Notas iniciais
Good Omens e todo seu conteúdo, incluindo personagens, é propriedade de Neil Gaiman e Terry Pratchett.
AULA DE BOTÂNICA

Uma vez, e a partir daí uma vez seria sinônimo de ‘na quinta-feira passada’, um dos pivetinhos do parque, que costumava ficar olhando e idolatrando o Bentley(e por esse motivo Crowley não havia chutado a criancinha irritante), perguntara para o tio do óculos legal(e eles eram bem legais, o demônio admitia), por que as plantas só cresciam em vasos e não conseguiam crescer na diagonal das paredes.

Na tarde do mesmo dia, Crowley se ocupara demais bebendo vinhos e não se lembrou de nada envolvendo plantas até a manhã do dia seguinte.

Sexta-feira de manhã, enfim, ele voltou a pensar em vegetais crescendo em diagonal. Será que eles não poderiam mesmo? O demônio levou o indicador até o aro dos óculos escuros, que a cada dia pareciam ficar mais legais, o que era ótimo, porque não haviam sido nem um pouco baratos. Abaixou-os lentamente, o dourado de seus olhos com pupila de cobra reluzindo nas suas plantas, enquanto ele passava a sua fantástica língua pelos lábios, com maldade.

Uma planta soltou um gritinho histérico de pavor e desmaiou.

Outra, soltou um gritinho histérico e desmaiou. Mas foi de alegria ao pensar em como aquela língua deveria ser usada em um certo anjo.

O demônio olhou seus pequenos e lindos vegetais com perversidade crescente, comentando baixinho a respeito de crescer em diagonal.

Depois ajeitou os óculos e foi pegar as chaves do Bentley, a fim de chegar ao Ritz antes de acabar o horário do café da manhã.

Sorte que Crowley achava que ter plantas crescendo na parede era uma total falta de estilo. Pra não dizer brega, e ao extremo.

E por isso, nenhum vegetal das redondezas ousaria tentar quebrar o paradigma.

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