Até Que o Contrato Termine
1 Depois Que a Porta se Fechou
Notas iniciais
“Quando um casal começa a namorar, o objetivo é ficarem juntos por bastante tempo — ou até para sempre. Mas, para Bella, isso aconteceu de um jeito diferente…”
Durante toda a sua infância, Bella foi machucada pelas pessoas ao seu redor. Sua vida começou a mudar quando ela conheceu seu “verdadeiro amor”, Jacob Black.
Jacob parecia um cara do bem: responsável, educado e a tratava muito bem. Porém, com o passar dos anos, Bella descobriu que havia uma máscara em seu rosto.
Jacob traiu, magoou e a tratou mal durante anos. Mesmo assim, ela realmente gostava dele, embora, no fundo, sentisse que ele não pensava o mesmo.
Os anos se passaram, e os dois se mudaram da casa da mãe de Bella para um condomínio no centro da cidade.
O prédio era muito bonito. O apartamento, tirando o mau cheiro, era bom: espaçoso, com paredes cinzas misturadas a tons rosados. Tudo parecia estar bem. Tudo em paz… menos a coisa mais importante: a relação entre os dois, que era como um barco à deriva.
O dia estava bonito, com nuvens brancas no céu, calor e um sol forte — motivo pelo qual Bella acordou cedo. Foi ao banheiro, escovou os dentes, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, trocou de roupa e seguiu para a cozinha, onde lavou a louça da noite passada — que Jacob não havia lavado. Naquele dia, porém, ela estava passiva.
Ela foi até a padaria comprar pão. O céu estava lindo, as árvores verdes, flores nos canteiros das calçadas, e várias pessoas andavam a pé. Na volta, Bella viu um caminhão de mudanças em frente ao prédio. Alguém está se mudando para cá, pensou.
Entrou em casa. O silêncio era o mesmo de quando saiu. Foi até a cozinha e colocou as compras sobre o balcão.
Minutos depois, a mesa estava pronta: pão, pão de queijo, frios, e o café passando. Quando só restava o pó no filtro, ela o retirou. Enquanto tampava a jarra, uma sombra surgiu na parede ao lado da sua. Ela se virou e viu Jacob parado junto à mesa.
— Bom dia, amor — disse ela.
— Aonde você foi?! — respondeu ele, quase gritando.
— Eu… eu fui comprar pão — ela se assustou com o tom. Seus braços gelaram.
— Eu já te disse que só eu posso sair para comprar pão.
— Mas, amor…
— “Mas, amor” nada! — disse ele, puxando a cadeira e se sentando. — Me sirva café, sua inútil.
Bella obedeceu.
Ela se sentiu triste, mas aquilo acontecia tantas vezes que já nem doía mais. Mesmo assim, foi para o quarto arrumar a cama.
Bella fazia de tudo para agradar Jacob, mas quanto mais fazia, mais era desprezada. Estava cansada. Não queria viver o resto da vida daquele jeito. Ela era uma mulher capaz de se tornar independente. Sem pensar muito, pegou uma mala, colocou algumas roupas e passou pela cozinha em direção à porta.
Jacob ainda estava à mesa, levando a xícara à boca, mas a pousou ao ver Bella girando a chave na fechadura.
— Aonde você está indo? — perguntou.
— Embora — respondeu secamente.
Jacob riu.
— Embora para onde? Você não tem ninguém, Bella. Só tem a mim. Como vai sobreviver? Vai se prostituir?
Ele disse aquilo zombando, como se fosse superior.
Bella ficou sem palavras. Realmente não tinha para onde ir. Mas também não podia ficar. Estufou o peito e respondeu:
— Qualquer lugar é melhor do que aqui. E, se eu me prostituir, talvez encontre sua mãe lá também. Seu egoísta, nojento e machista. Arrume outra mulher para maltratar. Ou um homem.
Ela bateu a porta.
Bella se sentiu vazia, como se seus pulmões tivessem diminuído depois do que disse.
Pegou o elevador e desceu. Ao sair, o sol do meio-dia a fez suar. Na calçada do prédio havia uma tenda, daquelas usadas em dias de feira. Bella foi até lá e se sentou.
Começou a sentir fome, cansaço e calor. Nenhuma pessoa conhecida passou por ali para ajudá-la.
Horas depois, o mesmo caminhão de mudanças parou em frente à tenda. Desta vez, vinha acompanhado de um carro preto elegante. Um homem estava dentro, mas Bella não conseguiu vê-lo direito.
Dois homens abriram as portas traseiras do caminhão. Do carro saiu um homem vestindo calça jeans, moletom preto e óculos escuros. Era muito bonito: cabelos castanho-escuros, olhos castanhos e pele clara, como se nunca tivesse tomado sol. Bella o achou extremamente atraente.
Ele caminhava em direção ao caminhão, mas ao ver Bella sentada no chão, parou, observou-a e se aproximou.
— Está tudo bem? Precisa de ajuda?
Ele era ainda mais bonito de perto. Seu hálito era agradável, e isso fez Bella prender a respiração por um instante.
Ele sorriu.
— Sim… quer dizer, não. Eu e meu namorado…
Bella explicou tudo, mantendo os olhos baixos, pois o olhar dele causava arrepios.
Ele sorriu novamente.
— Bom, meu apartamento é bem grande. Se você quiser ir comigo… pode ficar lá.
— Você tem certeza? — ela ficou em choque. Ele nem a conhecia.
Mas que escolha ela tinha?
— Meu nome é Edward Cullen — disse ele, estendendo a mão. — Prazer em conhecê-la, senhorita…?
— Bella. Isabella Swan. Prazer, Edward Cullen.
Ela pegou a mala e seguiu em direção à entrada do condomínio.
— Deixa que eu carrego — disse ele.
— Não, eu levo…
— Eu insisto.
Dessa vez, ele venceu.
— Tá bom.
E os dois foram para o elevador.
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