August Slipped Away Into a Moment In Time
1 ...cause you was never mine.
Notas iniciais
* Preciso dizer que escrever essa história foi um desafio para mim, pois pela primeira vez eu me dispus a escrever sobre alguns temas dos quais eu nunca ousei escrever antes.
Sempre odiei plot de traição, mas sempre imaginei um cenário entre Rony e Lilá com August de pano de fundo. Logo, percebi que eu precisava arriscar, e cá estamos nós ksksks.
Espero que gostem! ♡

As lágrimas molhavam suas bochechas como a água salgada do mar que estivera presente em suas férias. E a batida brusca na porta da cabine do banheiro feminino com intenção de fecha-la, a lembrava da ansiedade das noites quentes de verão.
Ela sabia. Ela sabia que seria assim, ela sabia que ele voltaria para ela. Ela sabia que sairia quebrada disso tudo.
Mas por algum motivo, sempre houve esperanças, no fundo de seu coração, para que a história terminasse de forma diferente.
Talvez tenha sido as coisas lindas que ele lhe dizia, ou a forma como ele sempre estava rindo em sua presença... ou, talvez, a forma como ele se perdia nela quando estavam entre lençóis.
Bem, isso não importava muito agora.
Rony havia depositado muitas esperanças em si, mesmo sem perceber. Mas, ela ainda assim era culpada por ter embarcado nesse amor de verão, pois sabia das consequências.
Fora imprudente. Ela sabia disso.
E, sinceramente, não aguentava se sentir assim.
Ela estava arrependida, assumindo a culpa, se sentindo péssima. Mas, será que Rony também se sentia dessa forma? Afinal, ele parecia tão feliz há minutos atrás, quando entrou pelo portão da escola abraçado à Hermione e fingiu que não a havia visto quando passou por si.
Isso a fez se sentir a pior das criaturas. Ao mesmo tempo em que quebrou uma ilusão que ele mesmo havia depositado nela.
E Hermione, será que já sabia? Provavelmente não, considerando a forma como ela estava feliz.
E quando soubesse? Será que perdoaria Rony? Ou pior, será que ela iria atrás de si para "acertar as contas"?.
Envolveu a cabeça com as mãos e praguejou em desespero.
Não era assim que havia planejado o primeiro dia de seu último ano na escola.
Assim como não havia planejado nada que ocorrera no verão.
{...}
08 de agosto de 2022
24 dias antes de Lilá ter a certeza de que Rony nunca fora seu
O ar salgado daquela manhã de verão parecia sincronizar perfeitamente com as árvores e as ruas, perfeitamente limpas, da pequena cidade de Hogsmeade.
Lilá conduzia seu carro aproveitando aquele clima agradável. Ela amava o verão, e como não havia ido viajar naquele ano, resolveu gastar seu tempo com atividades ao ar livre. O que era uma novidade, vindo de uma pessoa não muito sociável como Lilá Brown.
Mas isso iria mudar! Estava decidida a ser mais aberta a possibilidades e pessoas. Ela precisava disso, sabia que sim.
O passeio agradável foi levemente interrompido por algo que chamou a atenção da garota; Rony Weasley estava andando na calçada, no mesmo instante em que ela estava passando com seu carro.
O garoto estava cabisbaixo, e seu semblante denunciava tristeza. Algo no mínimo estranho vindo de quem vinha. Rony sempre fora alegre e tinha fama de não levar as coisas a sério.
Lilá sabia disso. Afinal, era perdidamente apaixonada por ele! E queria fazer alguma coisa para ajudar seu amado com seja lá o que tivesse acontecido.
Freou bruscamente o carro, chamando a atenção do Weasley.
—Bom dia Rony, quer dar uma volta? Você parece estar precisando.
—E como você chegou a essa conclusão?
—Você não é muito bom em disfarçar sentimentos. Sua cara já te entrega!
Rony sorriu de canto.
—Sério? Pensei ter aprendido a controlá-los depois que entrei no ensino médio.
Lilá fez uma careta e então disse:
—Anda logo, vamos dirigir!
Rony abriu a porta do carro, se sentando no banco do passageiro, ao lado de Lilá.
—Para onde vamos? -perguntou, depois de colocar o cinto de segurança.
Lilá franziu o cenho em uma expressão pensativa.
—Para onde você quer ir, senhor Weasley?
—Para aonde você quiser. Só me leva embora daqui!
A garota assentiu e então voltou a dar marcha.
{...}
Meia hora depois estavam em uma praia próxima. Lilá estava sentada no píer enquanto seus pés desnudos balançavam sentindo a brisa fresca do mar. Minutos depois Rony voltou com dois cocos e se sentou ao lado dela, imitando o gesto.
—Obrigada. -agradeceu a garota.
—Imagina, é o mínimo que eu posso fazer pelo convite gentil.
Lilá deu um gole no coco e então resolveu perguntar:
—O que aconteceu?
Rony ficou alguns instantes em silêncio, até que:
—Eu e a Hermione brigamos e ela viajou hoje.
Aquilo havia pegado Lilá de surpresa, simplesmente porque Rony e Hermione eram o casal mais popular da escola, e sempre pareciam felizes juntos.
—Sinto muito.
Rony balançou a cabeça.
—Não sinta.
—E qual foi o motivo? Pergunto porque vocês não parecem ser do tipo que brigam e essas coisas...
—Tudo bem, eu não me importo em dizer. Se lembra do baile da escola semana passada?
Lilá apenas assentiu.
—Eu tive alguns contratempos que me fizeram chegar atrasado, mas que me fizeram chegar bem a tempo de ver a Hermione dançando com o Harry.
E deu um enorme gole no coco.
—Ah... mas, eles são melhores amigos, não são? Não vejo problema...
—O problema não estar em ela dançar com ele, mas sim, em não ter me esperado. E outra, ela sabe que a Gina gosta dele, deveria ter deixado ela dançar com ele, não acha?
Lilá sentiu que não sabia o que dizer porque não sabia o que pensar sobre aquilo. Mas, por fim disse:
—É. Pode ser...
Rony sorriu para ela, e, sem perceber esse gesto havia plantado uma semente de esperança em seu coração.
{...}
Após aquele dia, os adolescentes se tornaram muito próximos, e a cada dia que passava, Lilá se sentia mais apaixonada!
Até que, uma semana depois que começaram a sair, Rony a beijou, e o gesto resultou em uma sucessão de amassos. A maior parte no carro de um deles, outrora em lugares totalmente aleatórios.
Atrás do shopping havia um lago. E Rony sempre a pedia para encontrá-lo lá, todos os dias.
Se encontravam as escondidas, é claro, afinal, ninguém poderia saber o que eles estavam fazendo.
O que eles tinham era um caso ilícito, e Lilá sabia que era errado. No entanto, Rony e Hermione haviam brigado, e tudo indicava que estavam praticamente rompidos, e ela sempre fora apaixonada pelo Weasley, então, por que deveria parar de vê-lo?
A garota estava sentada em uma das pedras, ao lado de uma cesta de piquenique, segurando uma garrafa de vinho rosé, que comprara justamente para Rony, e quando ele finalmente chegou, ela rapidamente se levantou das pedras para beija-lo.
—Senti saudades! -disse Lilá, após se separarem ofegantes.
Rony sorriu. Aquele sorriso que Lila amava, e fazia seus dias mais felizes.
—Eu amo seu entusiasmo, gatinha.
Dessa vez foi a vez dela de sorrir, e então ergueu a garrafa.
—Olha o que eu trouxe!
—Uau! Eu amo vinho! Como você sabe disso?
—Eu sei tudo sobre você, Uonon. Ou você se esqueceu que eu te disse que sempre fui apaixonada por você?
—E como eu poderia me esquecer disso? -disse, enquanto colocava uma mecha do cabelo loiro de Lilá atrás de sua orelha, e então, a beijou.
Instantes depois estavam no gramado sob uma toalha que já estava ali, de outras vezes. A garrafa de vinho já estava pela metade, e as mãos de Rony brincavam com os cachos de Lilá, enquanto a loira, com os olhos fechados, tentava gravar na memória cada segundo daquele momento.
—Eu amo estar com você! -declarou a garota.
—Bom saber... -virou o rosto para encará-la- porque eu também amo estar com você!
Se encararam por um tempo, se perdendo no olhar um do outro. Era como se o mundo tivesse pausado, e apenas os dois estivessem presentes nele.
Até que Rony quebrou o clima.
—Vou dar um mergulho! -se levantou e tirou a camisa, a jogando nas mãos de Lilá, que a abraçou. -Quer vir comigo?
—Agora não, gatinho. Prefiro observar você. Mas antes, deixa eu passar protetor nas suas costas, não quero que você sofra uma insolação depois.
—Você cuida tão bem de mim...
Se sentou de costas, de frente para Lilá e a entregou o protetor solar que estava no bolso da bermuda.
Enquanto espalhava o protetor solar, Lilá observava os raios solares batendo nas costas do amado, deixando as sardas encontradas lá, brilhando como se fossem constelações. Nesse momento, ela sentiu uma vontade imensa de escrever seu nome nela, de alguma forma, marcar Rony como seu.
Ainda que soubesse, lá no fundo, que ele não era.
{...}
Mais tarde, ambos andavam de mãos dadas na areia da praia que foram pela primeira vez. O céu já estava rosa, um sinal de que estava quase escurecendo, mas nenhum dos dois parecia querer ir embora.
—O dia passou tão rápido. -disse Lilá. -Eu não queria que acabasse nunca!
Rony arqueou uma sobrancelha e olhou para ela.
—E quem disse que ele precisa acabar agora?
E então, caminhou até o mar, jogando água em Lilá logo em seguida, que se surpreendeu com o gesto.
—SEU IDIOTA!
Mas a raiva foi apenas momentânea, porque segundos depois a garota se encontrava gargalhando enquanto uma guerra de água se iniciou naquele mar.
Quando se cansaram, saíram do mar e se deitaram na areia, sob a mesma toalha do piquenique que fizeram, horas antes.
—Por sua culpa estamos molhados e sujos! -reclamou a garota, passando a mão na testa enquanto olhava as estrelas no céu.
Rony olhou pra ela com um sorriso maroto.
—Mas você gostou. Eu sei que gostou!
Depositou um beijo no canto da boca dela, que estremeceu.
—Acho que temos que ir embora... já está de noite, meus pais podem estar preocupados.
Porém, quando a garota fez menção em se levantar, Rony carinhosamente a segurou pelo pulso, a impedindo.
—Ei, o que você acha de avisar os seus pais que você vai dormir na Parvati, hoje? Estamos a poucos minutos do bangalô da minha família, e como todos eles, com exceção de eu e Percy, foram viajar, ele está vazio.
Lilá não soube o que dizer. Se encontrava com a boca levemente aberta e a mente a mil, o que será que ele queria dizer com isso? Era o que ela estava pensando? Será que finalmente teria Rony para sí?
Ela sabia que se fosse para a cama com ele, não haveria mais volta. A traição dele para com Hermione estaria mais do que consumada, e ela se tornaria a outra. Mas, se ninguém fosse ficar sabendo, que mal teria? Tudo indicava que quando o final das férias chegasse, ele terminaria com Hermione e a assumiria como namorada.
Ele a amava, ela sentia que sim! Caso contrário, não a estaria convidando para passar a noite ao seu lado.
E então, um sorriso brotou em seus lábios, e ela enfim disse:
—Tudo bem. Eu aviso.
Rony se levantou e a beijou.
{...}
Apesar de ser noite, o ar salgado ainda se fazia presente, porém, mais frio. A porta estava enferrujada, um sinal de que a família Weasley não o frequentava com tanta frequência, na opinião de Lila.
Ao entrarem no lugar, Rony acendeu a luz e enquanto ele fazia algo na cozinha, Lilá colocou a cesta de piquenique em um banco na sala e começou a explorar o bangalô. Ele era pequeno, mas grande o suficiente para abrigar uma família de oito pessoas. Era estranho, mas ela se sentiu em casa.
Seus devaneios foram interrompidos pelos braços de Rony a envolvendo em um abraço.
—Toma. -ele entregou a ela uma taça de vinho tinto, enquanto tinha outra em sua mão direita.
—Obrigada, benzinho.
Brindaram e beberam o líquido, que desceu queimando pela garganta de ambos. O vinho ajudou Lilá a conter o nervosismo para o que ela sabia que viria em seguida.
—Me senti muito surpreendida pelo seu convite... mas, por que me chamou?
—Eu só queria passar mais tempo com você, sua companhia têm me feito tão bem...
A Brown ruborizou.
—A sua companhia também tem me feito muito bem... eu nunca me senti assim antes, Rony.
Um silêncio se instaurou entre eles, que começaram a se perder no olhar um do outro. Havia muitas coisas passando em suas respectivas mentes.
Eles queriam mesmo dar esse passo decisivo? Eles realmente queriam deixar a inocência para trás?
Até que Lilá se aproximou, e ambos ficaram a apenas poucos centímetros de distância.
—O que quer de mim, Ronald Weasley?
Ele tirou a taça de suas mãos e a depositou em cima do piano. Em seguida, segurou suas trêmulas mãos e as beijou.
—Eu quero você!
—Mas você tem certeza? Eu nunca fiz isso antes.
Ele assentiu.
—Eu também não, mas podemos descobrir juntos. E você, tem certeza?
Dessa vez foi Lilá quem assentiu, e então, o Weasley tomou seus lábios para si.
Não sabiam ao certo quando chegaram ao quarto que Rony costumava dividir com a irmã nas férias passadas no bangalô, mas sabiam muito bem que estavam sentados na cama do ruivo, um de frente para o outro.
As mãos do garoto desmancharam a trança que havia acompanhado Lilá quase o dia inteiro, e libertaram o longo cabelo loiro ondulado, perfeito, na opinião de Rony.
Foi questão de tempo ate que as roupas começassem a desaparecer, e então, ambos estivessem deitados sob o colchão que poderia facilmente se assemelhar às nuvens.
O ambiente estava iluminado apenas por velas, o que fazia com que a intimidade surgisse com mais facilidade, ao mesmo tempo em que o deixava aconchegante e... romântico.
Lilá se encontrava em profundo êxtase, mal podendo respirar de tanta emoção. Seu peito subia e descia e seu coração estava acelerado. Ela não acreditava que isso realmente estava acontecendo, e com o garoto por quem fora apaixonada sua vida inteira!
E quando finalmente acabou, era como se Lilá tivesse morrido e nascido de novo, pois o que ela sentia era que Rony a havia feito conhecer o paraíso. Foi mágico, foi lindo, foi especial, foi mais do que ela podia esperar de uma primeira vez.
Minutos depois estavam abraçados, com os lençóis os envolvendo. Cansados, mas felizes e mal podendo se conter.
—Uau... isso foi... incrível! -disse Rony.
—Foi mágico! -disse Lila, se aconchegando mais ainda nele.
—Parabéns, Lila Brown.
—Pelo o que, Uonon?
Ele olhou para ela.
—Você conseguiu me viciar em você!
Ela deu um rápido selinho em seus lábios.
—Isso é bom, porque...
Ela hesitou. A frase estava bem na ponta de sua língua, mas por algum motivo ela não saiu de primeira.
Rony franziu o cenho, intrigado.
—Por que?...
Ela fechou os olhos e os abriu após a coragem retornar para si e olhou para ele.
—Eu te amo, Rony Weasley, eu sempre te amei!
Rony arregalou os olhos, espantado com a declaração. Apesar de saber que Lilá sempre fora apaixonada por si, ele não esperava que fosse algo sério. Então, isso definitivamente o havia pegado de surpresa.
De uma forma negativa, pois ele sabia que não poderia responder o mesmo, ele sabia que nunca iria amar Lilá como ela o amava.
Ele ainda pensava em Hermione.
Por fim, apenas sorriu e a beijou profundamente, dando início a mais uma rodada de amassos quentes.
{...}
Duas semanas depois, Lilá estava em seu quarto, deitada na cama encarando o teto enquanto uma música da Madonna tocava em seus fones de ouvido.
De vez em quando, ela fechava os olhos e o rosto de Rony aparecia em seu campo de visão. Logo, ela estava perdida em mil pensamentos e memórias que os envolvia.
Porém, esse comportamento havia um quê de saudade. Havia três dias que Rony não a ligava, nem dava notícias. Ela já estava começando a ficar preocupada, mas não queria admitir, então apenas ficava em casa e mantinha a esperança de ele ligar de repente e pedir para que ela o encontrasse atrás do shopping, como ele sempre fazia.
Seus devaneios foram interrompidos por uma figura feminina que estava no batente da porta, há alguns minutos.
—Uau, você finalmente acordou! Pensei que eu teria que arrancar seus fones.
Era Parvati. Ela entrou no quarto e se sentou na beirada da cama de Lilá, ficando de frente para a garota, que sorriu ao ver a amiga.
A Brown se sentou.
—Se você fizesse isso eu ia te matar!
—E eu ia voltar pra puxar seu pé a noite!
As duas riram.
—Mas falando sério, -disse Lilá- você não deveria estar na Índia?
—Sim, deveria, mas meu pai resolveu voltar antes, depois da morte do meu avô tem sido difícil a convivência dele com o irmão e os primos...
—Compreensivel. Eu também não suporto muita gente da minha família...
—Mas e você, mocinha, tem novidades? -perguntou Parvati, com os olhos brilhando de curiosidade.
Lilá sorriu e ruborizou.
—Ai amiga... eu tenho sim, muitas. Mas, não posso contar agora... mas, quem sabe, depois do final das férias?
Parvati franziu o cenho.
—Nossa! Quanto mistério...
—Vale a pena. Eu garanto!
A mais velha a encarou por alguns segundos, procurando entender o que a amiga estava querendo dizer, mas logo desviou seus pensamentos com outra coisa.
—Enfim, ainda que fofocar seja ótimo, não foi por isso que eu vim aqui!
—Não? -perguntou Lilá, arqueando a sobrancelha.
Parvati jogou uma almofada nela.
—É claro que não sua doida, por acaso já passou perto do cinema? Tem muito filme bom em cartaz! A gente podia ir hoje a tarde ou a noite, sei lá... você decide o melhor horário!
Por alguns segundos, os olhos de Lilá se iluminaram e ela deu um largo sorriso, claramente animada pela ideia da amiga. Mas, logo o sorriso se dissipou e a alegria deu lugar a dúvida; e se ela saísse e Rony ligasse? Como ela iria encontrá-lo? Ela precisava recusar, ainda que a amiga ficasse chateada. Mas, era urgente, se tratava do amor de sua vida, oras.
Não se tratava?
—Sinto muito, amiga, mas preciso recusar.
Parvati voltou a franzir o cenho.
—Tem certeza? As férias já estão quase acabando...
—Por isso mesmo, eu preciso começar a estudar desde já, não quero mais ser conhecida como a -fez as aspas com os dedos- "loira burra de Hogsmeade High".
—Entendo... mas eu já disse para você mandar essas pessoas irem a merda, não disse? Você é a porra de uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço!
Lilá não pôde deixar de se sentir feliz com o elogio.
—Olha, -a Patil voltou a dizer- tem Top Gun: Maverick, Thor: Love and Thunder, e aquele filme do Elvis Presley que eu esqueci o nome mas que todo mundo está falando bem sobre... -fez uma pausa- tem certeza absoluta de que quer perder essas preciosidades?
—Tenho sim!
—Tudo bem então... mas o Pete vai ficar chateado com você!
Lilá soltou uma risada.
—Não acredito que voce ainda lembra desse meu crush no Tom Cruise!
Parvati arqueou as sobrancelhas.
—Eu tenho uma ótima memória, senhorita Brown!
As duas voltaram a rir e a jogar almofadas uma na outra, até que Parvati se deu por vencida e foi embora, deixando Lilá da mesma forma que a encontrou; deitada encarando o teto, enquanto ouvia música.
{...}
Mais tarde, a preocupação de Lila para com a ausência de Rony se intensificou ainda mais. E por efeito dessa preocupação, decidiu que seria melhor ela mandar alguma mensagem, demonstrar interesse.
Pegou o celular, que se encontrava na mesa de cabeceira de seu quarto, e selecionou o contato desejado.
"Rony? Aonde você está meu amor?
"Você sumiu o dia inteiro... está tudo bem?"
—LILÁ QUERIDA, VENHA JANTAR!
A voz de sua mãe a fez posicionar o celular novamente no lugar que estava antes e sair do quarto. Porém, quando retornou, não havia sequer nenhuma resposta, apenas a marcação azul, um sinal de que ele havia visualizado.
Bufou, e logo foi dormir, decidida a resolver essa questão no dia seguinte.
{...}
A brisa fresca da manhã poderia ser confundida com um rajada forte de vento gelado do outono. Havia chovido na noite anterior, mas isso não impediu a jovem Brown de caminhar pela cidade, até que se viu atrás do shopping, com os pés no lago encarando a paisagem azulada à sua frente.
Rony não a havia pedido para encontrá-lo lá naquele dia, bem como não havia a contactado nos dias anteriores. A última vez em que se viram foi há uma semana atrás, quando passaram a tarde juntos no bangalô da família Weasley. Assistindo filmes, cozinhando, bebendo vinho e fazendo amor.
Ela não entendia o porquê desse afastamento repentino. Se questionava se era algo que ela havia feito de errado, ou se era ele que estivesse com algum problema, afinal, a família dele é muito grande, e seu pai costumava dizer que quanto maior a família, maior os problemas.
Ela não sabia o que era isso. Era filha única, bem como sua mãe. Seu pai tinha dois irmãos, mas um veio a falecer na infância e o outro morava em outro país. E não, ela não tinha primos. Seus avós maternos haviam falecido quando ela ainda era bebê, e ela mal via seus avós paternos.
Bufou e desviou o olhar para a garrafa de vinho rosé em suas mãos, o mesmo que havia levado para Rony, semanas atrás.
Não sabia o porquê exatamente o havia comprado, talvez porque uma parte de si ainda tinha esperanças de ele aparecer lá.
Esperanças, esperanças... havia sentido isso praticamente o verão inteiro, e agora estava cansada de ter esperanças!
Estava cansada de Rony não responder suas mensagens, retornar suas ligações... e revoltada por não poder ir até a casa dele, caso contrário, Percy descobriria o que eles estiveram fazendo e, não seria legal.
Abriu a garrafa e ingeriu o líquido quente, e, quando deu por si, o vinho já havia acabado.
Ela nunca tinha tomado algo tão rápido assim, nem mesmo água.
Jogou a garrafa em algum canto, que por algum motivo não se quebrou, e desviou o olhar para as pedras, até que uma em específico a chamou a atenção.
Havia uma pedra que continha as iniciais L R gravadas, as mesmas iniciais sua e de Rony. Eles fizeram isso poucos dias depois de começarem a se encontrar.
Sorriu, mas logo voltou a si e começou a olhar com raiva para a pedra em suas mãos.
—Espero que quando as aulas voltarem você tenha a decência de falar comigo, Rony!
E a jogou no lago.
Encarou o horizonte por mais algum tempo, até que decidiu retornar para a casa. Pois agosto acabou como aquela garrafa de vinho, que havia sido devorada minutos antes.
Porque Ronald Weasley nunca havia sido seu para que ela o perdesse.
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