Eu paralisei na frente do computador, mais necessariamente, na frente da notícia e pensei comigo mesma que aquela seria a minha chance. Eu teria que fazer o possível, e o impossível para agarrá-la, e tê-la pra mim. Promoção Tokio Hotel da Universal Music com direito a Meet&Greet. Aquilo era o meu sonho, meu maior sonho.

Pelos meus pais, eu sabia que não iria. Então, o jeito foi recorrer a essa promoção. Eu tinha de escrever um texto, de no máximo 10 linhas, convencendo a equipe da Universal do porquê eu teria que ser a escolhida. A pergunta a ser respondida era: "Por que mereço ganhar a promoção da Universal Music e ficar cara a cara com o Tokio Hotel?" Confesso que eu não sabia como responder, mas eu tinha que bolar alguma coisa. O tempo para se inscrever era até o dia 10 de outubro. Eu tinha um bom tempo pra pensar em um texto bacana e convincente. Não sei se Alice já tava sabendo dessa promoção, mas nem liguei pra ela. Eu queria me concentrar no que eu iria colocar no texto. Não havia limite de respostas, então eu decidi fazer 3 textos com meus diferentes e-mails.

Confesso que pirei com a promoção. Eu ia participar e que se dane a opinião dos meus pais. Eles não iriam me dar o dinheiro, então se não fosse por eles, eu daria meus pulos, lembram? Pois bem. Eu sabia que a promoção só cubriria o ingresso para o show e o mee&greet com a banda. Mas isso não importava, de forma alguma. Estadia e viagem não era problema pra mim, já que eu morava na própria capital. Eu iria participar da promoção sem meus pais saberem, e se ganhasse, eles continuariam sem saber. O importante era eu arrancar idéias do meu cérebro pra escrever o texto. O incrível, era que fora de qualquer promoção, eu era muito boa em demonstrar meus sentimentos em palavras, mas sempre que havia uma promoção sobre o TH, as palavras pareciam fugir da minha mente. E isso me deixava certamente, enfurecida. Eu ficava imaginando o que as outras fãs iriam escrever para que eu escrevesse melhor, mas era impossíve. Era não, é impossível ler a mente de todas as fãs da banda. Eu sabia que haviam fãs loucas como eu, que fariam de tudo por essa oportunidade, que iria até o fim por essa chance. Eu sempre soube que haviam fãs melhores nas palavras, mas sempre duvidei de fãs melhores que eu nos sentimentos. Tudo bem que existem muitas fãs que são fãs a mais tempo que eu, mas tenho certeza que nenhuma delas passaram por algo parecido que eu. Não, não estou querendo ser orgulhosa, e muito menos melhor que os outros, mas é que a minha história com a banda realmente é difícil. Sempre foi. E de certa forma, acho que o que eu passei me ajudaria a escrever algo para a promoção.

Nesse instante, li a notícia inteira e o regulamento. A partir dali era só escrever meu texto. Então, parei. Olhei ao meu redor. Olhei todos os meus posters na parede. Olhei meus cd's na estante. Olhei meus cadernos todos escritos com o nome dos meninos. Olhei as fotos no computador. Li todos os textos que eu já havia escrito. Mas foi quando eu olhei, a 1ª foto do Tom que eu peguei em todos aqueles anos. Foi dali. Daquela foto, que a minha inspiração surgiu. Quando observei a foto, lembrei de tudo que fiz, de tudo que passei e que continuo passando por causa dele. Lembrei de como esse amor platônico começou, de como eu me apaixonei por ele, de como aquele olhar misterioso e aqueles lábios venenosos me conquistaram. E então, comecei a escrever meu 1º texto. Primeiro de muitos outros que eu escreveria. Eu só mandaria para a promoção, o melhor. E eu, a partir daquela noite, comecei a acreditar no poder da fé, no poder da esperança e na vontade de encontrá-los, que com certeza era maior que eu.

Terminei de registrar algumas lnhas e me encontrava cansada. Decidi ir deitar, mas confesso que não preguei o olho. Aquilo tinha acendido algo em mim, não sei dizer o que, mas sabe quando você tem a sensação que pela primeira vez na vida, as coisas parecem dar certo? Então, eu senti isso. Ao colocar minha cabeça na cama e olhar as paredes ao meu redor, cheias de fotos e posters, eu senti que algo na minha vida ia mudar. Senti que ia dar certo, que eu iria conseguir. Foi uma sensação boa, que me tranquilizou. Eu me virava de um lado para o outro na cama pensando nessa notícia, nesse encontro com a banda. "Eu preciso conseguir, eu posso, eu vou, eu quero, eu consigo" eram os verbos que passavam em minha mente. Aquilo me aluscinava, me enxia de esperança. Por que será que eu sentia essa sensação? Era tão real que as vezes, no silêncio do meu quarto, eu sentia a presença de cada um deles comigo. Não, eu não sei explicar o que é isso. Só sei dizer que algo estava acontecendo, ou iria acontecer. Não sei o quê, mas sentia que seria tudo, exatamente tudo pra mim.