Até o último suspiro
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Enquanto dirigia apressadamente, flashs do pesadelo que tivera na noite anterior vinham a sua memória. Ele estava com medo, medo que algo de ruim tivesse acontecido. Será que ela estava bem? Será que novamente havia desmaiado? Será que havia acontecido algo pior?
Em um ato de desespero, Mac ligou a sirene e acelerou ainda mais. No trânsito caótico da cidade, aqueles cinco quarteirões pareciam mais estradas sem fim.
— Anda, anda.. — murmurou pressionando a buzina.
Mac pegou o celular no bolso de dentro do terno, que tocava incessantemente.
— Taylor!
— Mac! Que bom que atendeu. Onde você está?
— Já estou perto do laboratório. Como a Stella está?
— Eu a trouxe para o seu escritório. Ela diz que está bem, mas ela está pálida Mac. Parece que vai desmaiar a qualquer momento.
— Hawkes está por aí?
— Ela não quer que eu o chame, ela só quer ver você.
Mac entrou no estacionamento do laboratório e o parou em sua vaga, saindo do carro logo em seguida.
— Não a deixe sair daí. Já estou chegando.
As batidas do coração dele estavam descompassadas ao entrar no elevador. O suor já começava a se formar em sua testa, mostrando o quanto havia se apressado para chegar ali. Ele tentou respirar fundo e se acalmar, visando ajudar Stella e não levantar muitas suspeitas de que houvesse algo errado, visto que Don estava com ela.
Quando as portas se abriram, Mac fez uma força surreal para simplesmente não correr até ela. Ao vê-la escorada na mesa de seu escritório com uma expressão de dor no rosto, questionou-se mentalmente do porquê de não estar lá com ela.
— Por favor, me diga que não destruí completamente suas chances com Christine? — pediu em tom de súplica. Mac aproximou-se de Stella e a puxou para um abraço, sentindo aos poucos as batidas do seu coração voltarem ao normal.
— Eu tô tão feliz em te ver bem que vou simplesmente ignorar o fato de você pensar que poderia estragar alguma coisa. — respondeu com ela em seus braços. — Está com muita dor?
— Menos do que antes. — sussurrou. Mac quebrou o abraço mas se manteve próximo a ela.
— Onde está o Don?
— Eu o deixei ir chamar o Hawkes.
— Ele está preocupado, Stella.
— Eu sei, e também sei que contar vai preocupa-lo ainda mais. — Mac suspirou.
— Stella..
— Mac, por favor.. Eu sei o que estou fazendo. Preciso do seu apoio nisso, como em tudo na minha vida. — ela sorriu levemente pra ele, de uma forma que ele nunca resistia.
— Essa sua teimosia um dia vai me deixar louco. — murmurou.
— Adam disse que Hawkes está em uma cena com Lindsay. — disse Don ao entrar na sala. — Que bom que chegou, Mac. Você é o único que sabe lidar com a teimosia dela. — reclamou.
— Não tanto quanto eu gostaria, acredite. — murmurou Mac em resposta, recebendo um olhar de reprovação de Stella. — Eu vou levá-la ao hospital, por precaução. — ele a olhou de relance e a viu concordar com a cabeça. — Don, atualize Danny sobre o caso. Ele assumirá a partir de agora.
— Certo. Me mandem notícias. — seu olhar preocupado caiu sobre Stella uma última vez antes de sair dali.
— Vamos?! — Stella assentiu e logo saiu junto à Mac em direção ao elevador. — Algo me diz que a senhorita já sabia que Hawkes não estava no laboratório. — Stella simplesmente sorriu de canto para o comentário do amigo. — Está melhor?
— Sim, inclusive posso ajudar Danny com o caso. — Mac a olhou com uma sobrancelha arqueada. — Eu estou bem, de verdade. — completou ao entrarem no elevador.
— Acredito em você, mas prefiro não arriscar. — sua mão foi levada até o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo. Logo ele deu uma leve risadinha, atraindo um olhar curioso de Stella.
— O que foi?
— Eu gosto dos seus cachos. — comentou com um sorriso.
— Só dos cachos? — rebateu Stella com um olhar sedutor, reprimindo uma risada.
— Acabou de flertar comigo, Bonasera? — perguntou Mac fingindo uma expressão de choque.
Stella riu.
— Não respondeu minha pergunta. — desconversou.
— Seus cachos, seu rosto, seus olhos, seu sorriso.. — disse a tocando conforme falava, fazendo Stella esboçar um largo sorriso.
Aos poucos a distância entre eles foi diminuindo, até que seus corpos já estavam praticamente colados. Foi quando seus olhos fecharam-se que as portas do elevador se abriram.
Mac então a olhou. Ele estava tão perto. Perto o suficiente para sentir a respiração dela em seu rosto e para saber que ela também queria o que estavam prestes a fazer. Se não fosse pelas portas do elevador, Mac a teria beijado.
— Me desculpe. — ele sussurrou, finalmente encontrando os olhos dela.
— Pelo que? — perguntou.
Ele não sabia muito bem a resposta. Talvez fosse por quase tê-la beijado, ou justamente por não ter conseguido beijá-la.
— Acho melhor nós irmos. — desconversou enquanto se afastava aos poucos. — Você deve estar com fome. Não comeu nada. Quer parar em algum lugar antes? — indagou já saindo do elevador. Ele estava nervoso, e pelo tanto que Stella o conhecia, ela sabia.
— Eu tô tão ansiosa por causa dessa consulta que acho que não vou conseguir comer agora. — disse ela com uma risada nervosa, acompanhando-o até o carro. — Talvez eu coma algo na cantina do hospital.
— Posso recompensar a comida de hospital te levando pra jantar amanhã. O que acha? — convidou-a com um sorriso charmoso no rosto.
— Então o detetive Taylor tem planos para essa noite? — provocou-o enquanto Mac abria a porta para que ela entrasse.
— Danny me chamou pra ver o jogo com ele e Don mais tarde. — respondeu entrando no carro. — Tem um tempo que não fazemos isso, acho que vai ser bom.
— Tenho certeza que vai. E você merece um tempo longe de mim já que vai ter que me aturar pelos próximos dias. — brincou, arrancando uma risada de Mac.
— Essa é justamente a pior parte, ter que ficar longe de você. — ele a olhou brevemente antes de sair do estacionamento.
Stella simplesmente sorriu. Aquela também era a pior parte pra ela.
***
Quando Stella chegou no hospital ela estava apreensiva. Havia um medo de que a piora nos seus sintomas fossem resultado de uma alteração em seu meningioma, por mais improvável que fosse.
— Você está bem? — perguntou Mac ao vê-la com seu olhar distante.
— Um pouco preocupada. — Mac segurou na mão dela, passando uma mensagem de força através de um aperto gentil.
— Vai ficar tudo bem. — assegurou.
— Vocês chegaram cedo. — disse Melissa ao encontrá-los na recepção. — Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
— Quando eu estava no laboratório me senti um pouco mal.
— Eu fiquei com medo dela passar mal de novo então a trouxe mais cedo. Espero que não tenha problema. Na correria acabei me esquecendo de avisar. — disse Mac a olhando.
— Oh, não tem problema algum. Um dos pacientes do Fields desmarcou agora há pouco, então ele pode te atender mais cedo. — respondeu Melissa com um leve sorriso. — Tenho certeza que esses episódios são resultados do estresse. Talvez ele vá te pedir para se afastar do campo por um tempo, então se prepare.
Stella suspirou. Deixar sua rotina era a última coisa que ela queria. Ao ver o olhar triste da grega, Mac novamente segurou sua mão, dessa vez as entrelaçando. Ele sabia como aquilo seria difícil pra ela.
— Tudo bem.. — ela sussurrou. Sabia que naquela situação não teria muita escolha.
— Vamos, vou levá-los até a sala dele. — antes de se virar para sair, Melissa observou rapidamente as mãos unidas, formando em seus lábios um pequeno sorriso.
Ao entrarem no consultório, Melissa despediu-se de Stella para ver seus pacientes. Já Fields logo se levantou, afim de cumprimentá-los formalmente.
— Olá Stella. Como está?
— Bem, na medida do possível. — sorriu levemente.
— Você deve ser o sr. Taylor. Melissa disse que provavelmente viria.
— Por favor, me chame de Mac. — disse estendendo sua mão à Fields, que pegou de bom grado.
— Eu não esperava vê-los aqui tão cedo. — completou sentando-se à mesa. Logo Mac e Stella fizeram o mesmo.
— Ontem eu acabei desmaiando um tempo depois de ter voltado do hospital. Mais tarde eu senti uma dor intensa e fiquei enjoada. Hoje aconteceu o mesmo.
— Desmaiou hoje também?
— Não. Só as dores, o enjôo e uma tontura.
— Olha, por tudo que você descobriu ontem, é normal que seu corpo reaja. Você está ansiosa, foram muitas informações ao mesmo tempo. Mas todo esse estresse só é aceitável até um certo ponto. Precisamos evitar isso o máximo possível. — explicou. — Vou receitar um antibiótico para suas dores e os enjôos, mas terei que pedir que se afaste dos trabalhos em campo. Não podemos arriscar algo que te coloque em risco maior.
— Está bem. — concordou Stella com um suspiro, mesmo um pouco contrariada.
— Quando acha que ela pode fazer a cirurgia? — perguntou Mac o olhando, enquanto Fields escrevia as receitas em um papel.
— A princípio, semana que vem. — ambos o olharam em choque, surpresos pela rapidez.
— Achei que eu teria mais tempo. — sussurrou. Ao ver o olhar de Mac sobre ela, logo voltou atrás em suas palavras. — Pensei que levaria mais tempo até marca-la.
— Seus sintomas estão piorando, não há motivos para adiarmos isso. Quanto antes o fizermos, melhor será para você. — explicou. — internaremos você dois dias antes da cirurgia, assim teremos tempo de fazer mais exames caso seja necessário. Aconselho que já vá se organizando, tanto na sua vida pessoal quanto no laboratório. Não sabemos quanto tempo após a cirurgia você permanecerá no hospital. É importante também que faça uma mala, apenas com o necessário.
Stella ouvia a tudo atentamente, tentando assimilar todas aquelas informações. Já Mac a olhava de relance a cada minuto, controlando o nervosismo que o tomou ao saber que o dia da cirurgia estava chegando.
— Bom, aproveitando que está aqui, gostaria de fazer mais um exame em você. Será rápido, eu prometo. — Stella simplesmente assentiu. — Vou pedir às enfermeiras que reservem uma sala. Já volto para chamá-la. — Dr. Fields levantou-se e saiu da sala, deixando um enorme silêncio para trás.
— Vou contar à equipe quando voltarmos ao laboratório. — disse Stella após alguns segundos em silêncio, recebendo o olhar de Mac.
— Είμαι μαζί σου. — Stella retribuiu o olhar ao ouvir aquelas palavras, deixando uma lágrima escapar e um sorriso se formar em seus lábios.
— Essa não fui eu quem te ensinou.
— Andei estudando. — respondeu com um sorriso convencido, arrancando uma risada da grega.
O barulho da porta se abrindo atraiu os olhares de ambos. Logo Fields reapareceu.
— Tudo pronto. Vamos?! — Stella respirou fundo e se levantou.
— Vou ficar te esperando na recepção. — disse Mac próximo a ela, deixando um beijo carinhoso em sua cabeça antes de sair da sala.
Chegando lá, antes mesmo de se sentar em um dos sofás que havia ali, Mac ouviu seu nome. Ao olhar para trás, uma expressão um tanto surpresa formou-se em seu rosto.
— Aubrey!
— Oi, Mac.. Faz um tempo desde a última vez que nos vimos. — Aubrey estava vestida com seu jaleco, um coque frouxo no cabelo e uma prancheta nas mãos. Seu sorriso um pouco tímido mostrava que também estava surpresa ao ver Mac ali.
— Sim, um bom tempo. — concordou Mac aproximando-se. — Como está?
— Estou bem. Andei fazendo uns trabalhos voluntários pelo país. Voltei pra cá há menos de um mês. — explicou. — Mas e você? Como estão as coisas?
Antes que Mac tivesse a chance de responder, Aubrey ouviu seu nome sendo chamado através do alto-falante.
— Acho que seus pacientes precisam de você. — disse Mac com um sorriso de canto.
— Acredite, esse foi o único momento que parei de andar pra lá e pra cá desde que cheguei hoje cedo. — respondeu com uma risada. — Bom, podemos conversar melhor depois, se quiser. Eu te ligo. — Mac permaneceu em silêncio e simplesmente lançou-lhe um sorriso de despedida, vendo-a se afastar. Em seguida, ele sentou-se no sofá e recostou sua cabeça, fechando os olhos por alguns longos segundos.
Um tempo depois, Stella foi ao seu encontro. Ao vê-lo cochilando naquele sofá, ela sorriu levemente. Ele estava cansado, mas era teimoso demais para admitir.
— Demorei tanto assim? — brincou ao aproximar-se. Mac abriu os olhos e sorriu ao vê-la.
— Nem um pouco.
— Ele me receitou dois antibióticos. Vão me ajudar pelo resto dessa semana.
— Vamos passar na farmácia antes de ir para o laboratório. — Mac se levantou e ajeitou seu terno. — Está com fome?
— Um pouco. — respondeu.
— Que tal aquele restaurante argentino? — Stella sorriu em resposta.
***
A caminho do laboratório, depois de já terem almoçado e comprado os remédios de Stella, Mac ligou para Don enquanto enfrentava o enorme trânsito de Nova York, pondo a ligação no viva voz.
— Flack falando.
— Don, é o Mac. Está na delegacia?
— Ei Mac. Não, vim encontrar Danny no laboratório.
— Sabe se o resto da equipe está aí?
— Acho que estão sim. Precisa de algo?
— Stella e eu estamos a uns dez minutos do laboratório. Quando der, peça para que todos nos esperem no meu escritório, por favor. Incluindo você.
— Parece sério, está tudo bem?
Mac olhou de relance para Stella, que ao ouvir as palavras preocupadas de Don, também o encarou. Ela apenas esboçou um sorriso, afirmando com a cabeça que tudo estava bem. Mac não pôde deixar de também sorrir. A força daquela mulher era admirável.
— Explicaremos tudo com calma quando chegarmos. Mas não se preocupe.
— Tudo bem. Espero vocês.
Mac encerrou a ligação e guardou seu celular no bolso do terno. Stella observava o movimento através de sua janela com um olhar sereno. Ao ouvir a voz dele, ela o encarou.
— Encontrei Aubrey quando você estava fazendo o exame.
— Achei que ela não trabalhasse mais lá.
— Eu também, mas pelo visto ela só estava afastada por um tempo. Disse que andou fazendo uns trabalhos voluntários pelo país.
— Isso é bom. — disse Stella. — Você gostou de vê-la? — Mac, que antes tinha sua atenção voltada para o trânsito, a olhou surpreso pela pergunta repentina. Stella, por outro lado, permanecia inexpressiva.
— Na verdade foi indiferente. — afirmou. — Ela disse que vai me ligar depois para nos encontrarmos, mas acho que não é uma boa idéia.
— Por causa da Christine? — Mac não respondeu de imediato. Ele divagou e refletiu por alguns segundos sobre aquilo, mas logo contou-lhe a verdade.
— Não, na verdade isso serve para Christine também. — Stella o olhou com uma sobrancelha arqueada. Vendo a confusão no rosto dela, ele continuou. — Christine é uma boa pessoa, e eu até me sinto bem perto dela. Mas não o suficiente para me deixar envolver dessa forma.
— Parece que você tem medo de que dê certo. Mas por que? — perguntou curiosa, porém sem pressioná-lo.
— Sei que parece que estou me auto sabotando, mas eu realmente sinto que não é pra ser. Nem com ela, Aubrey, ou mesmo Peyton.. — confessou entrando no estacionamento do laboratório e parando em sua vaga. — Foi bom tê-las conhecido, mas não quero e não tenho nada mais a oferecer. Eu achei que com Christine poderia ser diferente, mas continuar com isso sem pretenção de me entregar, não é certo. Ela merece alguém que esteja com ela por inteiro, e essa pessoa não sou eu.
Stella estava surpresa, não somente pelo assunto em si, mas por Mac ter se aberto com ela tão naturalmente.
— Me desculpe. — disse ele a olhando. — Joguei tudo em cima de você como uma bomba. — sorriu timidamente. Stella pôs sua mão sobre a dele, esboçando um sorriso reconfortante.
— Fico feliz que se sinta a vontade pra dividir isso comigo. E me desculpe por ter te pressionado em relação a Christine. Mesmo te conhecendo bem continuo dando essas mancadas. — Mac soltou uma risada.
— Você não deu mancada nenhuma. Eu teria feito o mesmo se visse uma oportunidade de você ser feliz. E sinceramente me sinto muito mais leve por dividir isso com você. — admitiu ainda com a mão dela sobre a sua, sem quebrar o contato de seus olhos com os dela. — Conversar com você sempre faz eu me sentir bem.
— Também me sinto assim. — disse Stella com sua voz baixa, recostando a cabeça no banco. — Eu preciso te agradecer.
— Pelo que? — perguntou confuso.
— Por tudo, na verdade. — sorriu. — Ter você comigo nesse momento está sendo muito importante pra mim. Acho que eu não conseguiria sem não fosse por você.
— É claro que conseguiria. — Mac levou sua mão ao rosto dela, tracejando uma linha pela sua bochecha com o polegar. — Você é mais forte do que imagina, Stella. Vai passar por isso e tudo ficará bem, porque você é incrível! — afirmou. Stella sentiu uma lágrima escapar, mas Mac logo a secou.
— Eu odeio toda essa sensibilidade. Qualquer coisa me faz chorar. — reclamou, arrancando mais uma risada de Mac.
— Sabia que até chorando você é linda?
— Não minta pra mim, Taylor. — pediu com um olhar duro sobre ele, sentindo mais lágrimas rolarem. Num ato impulsivo, Mac aproximou seu rosto do de Stella, plantando um beijo sobre uma de suas lágrimas. Stella então pôs a mão em seu peito, segurando seu terno para impedi-lo de se afastar. Sem pensar muito, ela o beijou.
O beijo começou calmo e até mesmo incerto. Mas, apesar de surpreso, Mac não hesitou em retribuí-lo. Sem descolar seus lábios dos dela, ele desafivelou o cinto de Stella e a puxou para mais perto, aprofundando ainda mais o beijo. Enquanto uma de suas mãos misturavam-se aos cachos dela, Stella mantinha sua mão no peito dele. O celular de Mac tocava ao fundo, mas nenhum dos dois deu muita importância.
Um tempo depois, o beijo foi cessando. Eles continuaram próximos, aproveitando o roçar de seus lábios. Novamente o celular de Mac começou a tocar, para sua sorte ou azar. Relutante, ele afastou-se um pouco e o atendeu.
— Taylor?! Obrigado. Já estamos indo. — com um suspiro, Mac o desligou, voltando sua atenção a Stella. — Era o Don. Ele já reuniu a equipe no escritório.
— Melhor nós subirmos. — disse Stella se ajeitando, ainda um pouco ofegante.
— Tem razão. — respondeu Mac sem saber muito bem se deveria dizer algo a mais. Notando o repentino silêncio, Stella o encarou. Um sorriso divertido logo formou-se em seus lábios, fazendo Mac olha-la confuso. — Por que esse sorriso?
— É que tem um pouquinho de batom no canto da sua boca. — apesar do nervosismo, nenhum dos dois reprimiu uma risada que logo tornou o clima mais agradável. — Deixa eu tirar pra você.
Ela levou sua mão à boca de Mac e limpou o resquício de batom com seu polegar. Mac a olhava fixamente, aproveitando o simples toque dela em sua pele. Eles estavam próximos, mas dessa vez conseguiram voltar à realidade.
— Vamos?! — chamou ela enquanto se afastava, já abrindo a porta do carro. Mac respirou profundamente e fez o mesmo, saindo do carro juntamente à Stella.
Eles caminharam até o elevador e subiram em silêncio, próximos o suficiente apenas para seus ombros roçarem de vez em quando. Ao saírem, seguiram diretamente para a sala de Mac, onde encontraram toda a equipe em uma conversa animada.
— Nos desculpem pela demora. Ficamos presos no trânsito. — explicou-se Mac ao entrar na sala.
— Sem problemas, chefe. — respondeu Danny que estava sentado ao lado de Lindsay no sofá. Do outro lado, Adam, Sid, Hawkes e Don permaneciam em pé.
Mac e Stella recostaram na mesa, enquanto toda a equipe os olhavam com curiosidade.
— Ficamos preocupados quando Don nos chamou. Uma reunião no meio do dia não é muito comum. — comentou Hawkes.
— Está tudo bem? — indagou Adam.
Mac olhou para Stella brevemente, notando seu esforço em manter uma expressão natural. Ele pôs a mão em seu ombro e acenou discretamente para que a mesma falasse.
— Eu preciso contar uma coisa à vocês. Eu não falei antes porque tem aquela parte minha que sempre acha que vai conseguir resolver as coisas sozinha, mesmo no fundo eu sabendo que não é verdade. — ela pausou por um momento, respirando profundamente. — Há alguns meses atrás durante uma cena eu comecei a me sentir mal. Eu ficava meio zonza e com dor de cabeça quando me aproximava de todo aquele sangue. Apesar de não ser algo muito normal pra mim, eu ignorei achando que não fosse nada demais.
Mac também a olhava, prestando atenção em cada palavra que Stella dizia. Dessa situação nem mesmo ele sabia.
—... Um tempo depois eu me senti daquela forma novamente, e conforme o tempo ia passando, ia acontecendo com mais frequência, até que eu decidi procurar ajuda. Então ontem eu fui ao hospital fazer alguns exames, e...
Stella hesitou e olhou para Mac numa tentativa de buscar forças para continuar. Sem se importar com os olhares que certamente receberia, Mac pôs sua mão sobre a dela e sorriu levemente. Stella então continuou.
— Eu descobri que tenho um meningioma. Na verdade não é tão ruim quanto parece. — a equipe a olhou em choque. Era como se por um segundo todos ali se esquecessem de como respirar. — Eu preciso fazer uma cirurgia, senão pode ser que futuramente ele evolua. E, bom, hoje eu descobri que essa cirurgia acontecerá na semana que vem.
Stella tentou com todas as suas forças manter as lágrimas longe, mas foi inevitável algumas escorrerem. Lindsay tentou pronunciar alguma palavra, assim como os outros, mas a garganta embargada pelas lágrimas a impediu.
— Sei que não é fácil, mas precisamos ser fortes e ficarmos unidos agora, mais do que nunca. — disse Sid vendo a forma como a equipe havia ficado. — Vamos lá, estamos falando da melhor detetive que essa cidade já viu. Vai ficar tudo bem.
Com aquelas palavras foi difícil não sorrir. Claro que com o sorriso, algumas lágrimas teimosas rolaram pelo rosto de alguns.
— Você vai passar por isso e vai tirar de letra, como sempre fez em todas as situações, por mais difíceis que fossem. E nós estaremos juntos, Stella, como sempre estivemos. — afirmou Hawkes aproximando-se da grega e a abraçando.
— Obrigada, Hawkes. — agradeceu Stella em meio as lágrimas.
— Eu também quero abraço! — exclamou Lindsay indo até os dois e os abraçando. No fim, todos estavam juntos em um enorme abraço. — Vai ficar tudo bem, amiga.
— Quando tudo acabar, estaremos ao seu lado no hospital para comemorar. — disse Adam com a voz embargada.
— E depois vamos pra casa dos Messer comer pizza até enjoar. — completou Don fazendo os amigos rirem. Aos poucos o abraço foi cessando, mas o círculo em volta de Stella continuou.
— Sabe qual o dia da cirurgia? — perguntou Danny.
— A princípio será na quarta. Isso significa que segunda provavelmente eles já irão me internar.
Eles trocaram olhares momentaneamente. Já era quinta-feira, faltando menos de uma semana para o dia em questão.
— E como você está agora? — perguntou Don ainda preocupado pelo mal estar da amiga mais cedo.
— Estou melhor, e confiante de que tudo vai dar certo.
Stella olhou para Mac com um sorriso confiante, enquanto ele a encarava com admiração. Ele manteve sua mão sobre a dela do início ao fim, e continuaria assim daquele momento em diante.
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