Acompanhei-a com meus olhos, eu sabia onde ela queria chegar. Cansado, cometi o descuido de deixar o livro aberto na cozinha. Ela havia lido, o que não poderia acontecer. Havia uma coisa nessa poção que não era, digamos... aceitável.

Com sua varinha, ela puxou a cadeira ao seu lado e sinalizou para que eu me sentasse. Obedeci sem fazer nenhum som.

— Hum... destilado do veneno de fada mordente – ela apontou.

Eu não sabia muito bem o que fazer, senão concordar com a cabeça, como se não soubesse, de fato, onde ela queria chegar.

O destilado de veneno da fada mordente era um ingrediente produzido a partir do veneno da criatura. O veneno era extraído de suas pequenas presas e submetido a um processo de destilação fracionada. O processo era muito eficiente na separação das substâncias letais de outras substâncias. Esse destilado possuía propriedades mágicas que promoviam ao seu usuário uma sensação muito boa de vigor, que durava algumas horas. Dessa forma, começaram a surgir casos de abuso da substância entre bruxos, principalmente adolescentes, que desejam manter-se acordados por muitas horas para estudar para as provas finais. O problema foi que descobriram que os corpos dos bruxos começavam a adquirir tolerância, precisando de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito anterior desejado. A abstinência da substância ou de preparados feito à base dela poderia ser sentida quase como o beijo de um dementador. Sentia-se a energia sendo completamente drenada. Não demorou até que a dependência mágica fosse um problema de saúde pública na comunidade bruxa. Descoberto em 1786, fora proibido pelo Ministério da Magia já em 1793, quando a sua comercialização e consumo foram proibidos e, casos a parte, necessitariam ser analisados pelo Ministro da Magia em pessoa.

— Posso não ter sido uma das melhores alunas de História da Magia ou até mesmo de Poções, mas me lembro de algo sobre isso daqui – ela levantou, andando até a janela da cozinha de maneira impaciente. Voltou a andar na direção da mesa e apontou para o livro. – Espere. Está escrito bem aqui. Esse ingrediente é proibido pelo ministério.

— Mãe... – comecei a tentar me justificar.

— DRACO MALFOY! – gritou e, em seguida, inspirou e expirou de maneira profunda, colocando dois dedos sobre a ponte do nariz, com os olhos fechados. – Meu filho, você... Está me transformando em uma viciada qualquer. – ela respirou profundamente de novo – Eu não sei nem o que pensar... Em como deixei isso acontecer há... um ano?

— Olha como você está bem – disparei de maneira involuntária, como se minha boca tivesse entrado em modo automático de defesa.

— Bem... Bem... – repetiu, de maneira irônica – Não sei mais se estou doente ou se é efeito da dependência dessa maldita poção. Eu acho que não mereço ser chamada de Malfoy ou até mesmo Black a partir desse momento.

— Mãe, para com isso, assim que dermos um jeito nisso, levaremos você ao St. Mungus para uma desintoxicação. Isso tudo é momentâneo – levantei-me, pousando minhas duas mãos sobre seus ombros enquanto ela desvia o olhar de desapontamento.

— Momentâneo há dez anos – ela se virou de costas e caminhou novamente até a janela e pensou por um segundo. – Draco, como você tem conseguido esse destilado de veneno de fada mordente?

Meus músculos retesaram.

— Nós não temos um destilador mágico aqui... Nem nunca tivemos. Você não pode ter feito isso sozinho – ela olhou mais uma vez pra mim, mas com olhar desconfiado.

— Eu... Eu vi ali no livro que...

— Draco Lucius Malfoy, eu não quero que você minta para mim novamente – afirmou de maneira incisiva. – Se você continuar a esconder coisas de mim, eu juro que aparato na porta de Azkaban nesse exato momento – ameaçou, levantando sua varinha.

— Tudo bem, tudo bem – dei um pulo para trás e passei as duas mãos pelo meu rosto. – Eu vou te falar a verdade, mas, por favor, pare com isso. Não faça nada que vá se arrepender. Abaixe essa varinha.

Ela pareceu amolecer um pouco a postura. Guardou a varinha no laço amarrado na cintura e cruzou os dois braços, como se esperasse eu iniciar a minha explicação sobre tudo aquilo.

— Bem, eu precisei encontrar as pessoas certas pra poder comprar, realmente eu não tinha como preparar isso aqui – sentei-me novamente na cadeira, apoiando o rosto sobre as duas mãos, talvez inconscientemente tentando me esconder de tudo aquilo.

— Que “pessoas certas”, Draco? Você estava lidando com traficantes como aqueles do beco diagonal? – ela parecia cada vez mais incrédula.

— É, algo do tipo – respondi, ainda sem olhar diretamente pra ela. Ela se também se sentou novamente na minha frente e apoio os braços sobre a mesa, avançando lentamente sobre mim.

— E como você tem pagado por isso? Não é fácil de preparar, muito menos manter escondido. Não cobram barato.

Suspirei e joguei meu corpo para trás, vendo-a apoiada sobre a mesa.

— Nós tínhamos algum dinheiro ainda, meu pai conseguiu deixar bastante escondido.

— Mas o dinheiro começou a acabar... – ela iniciou, esperando eu terminar.

— Sim, o dinheiro foi ficando escasso e aí precisei trocar por outra coisa que eles queriam muito, e que também era difícil de conseguir, mesmo no mercado negro.

— E era...?

Suspirei mais uma vez e alcancei um pequeno frasco âmbar no meu bolso esquerdo da calça. Hesitando apenas uma vez, coloquei-o sobre a mesa e empurrei-o de leve na direção da minha mãe.

— O que é isso? – ela questionou, pegando o frasco e analisando-o por fora.

O líquido de dentro, apesar de ter a cor mascarada pelo vidro, parecia ser muito viscoso e emitir um brilho incomum.

— Abra – ordenei.

Ela pareceu inspecionar a embalagem e o líquido por fora por mais alguns instantes até levar a outra mão até a rolha de cortiça que o tampava. Puxou-a. O cheiro doce inundou a cozinha por alguns poucos momentos. Ela tampou o frasco e o colocou sobre a mesa e se afastou, controlando a ânsia de vômito.

— Sangue de unicórnio – disse, em meias palavras.

— Sangue de unicórnio – repeti de maneira automática.

— Você estão está matando unicórnios... – supôs.

— Não – interrompi-a, antes de concluir o raciocínio – eu juro que não.

Dei de ombros. Ela pousou novamente os dedos sobre a ponte do nariz.

— Eu coleto o sangue de unicórnios já machucados. Não é fácil, sei que isso também pode até me amaldiçoar em algum nível, mas eu não mato nenhum – levantei as mãos, em defesa.

— E o que mais?

— Isso é tudo.

— Draco, não quero mais que faça isso. Eu sou sua mãe e...

— E “nada”! – exclamei, raivoso – agora quem vai me ouvir é você. Desde pequeno escuto tudo o que vocês falam e enchem a minha cabeça de caraminholas. Olha onde nós estamos! – apontei ao redor – Tudo isso aqui é tão culpa sua, quanto do meu pai. Você poderia ter tido essa postura com ele, há quinze anos. Agora não adianta mais. Tudo isso aconteceu porque eu só escuto o que vocês dizem. SEMPRE!

Ela ficou perplexa por alguns segundos, enquanto parecia digerir tudo aquilo que eu tinha falado pra ela. Eu nunca havia falado assim com nenhum deles. Os tempos mudaram. Eu não era apenas mais um garoto, já era um homem, um homem de saco cheio de tudo isso.

— É a única vez que tento fazer o certo com base nas minhas próprias escolhas – prossegui – tentando salvar alguém que eu amo e, certamente, a única pessoa que me resta no mundo. Um pouco egoísta? Talvez, mas veja só, eu sou um maldito MALFOY! – lágrimas começaram a se formar nos meus olhos. – Você não sabe como tem sido difícil fazer tudo isso durante um ano. Conseguir essa porcaria desse sangue, lidar com esses criminosos e, ainda por cima, precisar andar sempre olhando por cima do ombro para ter certeza de que ninguém havia me seguido. – Respirei fundo antes de continuar – eu esperava ouvir pelo menos um “muito obrigada por me salvar da morte, meu filho”.

Ela se levantou e veio em minha direção. Retirou com os dedos a franja de cabelos negros que cobria parte de um dos meus olhos e colocou-a atrás da minha orelha.

— Me desculpe, meu filho – ela deu um beijo na minha bochecha – eu te amo e sou muito agradecida por você me manter viva. Eu só... continuo me preocupando com tudo que você faz, mesmo que seja para me deixar bem – e me abraçou, afagando a cabeça no meu peito.

Depois da nossa conversa, eu senti que a postura da minha mãe havia mudado um pouco comigo. Percebi que até então, ela ainda me enxergava como o pequeno Draco Malfoy, não como o homem que fui obrigado a me transformar ao longo de todos esses anos à margem da sociedade bruxa.

Terminamos a noite em frente à lareira tomando o creme de abóbora e vegetais que ela tinha começado a preparar anteriormente. Conversamos sobre muitas coisas que aconteceram, antes mesmo da volta de Voldemort, e nos lembramos que, apesar do limbo que passamos muitos anos por culpa do meu pai, tivemos também muitos outros momentos felizes. Fomos cada um para a sua cama e dormimos ouvindo o estalar da lenha da lareira.

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Mais vinte e quatro horas se passaram. Era hora de sair mais uma vez para providenciar os ingredientes para preparar a poção da minha mãe e garantir que ela continuasse do meu lado, até que houvesse a possibilidade de leva-la para o St. Mungus ou qualquer outro lugar que ela pudesse ser devidamente diagnosticada e desintoxicada.

Calcei as meias, vesti a minha calça, uma camisa de botões e um suéter. Ela estava sentada na sala comigo e fez um movimento com a varinha para que o sangue de unicórnio, que havíamos esquecido na mesa da cozinha, flutuasse até mim.

— Não havia chance alguma de eu esquecer isso – soltei, enquanto terminava de ajeitar o cadarço das minhas botas.

Ela deixou frasco cair ao meu lado, no sofá, mostrando já dar sinais do início do processo da drenagem da sua energia. Com um movimento rápido, guardei o frasco no meu bolso e fui em sua direção, parando de joelhos na sua frente.

— Eu volto em breve, tudo bem?

Ela deu um sorriso torto e passeou com uma das mãos pelo meu rosto.

— Tome cuidado, filho.

Eu assenti, segurando a sua mão que acariciava minha bochecha. Levei-a até a minha boca e dei um beijo um pouco demorado. Meu coração acelerou e quase doeu. Era insuportável pensar que poderia ficar sem o amor da minha mãe. Ela era tudo o que me restava.

Levantei-me e segui para a porta. Peguei a minha capa no cabideiro, me certifiquei de que a varinha estava comigo, empunhando-a em uma das mãos e na outra o cesto velho de madeira que usava para transportar todos os ingredientes da Vitalum Vitalis. Desfiz alguns feitiços de proteção na velha porta de madeira e atravessei-a, saindo pela velha barraca de lona amarela e antiga no meio do bosque. Com alguns rápidos movimentos de varinha, reconstitui todas as proteções para a minha mãe.

Antes de começar a minha jornada, olhei para todos os lados para ter certeza de que não havia ninguém à espreita. Já de tarde. Era o horário em que o sol começava a enfraquecer, o que me proporcionava uma boa área de sombra para caminhar sem ser percebido. Era também a partir daquele horário, justamente pelo sol fraco, que todos os comerciantes de itens proibidos costumavam trabalhar. Repassei a lista mentalmente. Precisava selecionar alguns fungos e plantas mágicos. Hoje não precisaria caçar unicórnios feridos para trocar pelo destilado.

Após alguns minutos me embrenhando pela mata local, havia conseguido todos os ingredientes que precisava por ali. Aparatei até o setor “obscuro” do beco diagonal. Sim, eu estava mais próximo daqueles que me perseguiam há algum tempo, mas era justamente essa proximidade que me garantia alguma segurança. Quem seria idiota o suficiente para se esconder perto daqueles que querem sua cabeça?

Depois de andar em um caminho que não fazia muito sentido para ter certeza que nenhum auror estava me seguindo, me dirigi à uma pequena construção. A fachada de tijolos parecia abandonada há pelo menos cinquenta anos. Uma placa de madeira, sustentada por uma corrente enferrujada por apenas um dos seus lados, dizia “Armazém Lummi”. As janelas possuíam vidros quebrados e era perceptível o barulho de corvos vindo lá de dentro – apenas seus ninhos pareciam ser a única coisa viva por ali. Entrei, fazendo com que um sino velho anunciasse a minha chegada: ninguém apareceu. Caminhei, enquanto escutava o ranger das tábuas mofadas do chão, até chegar no velho balcão de madeira da loja. Apenas uma lata de ervilhas tão velha quanto tudo ali dentro, no canto. Mais nada.

Respirei fundo e segurei-a com a mão.

Apareci numa espécie de salão antigo e mal iluminado por candelabros quebrados e flutuantes. Lembrava muito os famosos saloons norte-americanos na época de faroeste. Mesas de madeira com imensas canecas de cerveja amanteigada. Bruxos mal encarados por todos os lados. Um duende mal humorado no bar. Um elfo tocando um piano no fundo, à meia luz.

A única vantagem de ter sido, em algum momento do passado, um comensal da morte, é ter aprendido a lidar com mais naturalidade a presença de bruxos das trevas. Sentia-me verdadeiramente pouco intimidado por todos ali. Afinal de contas, eles sabiam quem eu era e, de certa forma, até me temiam. Eles sabiam que eu era um foragido do ministério que o despistava há dez anos. Ademais, precisei aprender a me impor durante todo esse tempo. Não havia risco para mim ali, pelo menos enquanto nenhum auror soubesse. Pelo menos.

Marchei firmemente até o bar e encarei o pequeno duende com cara amarrada, que estava sentado em uma espécie de banco inadequado para a sua altura.

— Vim comprar o meu vapor de besouro.

Ele pareceu me analisar de cima à baixo por cima dos pequenos óculos que usava.

— Você sabe como é o esquema, Malfoy – disse, com a voz que aparentava ser de um senhor de uns oitenta anos.

— Não me chame assim – afirmei, incisivo – eu não sou um Malfoy – segurei a minha varinha por baixo da cama, ameaçando-o.

Ele observou o meu gesto e pareceu ignorar. Não parecia com muito medo de mim. Sabia que eu dependia mais dele, do que ele de mim.

— A prata líquida primeiro – estendeu a mão.

Era dessa forma que nos comunicávamos sobre a nossa pequena troca comercial. Nesse submundo, onde há uma espécie de escambo, ou até mesmo compra e venda de coisas proibidas, os nomes eram trocados por códigos para dificultar o entendimento de qualquer pessoa intrusa naquele ambiente.

Retirei o pequeno frasco do bolso e coloquei-o nas pequenas mãos do soberbo. Ele analisou mais de perto, abriu-o, cheirou-o e em seguida deu um pequeno chute no próprio balcão. Uma espécie de gaveta disfarçada se abriu e cuspiu outro frasco, idêntico ao meu, mas com outro conteúdo dentro: o destilado do veneno de fada mordente. Peguei o objeto na mão e chacoalhei, tentando vislumbrar os grânulos em formato de estrela cadente suspensos ali, característicos do destilado.

— É sempre um prazer negociar com você, senhor – concluiu, colocando o tubo que acabara de entregar em uma espécie de cano e o fez desaparecer para algum outro lugar.

Virei-me de costas e percebi, que numa mesa próxima, dois homens me encaravam de maneira discreta. Não sabia se haviam acompanhado toda a transação ou o que queriam comigo. Como uma postura agressiva, caminhei até a lata de ervilhas, sem deixar de fazer contato visual com os dois. Não seria intimidado dessa maneira.

Notas finais
Por favor, comentem a história! Eu sei que é meio chato ficar mendigando esse tipo de coisa, mas eu realmente gostaria de saber o que vocês estão achando! ♥