Até Que A Morte Nos Separe

1 Capítulo 1: O Rapaz Colorado


O sol já havia nascido a tempos, mas eu permanecia ali deitado imóvel fitando o teto enquanto o ventilador dançava para mim, minha mente tentava se organizar, e eu pensar em algo claro. Fechei os olhos com força e me levantei da cama em um solavanco – a vida é curta – murmurei e vesti o jeans surrado jogado no chão juntamente com a blusa do time colorado pendurada sobre a cadeira e sai com uma mochila nas costas. Na recepção o homem by Text-Enhance\\\">gordo que me atendera enfezado na noite anterior lia seu jornal tão enfezado quanto antes, paguei a diária do hotel de quinta e pedi para encher o tanque de meu by Text-Enhance\\\">carro. Um Pegeut 206 estava estacionado do lado de fora do hotel, assim que o tanque encheu devolvi a mangueira a seu devido lugar e parti com o carro para o sul.

- Você deveria ter perguntado onde fica Monte Luz – disse Laura ao saírmos com o carro.

- O cara era tão azedo quanto um limão – respondi jocoso.

- Mas me diga, então como você vai achar Monte Luz agora – ela perguntou com aquele olhar de quem sabe a resposta e só pergunta para mostrar sua esperteza.

Sorri para Laura desdenhosamente e abanei um mapa em sua frente.

- Muito esperto – ela respondeu visivelmente orgulhosa.

Liguei o rádio e coloquei nossa fita para tocar – sim uma fita – não importa o ano que você está fazer uma fita para uma mulher ainda é muito romântico – para muitas pessoas a mixtape que preparei para Laura era estranha, mas ela entendia. Theme of Laura começou a tocar e ela fechou os olhos para sentir a música, eu queria fazer o mesmo, mas dirigir não permitia, ainda assim eu podia sentir as vibrações fantásticas daquela música. Ela começou a cantarolar a letra que eu havia escrito para ela sobre a melodia da música, de tanto ouvir já sabia decorada. Sorri contente por ter feito talvez o melhor presente de um mês de namoro para Laura. Já estávamos casados a um ano e meio e namoramos durante cinco meses, mas não foi necessário mais tempo para sabermos que queríamos passar o resto da eternidade juntos todo o tempo. Enquanto a mixtape tocava Laura cantava a letra das músicas instrumentais com sua doce voz melódica, não havia nada que ela gostasse mais do que cantar, no banheiro, cozinhando, trabalhando, irritada, feliz, ela sempre estava a cantar. A fita acabou e coloquei um CD para tocar enquanto Laura retocava sua maquiagem no espelho do carro – ela tinha o hábito de nunca se maquiar em casa, para ela era mais aventureiro fazer isso na rua – Lovefoxxx começou a cantar no fundo e Laura instantaneamente começou a cantarolar enquanto passava seu batom vermelho.

Demoramos mais dez horas de viagem até chegar a Monte Luz, a cidade era completamente deserta, aqui e ali via-se uma pessoa andando apressada com a cabeça baixada sem tirar os olhos do chão. Fomos para o que parecia ser o único hotel – se é que aquilo poderia ser chamado de hotel – pedi um quarto para nós e Laura foi na frente, voltei para o carro e subi com as malas. O hotel aparentemente já havia sido um motel pois havia apartamentos com garagens que aumentavam a privacidade do cliente, manobrei o carro para a garagem do apartamento e subi para ver o quarto. O lugar havia sido reformado desde sua época motel, agora era apenas um confortável quarto normal de hotel, sem as extravagâncias de pole dance ou sauna que a maioria dos motéis ofereciam. Eu estava completamente esgotado pelo tempo dirigindo e depois de um bom banho de banheira me divertindo com Laura fomos para a cama, mesmo com o cansaço acabamos nos amando a noite toda. Quando o sol estava para raiar acendi um cigarro certo que aquela era a melhor noite mal dormida que um homem poderia ter. Laura se deitou sobre meu peito calmamente, passei a mão por seus longos cachos vermelhos e a beijei ternamente ela se aninhou mais ainda em meu peito e dormiu ali. Fiquei apenas observando ela dormir por um tempo e depois fechei os olhos me concentrando em sua respiração que agora pesada ia e vinha rapidamente – o que será que você está sonhando – pensei antes de cair no sono também.

Um pequeno facho de luz solar me despertou por estar exatamente sobre meu rosto, murmurei irritado e abri os olhos, como sempre fazia, Laura estava em posição fetal segurado os joelhos e com a cabeça encostada neles virada para a parede. Esbocei um leve sorriso observando como ela parecia apenas uma menininha inocente, cobri seu corpo nu e sai da cama silenciosamente. Me vesti e sai do quarto sorrateiro como um gato, desci as escadas camuflado em meu casaco com capuz e um boné de basquete, coloquei meu óculos de sol e entrei no carro que estava estacionado em uma esquina próxima ao hotel. Liguei o carro e dirigi por quase durante três horas ouvindo a fita que havia feito para Laura em loop até chegar ao meu destino, Rua Augusta.