Aurieta - Segunda Chance

1 Capítulo 1 - Malditos Sentimentos


Notas iniciais
UMA FANFIC AURIETA PORQUE É MUITO AMORZINHO DA MINHA VIDA, RAZÃO DO MEU RESPIRAR.

Julieta havia tido um dia cansativo. Seu trabalho em conseguir comprar as fazenda da região não estava sendo fácil, mas ela sabia que para conseguir o que quer leva tempo e algum esforço, talvez algumas ameaças e em alguns casos, quando as pessoas se mostram irredutíveis a suas propostas, é necessário ser cruel. Há uma semana ela estava focada apenas no trabalho, essa era a única maneira de manter-se distante de alguns pensamentos que a atormentavam e das lembranças dos acontecimentos de duas semanas atrás, desde o incidente em seu escritório ela estava martirizando-se para parar de pensar naquele homem estúpido.

Ao lado de Susana ela bebia um pouco de vinho para abrir seu apetite para o jantar e discutiam sobre os negócios que fariam na manhã seguinte.

— Boa noite — A voz vinda da direção da porta foi imediatamente reconhecida pela Rainha do Café e por sua assistente inescrupulosa.

Aurélio, o causador de seus problemas mais recentes, estava parado na porta com seus olhos verdes, que às vezes podiam tornar-se um hipnotizante tom de azul, a encarando de forma passiva e isso era outra coisa que ela odiava nela, a forma passiva que ele agia na maior parte do tempo.

— O que está fazendo aqui e quem lhe deu autorização de entrar na minha casa sem ser convidado? — Foi ácida em cada palavra, levantando-se de forma abrupta.

— Eu preciso falar com você.

— Ela não quer falar com você — Susana adiantou-se em responder e Julieta levantou um pouco a mão para que a amiga parasse de falar.

— Susana, nos deixe — Pediu sem a olhar.

— Mas Julieta, esse homem.

— Susana isso não é um pedido amigável. Nós deixe a sós.

A mulher encarou Aurélio antes de se retirar para sala vizinha. Se um olhar tivesse a capacidade de matar alguém Aurélio estaria morto no momento em que pôs os pés dentro da casa daquela mulher, a forma que a Rainha do Café o encarou fez o filho do Barão engolir em seco.

— Não tenho interesse em falar com o senhor.

— Mas eu preciso falar com a senhora.

— Não me importo com isso também, o que tem para dizer pode ser dito amanhã, na nossa reunião, agora retire-se de minha casa, imediatamente! — Disse firma, sua mandíbula se contraiu com força.

Talvez fosse esse um dos motivos pelo qual ele sentia-se atraído por ela. A rispidez, ironia e cinismo misturava-se com a beleza, inteligência e mistério resultando em uma perfeita combinação, desejável.

— Desta vez não vim falar sobre o que aconteceu no seu escritório. Não vim falar sobre nosso beijo. Eu quero falar sobre meu pai e nossa dívida com você.

— Nosso beijo? Pensei que havia deixado claro, senhor Aurélio, que não houve “nosso beijo”.

— Eu poderia passar a noite inteira falando sobre isso, o como fui deliciosamente correspondido quando meus lábios tocaram os seus. Mas minha família me vem em primeiro lugar, peço-lhe encarecidamente mais um mês. Se não for para quitar a dívida que temos com você talvez para convencer meu pai a vender-lhe a fazenda.

— Sobre esse assunto, tanto quanto o outro, eu já disse o que tinha que dizer. Você tem até amanhã para convencer seu pai a assinar o melhor acordo que eu já propus.

— Por que? — Caminhou dois passos à frente e ela três para trás. Sempre era aquela mesma dança, todas as vezes que tentava acercar-se dela ela afastava-se, o repelia. Todas as vezes que ele achava estar chegando perto de algum sentimento ela construía mais uma muralha ao redor de si mesma e blindava o coração. — Por que essa frieza desnecessária?

Esse era um dos seus muitos porquês. Outra pergunta que lhe vinha à cabeça quando estava próximo dela era porque ela temia os próprio sentimentos? Parecia mais que tinha medo do próprio desejo.

— Tudo que eu faço, senhor Aurélio, tem uma razão, nada é desnecessário. O que realmente não é necessário é esta conversa e é inútil o senhor tentar me fazer mudar de ideia. Deveria saber que não irei me sensibilizar.

— Eu não lhe entendo, eu realmente não entendo.

— Eu não quero que você entenda nada, apenas que saia da minha casa e irei novamente repetir, não entre sem ser convidado. — Apontando para a porta ela desviava do olhar dele, assegurando-se que estava a uma distância segura. Da última vez à proximidade acarretou em uma situação desagradável.

Ele não lutou contra a ordem dela. Suas batalhas com Julieta Bittencourt pareciam sempre intermináveis e por mais que odiasse admitir, acendia algo dentro de si. Naquela noite em especial ele estava muito cansado para discutir com ela ou tentar obrigá-la a admitir o que realmente sente.

— Então, o que o filho do Barão queria? — Susana perguntou voltando para sala, tentando não demonstrar sua enorme curiosidade. Ela já havia notado, em algumas situações, que havia uma espécie de raiva misturada com desejo, ao menos da parte dele. Julieta, por sua vez, era um pouco mais difícil de se decifrar, nem mesmo ela desconhecia algumas facetas de Julieta Bittencourt.

— Ele queria mais um mês para conseguir o dinheiro ou para convencer o pai a vender a fazenda para mim.

— Mas você não deu? O que eles vão pensar? Vão achar que você é fraca.

— É lógico que não dei, Susana. Ele pensa que pode me confundir com. Bem, se ele pensa que pode me driblar esta muito enganado. Não serei feita de idiota e muito menos confundida. Vou para o quarto.

— E o jantar?

— Perdi o apetite — respondeu já subindo as escadas.

Quando entrou no quarto ela fechou o quarto, não havia necessidade de tranca-la. Todos sabiam que não deveriam entrar em seu quarto sem permissão e esse era, de todas as regras da casa, a mais rígida e que quando foi descumprida acarretou na demissão de uma empregada. Sem a roupa negra pesada ela soltou o cabelo, era estranho até para ela se ver sem os fios presos, não gostava de olhar-se no espelho, não gostava de encarar a imagem que ele refletia. Entrou na banheira, desfazendo-se também de seus pensamentos, relaxou seu corpo na água, que pelos sais de banho adicionados adquiriram uma cor leitosa. Seu corpo escorregou e seus olhos se fecharam.

Sem nada para distraí-la e ocupá-la ela se pegou pensando novamente naquele homem que tinha saído de sua casa minutos atrás, ele lhe veio à cabeça como um fantasma assombrando seus pensamentos, mas não permaneceu por muito tempo, outra visão entrou na escuridão de seus olhos cerrados, o rosto bruto, corpo muito maior que o ela e mãos grossas, Osório, o senhor Bittencourt, seu marido morto, o monstro que lhe roubou a paz por muitos anos e continuava a atormentando. Foi o suficiente! Levantou-se rapidamente, enrolando-se no tecido de seda e preparou-se para dormir, a camisola negra envolveu seu corpo e o sono chegou lentamente.

***—***—***

Na manhã seguinte, antes mesmo dos raios de sol intrometidos adentrarem pela sua janela e invadirem seu quarto, ela já estava de pé na sala, apoiada no piano, que há algum tempo não tocava. O cheiro de café preenchia toda a casa, os empregados estavam todos despertos, e preparados para o início de um novo dia enquanto apressava-se para cumprir seus afazeres matinais. Susana foi a segunda a despertar, estava animada para a conversa decisiva que teria com o Barão, Julieta faria a última proposta, eles pagavam a dívida, vendiam a fazenda ou ela tomaria medidas mais drásticas. Ela sabia que a última opção seria a que teria que ser tomada, afinal o Barão era mesquinho, pão duro, jamais pagaria a dívida assim como não daria sua fazenda de bom grado, isso era o que instigava ainda mais a Rainha do Café, ela adorava um desafio e principalmente quando vinham de homens como o Barão. E Susana adorava ver o “circo pegando fogo”, instigando sempre a amiga a tomar as mais drásticas das opções.

Após o café da manhã rápido, Julieta e Susana foram para a casa de Afrânio. Pai e filho já aguardavam por aquela reunião, Aurélio sabia que seria a última vez que ela faria aquela proposta, das coisas que havia percebido sobre aquela mulher um delas era que ela jamais implorava por nada. A proposta era boa mas ele não podia decidir pelo pai e sabia o quanto o Barão era duro e que também não iria ceder facilmente às pressões de Julieta, principalmente pelo fato dela ser uma mulher.

Quando a empregada anunciou em um murmuro a entrada de Julieta na sala, Aurélio levantou-se de onde estava sentado, ela caminha com imponência em sua direção, Susana estava ao seu lado, a assistente tagarela e sarcástica.

— Barão. — Cumprimentou apenas o mais velho, se negando a dizer o nome de Aurélio.

Afrânio não respondeu, virando o rosto como uma criança faria ao ser reclamada ou após uma discussão com um amigo de escola. Ele não gostava daquela mulher e odiava ainda mais o título que ela havia recebido “Rainha do Café”, mas além da raiva nutria certo tipo de medo, a mulher ganhou um importantíssimo título e ninguém ousava enfrentá-la, nitidamente não era boa coisa e ele sentiu isso desde o primeiro encontro que tiveram, algumas semanas atrás.

— Serei direta, senhores, eu estou aqui para uma última proposta, uma última e única chance de voltarem atrás na resposta que me deram no nosso último encontro. Barão — Direcionou o olhar apenas para o homem na cadeira de rosas —, se me vender essa fazenda hoje e agora, darei uma boa quantia em dinheiro. Mas se negar, eu vou reclamar aquilo que tenho direito.

— Eu pensei que tivesse vindo aqui beber um pouco de chá. — Ironizou e virou-se para o filho. — Pensei que tivesse ido falar com ela ontem. — Disse esperando algum tipo de reação do filho que se mantinha quieto.

— E eu lhe disse o que aconteceu, papai. A senhora Julieta — olhou diretamente para ela — parece irredutível em suas decisões.

— Pensei que o senhor já soubesse que costumo ser assim quando o assunto é negócios.

— Eu já disse que não vendo. — O barão disse firma, batendo as mãos nas pernas inválidas.

— Essa é uma escolha sua, não diga que não foi avisado e que eu não tentei negociar, porque eu tentei. Não é mesmo, Susana?

— Com certeza, e digo mais, Julieta está sendo benevolente ao fazer essa proposta.

— Benevolência é arrancar um homem de sua casa? — Aurélio posicionou-se pela primeiro vez no meio daquela situação complicada, antes estava mais distraído em admirá-la em silêncio. — É expulsá-lo de um lugar onde ele viveu durante toda uma vida? Não, isso tem outro nome, crueldade.

— Eu pensei que havia deixado claro que tratarei desses assuntos apenas com seu pai.

— E eu já disse que minha família é o mais importante pra mim e que lutarei por eles até o final. — Usou o melhor tom rude que podia, era quase impossível tratá-la de forma grosseira enquanto aqueles olhos intensos permaneciam firmes nos seus.

— Muito honrado de sua parte mas não é sobre sua determinação estúpida que estamos falando agora.

Quando eles se deram conta estavam frente a frente e os olhares de surpresos e curiosos de Susana e Afrânio esperavam que um deles reagisse e um próximo movimento.

— Minha proposta foi feita e foi negada. Chegou a hora de tomar medidas drásticas. Nosso assunto acaba aqui.

Ela simplesmente deu as costas, com graciosidade e impotência natural. Aurélio, desde o primeiro encontro que tiveram, notou que mesmo que ela tentasse reprimir, deixava escapar uma sensualidade hipnotizante, ela esforçava-se para esconder isso do mundo e talvez até de si mesma. Seus olhos esverdeados acompanharam os movimentos até ela fosse embora. Ele tinha que admitir que sentia um desejo pulsante, a cada briga, todas as vezes que a encarava. Quando seus olhos se cruzavam os lindos olhos, cheios de raiva e mistérios. Maldito seja o desejo que sentia por aquela mulher impossível! Maldito seja aqueles olhos! Maldita seja aquela mulher que assombrava seus pensamentos! Maldita seja sua curiosidade em descobrir mais sobre o que há por baixo de toda aquela armadura!

Notas finais
Eai, gostaram? Eu sei que é impossivel transmitir o amor, paixão e magnitude desse casal
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.