Notas iniciais
Pessoal, estou muito empolgado com essa minha volta pro mundo das fanfics. Eu gostaria, de verdade, que vocês comentassem pra me dar um feedback!

[Harry]

Já era segunda de manhã. Os corredores do Ministério da Magia estavam alvoroçados. Diversos bruxos das centenas de departamentos chegavam para iniciar mais um dia de trabalho. O barulho de passos firmes pelo chão preto formava uma sinfonia única.

Enquanto caminhava ao lado de Hermione em direção ao elevador, tentava me concentrar no fato de que, agora, eu era apenas mais um caminhando por aquele local. Mesmo que vez ou outra a mídia de Rita Skeeter gostasse de ressuscitar meu nome em seus jornais, como no dia da formatura, o assédio dos jornalistas e das pessoas era cada vez menor. Mais velho, de barba crescida e com alguns poucos sinais da senescência, sentia que a imagem de “O Garoto que Sobreviveu” ficava cada vez mais próxima apenas dos livros de História da Magia. Na verdade, a sensação que eu tinha era que muitas pessoas já tinham certa dificuldade em reconhecer quem eu era. De certa forma, eu achava isso muito bom, porque finalmente tinha liberdade para viver de maneira plena.

De maneira abrupta, senti Hermione mudar a direção para qual estávamos indo e me puxar pela mão. Paramos próximos a uma lareira. Sem entender muito do que aquilo se tratava, olhei para ela, esperando alguma explicação.

— Harry, você entende que apesar de sermos amigos e morarmos juntos, não podemos ser tão próximos aqui, não é? – ela me olhava apreensiva.

— O que você quer dizer com isso?

— Eu vou te levar até a divisão dos aurores, que fica sob a responsabilidade do meu departamento no ministério – ela suspirou – mas a partir de agora, eu sou a sua chefe. O que quer dizer que determinadas posturas que tínhamos antes, não poderemos mais ter... pelo menos aqui – concluiu, com um olhar cuidadoso.

— Ah, tudo bem – dei de ombros – não pretendo utilizar da nossa amizade parar conseguir alguma promoção ou outro benefício.

— Não foi isso que eu quis dizer! – ela parecia desconsertada – É que as outras pessoas, bem, elas podem...

— Calma, Mione – pigareei – senhorita Granger, eu entendo perfeitamente o que você está dizendo. Não vou ficar chateado com você por me tratar como trata os outros funcionários do ministério.

Ela soltou um suspiro de alívio e desferiu um pequeno soco no meu ombro.

— Vamos logo.

Não demorou até que estivéssemos no nível dois do Ministério da Magia, nos domínios do Departamento de Execução das Leis da Magia (D.E.L.M.). Um corredor com portas pesadas de carvalho e várias placas era praticamente tudo o que podia ser visto ali. Era possível ouvir barulho de diversas vozes vindo das inúmeras salas daquele corredor, como se o dia já tivesse começado de maneira intensa para os funcionários veteranos. Caminhamos por toda a extensão do corredor, até chegamos a uma sala aberta, ampla. Acima da entrada, havia uma placa escrito “Seção dos Aurores”.

— Bom, Harry, aqui é onde nos separamos – ela sorriu e parecia extremamente orgulhosa – Minha sala fica no final do corredor – apontou – Pode procurar a sua mesa. Em breve o seu supervisor passará por lá e vocês terão uma reunião para acertar o início do seu trabalho. Se precisar de mim, bom, já disse onde estarei.

Minha vontade era de abraça-la para agradecer por todo o suporte durante esse longo caminho, até que pudesse finalmente chegar aqui. Só que eu sabia que não seria apropriado por já estarmos no nosso local de trabalho.

— Obrigado, srta. Granger, nos vemos no final do dia.

Ela assentiu e seguiu o caminho para a sua sala.

Atravessei o portal de madeira e entrei no ambiente. Vários cubículos eram organizados em fileiras por toda a extensão daquele espaço. Muitos deles ainda estavam vazios, pois seus donos ainda não tinham chegado. Outros, em contrapartida, pareciam estar acesos desde a noite passada e que seus respectivos aurores viraram a noite tralhando. O cheiro de café era imperativo e isso confirmava a minha teoria de que muitas pessoas ali não tinham acabado de chegar – elas realmente não haviam saído na noite anterior.

Observei que cada fileira era organizada de acordo com a seção e, ao fim da fileira, se localizava a porta que levava à sala de cada supervisor de área. Lembrei-me que, no processo de homologação da minha matrícula como Auror, havia solicitado uma vaga na Seção de Investigação. Imaginei que toda a habilidade que adquirira encontrando Comensais da Morte e Horcruxes seriam muito úteis de maneira específica nesta seção.

Caminhei entre as diversas estações de trabalho, até chegar mais perto do fundo, onde encontrei a denominação “Seção de Investigação” e sabia que minha mesa estaria por ali. Continuei meu caminho até chegar em uma divisória com uma mesa de madeira escura, lustrada. Uma plaquinha dourada dizia “POTTER, Harry James.” Não havia muita coisa ali. Além da mesa e da cadeira, havia um espaço para guardar livros, uma estante superior e algumas gavetas embaixo da mesa, além de uma luminária que flutuava sobre o conjunto.

Ao olhar de maneira mais detalhada, pude ver um pedaço de papel saindo por uma das gavetas. Sentei-me, abri-a e peguei o papel. Nada estava escrito. Achei que pudesse ser apenas um pedaço de papel, mas pensei...

— Revelio!— sussurrei para o papel, apontando a varinha por baixo da mesa.

“Harry, estou muito feliz pelo seu primeiro dia. Gostaria, de verdade, de poder estar com você em cada minuto dele para te orientar nesse departamento. Infelizmente, sabemos que isso não pode acontecer. Contudo, através deste bilhete, vim te alertar sobre duas coisas: a primeira, é que você poderá ter que trabalhar com a Gina. Espero que isso não seja um problema para você; A segunda coisa é que espero que você esteja mentalmente preparado para voltar ao passado. Ainda temos alguns Comensais da Morte à solta e precisamos coloca-los em Azkaban. Reforço que se precisar de mim, minha sala estará sempre aberta para você.

Com carinho, Hermione Granger.”

Assim que terminei a leitura do manuscrito, ele se autoincendiou e as cinzas subiram até que não pudessem mais serem vistas.

Eu sabia, desde que a encontrei no curso de formação, que seria possível trabalhar com Gina em algum momento da minha carreira e isso não seria um problema para mim. Também não estava surpreso com a informação sobre minha primeira missão, já que esse é exatamente o propósito da profissão existir. Além do mais, eu também sabia que muitos seguidores do Lorde das Trevas ainda não haviam sido localizados e não estavam presos em Azkaban.

— Pelo visto, agora vão nos obrigar a conviver mesmo – disse Gina rindo, enquanto surgia atrás de mim.

— Gina! – levantei-me para apertar a sua mão.

Ela apertou a minha mão e apontou para a divisória à minha esquerda.

— Aparentemente nos veremos todos os dias a partir de agora. Será um prazer trabalhar com você.

Virei-me para o lado e pude ver, em uma placa dourada sobre a outra mesa: “WEASLEY, Ginevra Molly.” Com satisfação, apertei um pouco mais a sua mão e sorri.

— É sempre bom ter um rosto conhecido por perto.

— Já vejo que não terão problema em trabalhar juntos – disse uma voz firme do outro lado de nossas mesas.

Era nosso supervisor. O chefe da Seção de Investigação do D.E.L.M, o renomado auror Benjamin Morris.

Benjamin, ou Ben, como era conhecido fora do ministério, era um bruxo exemplar formado em Hogwarts pela Sonserina. Teve diversas menções honrosas em disciplinas, foi monitor de sua casa, em seus exames, suas notas sempre foram “Excede Expectativas” ou “Ótimo” em todas as disciplinas durante todos os seus sete anos de estudo. Viajou pelo mundo todo aprendendo sobre todas as diversas apresentações das magias das trevas e era, sem sombra de dúvida, um dos maiores especialistas no assunto. Assim que se sentiu preparado, iniciou a sua carreira como Auror. Não demorou muito até que, devido ao seu excelente desempenho em localizar e prender bruxos das trevas, tenha conseguido ser promovido à chefe de seção. Em suas várias entrevistas dizia que, além de querer livrar o mundo bruxo de todo e qualquer mal, também queria mostrar que a Sonserina produzia bruxos com ambições muito boas.

Ele era alto, de aparência forte e jovial, apesar de ser pelo menos vinte anos mais velho do que eu. Era negro e possuía traços fortes, bem marcados, assim como sua voz, grossa, firme e, ao mesmo tempo, aveludada. Possuía uma barba por fazer que acentuava as curvas de seu rosto. Os músculos do seu corpo eram visíveis através da marca de seu suéter e a calça cáqui que usava. Além de um currículo impecável, Ben também possuía uma beleza invejável.

— Senhor Potter, Senhorita Weasley, gostaria que me acompanhassem até a minha sala – gesticulou com a mão e um sorriso muito branco.

Nós dois soltamos nossas mãos, assentimos e seguimos até o aposento.

Ele gesticulou para nos sentámos nas duas cadeiras a frente de sua mesa. Assim que nos sentamos, ele também se sentou e, com sua varinha, posicionou uma pasta de couro na nossa frente.

— Bom dia aos dois. Meu nome é Benjamin Morris. Serei o chefe de vocês a partir de hoje – ele abriu novamente o sorriso. – Em um momento mais oportuno peço para algum colega apresentar a nossa seção para vocês com mais detalhes, mas preciso repassar um caso com certa urgência.

Eu e Gina nos entreolhamos.

— Pode falar, estou ansioso para servir o ministério – respondeu Gina, tornando os olhos para as duas esferas negras de Morris. Concordei, franzindo o cenho.

Ele gesticulou novamente a varinha e vários papéis, mapas e fotos começaram a sair dela.

— Dentre os muitos bruxos que temos aqui, decidi colocar vocês dois nesse caso, não por coincidência.

Assim que as fotos animadas começaram a aparecer, percebi que conhecia aquele rosto. As sobrancelhas de Gina se arquearam.

— Estamos muitos meses atrás de Draco Malfoy. Sempre que chegamos perto, ele dá um jeito de desaparecer e nos despistar – prosseguiu, apontando para vários relatórios que terminavam com a palavra “desapareceu”.

Comecei a pegar as fotos e passa-las, uma a uma, com as minhas próprias mãos, enquanto Gina parecia entretida lendo os resumos dos diversos relatórios de missão fracassadas.

— Vocês o conhecem melhor que muitos de nós por terem convivido com ele por pelo menos seis anos... Dessa forma, vamos lhes fornecer todo o material necessário para irem atrás dele. Já faz muito tempo que conseguimos pegar Lucius Malfoy, mas nada de Draco e Narcissa.

Era isto. Eu sabia que minha primeira missão como auror poderia mexer com o meu passado, mas não tanto. Eu trabalharia ao lado de Gina Weasley para colocar Draco e Narcissa Malfoy em Azkaban. Pensei sobre tudo o que aconteceu nos últimos momentos antes da que da de Voldemort. Eu só estava vivo até hoje porque ambos me ajudaram. Tudo bem, eles ajudaram o lado sombrio muitas vezes durante muito tempo...

Eu estava não somente diante de um desafio profissional. Eu estava diante de um dilema ético entre o meu juízo de valor e a minha profissão.

Não, Harry Potter, você já é um homem e sabe o que é certo a se fazer.

Notas finais
Já deixo aqui que, se em algum momento estiver escrito "Bem" ao invés de "Ben", possivelmente foi uma correção automática do word.