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10 Epílogo
Notas iniciais

Diferente de muitas outras histórias, esta não tem um final feliz. Porque ter um final feliz implica em não ter um depois complexo, real e um tanto desconhecido; com todas as matizes e dimensões da vida humana, que incluem dores, alegrias, aprendizados e constantes transformações. A história de Rose e Scorpius possui um depois, que é escrito à medida em ambos que vão vivendo, juntos ou separados. O rapaz só esperava que, agora que se formara e enfim estava apto a exercer a profissão que escolhera, pudesse ser mais junto do que separado.
Finalmente, ele estava de volta à Inglaterra, após um ano e meio longe um do outro, mantendo contato apenas por correspondências ― dessa vez, Scorpius escreveu sempre que a saudade apertava um pouco mais e respondeu à todas; como dissera Albus, amizades exigiam esforço, e o mesmo ocorria com o amor e com as almas gêmeas. Ela não sabia do seu retorno ainda, porque ele omitira o detalhe deliberadamente em sua última carta, mas logo saberia. Logo seria surpreendida.
Scorpius parou por um instante diante da porta da primeira perfumaria de Rose e a admirou. Na entrada, havia uma grande placa, com o nome Minerva et Roses e o desenho que um dia eles pintaram gravados, e um canteiro de gérberas à esquerda. Ela decidira abri-la em Hogsmeade, porque era ali onde sempre se sentiu bem, onde se sentia em casa de verdade. Se o destino lhe reservava Londres e uma segunda loja, Rose não saberia dizer. Porém, pelo tom em suas cartas, Scorpius julgava que a jovem parecia bastante contente com o que tinha no momento.
Um sininho anunciou a entrada do rapaz. A perfumaria tinha uma fragrância agradável, que somente Rose, com seu talento nato, poderia identificar com precisão. Tudo ao redor lembrava-lhe dela, deu-se conta. Cada mínimo detalhe. Cada mínimo toque. Cada delicadeza e cuidado. A garota atendia a uma cliente, mas, no instante em que os seus olhos cruzaram com o de Scorpius, ela abriu um sorriso surpreso e radiante, que iluminara todo o seu rosto. Que iluminara o coração dele. Rose correu até ele e o abraçou com toda a força que possuía, sem se importar com mais nada.
Como costumava brincar a respeito de si própria: ela nunca se encaixara nas antiquadas regras de etiqueta e descrição da sociedade inglesa. Além disso, era uma Weasley, sempre aberta a demonstrações públicas de afeto. Scorpius precisaria se acostumar com aquilo, com aquela nova dinâmica em sua vida, porque Rose não poderia evitar de abraçá-lo, e ele não poderia evitar de retribuir os seus abraços. O rapaz a envolveu pela cintura e se deixou afogar nos cabelos dela, que possuíam aquele perfume tão conhecido e tão amado, o único que conseguiria reconhecer na mesma hora. Pois era o perfume de Rose. Naquele abraço, havia muitas coisas. Tantas, que tornavam as palavras desnecessárias. Ele havia voltado. A espera chegara ao fim. A saudade seria substituída por dias finitos na companhia um do outro, mas que poderiam carregar a própria ideia de infinito. Eles estavam prontos para dar o próximo passo. Para caminharem pela vida, dessa vez, de fato, mais juntos do que separados.
Diferente de muitas outras histórias, esta não tem um final feliz. Porque eles não sabiam o que o universo lhes reservava para o depois. Mas, certamente, esta é uma história que anuncia o começo de algo que pode ser muito bom.
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