Até o Fim
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Faltavam poucos dias para as ferias finalmente acabassem e Rose não se aguentava de tanta ansiedade. Assim que tomou sua decisão foi diretamente contar a sua mãe os seus planos. Hermione ficou extremamente contente em saber que tinha acertado nas palavras e enfiado alguma coisa na mente da ruiva que era tão cabeça dura quanto o pai. Não é a toa que demorou cinco anos para a mais nova escuta-la. Juntas decidiram que a primeira coisa a se fazer era uma mudança de visual, substituindo todas as suas roupas antigas por novas com muito mais o estilo de Rose. Tudo fora substituído, os uniformes, saias, shorts, calças, blusas e casacos, tudo realçando sua nova personalidade. Quando terminaram a parte das roupas resolveram ir para o cabelo, que eram longos, quase chegando na cintura e sem corte. Ela resolveu cortar apenas as pontas, aderir um corte desfiado e manter seu tom natural que era muito bonito. Ao final de sua transformação, em todo lugar que Rose ia chamava atenção. Não que antes não fosse bonita, mas agora ela realçava sua beleza natural. O pai, é claro, não ficara muito contente, mas a ruiva nem ligava mais. A cada dia provava a si mesma que conseguia ignorar o pai assim como ele a ignorava. Na véspera do dia de sua ida, arrumou o malão e escolheu sua roupa para ir a estação. Enquanto fazia isso, sua mãe a observava da porta. Hermione estava muito orgulhosa da decisão que Rose tomou e sabia que esse ano seria ótimo para ela. Quando a mais nova terminou de fazer o malão nem se surpreendeu ao dar de cara com sua mãe observando-a da porta. Resolveu se sentar na cama e esperar a morena entrar e começar a falar.
–Percebeu que depois da sua decisão não tocou em nenhum outro livro?- perguntou a mais velha, fazendo a filha sorrir.
–Claro, não tinha mais tempo para essas coisas nas ferias. Além do mais, temos que conciliar o estudo com vida social, certo?
–Certo. Estou orgulhosa de você, sabia?
–Mãe, nem começa com seu discurso, ok? Já entendi o que a senhora tanto tentava me dizer.
–Engraçado que você sempre foi uma Sonserina nata e eu nunca percebi.-comentou a mãe sorrindo.
–Vou considerar isso um elogio.
Depois desse pequeno diálogo a morena saiu do quarto deixando a ruiva sozinha com seus devaneios. Por mais que não quisesse, ela estava nervosa. E mesmo com toda aquela mudança não adiantar nada? E se não conseguisse fazer amigos? E se ninguém, além de seus primos, chegasse perto como todos os outros anos? E se nada mudasse? E se... Eram tantas possibilidades rondando a cabeça da menina que nem percebeu quando caiu no sono. Acordou apenas no dia seguinte com o sol batendo em seu rosto. Olhou as horas em seu relógio de cabeceira e vira que ainda estava cedo. O sol ainda estava nascendo, mas sabia que não conseguiria dormir novamente, foi tomar um banho e começar a se arrumar. Esse era um novo hábito dela que ela adorava e se divertia muito fazendo. Assim que terminou de se arrumar percebeu que havia se passado duas horas e possivelmente sua mãe já estaria acordada fazendo o café-da-manhã. Desceu as escadas e cumprimentou a mãe com um beijo na bochecha e o pai e o irmão com um oi. Tomaram um café silencioso. Geralmente as refeições eram assim o que os faziam demorar pouquíssimo tempo durante a mesa. Subiu novamente e pegou um livro qualquer de seu criado-mudo e só parou de ler quando sua mãe gritou o seu nome avisando que todos já iriam. Desceu com seu malão e colocou no carro, se sentando no banco traseiro. Na viagem só escutavam o som da música que tocava no rádio, mas assim que chegaram a estação deu para escutar varias vozes, tanto de pais, alunos e professores, quanto o barulho dos animais. Entraram e procuravam pelo resto da família Weasley, o que não foi difícil pela quantidade de cabeças vermelhas concentradas em um mesmo local. Por onde a garota passava chamava atenção e todos comentavam e apontavam: "essa é a Weasley rata de biblioteca?" Ou "ela está tão mudada que nem parece que é a mesma pessoa". Assim que chegaram onde os Weasley's estavam se cumprimentaram e se dividiram:os primos foram para um lado e os pais para outro. Todos os jovens se viraram para Rose esperando uma explicação, menos Hugo, que já sabia da história toda e estava com cara de entediado.
–O que foi?- perguntou Rose.
–Queremos saber o por que da mudança!- quem respondeu foi Victorie com um tom de irritação na voz.
–Bom, eu decidi ser eu mesma. E as roupas também definem isso. Essa sou eu- disse apontando para si mesma.
Todos observavam as roupas da ruiva e não acreditavam em sua palavra. Antigamente vestia somente roupas largas e a maioria vermelhas mudando apenas a cor quando usava seu uniforme. Agora, ela usava uma calça de couro skinny, blusa cropped e uma sapatilha com tachinhas douradas. Ninguém nunca tinha visto ela usando roupas assim, então era óbvio que não acreditariam. Rose percebendo isso resolveu intervir.
–Olha, se não quiserem acreditar, não acreditem. Mas pelo menos aceitem que eu não sou mais aquela baba-ovo da Grifinória, sou mesmo da Sonserina e finalmente percebi o quanto me encaixo nessa casa. Então, apenas aceitem, ok?!
Ao final de seu pequeno discurso todos olhavam com olhos arregalados para Rose. Alvo, que era seu melhor amigo foi o primeiro a se manifestar diante a nova Rose.
–Eu aceito.-disse, dando um abraço apertado nela e sussurrando em seu ouvido que estava orgulhoso.
Disse apenas duas simples palavras, mas deu coragem para o restante dos primos aceitarem a personalidade verdadeira de Rose. Quando saíram do choque em que estavam todos a abraçaram, pois mesmo sendo considerado um ato pequeno a mudança pela qual ela passou para algumas pessoas, os primos descordavam e valorizavam o ato. Além do mais, a maioria sabia quem a ruiva realmente era e tinham certeza que não era aquela Grifinória falsa que fingia ser. Terminaram sua pequena reunião e voltaram para onde os pais estavam, pois já estava na hora de embarcarem. Rose deu um abraço apertado em sua mãe e sussurrou um eu te amo em seu ouvido. Com o seu pai deu apenas um aceno de cabeça que nem foi devolvido, mas ela não ligou e empinou mais o nariz, fazendo Rony apenas lhe lançar um olhar de desprezo. Deu tchau para o resto dos tios e entrou acompanhada de Alvo.
–Gostei da mudança-comentou apenas.
–Obrigada, eu também gostei.
Acharam uma cabine rapidamente e entraram para esperar pelos outros primos. Primeiro chegaram Teddy, Victorie, Fred, e James. Todos os quatro eram do sétimo ano, sendo Teddy e Vic namorados e Fred e James os meninos mais galinhas de Hogwarts. Depois vieram Roxanne, Molly II e Dominique, do sexto ano. São inseparáveis e aprontam muito, mesmo tendo diminuído o ritmo ao decorrer dos anos. Eram muito desejadas pela maioria dos meninos de todas as casas, mas tinham fama de difíceis. Por ultimo chegaram Lily e Hugo, que estavam no segundo ano. Todos achavam que um dia ainda iriam acabar juntos, mas por enquanto viviam uma linda amizade com um amor verdadeiro. De todos os primos, os únicos que entrariam apenas no próximo ano eram Louis e Lucy.
Na metade da viagem, foram trocar as roupas pelo seus uniformes. Todos eram da Grifinória, menos Rose, mas nunca julgaram, mesmo tendo estranhado um pouco no inicio. Quando as meninas voltaram, os meninos já estavam lá. A ruiva foi a ultima a entrar e percebeu James passar os olhos por todo seu corpo, mas nem deu atenção. O resto da viagem foi tranquila, muitas conversas e brincadeiras. Chegaram em Hogwarts e todos admiravam o lindo castelo enquanto iam em direção as carruagens. Todos sentiam falta daquele local, passavam mais tempo lá do que em suas próprias casas e muitos tem recordações boas que aconteceram nesse lugar mágico.
Depois do olhar deslumbrado lançado ao castelo, resolveram pegar uma carruagem e mesmo não tendo espaço para todos, se encolheram e foram no aperto. Rose, sendo uma das mais magras, teve que ir no colo de James, que aproveitou a oportunidade para perturbar a prima. Segurava firmemente a cintura da ruiva e quando ninguém estava olhando, dava beijos em seu pescoço, fazendo a garota se arrepiar, porém ela fingia que não estava acontecendo nada. Quando chegaram, entretanto, a menina foi uma das primeira a sair, fato que não passou despercebido pelo primo.
Desde seus treze anos, James já percebia o quanto Rose era linda, com seus olhos azuis vivos e cabelos ruivos, porém o irritava a personalidade fingida que ela dizia ter. Mas agora que ela tinha percebido quem ela realmente era, não tinha mais nada que o atrapalhasse para conquista-la. Sabia que ela não seria fácil, mas nada o faria desistir. Pelo menos era o que ele pensava enquanto saia da carruagem, seguindo os primos em direção ao salão principal.
Enquanto James estava perdido em seus pensamentos sobre a ruiva, a mesma estava em uma batalha se iria para sua mesa ou para a da Grifinória, como fazia antes. Por um lado, ficaria sozinha na da Sonserina, já que não tinha nenhum amigo. Por outro, ela não iria completar sua mudança enquanto não se desligasse de tudo que a ligava a Grifinória, pelo menos por um tempo. Como o desejo para completar a mudança era maior, decidiu ir para a oposta da de seus primos, e quando percebeu já estava se dirigindo para a mesma, esquecendo de se despedir de sua família, mas eles não se incomodaram.
Se sentou na ponta da mesa e esperou o costumeiro discurso da diretora Minerva, para depois começar a escolha dos primeiranistas. Enquanto isso acontecia, muitos lançavam olhares a Rose, olhando o novo visual da Weasley, pois ainda não acreditavam que a famosa rata da biblioteca tinha saído do casulo. Até essa parte, aconteceu tudo do jeito esperado, porém, na hora que a comida devia aparecer, a diretora tomou a palavra novamente.
–Eu sei o quanto você devem estar famintos e cansado depois da longa viagem que tiveram, mas vou ter que pegar um pouco mais do tempo de vocês e espero que compreendam.-James ia comentar algo, entretanto, Minerva antecedendo a reclamação fuzilou o mesmo com os olhos, fazendo-o ficar na dele- Continuando, esse ano terá a escolha de uma pessoa a mais, sendo a única diferença que ela é do sexto ano. Que entre Sophie Anne Grey.
No mesmo segundo que seu nome foi pronunciado, a garota entrou e aparentava não ligar para a atenção recebida, com uma expressão entediada. Tinha cabelos loiros queimados até o meio da cintura e olhos azuis esverdeados. Não olhou para nenhuma mesa, não vacilou em nenhum passo. Quando chegou ao seu destino, se sentou no banco e esperou a diretora colocar o chapéu em sua cabeça, e assim que o mesmo o fez, gritou que ela pertencia a Sonserina, que aplaudiu a ultima escolhida desse ano. Novamente, aparentou não ligar para os olhares direcionados a ela e se sentou na frente de Rose, pois era o único lugar vago, além de ser o de mais fácil acesso.
–Oi, meu nome é Sophie, prazer-disse ela, logo depois estendendo sua mão.
–Prazer, sou Rose Weasley. Bem-vinda a Sonserina.-falou, apertando sua mão.
A comida finalmente apareceu e os esfomeados enchiam seus pratos. A ruiva e Sophie pegavam calmamente a comida, sem se precipitarem e encherem seus pratos.
–Sabe, seu sobrenome me é familiar-disse a loira.
–Muitos conhecem-respondeu simplesmente a ruiva.
Sophie percebeu que a outra não iria comentar mais nada e ficou pensando de onde conhecia o sobrenome. "Weasley, Weasley, de onde eu conheço...", repetia o pensamento em sua cabeça, até que lembrou que tinha lido em muitos tabloides o famoso sobrenome. Até da França, de onde ela veio, o menino que sobreviveu e seus fiéis amigos estavam constantemente nos jornais.
–Então, como é ser filha dos melhores amigos de Harry Potter?- Rose se assustou com a quebra de silêncio e demorou um pouco para responder a pergunta.
–É como você é para os seus pais. Eles são meus pais e pronto.
Quando a loira ia mudar de assunto, pois percebeu o desagrado por parte da Weasley em falar sobre seus familiares, já estava na hora de ir para os dormitórios, porém estava na cara o quanto ela estava perdida. Rose percebendo o embaraço dela por não saber para onde ir, ofereceu ajuda, já que iam para o mesmo lugar. A outra aceitou prontamente e a agradeceu com um sorriso, que foi devolvido por parte da ruiva. No caminho conversaram banalidades, como de onde Sophie viera, como era por lá, se estava gostando de ter se mudado, até os gostos pessoais de cada uma. Assuntos leves que não as deixavam desconfortáveis e que as deixavam mais próximas.
Quem via de longe, percebia que ali nascia uma nova amizade, um novo começo para ambas. Nenhuma das duas conhecia o passado uma da outra, o que facilitava ainda mais a aproximação delas e era tudo o que ambas precisavam. Desde o inicio perceberam que escondiam segredos uma da outra, mas com a intimidade e confiança iriam contando e não se incomodavam com o mistério que uma significava para a outra. Esperariam o tempo dizer se o modo como tudo começou era correto, se iriam se tornar grandes amigas, ou se iriam confiar seus segredos, mas por enquanto só queriam se conhecer.
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