Notas iniciais
Depois de um hiatus gigantesco, aqui estou eu de volta com mais uma atualização. Yay. Meus agradecimentos pra Dani e pra Nata que sempre lêem as minhas fics e me betam. E muito obrigada pras pessoas lindas que me deixaram comentários e incentivos! Katherine Sousuke, Sutcliffe e todos os leitores antigos que ainda seguem firmes apesar da minha demora. A composição de hoje é Carmina Burana (Ó Fortuna) de Carl Orff. https://www.youtube.com/watch?v=GXFSK0ogeg4 Tive muito trabalho para decidir a composição desse cap, mas acho que essa se encaixa bem com a vibe desse momento da história. SPOILER/Aviso: Esse capítulo termina em um gancho. Vou tentar postar o próximo o mais rápido possível, mas fica o aviso pra quem achar melhor aguardar o seguinte antes de ler. Tentei encaixar uma cena a mais e reorganizar para não terminar num suspense, mas não teve jeito. Se fosse tentar reprogramar tudo e redividir esse cap não sairia nem tão cedo... Enfim. temos mais notas ao final. Espero que gostem e boa leitura!

Naquele mesmo domingo, enquanto a casa Kuchiki era movimentada pela visita inesperada de Yoruichi, que terminou por ficar para o almoço e o jantar, o apartamento de Grimmjow também era alegrado pela presença de um visitante de cabelos alaranjados e sorriso fácil, apesar das sobrancelhas quase sempre franzidas.

Ichigo havia aproveitado que tinha algum tempo de sobra naquela semana para combinar mais uma das sessões de cinema e vídeo game com Grimmy, passatempo que sempre o divertia, além de permitir que passasse algum tempo a sós com o homem. Entretanto, naquele dia especificamente, estava sendo tomado por ideias bastante perigosas, tentando decidir entre agir por impulso para atender às próprias vontades ou continuar fugindo de seus sentimentos para não arriscar o que já tinha.

Já haviam jogado mais do que o recomendável para uma tarde, e o dono da casa acabara de sair da sala para buscar alguma coisa, deixando o Kurosaki encarregado de desligar o XBOX e conectar a televisão ao computador, abrindo o filme de terror que combinaram de assistir.

Quando Grimmy voltou, encontrou tudo já arrumado para a sessão de cinema, com Ichigo de pé em frente à mesa de centro, uma lata de cerveja em uma das mãos. Apesar de saber que aquela era a latinha vazia que ele próprio tomara, Grimmjow não resistiu a uma brincadeira:

– Pode me passar essa lata, mocinho. Você ainda não tem idade para beber. – Falou em tom sério, colocando sobre o sofá as cobertas que acabara de trazer de seu quarto.

– Você que bebeu essa! – Ele pontuou de imediato, adicionando em tom irônico. – Tá com Alzheimer, velhote?

– Filho da puta… – Respondeu numa risada, surpreso com a rapidez do garoto. – Trouxe uma pra você. – Avisou, apontando para as cobertas quentinhas. – Tá um frio do caralho hoje. – Terminou, vendo o Kurosaki juntar o resto das embalagens jogadas na mesa de centro com a lata de Asahi, levando tudo para a lixeira da cozinha.

– Foi boa. – Ele respondeu de lá, voltando com a próxima rodada de snaks nas mãos, reabastecendo a mesa de centro e sentando-se ao lado de Grimmy, puxando a coberta macia em um movimento rápido até que estivesse com as pernas confortavelmente enroladas.

O dono da casa também se posicionou confortavelmente, esticando o braço até o computador posicionado na lateral do sofá de modo a iniciar o filme que iriam assistir. Tão logo o fez, pendeu para o lado de Ichigo novamente, sorrindo para ele enquanto se gabava sobre como conseguiria facilmente ser mais assustador do que o psicopata apresentado na obra, o qual Grimmy considerara quase amigável nos trailers.

Ichigo riu de suas piadas e entrou na brincadeira, mencionando que Grimmjow com raiva era definitivamente assustador, porque era impossível prever que tipo de decisão idiota ele tomaria, contudo, em meio aos protestos de Grimmjow sobre na verdade “ser um cara muito sensato”, o Kurosaki precisava admitir que estava mais atento ao movimento que a boca do homem ao seu lado fazia enquanto ele falava do que às palavras em si.

Ele mantinha aquele sorriso debochado que usualmente lhe rasgava o rosto de orelha a orelha, mas no momento a boca dele parecia mais corada do que o normal. Talvez os lábios estivessem meio arroxeados pelo frio? – Ichigo se perguntava, tentando não deixar óbvio o ponto que encarava.

Não era a primeira vez que sentia uma vontade louca e estúpida de roubar um beijo de Grimmjow, mas era a primeira vez que essa vontade se manifestava de um jeito tão forte que o corpo parecia querer se mover por conta própria. Estava assim desde que chegara ali, lutando contra o desejo de beijá-lo ou, pior ainda, confessar seus sentimentos românticos.

Sem dúvida, um beijo seria bem menos constrangedor. – Concluiu, aproximando mais o corpo até estar a uma distância curta o suficiente para alcançá-lo rápido, mas não a ponto de já parecer estranho.

– … Sem falar que eu sei ser muito maduro quando eu preciso! – Grimmjow continuava um argumento cujo início Ichigo sequer ouvira, encarando-o com uma expressão meio orgulhosa, ressaltando sua habilidade de, às vezes, agir feito um adulto.

– Ah é? – O Kurosaki perguntou, arqueando uma sobrancelha como se fosse difícil acreditar naquilo. – E você nunca precisou na minha frente? – Adicionou com ar vitorioso.

– Tá bom de resposta hoje… Mas deixa eu te contar um segredo. – Observou, aproximando-se mais para sussurrar ao pé do ouvido do ruivo. – Só gente inteligente nota minha maturidade. – Soltou as palavras uma a uma como se fossem uma revelação, no argumento mais infantil daquele dia, certamente.

O Kurosaki explodiu numa gargalhada, em parte pelas bobagens que os dois conversavam, e outro tanto em virtude do arrepio que aquele sussurro lhe causou. Era uma risada com um fundo de constrangimento, as bochechas corando enquanto ele voltava a se aproximar lentamente, posicionando o rosto bem perto, como se também fosse sussurrar alguma piada no ouvido do outro.

Grimmjow permaneceu desarmado, não tendo estranhado nem minimamente a aproximação. Estava esperando pela resposta engraçada que ouviria a seguir quando, ao invés de se aproximar de sua orelha, Ichigo foi direto para a sua boca, selando-lhe os lábios num gesto hesitante, mas claramente intencional.

Dizer que Grimmjow estava surpreso seria um eufemismo.

Ele ficou atônito, sem reação sequer para corresponder ou negar a aproximação, apenas sentindo os lábios macios o tocarem novamente em um segundo beijinho. Encarou os olhos fechados de Ichigo, o rosto completamente vermelho e as mãos trêmulas visíveis sobre as cobertas que o envolviam conferindo-lhe um aspecto vulnerável que o obrigava a fazer alguma coisa.

Assim, Grimmjow moveu-se lentamente, correspondendo-o e abrindo ligeiramente a boca, até que o rapaz tornasse aquilo um beijo de verdade, provando-lhe o gosto pela primeira vez. Ainda assim, não foi lascivo ou apressado. Era um beijo mais carinhoso e ainda meio hesitante, cheio de palavras não ditas e sentimentos inconfessos. Ainda assim, era bom e doce, como deveria ser.

– Tem noção da merda que você acabou de fazer? – O mais velho perguntou quando se separaram, encarando o constrangimento nos olhos de Ichigo.

Hm… Eu… – Ele começou, já um pouco apavorado, mas foi cortado por Grimmjow.

– Eu estava tentando não gostar de você aqui! – Ele exclamou, dando continuidade ao que dizia – Como eu fico agora?

Ichigo não sabia nem como responder àquilo. Sequer sabia dizer se era uma reação positiva ou negativa. Só sabia que precisava se enterrar em algum lugar urgentemente, antes que seu rosto entrasse em combustão pela vergonha. No que estava pensando para tomar uma iniciativa dessas do nada?

— Você vai assumir a responsabilidade pelo seus atos? – Grimmy perguntou diante do silêncio do outro.

– Quê? – Exclamou, a voz uma oitava acima do tom habitual.

– Você é importante pra mim, Ichigo. E tem a diferença de idades… Eu não posso ter algo casual com você. – Explicou, desviando um pouco o olhar para conseguir escolher as palavras sem ser tomado por uma onda de constrangimento, mas levando a mão até os cabelos do rapaz para segurar uma mecha ruiva enquanto falava – Se quiser ficar comigo vai ter que ser sério.

– Você tem relacionamentos sérios? – A pergunta saiu quase sem querer, já que o Kurosaki estava tendo dificuldades homéricas para processar tudo aquilo. Era um pedido de namoro?

– Caralho… O que você acha que eu sou, garoto? – O outro reclamou, aproximando o rosto do dele novamente – Eu tenho quando eu acho que vale a pena – Respondeu num tom sedutor, inclinando o rosto para novamente sussurrar ao pé do ouvido de seu companheiro.

– Então… Sim? – Tentou aceitar a proposta, ainda meio incerto.

– Tem certeza do que está fazendo, Kurosaki? – Quis garantir, ainda brincando com aquela mecha de cabelo. – Quer mesmo ficar comigo?

Envergonhado, Ichigo respondeu com mais um selinho, olhando-o nos olhos antes de finalmente dizer com certeza:

– Eu tenho. – A voz saiu firme, uma confiança inesperada aparecendo de algum lugar enquanto ele cuspia as últimas palavras – Você aceita ser o meu namorado, Grimmjow?

Pfttt… – Ele respondeu primeiramente com uma risada abafada entre os lábios, inevitável diante daquele pedido todo formal, puxando-o para mais um beijo antes de dizer claramente – Eu quero, Ichigo.

Contudo, tão logo confirmou, teve de gargalhar novamente, feliz e incrédulo com aquele desfecho depois de ter passado tanto tempo se corroendo ao tentar apagar os sentimentos pelo ex-aluno. Ichigo encheu as bochechas de ar, buscando afastar o constrangimento, mas estava tão alegre que nem conseguia reclamar com Grimmy por rir dele tão descaradamente.

Em frente aos dois, um típico personagem de obras de terror entrava em uma sala escura dizendo "Olá? Tem alguém aí?", mas o casal já não prestava qualquer atenção ao filme ou ao trágico destino que aguardava as personagens.

Estavam no próprio mundo, absortos, tentando entender as motivações, os sentimentos e o que se passava na cabeça um do outro. Como Ichigo tivera coragem para tomar a iniciativa? Como Grimmjow foi capaz de aceitar e ainda propor um namoro? Desde quando os dois se gostavam? Como o relacionamento seria dali em diante?

Eram várias perguntas disparando na cabeça dos dois, mas a parte boa é que teriam todo o tempo do mundo para encontrar as respostas juntos.


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– Tudo está correndo muito bem, Aizen-san. Obrigada pela preocupação.

A voz de Hinamori soava doce e melodiosa, especialmente tranquila na presença de uma pessoa tão gentil quanto Aizen.

As últimas semanas haviam sido bastante corridas no setor de materiais da Kuchiki Co. LTD, sobretudo por estarem nas etapas finais da montagem de estruturas previamente moldadas conforme os conceitos de design do projeto Hougyoku.

Como era de sua responsabilidade, Momo comparecera ao escritório do Sousuke naquele fim de tarde para entregar alguns relatórios do andamento das obras e repassar os detalhes das remessas de materiais em trânsito. Entretanto, mesmo estando sobrecarregado com os prazos e diligências, o homem ainda encontrava tempo para recebê-la carinhosamente e perguntar como ela estava, o que aos olhos da mulher era extremamente atencioso de sua parte.

– Que bom. Fico tranquilo sabendo que as coisas estão se encaminhando. – Ele comentou com um sorriso suave, ajeitando os óculos enquanto gentilmente indicava a poltrona à sua frente com uma das mãos e prosseguia com sua fala. – Sente-se, Hinamori. Teremos bastante o que conversar por hoje. – Adicionou, puxando um bule de café e servindo uma xícara generosa para a visitante, tomando o cuidado de pegar mini-marshmallows em um potinho e adicioná-los ao líquido quente antes de entregá-la.

De bom grado, a mulher aceitou a bebida e a boa companhia, discutindo o uso dos materiais em uma reunião que os ocupou até o início da noite. Contudo, antes que ela fosse embora, Aizen pareceu lembrar-se de algo, retirando uma pasta grande da gaveta de sua escrivaninha e estendendo-lhe o objeto com um sorriso amarelo enquanto se explicava:

– Eu estava meio atarefado esta semana, então me esqueci de lhe pedir o registro fotográfico da última estrutura inferior finalizada. – Comentou casualmente, levantando-se e encarando-a com um olhar culpado enquanto prosseguia. – Será que você poderia pedir ao responsável em campo para incluir essas fotos amanhã cedo? Precisarei delas para a reunião da manhã…

– Claro! – Respondeu sem titubear. – Mas eu mesma posso fazer o registro para o senhor ainda hoje. Adicionou, colocando a pasta embaixo do braço enquanto recolhia a bolsa e o casaco. – Não deve demorar muito.

– Eu já a prendi aqui até tão tarde, não precisa se preocupar com isso hoje. – Ele recusou educadamente, caminhando com a moça até a porta.

– Realmente não é nada demais. – Insistiu, curvando-se para ele em despedida. Eu envio tudo por e-mail assim que acabar.

– Nesse caso, sou imensamente grato pela sua diligência. – Aizen finalmente cedeu, os olhos tomando a forma de uma meia-lua com o sorriso. – Só não se canse demais. – Adicionou, ouvindo a confirmação de Momo enquanto ela já alcançava o corredor.

Ainda não estava tão tarde assim, e não lhe custaria nada adiantar essas fotografias para evitar atrasos na reunião do dia seguinte... Ou melhor, talvez só lhe custasse ouvir uma bronca de uma amiga – Himamori pensou, pegando o elevador e dirigindo-se ao estacionamento do prédio, onde Matsumoto já a esperava de carro.

Haviam combinado de passar a noite na casa de Matsumoto naquele dia, para que pudessem colocar as conversas em dia e ter algum tempo juntas em meio à correria do projeto. Entretanto, não faria muita diferença caso adiassem o programa por uma horinha...

Tão logo parou ao lado da janela do veículo, Hinamori explicou a situação para a amiga, encarando-a com um olhar suplicante enquanto pedia desculpas, contando que pegaria um trem até a obra para finalizar essas fotos e depois seguiria para a casa dela conforme combinado.

Entretanto, Rangiku a obrigou a entrar no carro imediatamente, alegando que Momo não podia ser tão boazinha e fazer trabalho extra fora do horário o tempo todo. Todavia, a despeito das críticas, imediatamente ofereceu-se para dar uma mãozinha.

– Vamos, eu vou até lá com você e te ajudo com essas fotos, hn? – Voluntariou-se, já dando a partida. – Assim terminamos mais rápido para seguir com nossa noite das garotas. – Avisou com um sorriso, não deixando margem para que Hinamori recusasse.

Portas e vidros fechados, as duas logo estavam deslizando pelas ruas de Karakura ao som da música Shoujo S, da Scandal, a canção saindo alta do som do carro de Rangiku para movimentar o caminho.

Matsumoto cantava animadamente, mudando o tom da voz para tentar imitar o timbre das artistas enquanto Momo acompanhava o refrão com igual entusiasmo, balançando-se de um lado para o outro no ritmo da batida.

A playlist de Rangiku, como sempre, era animada e cheia de hits ecléticos, combinando com a personalidade extrovertida da dona do carro. Com gosto musical bastante parecido, Momo nunca se cansava ao andar com ela, transformando até mesmo uma ida ao mercado em um show particular.

No curto caminho até a obra da Kuchiki Co. Ltd, conseguiram performar alguns sucessos, em sincronia infalível, até estacionar na parte externa do futuro prédio, ainda cantarolando as últimas palavras de Hello Bitches, da CL, conforme se aproximavam da estrutura colossal em concreto e metal.

O projeto Hougyoku era extremamente ambicioso em suas metas, portanto, seu produto final e primeira demonstração seria uma construção elaborada, contando com uma torre central com finalidades comerciais e duas torres laterais dedicadas a um complexo de apartamentos e um hotel. O mais impressionante é que a técnica de design de form-finding utilizada criava um aspecto visual inteiramente novo, impondo-se num pós-modernismo surrealista de encher os olhos.

Acontece que para encontrar a “forma perfeita” as estruturas de tensão não foram elaboradas com base em um mero senso estético. Na verdade, foram todas matematicamente deduzidas a partir de formas existentes na natureza, aperfeiçoadas pela evolução ao longo dos milênios, como árvores, ossos ou conchas. A reprodução dessas formas nos materiais rígidos possibilitara a construção de estruturas com tensão constante, reduzindo o uso de materiais e aumentando a durabilidade a ponte de torná-las conceitualmente indestrutíveis.

A parte difícil, entretanto, é que cada curva e reta deveria ser precisamente calculada ao nível de centímetros, garantindo que todas as formas efetivadas fossem exatamente de acordo com o planejamento estrutural computadorizado. Não à toa, eram feitas checagens periódicas de cada passo da obra, em um acompanhamento sempre atualizado e observado de perto por todos os chefes de cada equipe, bem como o próprio Byakuya, sempre na tentativa de não deixar passar qualquer falha.

Além disso, como o principal fornecedor dos materiais para o projeto, Aizen constantemente pedia checagens de determinadas estruturas, de modo a discutir a demanda em cada fase com os membros da Kuchiki Co. Sua atenção aos detalhes era extremamente aguçada, em contribuições sempre bem-vindas por Momo.

Educadamente, Hinamori cumprimentou o guarda da entrada, mostrando seu crachá e assinando o protocolo de entrada antes que ela e Matsumoto pudessem acessar o barracão da obra e pegar os equipamentos de segurança e materiais necessários para os registros.

Matsumoto não havia visitado a construção em um bom tempo, portanto, insistiu em começar pelo ponto mais alto daquela área, apreciando a vista por alguns momentos antes que descessem efetuando seus registros.

Os longos corredores ainda sem qualquer acabamento já davam ideia da suntuosidade que o resultado final apresentaria, os passos das duas mulheres ecoando continuamente conforme avançavam.Grandes blocos pré-moldados eram justapostos na base das diversas áreas, enquanto peças menores deveriam ser adicionadas individualmente para complementar as formas necessárias.

Como esperado, o trabalho em dupla foi muito mais rápido do que Momo teria conseguido fazer sozinha, seguindo por cada um dos pontos marcados na pasta entregue por Aizen e capturando imagens detalhadas das estruturas mencionadas, em especial os componentes de uma área específica no prédio da direita.

Antes que se dessem conta, as duas já estavam novamente em uma área térrea, fotografando o que um dia seria um grande anfiteatro na entrada do Hotel. Na ponta onde se encontravam, grandes peças da base já haviam sido colocadas, mas ainda havia um vão antes do teto, no qual as peças superiores deveriam ser posteriormente encaixadas. A distância amplificava ainda mais os sons produzidos, deixando que até mesmo o clique da câmera ressonasse ao redor do cômodo junto às conversas de ambas.

Em um instante de momentâneo silêncio, entretanto, Matsumoto conseguiu ouvir o barulho abafado de um chiado, ecoando de algum ponto distante num tom agudo que lembrava o piadinho que se prende aos ouvidos em momentos de descompressão.

Teve somente um mero segundo para encarar Hinamori, alguns passos à sua frente, antes que o piado fosse substituído pelo estrondoso arrastar de pedras uma contra a outra, descendo de algum andar acima em uma onda estarrecedora.

Os pés de Hinamori falharam pelo tremor, muito diferente da sensação de um abalo sísmico. Ainda assim, seu primeiro instinto foi olhar em volta em busca de um local seguro embaixo do qual pudessem esconder-se, como se faz no momento de um terremoto.

Largando as pastas e câmeras sem a menor hesitação, gritou para Rangiku enquanto apontava para uma das peças pré-moldadas mais próximas, com uma concavidade na qual, com alguma sorte, poderiam se esconder. Sua voz, contudo, foi encoberta pelo ruído ensurdecedor de concreto desabando.

De seu canto, Matsumoto a viu gesticular desesperadamente em um grito mudo. Sem pensar duas vezes, tomou impulso com uma velocidade que sequer sabia possuir, jogando-se em direção à concavidade e arrastando Momo consigo, puxando-a pela cintura com um dos braços enquanto as duas aterrissavam alguns metros à frente.

Os joelhos chocaram-se com o chão num impacto seco, mas nenhuma das duas sentiu qualquer pancada enquanto engatinhavam lado a lado. Fumaça e poeira se levantavam por todos os lados conforme partes das estruturas de cima desabavam uma atrás da outra, bombardeando o térreo em uma sucessão de estrondos arrepiantes. Cada pedaço de concreto se tornava parte de uma sinfonia angustiante, tocando por todos os lados em uma ameaça iminente.

Dizem que em momentos assim as pessoas vêem a vida passar diante dos olhos, mas nenhuma das duas assistiu qualquer flash da juventude ou momento marcante de suas trajetórias. Tudo o que viram foi uma cortina de poeira se levantando ao derredor, rodopiando erraticamente diante das lentes dos óculos de proteção, misturando-se ao escuro da noite até que e tornasse impossível discernir qualquer coisa.

Impiedoso, aquele zunido insistente de descompressão retornou, finalmente deixando os ouvidos impotentes, emudecendo a cena caótica ao redor e reduzindo-as à uma desoladora ausência de sentidos.

Notas finais
Pra quem não se lembra, Shoujo S, da Scandal, é uma das aberturas de Bleach, que eu acho que combina muito bem com essas duas: da https://www.youtube.com/watch?v=b9vIpu0kAbE Segue o link pra Hello Bitches da CL: https://www.youtube.com/watch?v=5L-4ZrOk1Tc Sobre o form finding, como mencionado, é uma técnica bem explicada pela professora Wanda Lewis. Pra quem quiser ter uma ideia de "imagem" para esse tipo de design, o link a seguir explica um pouco e mostra o uso desse tipo de forma (ainda que não seja em uma estrutura rígida). https://www.icebookshop.com/What-s-new/Can-tension-structures-teach-us-conceptual-design.aspx Novamente, perdão pelo gancho pesado nesse final, mas espero que vocês gostem do capítulo. Chego com o seguinte o mais breve possível.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.