Notas iniciais
Bem já escrevi essa fic há um tempo, mas só agora tive coragem de postar. Espero que gostem. Boa leitura!

Fazia um mês que Gus se foi, e eu não conseguia superar, acho que nunca superaria. Encontrar a carta que ele havia enviado para Peter Van Houten me ajudou a curar 1% de minha ferida, ou melhor, 0,0000000001%, ou ainda uma infinidade de zero’s seguidos de um mísero número 1 .

Augustus Walters fazia falta no mundo. Sinto falta do sorriso dele, das piadas dele, das tentativas de criar momentos românticos dele, sinto falta da forma como ele falava, de jogar vídeo game com ele, de conversar com ele, de poder me abrir com ele, sinto falta de estar com ele, dele, só dele, sinto falta de nós.

Minha mãe acha que estou novamente com depressão, e provavelmente estou, mas acho que estou bem... Na medida do possível. Meus pais, os pais de Gus, as irmãs de Gus, que são bem legais, e Isaac estão preocupados comigo, não que estejam muito melhores que eu, mas ao menos fingem parecer melhores. Até Lidewiji mandou-me uma carta. Não entendo o porquê todos fingem que nada mudou que estão bem, quando na verdade estão tão mal quanto eu.

Apesar de preferir ficar em casa, às vezes é impossível dizer não. Um bom exemplo foi quando Kaitlyn me chamou para ir ao shopping com ela, e fui obrigada a aceitar tanto por ela, quanto por meus pais.

Eu realmente não queria ir, porem esperava que isso me animasse um pouco. Mas foi o completo oposto, tudo me lembrava dele, dos momentos que passei ao lado dele, dos momentos que não vivemos. Então disse pra Kaitlyn que estava passando mal. Oque não foi totalmente mentira, ultimamente tenho sentido dores e falta de ar, mas além de não querer alardear minha mãe por algo que pode simplesmente ser efeito da depressão, creio que talvez seja apenas destino, talvez deva juntar-me a Gus. Estou cansada de protelar o inevitável.

Dias depois...

“Juntar-me a Gus. Juntar-me a ele aonde quer que eu esteja”. Pensava bastante sobre a morte em geral, ela não me parecia tão ruim quando a ideia de me juntar a Gus me vinha à cabeça. “No céu ou no inferno, ou vagando em meio ao nada ou no espaço tempo, nada importa se eu estiver com ele, minha eterna paixão, o amor da minha vida, Augustus Walters, meu amado Gus.” Lembro-me de pensar.

Agora, novamente em uma cama de hospital sentindo uma dor de cabeça infernal poderia até dizer que me arrependi quando acordei em um hospital e me disseram que eu havia ido parar ali porque desmaiei e descobriram que meus pulmões estavam se afogando, de novo. Mas dessa vez é diferente, sinto como se essa fosse a minha hora. A essa altura todos já me visitaram, e me disseram as mesmas coisas de sempre: Seja forte, você consegue, lute...

Como toda boa pessoa prestes a morrer, deixei uma carta para meus amigos e familiares, uma mais fácil de encontrar do que a que Gus deixou pra mim. Ah! A carta de Peter, a carta de Peter Van Houten . Há uma grande ironia de saber que no final sou como a Anna de Uma aflição imperial, e que estou morrendo aos poucos, mas sem um fim definido, como ela. Posso sentir a vida se esvaindo de mim, abandonando meu corpo e minha alma.

E também é irônico o fato de que não posso culpar ninguém além de mim mesma, gostaria de culpar as estrelas, mas não tenho provas contra elas. Tenho quase certeza que pelo menos em partes são elas as culpadas, ela e o universo que está conspirando contra mim. Reflito sobre como Shakespeare esteve tão equivocado como quando fez Cássio declarar: “A culpa, meu caro Bruto, não é das estrelas/ Mas de nós mesmos”.

Algumas horas depois...

Acordei quando comecei a ouvir barulhos ao meu redor. Estavam todos lá, mamãe e papai, Patrick, Isaac, Martha e Julie, Mark e Cindy, Patrick, Kaitlyn, Alison (minha enfermeira), Doutora Maria, e Dr. Simons, parecia que sabiam que minha hora estava chegando. Fiquei nervosa, sem saber ao certo o porquê. Meus batimentos cardíacos aumentaram depressa, e os aparelhos que ficavam ligados a mim começaram a apitar simultaneamente.

Sabia que era minha hora. Tive um flashback de toda a minha vida, entendia tudo que estava acontecendo ao meu redor, mas não conseguia me mexer, tudo estava em câmera lenta. As enfermeiras e os médicos entrando no quarto, as lágrimas de meus pais, e toda a tensão da sala. O ar foi me faltando eu tentava respirar de qualquer maneira quando notei que não que não havia nada a fazer. Então juntei minhas forças e disse:

-Amo...vocês...- Tive uma crise de tosse – Perto do Felipe, perto do felipe... -Era onde a carta estava, esse era o melhor que eu podia fazer.

Comecei a desfalecer e a filosofar. Talvez tudo isso fosse apenas destino, talvez fosse coincidência, talvez não fosse nada. Mas significava algo. Talvez fosse como o momento em que uma estrela se apaga, ou o momento em que uma estrela começa a brilhar, tudo depende do ponto vista. Sabia que só havia um modo de descobrir o real significado da situação, e também que só havia um jeito de sair da situação, me entregando. Fechei meus olhos devagar e parei de tentar respirar. Quando voltei a abri-los mesmo com a visão embaçada vi meus pais e tentei sorrir e segurar o choro para acalma-los, mas não consegui , deixei uma lágrima escapar.

Fechei novamente os olhos, e pensei em como podia estar tão calma e tão nervosa ao mesmo tempo. Tentei abri-los, mas não consegui, então comecei a me concentrar nos sons a minha volta. Senti uma súbita dor no peito e ouvi o eletrocardiograma apitar. Foi o último som que ouvi. Senti o negro me evolvendo, o mundo ficava escuro ao meu redor, cada vez mais escuro.

Enquanto a escuridão me abraçava, eu repeti o mesmo mantra: “Juntar-me a Gus”, “Juntar-me a Gus”, “Juntar-me a Gus”, até que me tornei parte da escuridão, até que senti que finalmente havia morrido, que finalmente me apagara, que virara uma buraco negro pronto para brilhar em outro lugar.

Faleci de certa forma calma, muitíssimo calma, pois sempre soube que minha história com Gus se estenderia até o fim dos séculos, até que todas as estrelas virassem buracos negros.

Notas finais
Oque acharam? Amaram? Odiaram? Por favor comentem!Obrigada por leram!:)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!