Até que Aconteça com Você
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Prometam que não vão me abandonar! Eu voltei õ/
Beijos e aqui está o 9º capítulo.
Boa leitura pessoal.
Os dias iam passando tão lentamente, e a ansiedade tomava conta de mim. Eu não conseguia parar de pensar naquele show, naquela promoção. Eu pensava comigo: Sempre fiz tudo por esses garotos. Só Deus sabe o quanto eu já sofri e chorei por causa deles. Por quê não posso ser a escolhida? Por quê?
Todos os dias antes de dormir eu rezava muito para que no dia do resultado da promoção fosse meu nome que aparecesse lá. Eu não me importava nem um pouco com qual seria a minha reação se o fosse. Choraria? Gritaria? Desmaiaria? Morreria? Eu não sei. Eu só queria ver meu nome lá. Apenas isso.
(...)
Karen: Alô.
Alice: Karen, é hoje que sai o resultado! Meu Deus, será que deu tudo certo pra nós?
Karen: Eu não sei Aly. Estou tão nervosa, não consigo me concentrar em nada, meu mundo gira em torno dessa bendita promoção. Só quero meu nome lá Alice, só isso.
Alice: E você vai o seu nome. Eu tenho certeza! E nós vamos juntas pra esse camarim, juntas pra esse show porra.
Karen: Que Deus faça das suas palavras a vontade Dele.
Alice: E Ele hei de fazer. Amiga, já vou indo. A gente se vê na aula?
Karen: Não, eu não vou pra escola. Inventei uma desculpa pra minha mãe pra poder ficar em casa até o resultado da promoção.
Alice: Tá bom. Me mande sms avisando.
Karen: Pode deixar.
Alice: Até amiga. Beijos.
Karen: Até.
Nunca fui o tipo de garota que tem sorte, com nada. Nem no amor, nem na vida, nem em míseros jogos de video-game. Talvez fosse por isso que eu não acreditava muito em ganhar essa promoção, apesar de ser tudo o que eu mais queria naquele momento.
As horas se passavam devagar e eu trancada em meu quarto aflita com cada segundo que ia embora. O resultado da promoção iria sair ás 16:00. Eram 15:30 quando minhas pernas começaram a amolecer, minhas mãos ficarem trêmulas, meu corpo gelar e as lágrimas iniciarem seu percurso pelo meu rosto. Faltava 30 minutos para o meu sonho vir á tona. Era minha única chance, a única maneira de concretizar o meu desejo. Eu olhava para o relógio e parecia que os minutos corriam desta vez. Meu celular recebendo mensagem da Alice a todo instante. Acredito que assim como eu, ela estava nervosa na aula, nem se quer conseguindo prestar atenção.
Faltava pouco tempo e então, decidi descer e beber um bom copo de água com açúcar. Aquele famoso truque para espantar o medo e a insegurança. Voltei subindo os degraus da escada lentamente. O medo tomava conta de mim e eu estava totalmente perdida. Meus pais estavam no quarto, não sei ao certo o que faziam. Ora estavam em silêncio, ora estavam gargalhando. Possivelmente assistindo algum filme de comédia, enquanto eu estava apenas chorando e tremendo de tanta ansiedade.
15:58. Acho que meu coração ia sair pela boca. Eu chegava soluçar de tanto chorar, chegava a perder o fôlego e a respiração. Meu coração se apertava, minha mente já não tinha mais controle. Eu atualizava a página diversas vezes. Andava de um lado para o outro no meio de meu quarto. Faltavam segundos, preciosos segundos que mais pareciam séculos. Até que então atualizei a página pela última vez. 16:03. Karen Fernandes Steinbauer. Era o meu nome que estava lá. Naquele momento eu não sabia o que fazer. Estava fora de mim. Eu paralisei na frente do computador, estava totalmente imóvel. Meus olhos arregalavam-se e eu não consigar piscar. Minhas mãos pararam contra o teclado e eu não as conseguia mover. Era tragédia ou comédia com meu coração? Era sonho ou realidade? Eu estava em transe. Não conseguia acreditar que era o meu nome que se encontrava lá. O meu nome.
Demorou um pouco, devo ter ficado em transe durante uns 10 minutos até que o vento bateu fortemente contra minha janela, fazendo um tremendo barulho. Foi quando eu "acordei" e pisquei. Uma lágrima escorreu do meu rosto, mas dessa vez não era uma lágrima pesada e de dor e sim uma lágrima de alívio e de esperança. Apesar de ter me recuperado, eu não conseguia dizer uma palavra se quer, até porque, creio que naquele momento todas as palavras e citações haviam fugido do meu vocabulário. Tremendo muito, consegui pegar o celular para mandar o tal sms para Alice, mas eu não tirava os olhos daquela página. Minha ficha não caía, parecia que se eu fechasse os olhos e os abrisse novamente meu nome não estaria mais lá.
Naquele momento, parecia que não existia o mundo. Era eu e o computador com um sonho realizado, apenas. Em primeiro instante, pensei em brincar com a Alice, dizendo que perdi a promoção. Claro que não seria uma brincadeira em si, mas a deixaria assustada, afinal, ela também dependia dessa promoção. Mas como sou frágil e de coração mole, não consegui conter. Peguei o celular e enviei o sms mais feliz de toda a minha vida. Escrevi tudo errado, sem vírgulas, sem pontos. Apenas escrevi: É NOSSO. E realmente era. Aquele sonho era nosso, aquela luta era a nossa luta. Somente Deus sabia o que eu e ela já havíamos passado por causa desse amor platônico, por causa desse sonho que agora estava prestes a se realizar.
Não demorou muito e outro sms chegou. Você só pode estar brincando né? Jura? Dizia ele. Eu sorria e chorava ao mesmo instante. Não conseguia conter tanta emoção em mim. Uma espera de anos, uma luta, uma batalha de anos estava sendo vencida. Olhei pela última vez naquele meu nome na página da promoção e não me conti: "ESSE MEET E GREET É MEU, PORRA." — gritei.
Um silêncio tomou conta da minha casa. Meus pais que até a pouco riam, agora estavam calados. Eu nem ligando estava. Naquele momento, foda-se o que eles pensariam. Eu havia ganhado e agora não dependia mais deles para realizar o meu sonho. Pude ouvir passos direcionados até a porta do meu quarto. Eu estava chorando muito, tremendo muito ainda. Confesso que fiquei com receio de um dos dois abrir a porta e me verem naquele estado, o que pensariam? Mas pra minha sorte, meu pai foi quem parou atrás da porta.
Paul: Karen, o que houve? O que é seu?
Karen: Nada pai, não houve nada.
Paul: Posso entrar?
Karen: Não pai.. estou me trocando, depois a gente conversa.
Paul: Está bem... você nos assustou.
Karen: Desculpa, não foi a minha intenção.
Após, pude constatar que meu pai já havia ido embora. Eu não queria contar a ele nem a mamãe assim de imediato. Eles fariam de tudo para cancelar isso, e por isso decidi contar apenas depois de enviar meus dados e ter os ingressos e passaporte para o M&G em mãos. Respondi o sms da Alice, um pouco mais calma agora. Já estava entardecendo e então combinei com ela de ir na saída da escola buscá-la. Acho que assim como eu, a ficha dela não caía e poderia ser perigoso deixá-la vir para casa sozinha.
Notas finais
A autora.
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