Notas iniciais
Agradecimentos eternos a minha beta querida BelleUzumakiSan.

“Nós nos salvamos de formas bastante improváveis.”

Inventando Aladim – Neil Gaiman

O choque de Hinata não durou para sempre. A letargia que a dominava perdeu o petrificante controle sobre seu corpo assim que o espiral do Clã Uzumaki, bordado nas costas cobertas de seda branca e laranja de Naruto no Miya¹, tomou seu campo de visão.

— FUJA, HINATA! – Ela nunca antes havia ouvido tanta urgência na voz dele ou de quem quer que fosse.

E o primeiro impulso dela havia sido correr. Para dizer a verdade, uma voz em sua mente, que muito se parecia com a de sua irmã, lhe injuriava com nomes que ela jamais ousaria pronunciar em público. A voz não só questionava, mas a acusava de possuir pouquíssima inteligência e instinto de autopreservação.

Mas ela ignorou tudo aquilo.

— Não sem vossa alteza – dito isso, ela o agarrou pela mão em direção a porta onde, sem dúvida, os cortezões estavam ouvindo tudo que se passava e logo os interromperiam de forma que mais pessoas ficariam em perigo. Hinata também se preocupava com eles, tinha que avisá-los, mas Naruto no Miya não parecia estar disposto a cooperar. Imóvel ele ficou, embora não tivesse largado de sua mão.

A criatura fez um som e Hinata percebeu que já havia o ouvido antes. Era como o crepitar de fogo e latidos de cachorro, agora, ela podia ver, era sem dúvida uma gargalhada. Mas longe de soar alegre ou tranquilizadora, o riso era cruel, tão monstruoso quanto seu dono e fazia o sangue congelar em suas veias.

— Esposa, não seja ridícula, fuja!

O olhar de Hinata, preso à figura assustadora, mas magnetizante da criatura, desviou-se para o perfil meio escondido de seu marido. Era a primeira vez que ele se dirigia a ela daquela forma e, por mais que houvesse passado anos desejando ouvi-lo chamá-la por aquele nome, sentiu que o momento foi roubado pelas circunstâncias. Não deveria ser daquela forma, não quando suas vidas estavam claramente sob o cruel fio da navalha. Quando o presente que havia sido ouvir aquela palavra preciosa havia soado como um pedido de desculpas ou prêmio de consolação para o terror anunciado a seguir.

Então, ela segurou a mão dele com mais força, entrelaçando seus dedos.

— Como eu disse, n-não sem vossa alteza, meu marido.

O olhar de Naruto desviou do monstro para olhar dela para as suas mãos unidas, o horror e o medo sendo momentaneamente trocados por choque em seu rosto.

A raposa riu mais alto, chamando a atenção do casal.

— Oh menina, quase lamento pelo seu fim iminente. Mas a palavra-chave é quase, mulheres como você sempre têm o melhor gosto.

Naruto puxou Hinata para trás de si outra vez, agora com um movimento quase violento.

— Não se aproxime dattebayo!

Uma das sobrancelhas alaranjadas do monstro se ergueu em arrogante surpresa.

— Pretende enfrentar-me outra vez, pequeno príncipe humano? Sabemos bem como isso terminou da última vez... – E ergueu a cabeça para uma nova retumbante gargalhada.

— Eu não sei como se lembra da última vez, monstro, mas saiba que irás permanecer desacordado por muito mais tempo que seis meses, caso toque em um fio de cabelo de minha esposa!

Naruto recuou, empurrando Hinata para trás, que teve que se segurar nas vestes do Grão-Príncipe para não cair. Ela não entendia por completo o que estava acontecendo. Naruto no Miya parecia saber que o monstro surgiria, demonstrando surpresa apenas por aparentar achar que seu surgimento havia sido cedo demais. Hinata não era estúpida, fez logo ligação com os últimos acontecimentos do misteriosos que acometeram o palácio: o desaparecimento de Karin Chuugu², a partida de Tennou Heika³, o incêndio. Ela não sabia como, mas tinha certeza que aquele monstro estava envolvido. E, por um momento, lamentou a possibilidade de jamais descobrir o que estava por trás de tais acontecimentos caso não saísse com vida daquele quarto.

— Não se iluda, rapaz! Você teve sorte da última vez, e mesmo sua sorte não o fez sair inteiro. Não terá a sorte ao seu lado dessa vez, não cairei mais por seus truques de mágica roubados. E agora saia da minha frente, antes que eu engula vocês dois numa bocada só!

Mas Naruto no Miya não se moveu.

— Há! Eu sei muito bem que você não pode me matar se pretende continuar vivo’ttebayo!

A criatura apertou os olhos até que se tornassem fendas, meneou o corpo, colocando o peso nas enormes patas da frente. Suas nove caudas foram erguidas destruindo o teto e deixando o luar entrar. A posição de ataque da criatura fez Hinata instintivamente recuar e trazer Naruto com ela.

— Não pretendo matá-lo por hora, necessito apenas que saia da frente da minha presa. E então, terei o prazer de devorá-la na sua frente, fazer com que você ouça a pele dela sendo rasgada por minhas presas, o estalar de seus ossos sendo pulverizados pela força de minha mandíbula e veja seu sangue quente escorrendo por meu focinho... Assim você saberá, Uzumaki, que todos os seus esforços até aqui foram inúteis.

Naruto recuou mais uma vez, arrastando Hinata atrás de si em direção as portas cobertas por pinturas em tons pálidos e dourados. Quando deu por si, Hinata estava prensada contra as portas de papel, o baque fez com que um dos cortesãos começassem a abrir a porta. Hinata, então, pela primeira vez, largou a mão de Naruto para impedir que as portas abrissem mais. Ela não podia fazer muito por sua própria situação e a de seu marido, mas ninguém, além deles, precisava morrer desnecessariamente.

Segurando as bordas das portas com força, ela enfiou somente a cabeça no corredor, onde o séquito de cortesãos e guardas palacianos a encararam de volta com feições assustadas.

— C-corram! Esvaziem o Dairi4! É uma ordem de Naruto no Miya!

— Mas, Miya-sama!

— Agora!

Ela fechou as portas e voltou a encarar a terrível cena que se descortinava a sua frente. Mal ela havia dado meia volta em sua própria órbita, o corpo de Naruto fora jogado para longe do seu por uma pata gigantesca.

— Naruto no Miya! – ela gritou, já pronta para correr em direção à massa disforme de seda branca e laranja que deveria ser seu marido, mas, antes que ela pudesse sair do lugar, a mesma pata de proporções absurdas e aparência selvagem se interpôs em seu caminho.

— Preocupe-se consigo mesma, menina. Afinal, você não deveria perder seus últimos minutos se importando com a causa de seu infortúnio.

Ao ouvir o tom de troça na voz do monstro, Hinata deixou por um minuto de sentir medo para sentir a raiva queimando em seu estômago e fez o que não havia ousado fazer até então, encarou a enorme raposa nos olhos.

— Naruto no Miya não é a causa de meu infortúnio, ele não me trouxe nada além de alegrias.

A raposa soltou um riso de escárnio pelo nariz.

— Onde encontrou esta, garoto? Ela é ainda mais lunática que a outra.

— Deixe-a em paz dattebayo!

Ele tentou avançar para alcançar Hinata novamente, mas uma das patas traseiras do monstro o interrompeu no meio do caminho, o derrubando novamente o prensando de contra o chão, seu rosto sendo esmagado pelo peso de um dos dedos do monstro.

— Por onde começo? Pela cabeça? Mas não tem muita carne na cabeça e nem muito cérebro, pelo jeito, ou não estaria defendendo tão firmemente um homem que a trouxe para morte.

O sangue pulsava nos ouvidos de Hinata, nunca em sua vida havia estado tão consciente de sua solidão diante da morte. No passado, quando havia corrido perigo, havia sempre alguém para defendê-la. Mas a única pessoa disponível e que havia tentado protegê-la com seu próprio corpo, não podia ajudá-la agora. E apesar do que havia sido dito, que a raposa não podia matar Naruto no Miya e sobreviver, ela ainda temia por ele. Ela só podia contar consigo mesma.

— S-se me devorar, não saberá o que a-aconteceu com o Tanuki5 que ficou mil anos preso numa garrafa.

Um momento de silêncio se fez depois de ela proferir aquelas palavras.

O terror no rosto de Naruto no Miya – ainda prensado contra o chão – trocado por surpresa e admiração.

Mas o olhar de Hinata se mantinha fixo nos enormes olhos vermelhos da raposa que piscou duas vezes antes de soltar uma longa e alta gargalhada seguida de uivos de prazer.

— Mas é muito corajosa, menina! Não se engane, eu ainda vou te devorar, mas vou deixar a cabeça por último, quero que sua expressão de completo horror seja a última coisa a desaparecer, assim como essa boca que conta tantas estórias.

Hinata piscou, a surpresa se juntando ao medo e amenizando a raiva.

— Então o-ouviu minhas estórias antes?

— Confesso que me deixei enganar por elas sim, mas não mais! Prepare-se para morrer!

— Morrei então com a certeza que Tanukis são muito mais inteligentes que K-kitsunes6.

— Como ousa! – O monstro gritou com uma voz horrível, mas Hinata não se moveu ou se encolheu, se morreria, seria com dignidade.

— Hinata!

O tom Naruto carregava tanto desespero que doeu quase fisicamente nela, mas ela não desviou o olhar da raposa para buscar o de seu marido.

— Não fui p-provada do contrário. Enquanto conheço a história de um Tanuki de muita sabedoria, a única coisa que eu sei sobre Kitsunes é que são m-monstros desprovidos de intelecto que comem carne humana.

— Se você acha que me ofender vai salvar a sua vida, está errada.

— Vai me c-comer, já ouvi, já disse isso. É uma pena, eu preferia ser devorada por um Tanuki, pelo menos eu saberia que estava servindo de alimento p-para uma espécie honorável.

— Certo, você ganhou! – A raposa se sentou. – Me conte sobre esse Tanuki que lhe fez tanta boa impressão e lhe direi o quão errada está. Tenho medo que sua ignorância me dê indigestão.

— Pois bem, havia um príncipe em desgraça, seu nome era Gaara.

“Gaara era o filho mais novo de um rei que havia se tornado amargo e cruel após a morte de sua esposa, e, não houve um dia da vida de Gaara em que seu pai não o tivera culpado pela perda de sua querida rainha, que havia perecido após dar à luz. Embora o relacionamento com o pai não fosse o dos melhores, Gaara encontrava cumplicidade e afeto nos irmãos mais velhos, Kankurou que embora fosse o mais velho e futuro rei, não tinha muita paciência para política e preferia o campo de batalha e sua irmã Temari, a Rosa do Deserto, cuja beleza só não era mais notável que seu ácido humor e perspicácia.

Mas, mesmo a influência de seus irmãos não pôde proteger Gaara quando ele alcançou idade o suficiente. Durante as comemorações de seu vigésimo aniversário, o Rei chamou seus filhos e proclamou que havia um presente para o mais novo. Gaara deveria ir até a borda sul de seu país e conquistar um pequeno principado, como prova de sua lealdade ao reino de Suna.

No mesmo instante Temari e Kankuro se levantaram para protestar, ele ainda é muito novo, disseram, este é uma missão suicida, proclamaram. Mas o Rei Rasa não lhes deu ouvidos.

O principado ficava na borda mais distante da capital e para chegar lá era preciso atravessar o mais seco e terrível dos desertos. Gaara, sabia, seus irmãos estavam certos. Ele era muito novo, e nada conhecia da vida fora dos muros do castelo onde havia sido criado. E sim, era uma missão suicida, ainda que conseguissem alcançar o principado, o exército estaria em péssimas condições depois de atravessar o deserto, eles seriam massacrados pelos locais.

Gaara sabia, seu pai havia lhe dado de presente de aniversário uma pena de morte.

E, ignorando seus irmãos, ele somente se ajoelhou em reverência, e aceitou a ordem real.

— Eu vou com você!

Ele sorriu para sua irmã. Ela tinha o rosto afogueado e uma expressão de completa angústia nos olhos verdes que tinha em comum com o irmão mais novo.

— Aprecio a oferta, mas não. Esta é uma missão dada somente a mim. E o que você vai fazer? Abandonar Shikamaru no altar?

— Ele irá entender, não posso deixar você ir sozinho.

— Não estarei sozinho, Temari, meus irmãos de armas estarão comigo.

Neste momento Kankurou adentrou a câmara de Gaara com seu jeito expansivo, que em homens menos nobres seria interpretado como rude.

— Pirralho, já está tudo resolvido, eu vou no seu lugar.

Gaara fechou as pálpebras para não revirar os olhos.

— Nosso pai deu permissão para tanto?

— Não, mas o que ele vai poder fazer quando eu já tiver partido e você for encontrado amarrado no estábulo?

— Kankurou!

— Você tem alguma ideia melhor, Temari?

Gaara apenas deixou seu corpo cair na cama e fechou os olhos tentando memorizar, pela que provavelmente seria a última vez, que ouviria seus irmãos discutindo.

Na manhã seguinte, bem cedo, sem se despedir, ele reuniu seu homens e partiu.”

— Parece que esse príncipe é tão estúpido quanto seu marido e tão ávido para morte quanto você.

Hinata lançou um olhar nervoso para Naruto e então, reunindo coragem, se voltou para a raposa.

— Por favor, liberte Naruto no Miya para que eu c-continue a estória.

— Só o farei porque minha pata está começando a doer pela má posição.

Hinata engoliu em seco aliviada quando Naruto finalmente se livrou do peso esmagador do monstro, ela deixou-se cair de joelhos e depois sentada enquanto arfava como se tivesse corrido por milhas e milhas. Quase se deixou cair por completo no chão quando sentiu a presença de Naruto no Miya ao seu lado.

— Hinata, o que está fazendo’ttebayo? – Ele cochichou para ela colocando um braço ao redor de seus ombros.

— N-não sei!

— Não o libertei para que vocês conversassem, continue a estória ou prepare-se para morrer!

Hinata lançou um olhar de pura repulsa para o monstro, mas continuou a estória.

“Como esperado, a travessia do deserto foi fatal. Além de pegadas, foram deixados na areia os corpos dos soldados que iam caindo um a um como insetos ao tocarem inadvertidamente a chama de uma de uma vela.

Esgotado, faminto e sedento, Gaara finalmente se viu sozinho uma noite e desejou ter ouvido seus irmãos. Ele deveria ter fugido como Kankurou havia sugerido, embora Temari o tenha lembrado logo depois que desobedecer a uma ordem real era punido tal qual como traição e que Gaara seria caçado e executado.

Ele amaldiçoou seu pai e amaldiçoou a si mesmo. Seu estômago doía e sua cabeça pulsava, ele caiu de joelhos e, num momento de loucura, causado provavelmente pela febre, abocanhou punhados de areia quente. E foi durante este ato de desespero que duas mãos bateram num objeto que ele logo percebeu ser uma garrafa. Crente de que os deuses não lhe haviam abandonado por completo, ele abriu a garrafa esperando algo para saciar sua sede, mas não foi água o que saiu da garrafa e sim uma densa fumaça.

Gaara largou a garrafa que caiu na areia sem quebrar e um enorme Tanuki surgiu por entre as cortinas de fumaça.

— Quem é você, monstro? – O príncipe exigiu saber.

— Meu nome é Shukaku, escolha, humano. Como devo conceder-lhe a morte?”

A raposa irrompeu em mais uma de suas grandiosas e exageradas gargalhadas.

— Ichibi? Ichibi? Está tentando provar que o idiota de uma cauda é melhor do que eu? O poderoso Kyuubi?

— Porque você não ouve a estória de focinho fechado dattebayo?!

— Denka-sama7, aprecio o sentimento, mas é melhor não irritar o monstro.

— Ela é burra, mas é mais inteligente que você, garoto.

Naruto fez um movimento indicando que iria se levantar e voltar a enfrentar o monstro somente com seus punhos, mas Hinata o segurou pela manga. Quando ele se voltou para ela, finalmente viu em seu olhar, oculto da raposa, o quão assustada ela estava e o quanto ela precisava dele ao seu lado. Naquele momento, era como se o tempo não havia passado. Como se eles ainda fossem crianças e ele lamentou que não fosse tão fácil protegê-la dessa vez, que feijões vermelhos e frases de efeito não fossem capazes de mantê-la segura.

Ele assentiu e ela lhe deu um tenso, mas agradecido sorriso antes de continuar.

“Gaara, soube naquele momento que, mesmo estando em perigo desde o momento em que recebera a ordem real de seu pai, nunca esteve tão perto da morte quanto agora. Mas, diferente de seus irmãos mais velhos que tinham gênios fortes e tendiam para a impulsividade, ter crescido sabendo que o menor de seus erros poderia significar a morte prematura, havia feito de Gaara um homem que sabia enxergar oportunidade onde outros só veriam ruína.

— O que eu fiz para ofendê-lo, bom senhor? Afinal, acabo de ter-lhe agraciado com a liberdade.

— Compreendo e agradeço, mas não tenho escolha. Quando Rikudou Sennin me selou nesta garrafa por não manter boa relação com meu jinchuuriki eu prometi que se eu fosse liberto antes de completar cem anos de cativeiro, ofereceria a quem me libertasse riquezas sem fim. Mas, o primeiro século se passou sem que nada mudasse. Então, eu jurei que antes de que duzentos anos se completassem de meu cativeiro eu revelaria ao meu salvador todas as riquezas que existem neste mundo, mas mais cem anos se passaram e eu continuei amargando o cativeiro. Depois, eu jurei que a quem me libertasse antes de completo trezentos anos de aprisionamento eu o tornaria o mais rico dos monarcas e não haveria mais nada que tal pessoa pudesse desejar, mas mil anos se passaram e ninguém apareceu. Então, eu jurei que a quem me libertasse eu mataria sem misericórdia, dando a este apenas a escolha de como receberia a morte.

— Mas isso não é justo! Como pode gratificar desta forma alguém que lhe fez um bem tão grande?

— A vida não é justa, rapaz, escolha o modo se sua morte.

— Mude seu juramento.

— Não posso, está decidido.

— Se vou morrer, me responda algo primeiro.

— De nada adianta gastar saliva para impedir o inevitável, mas se faz tanta questão...

— Você diz que esteve preso nesta garrafa desde que Rikudou Sennin lhe selou há mais de um milênio atrás, certo?

— Sim.

— Você jura por Amaterasu?

O Tanuki começou a demonstrar impaciência.

— Claro que juro!

— Mas esta garrafa é tão pequena e você é tão grande. Estou caminhando neste deserto por semanas, tenho fome e sede, mas não sou idiota. Alguém de sua estatura jamais caberia numa garrafa tão pequena.

— Eu acabei de jurar e mesmo assim não acredita em mim?

— Não acreditarei a menos que prove entrando de volta na garrafa.

— Pois provarei – e dito isso, o Tanuki voltou a se transformar em fumaça e vagarosamente, adentrou a garrafa. Sem perder tempo, Gaara apanhou o selo de Rikudou e voltou a fechar a garrafa.”

— Eu disse que ele era idiota! Ser enganado por um humano desta forma! Que vergonhoso!

— Mas você não fica logo atrás– disse Naruto se levantando.

— Do que você está falando, garoto? – A raposa rosnou.

— Bom dia dattebayo! – E ele fez um selo com as mãos, Hinata observou atônita a expressão da raposa tornar-se surpresa e então congelar. Num minuto ela estava enorme e imponente a sua frente e no momento seguinte em seu lugar havia apenas um velho pergaminho com uma pintura envelhecida de uma raposa e, desenhado em tinta preta, brilhante e recente, nove caudas presas as suas costas.

O príncipe caiu ao lado de Hinata que ainda não entendia o que havia acontecido, mas sabia que, por hora, estavam fora de perigo.

Naruto arfava, deitado no chão, de olhos fechados, numa expressão de puro alívio.

Então, antes que Hinata completasse o movimento de tocá-lo no ombro ele abriu os olhos e sorriu para ela.

— Você foi fantástica, eu não sei o que faria sem você’ttebayo.

1 — Naruto no Miya:"no Miya" é como se faz referência ao príncipe.

2 — Chuugu: Imperatriz.

3 — Tennou Heika: Vossa majestade o Imperador.

4 — Dairi: Parte do palácio onde ficam a residência do Imperador, suas consortes e família próxima, além de prédios importantes como o Shishinden.

5 — Tanuki: Texugo do folclore japonês, em geral criaturas sábias, mas gostam de fazer brincadeiras, embora Shukaku não seja do tipo que se divirta muito.

6 — Kitsune: Raposa do folclore japonês, podem ser benignas ou traiçoeiras, Kurama não é do primeiro tipo.

7 — Denka-sama: Modo de se endereçar ao príncipe territorial.

Notas finais
N/A: Esse capítulo foi especialmente difícil porque eu tive que me focar numa das estórias da Hinata e eu não tinha uma pronta. A estória de “Yuuzu” e “Tsubaki” foi fácil porque eu já tive que contá-la outras vezes toda vez que alguém me manda explicar porque eu shippo NejiHina se também shippo NaruHina (Multishipping For The Win) e eu precisava dar a Hinata background já que eu já tinha feito com o Naruto no primeiro capítulo. Infelizmente UA precisa dessas coisas. Já neste capítulo eu não sabia que estória inserir. Teve gente que me sugeriu a do Kakashi, mas a minha preguiça em relação ao Kakashi é eterna e eu já tinha uma estória de fim trágico sobre sacrifício, eu precisava de algo mais alegre e que acompanhasse o ritmo da estória, então, contaminada pelo clima GaaLee da FNS e por eu estar no arco do Gaara na minha releitura do mangá, decidi que seria uma estória sobre o trio Sabaku, eu também precisava que fosse uma estória que contivesse mágica e figuras do folclore japonês já que estou trabalhando com um Kurama bem mais puxado pro folclore que pro canon, daí lembrei de Tanukis. E quem tem um tanuki? Gaara! Maravilhoso quando tudo se encaixa, não? Mas eu ainda não tinha um plot, já que se eu adaptasse somente a estória do Gaara seria mais uma vez triste e sobre sacrifício (Kishimoto parece um disco arranhado) então recorri aos contos originais ou pelo menos a um livro com os contos das Mil e Uma Noites numa tradução terrivelmente racista e machista (não que desculpe, mas é de uma edição de 1909) que eu achei no The Project Gutenberg, mas serviu ao seu propósito e essa primeira parte da estória de Gaara foi totalmente baseada no conto do Gênio e o Pescador(tradução livre). Como a estória depois de torna sobre um sultão e um príncipe que se vingam de uma rainha-bruxa eu descartei essa parte. Ainda não sei muito bem como essa estória vai terminar, mas estou achando que a inspiração para a segunda parte será Finette Cendron, uma versão proto-feminista de Cinderella muito diferente do filme da Disney (e anterior a versão do Perrault). Deusa, essa nota ficou maior que o capítulo! Mas eu ainda tenho mais uma coisinha para dizer. Esse capítulo ficaria muito grande se seu colocasse tudo nele que eu tinha programado, então estou dividindo em dois, a fic então deveria ganhar mais um capítulo na contagem final (que são 10 + Epílogo), mas como no capítulo 7 eu não tinha planejado muita coisa, acho que fica no mesmo. Mas então, as revelações foram adiadas, perdão por isso, mas acho que um pouco mais de mistério não fará mal a vocês XD No próximo capítulo: A conclusão da estória de Gaara e, finalmente, a Kyuubi e Naruto no Miya