Até Os Mais Fortes, Às Vezes Caem
20 Capítulo 20 - Tempo de se Entregar
Notas iniciais
Aviso 2: Ler a fic sem qualquer outra presença humana por perto OU ter admiráveis habilidades de reflexo e audição para poder minimizar a janela toda a vez que ouvir passos se aproximando. Ponto principal: Visão de 180º graus porque a tela do computador ou do note que podem denunciar o que quer que você esteja lendo ou vendo. By leitora Lara - xD
Nota da Autora: o/ olá! Quanto tempo!! xD Eu nem tenho mais o que dizer, de novo... foram quantos meses? Ô.o perdi a conta... *desvia de uma faca* a culpa do atraso é do serviço e das viagens e das mudanças de função na empresa e principalmente por causa do meu chefe stalker... >__<.
Espero que o capítulo ENORME compense a demora não esperem MUITA ação esse capitulo. E claro Jawn como o pão que tio Lú amassou.
E reviews são amor em caixinhas... o/ pleaseeeeeeeee!!!!
Tempo de se Entregar
Lestrade tomava sua décima quinta caneca de café, estava horrível se alguém lhe perguntasse. Ele já tinha perdido a conta de quantas horas de sono tinha perdido por causa do maldito caso do “Homem Bomba” e parecia que o suspeito sempre fugia, escorregando pelos dedos da polícia, parecendo fugir através de fumaça, era como um fantasma.
Esse caso estava deixando-o maluco, a imprensa divulgava tantas notícias e pistas, às vezes falsas, criando pânico na população que tinha várias teorias para os assassinatos. Seus superiores lhe cobravam uma solução para o caso, mas ele não tinha nada. Seu posto na Scotland Yard estava sob um fio e para piorar tudo, Sherlock não lhe contava nenhum detalhe de sua investigação paralela. O inspetor já planejava ter uma conversa com o detetive mais cedo ou mais tarde sobre isso, eles tinham que trabalhar juntos, oras, ele era um Detetive Consultor, e isso é o que um consultor faz, investiga, olha as evidências novamente, junta as peças, ajuda a elucidar o caso e tem que dividir a cada passo as informações com o inspetor responsável do caso na polícia. Esse era o trabalho, mas nada com o Sherlock realmente é como deveria ser.
Lestrade franziu as sobrancelhas, talvez se ele apelasse mais uma vez para John, o médico tinha se mostrado uma boa influência para o detetive. Sherlock era arrogante e presunçoso normalmente, mas parecia estranhamente mais suave quando John estava ao seu lado. O detetive ainda era um filho-da-puta, grosseiro e irritante, mas era notável a diferença no tratamento, e principalmente pela maior tolerância que havia agora com a equipe forense. Bom, exceto com o Anderson, mas ninguém aguenta muito esse, apesar de todos da delegacia sofrerem em silêncio. Lestrade riu com o pensamento. Donavan também já tinha notado que Sherlock evitava responder suas provocações, e mesmo quando o seu alvo era o bondoso doutor Watson, as respostas dele não eram tão ácidas mais. Bom, pelo menos não na frente de John.
O médico no início se incomodava, até reclamava das piadas que faziam sobre eles, e até recentemente corrigia as pessoas que diziam que eles eram um casal, mas já tinha algum tempo que ele já não fazia isso. Será que eles realmente tinham alguma coisa?
Lestrade sabia que Sherlock não tinha se relacionado com ninguém nos cincos anos que eles se conheciam, o detetive parecia não ter nenhum interesse específico em ninguém, ele era sempre muito discreto com sua vida pessoal. Mas John... o médico não parecia interessado em homens, ele saia só com belas mulheres, apesar de estar solteiro nos últimos tempos. Bom, pelo menos era a informação que chegava até a ele.
O inspetor balançou a cabeça, ele devia estar muito desesperado com o beco sem saída que ele se encontrava agora nesse caso, para chegar ao ponto de especular sobre a vida sexual de seu amigo, ou a ausência dela num momento de devaneio. Amigo? Ele considerou a palavra associada a Sherlock, sim, ele considerava aquele desgraçado como um amigo, apesar que na maioria das vezes ele era um pau na bunda, e não no bom sentindo.
Lestrade não sabia como o bom doutor aguentava Sherlock dia após dia sem ficar louco, ele devia ter algo mágico, para prender a atenção do detetive por tanto tempo. Ou ter uma opinião valiosa ao detetive, que nunca perguntava nada a ninguém, mas recorrentemente a solicitava ao médico. O inspetor nunca o tinha visto prestar atenção em alguém ou alguma coisa por mais que cinco segundos, claro, a não ser que você fosse um corpo morto e destroçado, de preferência em uma circunstância apavorante ou com um mistério por trás.
Contudo, o inspetor foi tirado de seus devaneios, e daquele café horrível e agora, frio, quando sua porta foi bruscamente aberta por Donovan, que tinha uma expressão tensa.
- Outra morte? – O inspetor perguntou, sem ter certeza se queria saber a resposta.
- Aconteceu uma explosão, só que agora foi em um prédio em que acontecia um evento beneficente de uns ricaços, não sei se tem a ver com o nosso “Homem Bomba”, mas o comissário pediu que a gente verificasse, já mandaram várias ambulâncias para lá, pois parece que muita gente se machucou. A informação é que com a explosão, parte do prédio desabou e está um pandemônio.
- Então vamos! – Lestrade se levantou, pegou seu casaco atrás da cadeira e vestiu, suspirou alto quando passou por Donovan que estava parada próxima à porta. Aquela seria outra longa noite, e ele esperava que tivesse uma loja Starbucks com café decente no caminho. Ele precisava de um grande, gigante, copo duplo de café extra forte...
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Quando Lestrade desceu do carro ele achou que, ou tinha errado o endereço ou que aquela era uma festa a céu aberto em um set de filme apocalíptico... Médicos e macas estavam por todos os lados, que não era suficiente para atender as várias pessoas machucadas ou inconscientes que saiam do prédio e dos escombros regatadas pelos bombeiros ou por outras pessoas cujo uniforme Lestrade não reconhecia. Parte do prédio estava com sua lateral destruída e parte era consumida por chamas que estavam sendo contidas precariamente pelos bombeiros.
Era uma multidão, muitas pessoas vestidas com roupas de gala, entrando rapidamente em suas limusines ou carros pretos de vidro fumê e indo embora. A polícia não podia segurar todos aqui, e sendo uma festa de ricaços, era natural que eles fugissem sem dar depoimento e antes da imprensa chegar. Os que ficavam, e que Lestrade podia facilmente reconhecer, estavam machucados demais ou inconscientes em macas nas ambulâncias. Era um público destoante, muitos trajando roupas elegantes e ternos caríssimos, muitos seguranças, muitos garçons e cozinheiros, e muitas pessoas vestidas de maneira... peculiar. Deveria ser uma única festa, mas claramente ele enxergava dois públicos diferentes num mesmo prédio.
Olhando pelo lado de fora, Lestrade acreditava que o prédio era espaçoso para comportar duas festas, o que explicaria os dois públicos destoantes, era uma dessas construções antigas, daquelas do início do século XX. Não lembrava quem era o dono, mas era com certeza um desses figurões que às vezes estava nos jornais. E o que ele não podia explicar, era como uma festa beneficente e muito chique em um prédio tão elegante e clássico dividia espaço com uma festa... temática?! Era uma festa temática, não era? Só podia ser.
Será que ele perdeu alguma informação na mídia? Aquela não era aquela atriz famosa daquele seriado de época da BBC? Ele estava louco pela quarta temporada... Lestrade balançou a cabeça para colocar os pensamentos em ordem, mas a atriz estava vestindo só um, o que é aquilo, seria um sobretudo? Ela seria o tipo de mulher que ele esperava que estivesse de vestido esvoaçante, de uma grife famosa, mas ela não era a única que parecia faltar uma peça de roupa, ela saiu muito apressadamente e gritava com o valete para se apressar para buscar seu carro no estacionamento que ficava no fim do quarteirão. Essas pessoas não deveriam estar indo embora, isso é uma cena de um crime, pelos céus! Onde estava o contingente policial para impedi-los?
O inspetor olhou para o outro lado e ... aquele, não era o secretário de... alguma coisa, educação, talvez. E aquele outro, não era o candidato a ...Mycroft? Lestrade se surpreendeu ao ver o irmão de Sherlock ali.
O Holmes mais velho estava parado ao lado de um muito luxuoso carro preto que não tinha placa, falando ao celular e com a expressão mais assassina que Lestrade já tinha visto em sua longa carreira na polícia. Nas poucas vezes que o Inspetor tinha visto irmão mais velho de Sherlock ele sempre ostentava uma expressão em branco, ele tinha certeza que a pessoa do outro lado da linha estava em sérios problemas.
O inspetor percebeu que o Holmes mais velho parecia fazer questão de passar despercebido, ou que quem o olhasse não lhe prestasse muito atenção, mas isso era quase impossível, ele era um homem alto e esguio, que se vestia impecavelmente. Lestrade tinha a absoluta certeza de que aquele terno do Mycroft valia muito mais que todo o lixo do closet do apartamento em que vivia. De onde ele estava, ele podia ouvir a voz daquele homem, ela era incisiva e direta, com uma dicção que fazia com que Lestrade tivesse vontade de voltar para escola. Ele se sentia muito estúpido perto desse homem, e perto de Sherlock também, claro, mas diferentemente deste irmão, o Detetive Consultor fazia questão de se mostrar.
Vez ou outra o irmão de Sherlock olhava para uma fila de carros parados no beco mais adiante e o Inspetor viu que alguns figurões desorientados e alguns mal trajados eram levados por outras pessoas e os colocavam nos carros, que logo em seguida sumiam noite adentro, virando no beco a esquerda. Parecia que ali estava sendo organizando uma saída, ou melhor, fuga, estratégica para algumas pessoas.
Quando ainda considerava o que raios estava acontecendo, e sem conseguir formular um cenário hipotético descente em sua mente, Lestrade resolveu ir até a única pessoa sensata e que parecia compreender aquela torre de Babel explodida naquele bairro discreto. Se conseguisse alguma informação com o “Homem de Gelo”, como algumas pessoas na Scotland Yard o chamava, talvez conseguisse um norte para começar a investigar aquela situação estapafúrdia.
Mal tinha dado alguns passos e alguém trombou forte em sua direita, uma mulher belíssima, que deixou cair sua echarpe e acabou mostrando um par de algemas presa em seus pulsos, e sua bolsa acabou abrindo, aonde vários objetos quase caíram. Ele olhou, sentindo seu rosto queimar, do conteúdo da bolsa, para o pulso da mulher, que atordoada rapidamente se escondeu atrás dos cabelos.
- Desculpe, er... – Não havia frase no mundo que Lestrade podia dizer que ele sentia muito, devido ao tamanho embaraço que sentia. Mas sentia por quê? Não era ele que carregava algemas nos pulsos e uma bolsa cheia de... inferno, aquilo não era da sua conta.
Antes mesmo de dar uma segunda olhada na mulher, ela já estava em pé, longe dele, em direção a um dos carros que iam pelo no beco.
Lestrade seguiu a mulher com os olhos, até um senhor bem aparentado, com um bigode famoso, atravessou o caminho, e não havia como não notar a falta de calças por baixo do casaco curto. Como não notar pernas cabeludas em cima de sapatos bem polidos e pelo jeito, também não havia camisa. Céus, que lugar é esse? Era uma festa “deixe uma peça na entrada e fique à vontade”?
Donovan se aproximou lentamente, ainda gaguejando, algo sobre peitos de fora, estrela de certo filme americano, e algo sobre suspensórios. Como prestar atenção nisso, enquanto em meio aos destroços, pessoas corriam, aparentemente procurando outras, e todas nessas situações: ou completamente elegantes, em trajes de gala, ou quase isso, faltando peças ou bom, mostrando partes e pessoas com fantasias saídas de um sexshop...
Ainda considerando todo esse cenário, ele notou que o Holmes mais velho, parou ao seu lado.
- Inspetor Detetive! — Mycroft cumprimentou.
- Senhor Holmes. – Lestrade olhava para o homem ao seu lado, que agora tinha de volta a expressão quase blasée em seu rosto e até parecia achar divertida a situação a sua volta.
O inspetor ia questionar o Holmes mais velho sobre a aquela situação toda quando outra mulher trombou em seu ombro e deixou cair algumas bolinhas no chão, Mycroft sem se abalar se abaixou pegou os objetos e entregou a mulher que tinha uma expressão muito envergonhada e perturbada no rosto.
- Acho que deixou cair isso, madame. – a mulher pegou os objetos, guardou no bolso do casaco e foi embora sem nem ao menos agradecer. E nem isso tirou a serenidade do olhar do Holmes mais velho.
Eles ficaram lado a lado sem dizer uma palavra por vários minutos, Lestrade ainda pensava em como perguntar o que raios era aquele circo que se desenrolava a sua frente, mas não conseguia e só lhe restava sentir o peso do silêncio em seus ombros. Não sabia o que mais lhe incomodava: a confusão a sua volta ou a calma de Mycroft aparentava, com uma das mãos nas costas, balançando em seus calcanhares para frente e para trás, e com seu guarda-chuva pendurado no outro braço, observando tudo como se aquilo fosse nada mais, nada menos como um tedioso e calmo parque, numa segunda de manhã.
Lestrade olhava para os lados e ouviu um raspar de garganta.
- Se me der licença Inspetor Detetive. – E saiu sem esperar por resposta. Lestrade o acompanhou com os olhos até sumir de vista. Perdera a chance de perguntar algo. Mas qual seria a pergunta adequada a ser feita? E será que ele realmente gostaria de saber a resposta? Ah, desejava que essa noite não tivesse nem acontecido.
O inspetor empurrou para o fundo de sua mente as coisas que estava pensando sobre aquilo tudo e sobre Mycroft e trancou a porta. Agora ele tentava imaginar o que deveria fazer primeiro quando foi abordado por um homem que mostrou um distintivo que ele só tinha visto uma vez em sua vida, e que na delegacia as pessoas com esse distintivo eram conhecidas como os “Cachorros da Rainha”.
- Inspetor Detetive Gregory Lestrade? – o homem perguntou.
- Sim, sou eu. – ele respondeu torcendo um pouco a boca por escutar seu cargo e nome completo em uma única frase, aquilo com certeza não era algo bom.
- Sou o agente Nicolas Stanley. Fui designado para essa área, e esse caso em especial. Gostaria de toda a colaboração de seu pessoal enquanto resolvemos a situação por aqui. Seus homens podem começar cercando o perímetro começando do quarteirão detrás, enquanto meus homens se encarregam de analisar esta área e liberar o trabalho para sua equipe forense. – Nicolas guardou o distintivo no bolso interno de seu casaco e tinha sua atenção voltada para uma mulher que estava sendo atendida e que soltava o que parecia ser um grampo em seu mamilo e se cobria melhor com o cobertor oferecido pelo paramédico...
Lestrade olhava para o homem a sua frente, ele devia ser uns dez anos mais novo que ele, e suas roupas... o inspetor mais uma vez se sentiu muito mal vestido ao reparar em seu próprio casaco surrado, sapatos gastos e blusa amarrotada.
Ele limpou a garganta para chamar a atenção do agente.
- Será que pode me dizer do que se trata isso tudo? – Lestrade começou a andar ao lado de Nicolas que se afastava do prédio.
- Sinto muito inspetor, não posso dar muita informação, estamos analisando a situação, preciso que você mantenha a imprensa longe e que nenhuma declaração seja dada sem minha autorização. Posso contar com sua colaboração? – O agente não esperou pela resposta e se dirigiu para o lado esquerdo, onde o prédio ainda estava inteiro para atender seu telefone, deixando um Lestrade bufando de frustração.
- Descobriu alguma coisa, chefe? – Donovan se aproximou novamente de Lestrade.
- Não, mas não deixe os repórteres entrarem ou tirarem fotos, nenhuma palavra de ninguém e com ninguém, entendeu?
- Sim, senhor! Mas isso tudo é muito estranho, além dos convidados e vítimas, tem um pessoal por aqui que nunca vi, eles não são do nosso distrito ou de algum que eu tenha visto antes.
Donovan continuou a falar, mas Lestrade não estava mais prestando atenção, pois ele estava olhando para uma ambulância que tinha um homem sendo levado às pressas e colocavam uma máscara de oxigênio sobre a sua boca. O homem era muito familiar para ele, mas não sabia dizer de onde, mas o homem alto e ruivo que estava ao lado do paramédico, Lestrade reconheceria em qualquer lugar.
- Aquele ali não parece a Aberração? – Donovan perguntou, ela estava olhando na direção que Lestrade olhava.
- Me parece o Sherlock sim, mas esse homem tem o cabelo ruivo, e pare de chamar Sherlock assim. – Lestrade se irritou com a parceira de trabalho.
Eles se aproximaram da ambulância, Lestrade parou ao lado de Sherlock e finalmente notou que o homem deitado na maca era John.
- O que aconteceu? – o inspetor questionou o homem mais alto. – E o quê em nome de Deus você fez no seu cabelo?
- Asfixia por fumaça. – Sherlock disse em uma voz rouca, sem desviar o olhar do seu amigo. Lestrade olhou para John, ele estava descalço, sem camisa e sua calça estava sem cinto, Sherlock tinha um casaco que só ia até a metade de suas coxas, não vestia calças e usava ridiculamente meias pretas e sapatos sociais. O inspetor olhou mais atentamente para o detetive, ele tinha um ferimento feio na coxa esquerda e tinha uma gravata borboleta no pescoço e parecia não estar usando blusa por baixo do casaco também. Lestrade limpou a garganta e resolveu parar de olhar para Sherlock.
- Sherlock, você está envolvido nisso? – Lestrade sentia que ia ter uma profunda dor de cabeça. Mas o detetive não o respondeu, pois estava prestando atenção em todos os movimentos do paramédico sobre John. O loiro tossiu contra a máscara de oxigênio e abriu os olhos por um momento, piscou algumas vezes e tentou dizer algo, mas a máscara de oxigênio o impediu.
- Estamos do lado de fora, John. Você respirou muita fumaça e tem um machucado feio na cabeça. Você deve ficar com a garganta um pouco dolorida por um tempo. Então é melhor que evite falar por algumas horas.
- Temos que levá-lo ao hospital senhor, precisamos fazer exames. O senhor precisa ser examinado também, sua perna está muito machucada – Um médico disse a Sherlock, ele já estava imobilizando John à maca. O loiro levantou a cabeça e ia reclamar, mas fechou os olhos com força e deitou a cabeça de volta a maca.
- Podem levá-lo, eu vou em seguida.
Sherlock se afastou e foi seguido por Lestrade, enquanto eles caminhavam Lestrade quase pisou em cima de algo que estava jogado ao chão, ele se abaixou para pegar e ver o que era, mas sinceramente, a noite já tinha coisas bizarras demais, e ela estava só começando.
— Oh Meu Deus! – Lestrade reclamou e chutou o que quer que fosse aquilo pra longe.
- Não se distraia, Lestrade. – O detetive tinha a voz muito rouca, provavelmente por causa da fumaça que tinha inalado e pareceu não ter visto ou não se importava com o desconforto do inspetor.
Lestrade se irritava cada vez mais com Sherlock, o idiota provavelmente estava dentro do prédio e com certeza quase tinha morrido queimado, ou em pedaços, ou soterrado! Por Deus, quando ele iria parar de aparecer em todas as cenas de crimes em que a polícia era chamada? Lestrade se irritava cada vez mais, pois, além disso, o moreno, agora ruivo, nem retribuía com informações no caso.
- Você estava no prédio, Sherlock? – o inspetor perguntou, mas foi seguido de um silêncio da outra parte. – Sherlock isso tudo aqui tem alguma coisa com o caso do “Homem Bomba”? — perguntou novamente e ainda nenhuma resposta. Já perdendo a paciência, o inspetor parou Sherlock o segurando pelo braço. – MERDA Sherlock, me responde! O caso não é seu! Pessoas provavelmente morreram lá dentro, e os corpos ainda devem estar lá, me diga o que está acontecendo aqui!
O moreno pareceu não escutar nenhuma palavra que Lestrade havia dito, e ignorando a mão que segurava seu braço, até que Lestrade desistisse e o soltasse, deixando-o continuar a andar em direção ao fim da rua, onde estava o perímetro da polícia, e levantou a fita que isolava o local, passou por baixo. Lestrade o seguiu até a fita de contenção da polícia, Sherlock enfim olhou para o homem mais velho parecendo perceber sua presença agora.
- Sherlock você tem que me contar o que está acontecendo!?
- Tenho coisas a fazer. – Disse e um carro preto parou ao seu lado e a porta abriu.
- Sherlock, você não pode simplesmente ir embora sem dar um depoimento, pelo amor de Deus!
- A aberração está indo embora? Sem dar depoimento? – Donovan parou ao lado de Lestrade seguida por Anderson. – Você só sairá daqui depois que der seu depoimento, essa história aqui está muito estranha e tinha quer ter um dedo dessa aberração.
- Donovan! – o inspetor repreendeu.
- Mas é verdade! Ele está atrapalhando a investigação, ocultando provas, ele nos faz parecer um bando de idiotas toda vez.
- Para isso não é preciso muito esforço. – Sherlock comentou com desdém.
- Sherlock! – Lestrade reclamou. – Parem vocês dois. Eu preciso do seu depoimento e me desculpe você não pode sair daqui sem que seja interrogado.
- Você pode liberá-lo. – O agente Nicolas disse, se aproximando e agora sendo notado.
- Não, não podemos e não vamos fazer isso! – Donovan reclamou.
- Não falei com você sargento, falei com seu superior e em um futuro próximo se limite a responder quando solicitado. – Nicolas olhou para Sherlock que tinha um ar irritado.
Sherlock se virou para o inspetor e disse:
- Não seja reclamão, Lestrade! Passe amanhã em Baker Street e ficarei encantado em dar meu depoimento.
Sherlock se deslocou para entrar no carro e ao fazer isso seu casaco abriu e por alguns segundos antes que entrasse no automóvel, tanto Lestrade, Donovan, Anderson e o agente Nicolas viram que Sherlock não usava nada mais que uma cueca transparente por debaixo do casaco.
- Ele... estava...uma... – Donovan não conseguia terminar a frase, pois começou a criar imagens mentais de Sherlock com aquela roupa e balançou a cabeça para espantar os pensamentos. Anderson abriu e fechou a boca sem conseguir dizer nada, pois não tinha o que ser dito naquela situação, ou tinha?
Lestrade se virou encarando o prédio disse:
- Eu preciso de outro café, forte e extragrande. – Lestrade passou a mão pelo rosto cansado, sua cabeça agora doendo de verdade. -E de uma aspirina.
- Eu pago. – Nicolas acompanhou Lestrade e o agente tinha um pequeno sorriso nos lábios.
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John abriu os olhos e viu um teto estranho sobre si, de novo. Mas ele sabia muito bem onde estava. O som de bips dizia claramente que ele estava em um hospital, de novo. Ele suspirou alto, o médico já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha parado em um hospital aquele ano, nem em seu tempo no Afeganistão ele frequentava tanto a enfermaria quanto agora. Com certeza deveria ter algum recorde de idas ao hospital por aí, e se ele se inscrevesse, provavelmente ganharia. Ele virou o rosto para o lado lentamente, evitando a tonteira que certamente teria e viu seu prontuário na cabeceira da cama, ele esticou o braço sem a agulha do soro e o pegou.
Nele estava escrito: Contaminação moderada por Monóxido de Carbono, Hipoxemia, ferimento leve no lado direito do crânio, costela levemente lesionada e irritação pulmonar.
— Nossa... – John disse, sua voz saiu rouca e baixa e doeu, parecia que alguém havia deixado um gato raivoso brincar em sua garganta. Seu estado aparentemente não era grave, mas demandava cuidados. O loiro colocou o prontuário sobre o abdômen e fechou os olhos. Ele se sentia muito cansado, ainda conseguia sentir o cheiro de fumaça em suas narinas, e seu peito doía. O que tinha acontecido? Ele forçou a memória, e as lembranças vieram aos poucos, confusas e embaçadas. Lembrou-se da segunda explosão, da dor que sentiu ao colidir com a parede... Meu Deus! Onde estaria Sherlock? Seu coração acelerou. Ele se lembrava do amigo falando com ele na ambulância. Ele pôde então soltar um suspiro de alívio. E John começou tossir e sua garganta queimava. O loiro pensou que ele poderia matar por um copo d’água ou beijar a boca de alguém que lhe trouxesse um.
E assim que terminou seu pensamento a porta de seu quarto foi aberta, Sherlock entrou por ela com um copo de água nas mãos. John começou a rir e a tossir novamente por causa da situação e do alívio de ver que seu amigo estava vivo.
- Não sabia que médicos escreviam piadas no prontuário dos pacientes. – o moreno se aproximou do amigo e pegou o prontuário que estava sobre a barriga de John e estendeu o copo com água.
- Obrigado. – disse com a voz muito baixa. John se levantou e recostou a cabeceira da cama e sorveu todo líquido do copo, não saciou sua sede, mas por ser médico sabia que não podia beber grandes quantidades de liquido em até vinte quatro horas. Sua cabeça doía, ele sentia um pouco de náusea e tontura, mas sabia que todos esses sintomas eram por causa da Hipoxemia. Ele entregou o copo vazio para Sherlock que tinha se acomodado em uma cadeira ao lado da cama.
- Quanto tempo eu fiquei desacordado?
- Seis horas, quarenta e sete minutos. – Sherlock respondeu em um único fôlego. John sorriu.
O loiro olhou para seu amigo procurando ferimentos, ele tinha um pequeno curativo no supercílio esquerdo e nada mais que pudesse ser visto a olho nu.
- Como saímos daquele lugar? Eu não me lembro, só me recordo da segunda explosão e depois a ambulância e a partir disso, minha memória é um branco total.
- Haverá tempo para responder isso depois, agora temos que sair depressa.
- Sair agora? Já serei liberado? – John perguntou confuso.
- O médico deverá vir lhe ver em dez minutos, e irá lhe liberar contando que por você ser médico, você irá se cuidar em casa de forma adequada. Terá um taxi nos esperando lá fora, eu lhe trouxe roupas limpas para você se trocar. Vou chamar o médico.
- Sherlock? Espera... o que você... – John não terminou a frase, pois o moreno já estava fora do quarto.
Um médico com olhar severo xingando algo sobre filmes com bastardos de orelhas pontudas entrou no quarto. O exame levou uns dez minutos, o homem mais velho lhe fez várias recomendações sobre repouso e poupar a garganta para evitar maiores danos e receitou vários remédios para dor e infecção, pediu que ele poupasse as costelas, apesar de não estarem quebradas elas tinha sofrido uma pressão considerável.
Depois que o médico lhe deu alta e saiu do quarto, John se sentou, ainda meio tonto, se vestiu, vários minutos depois ele conseguiu andar pelos corredores até a porta do hospital e parou a calçada em frente ao hospital sem saber o que fazer. Na espera, John viu um relógio do outro lado da rua que marcava quatro horas da manhã, segundos depois um taxi apareceu, a porta se abriu e Sherlock colocou a cabeça para fora chamando o loiro para dentro. Ele entrou fechando a porta a suas costas. Ao ouvir o endereço dado ao motorista pelo seu amigo, John o olhou surpreso.
- Por que estamos voltando para aquele lugar? Achei que iríamos para casa! – John perguntou e levou a mão a garganta ao senti-la doer.
- Tenho que examinar o local para encontrar pistas do que fomos procurar lá. – John passou a mão pelo rosto e suspirou cansado.
- Sherlock são quatro horas da manhã e depois de seis horas você não acha que a polícia já encontrou o que tinha que encontrar? Já devem ter levado todas às evidencias para a Scotland Yard agora. Não tem mais nada para achar por lá. – O loiro começava a se irritar, ele estava cansado, dolorido, meio zonzo, com fome, com sono, com sede e muito puto da vida.
- Eles não vão encontrar, pois não sabem o que estão procurando. – Sherlock voltou seu olhar para a janela e não disse mais nada.
John sabia que não conseguiria fazer Sherlock mudar de ideia então ele iria junto para evitar que o dano fosse o menor possível. Claro que haveria perigo, eles estavam falando de Sherlock Holmes, coisas perigosas corriam em sua direção. O loiro se lembrou das várias pessoas que estavam naquele lugar. Ele se virou para Sherlock e perguntou:
– E onde está Mycroft? Ele está bem?
- Por que você está perguntando por Mycroft? – O moreno tirou os olhos da estrada e o pouso sobre John, sua voz tinha um tom de exasperação e indicava raiva.
- Ele estava na festa Sherlock, só fiquei preocupado. – John se defendeu, ele só queria uma caneca imensa de chá, um banho, vestir um de seus pijamas que o deixaria quente e confortável e comer alguma coisa e depois se jogar na cama e hibernar por pelo menos dois meses, não necessariamente nessa ordem, era pedir demais? Por que a vida não podia ser simples?
- Tinha mais de trezentas pessoas naquela festa John, não vai perguntar pelas demais? Ou só o Mycroft é o alvo da sua preocupação? – sua voz era cortante. John franziu as sobrancelhas estranhando a raiva do amigo.
- Por que está irritado? – o loiro perguntou sentindo sua cabeça doer.
- Não estou irritado. – o moreno respondeu se mexendo no banco do taxi e olhando pela janela do taxi, ignorando o olhar de John.
- Não está irritado? Então o que é isso Sherlock? Só fiz uma pergunta e você muda seu humor da água para o vinho? Acho que mereço uma explicação. – John pressionou os dedos nas têmporas, sua cabeça doía mais.
- Não tenho nada a explicar. – ele disse e se virou para a janela novamente. – Chegaremos daqui a poucos minutos, vamos descer um pouco longe do local, deve ter policiais no perímetro vigiando. Claro, a não ser que a este ponto você vá-me dizer que está se sentindo tão mal a ponto de preferir voltar para o hospital para receber alguma visita.
John olhou para Sherlock sem saber o que dizer primeiro ele praticamente lhe arranca do hospital e agora simplesmente diz que se ele quiser pode voltar? O loiro olhou para a mão do moreno que estava sobre o joelho e por causa de seus olhos treinados ele pôde perceber um leve tremor. Ele sentia que tinha algo de muito errado acontecendo e Sherlock não estava lhe dizendo. Mas antes que pudesse dizer alguma coisa, o amigo pediu ao motorista para parar e saiu pela porta deixando um John muito tonto ainda dentro do taxi para pagar a corrida.
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John teve que correr para alcançar Sherlock, suas costelas doíam pelo esforço, ele tentava não tossir, mas sua garganta ainda queimava, ele diminuiu o passo ao chegar próximo e começou a andar a suas costas. Ele ainda estava com raiva e não queria conversar. Se pudesse estaria em casa, mas sua preocupação, lealdade e estupidez eram maiores que a tonteira, o cansaço e a irritação que ambos sentiam por motivos diferentes.
Eles ainda estavam a uns 10 minutos de distância do local da festa, Sherlock aparentemente queria chegar ao local sem ser visto pelos possíveis policias que estariam fazendo a ronda no local. Se bem que às quatro da manhã talvez não tivesse muitos policiais no local. Talvez só um cordão de isolamento, John pensou.
Tinham acontecido tantas coisas naquele ultimo dia e parecia que ainda estava muito longe de acabar, John podia sentir o cansaço envolver em seus ossos, o abraçando como se fosse um cobertor. Ele já não era tão jovem assim, festa, situações perigosas e excitantes, bombas, fumaça, hospital e situações perigosas novamente.
O loiro começou a repassar as coisas que tinham acontecido em sua cabeça tentando criar uma linha do tempo mental. Tudo naquela noite tinha sido surreal, a festa, o episódio debaixo da mesa, aquele lugar vip estranho, as coisas que tinha visto, nada daquilo encaixava em nenhum lugar, para John eram peças soltas de outro quebra cabeça que não o do “Homem Bomba”.
O que Sherlock esperava encontrar naquele lugar? O que mais se podia ver ali eram coisas ilegais, drogas a vontade, sexo e outras coisas que ele não conseguiu perceber. As pessoas ali pareciam muito ansiosas para entrar naqueles quartos que estavam fechados e que só poderiam entrar sem as roupas, o que deveria ter ali que necessitava de ausência de vestes? Será que tinha algo de valor e que não queriam as pessoas com bolsos para poder carregar? John riu de si mesmo e balançou a cabeça. E como Sherlock conseguiu entrar ali como garçom? E aquela roupa? E para onde Mycroft e Sherlock foram que o loiro não tinha conseguido localizá-los?
- Pergunte, John! Posso ouvir suas perguntas zumbindo em sua cabeça daqui.
O loiro abriu e fechou a boca, Deus... um dia desses... ele suspirou e começou a caminhar ao lado do moreno para poderem conversar e limpou a garganta antes de começar a pergunta, sem saber realmente por onde começar, ele optou pela pergunta mais fácil.
- Para onde você foi com Mycroft depois que você... você... ahn... – ele olhou para o outro lado não querendo ver o rosto de Sherlock quando ele conseguisse perguntar e fazendo gestos circulares com as mãos, como se isso fizesse as palavras fluírem.
- Depois que eu fiz você gozar na minha boca? – John deu um pequeno gemido, ele podia sentir a ponta das suas orelhas queimando.
- Oh Deus! Fale baixo! – olhou para os lados para ver se alguém tinha escutado. — É... Para onde vocês foram? Eu os procurei em todos os lugares e não achei e tive que me virar e consegui entrar naquele lugar estranho e eu vi muitas coisas que tenho que te contar.
- Não precisa, sei de tudo. Próxima pergunta. –Sherlock parou de caminhar, eles estavam a uma esquina do local da festa, ele se encostou a uma parede próxima e ficou observando.
- Sabe tudo? Como assim? Você nem sabe o que eu iria lhe contar! –John disse irritado, mas imitou os movimentos do amigo e se recostou a parede também. – O que estamos fazendo aqui? – Perguntou em um tom de voz baixo.
- O local está sendo vigiado. – Sherlock respondeu em seu tom “Não seja idiota”
John olhou para todos os lugares e não viu ninguém suspeito, só um policial que estava parado provavelmente cochilando, porque ele não se mexia. Apesar de que John sabia que esses policiais eram treinados para nunca descansarem e nem se distraírem, mas eram quatro da manhã, tinham que dar um desconto para o homem.
- Só tem aquele policial ali e ele parece estar dormindo em pé! Podemos contornar e entrar por trás. – O loiro apontou na outra direção, Sherlock deu um pequeno gemido de frustração.
- OH pelo amor de deus, John! – disse exasperado. –Já disse, você vê, mas não observa.
- Mas o que eu não vi?
- Olhe! – Sherlock puxou John pelo braço e o colocou em sua frente, ele apoiou o braço direito em cima do ombro do loiro e apontou para um homem limpando uma janela no prédio a frente do local onde tinha sido a festa.
- O que tem aquele homem? – perguntou incerto.
- Olhe direito John! – Sherlock exigiu.
John olhou para o homem limpando a janela, ele não era novo, estava na casa dos quarenta anos, usava uma toca escura, calças jeans, uma camisa xadrez e uma blusa de frio por cima da roupa, tinha fones nos ouvidos, usava luvas, todos os equipamentos de segurança, o loiro não via o que tinha estranho nesse quadro.
- Eu não vejo nada de estranho. – John sentiu o aperto da mão do amigo em seu ombro.
- Alguém limparia uma janela às quatro da manhã? – o moreno disse.
- Não sabia que tinha hora para limpar as janelas. – John comentou irritado por ter perdido algo tão obvio.
- E o que me diz daqueles equipamentos que ele está usando? – Sherlock apontou novamente por cima do ombro do amigo.
- Que equipamentos? – John forçou a vista.
- A câmera de alta resolução para tirar fotos que está do lado esquerdo, a filmadora menor que está amarrada a corda do lado direito do homem, e do Tablet que está sob seu colo? Um homem que limpa janelas, não ganha tanto assim para ter todo esse luxo em seu local de trabalho.
- Ok. – John se deu por rendido.
- E sem falar que ele está limpando a mesma área nos últimos minutos que estamos aqui. Ah, e não nos esqueçamos do colete a prova de balas que está sob a blusa de frio que ele está usando. – o moreno disse em um tom muito satisfeito.
John olhou melhor e viu o distinto contorno de um colete a provas de balas debaixo da roupa do homem, como Sherlock tinha visto aquilo tudo em apenas alguns minutos?
- E tem aquele outro homem ali sentado no chão. – Sherlock virou o corpo do amigo em direção onde estava apontando.
Agora John tentou prestar mais atenção e ver o que tinha de estranho no homem na rua. Pelas roupas que vestia, ele era um desabrigado, elas estavam imundas e rasgadas, seu rosto estava muito sujo, ele segurava uma garrafa que parecia de uísque e quando levou a boca deu para ver que seus dentes estavam muito pretos. A única coisa que estava fora do personagem era o tênis que o homem usava que era mais novo e limpo.
- Você analisou isso tudo pelo tênis do homem? Mas ele pode ter ganhado de alguém, Sherlock. Isso não é suspeito. – John disse se virando e olhando para o amigo que tinha um pequeno sorriso nos lábios. – Qual é a graça? O que eu perdi?
- A barba John.
- Que barba Sherlock? Ele não tem nenhuma. Oh! – John reparou mais uma vez no homem.
- Essa quantidade de sujeira que está nele, indicaria que ele está nas ruas há muito tempo, então era para ele ter uma barba do tamanho do Gandalf. E numa noite fria dessas, ele estaria num abrigo ou em um beco, tentando se aquecer. E em abrigos, tentando prevenir um surto de piolhos, os moradores sempre ganham cortes de cabelo e de barba e ocasionalmente banhos. Ele não poderia ter uma barba tão curta, estar tão sujo e estar ao léu numa noite tão fria.
- Você sabe quem é Gandalf? – John perguntou incrédulo, ignorando toda a informação que Sherlock havia dado sobre a situação do homem, ele só se prendeu a informação de que seu amigo tinha lido um livro de ficção.
- Irrelevante. – Ele mudou de assunto. – E o cabelo dele também era para estar maior e não tão curto como o de alguém que seria militar. E não podemos esquecer o cheiro.
- Que cheiro? Não sinto nada!
- Isso mesmo, John. Não tem cheiro, a quantidade de sujeira que ele finge ter, se fosse um morador de rua de verdade, seu mau cheiro era para ser sentindo mesmo de onde estamos.
Era tudo tão obvio depois que Sherlock tinha apontado, ele se sentia muito estúpido. John suspirou cansado, o que eles fariam agora?
- Então o que vamos fazer? Tem esses dois homens olhando e o policial dormindo, não sabemos se por trás tem mais gente olhando.
- Eu tenho um plano, você fica aqui na entrada desse beco, atrás dessas caixas e na hora que o policial correr para aquela rua ali e o colega limpador de janelas entrar para o prédio e o falso morador de rua for conferir a ação na esquina, – Sherlock apontou a direção para John. – nessa hora, você caminha silenciosamente, e o mais rápido que puder para a área do prédio que caiu, eu te encontro lá.
Sherlock tirou o casaco que estava usando e o dobrou bem e o colocou em um canto. Ele tirou a camisa de dentro da calça e começou a apertar o tecido como para amassá-lo, ele terminou o que estava fazendo e começou a andar de um lado para o outro da calçada olhando para o chão.
- O que está procurando Sherlock? O que você está fazendo? – O moreno não respondeu.
Ele se abaixo e pegou um pouco de terra e sujeira da rua e esfregou em sua roupa, mãos e rosto. Depois ele deu um puxão em sua blusa que a rasgou em uma parte e logo em seguida com os longos dedos começou a puxar os pontos que tinham em seu supercílio esquerdo até que o sangue começou a descer pelo rosto.
– Sherlock o que diabos você está fazendo? Você vai infeccionar isso! – John se aproximou, mas foi empurrado por Sherlock. O moreno tirou algo do cós da calça e apontou para o alto e John se assustou com o som de um tiro.
- Mas que merda... – Sherlock abaixou a mão e jogou o revolver na direção de John que pegou por puro reflexo e viu que era sua arma, que devia estar escondida em Baker Street.
- Não se esqueça o que disse! – E Sherlock saiu meio cambaleante em direção ao policial.
- Ohhhh graças a Deus! Um policial.... – Sherlock gritou, e se agarrou ao policial, sua voz lembrava a de alguém que estava em pânico. O Policial dorminhoco estava alerta agora por causa do barulho do tiro olhava para Sherlock.
- Senhor? – o homem parecia preocupado ao olhar o estado de Sherlock.
- Eu..fui... fui... assaltado... o homem atirou em mim, mas errou... ele me deu um soco antes de atirar olha.... – Sherlock mostrou o machucado no rosto. – Por..p..por... por favor me ajude, eu corri, mas ele veio atrás de... dde.. mim... ohhh Deus... – Sherlock caiu ajoelhado no chão e começou a chorar.
- Você disse que ele o seguiu? – Sherlock só balançou a cabeça, seus ombros eram sacudidos pelos soluços de seu choro. – Onde?
- A...té.. al..ali..ali... – Sherlock apontou com a mão tremula para a esquina anterior.
- Vou lá investigar, sente-se ali no canto e não saia daqui. – E saiu em direção aonde Sherlock tinha apontado, pegou seu rádio e avisou do ocorrido.
John viu o policial sair correndo na direção que Sherlock disse que ele iria e viu que os dois homens não estavam mais em seus postos, o loiro deu a volta no lugar de onde estava e foi se encontrar com Sherlock. E com muito cuidado e olhando bem para ver se não estava sendo seguido ou observado ele chegou onde tinham combinado.
Chegando lá, John viu o tamanho da destruição do prédio, boa parte da ala do segundo andar tinha caído e estava queimada, a fumaça ainda saia dos restos. Tinha sido um estrago enorme.
- Meu, Deus! Como sobrevivemos a isso? – John se perguntou vendo várias peças de roupas no chão cobertas de sangue e parcialmente queimadas.
- Nós saímos por aqui. – John ouviu uma voz a suas costas.
- JESUS! – ele se virou rápido vendo Sherlock apontar para uma porta que estava encoberta por um escombro, ao lado do beco do prédio. – Você me assustou. – reclamou.
- Fique mais atento. Vamos, me ajude aqui! – John se aproximou e juntos empurraram liberando a passagem.
- Os policiais não acharam isso aqui?
- Não, mas os homens de Mycroft sim. – Sherlock começou a descer as escadas.
- Como você sabe? Ah esquece. – E seguiu o amigo, escada abaixo.
-x-
Eles andaram por quase dez minutos, foram várias escadas, várias subidas e várias descidas, John já sentia sua garganta, pernas e costelas doerem, suas forças já estavam no fim e o remédio para dor que tinha tomado no hospital já estava perdendo o efeito. Seu corpo doía horrores, mas engoliu e empurrou sua dor para bem fundo na sua mente para poder seguir Sherlock, o caminho estava muito ruim, muitas escadas tinham caído, eles tiveram que pular os degraus em várias partes do caminho.
Em determinado ponto o cheiro de fumaça ainda estava no ar, não tão forte, mas estava presente, mas ao chegarem aos salões o lugar estava limpo, como se nunca tivesse tido uma festa ali.
John começou a tossir por causa do cheiro da fumaça, mesmo sendo pouco estava irritando seu pulmão que já estava debilitado, ele levou a mão para cobrir o rosto quando um cachecol apareceu a sua frente.
- Use isso na frente do nariz para filtrar à fumaça. – Sherlock lhe entregou o cachecol e continuou a andar.
O loiro ficou olhando para o pedaço de tecido azul em suas mãos e o levou ao nariz aspirando o cheiro forte e almiscarado de seu amigo.
- Vamos John! – Sherlock o gritou.
O loiro colocou o cachecol na frente da boca, e se pôs a andar e ficou olhando para tudo daquela sala destruída com os olhos arregalados, como isso era possível? A decoração daquela parte não estava mais lá, o bar tinha sumido, não tinha as cadeiras, mesas e pufes, nem uma pontinha de cigarro sequer podia ser vista no chão, o chão brilhava como se tivesse sido polido naquele dia. Ele tirou o cachecol da boca colocando no bolso detrás da calça e como a peça era grande uma parte ficou pendurada o lado de fora do bolso e perguntou ao homem ao seu lado:
- Sherlock? O que houve? Eu achei que isso aqui estaria uma bagunça total.
O detetive não respondeu, ele olhava tudo como se já soubesse o que ia encontrar.
- Vamos para o terceiro nível. – e saiu sem esperar pelo médico.
Eles andaram mais alguns metros passando pelas áreas que a noite estava decorada com cores diferentes e agora estavam com as paredes pintadas de branco, tinha algumas paredes caídas, e algumas queimadas, mas nada, além disso, nem sangue nem nada. Andaram mais um pouco e chegaram à parte que era a área dourada do salão, toda a decoração também tinha ido embora, as paredes ainda estavam ao chão, mas sem corpos e sem sangue.
Sherlock estava andado na frente abrindo as portas e não encontrando nada e a cada porta que abria ele murmurava algo consigo mesmo em um tom baixo que John não conseguia ouvir e nem tinha forças para tentar escutar. Quando tinham estado ali mais cedo, todas aquelas portas tinham números, mas agora os números tinham sumido só uma leve marca indicava que algo estivera afixado a elas anteriormente.
Por um momento ele parou de seguir Sherlock e se encostou a uma parede qualquer para descansar um pouco, a dor agora era intensa demais, John colocou uma mão sobre as costelas pressionando um pouco para tentar diminuir a dor e a outra levou até a cabeça pressionando também. Deus ele mataria por um vidro de Ibuprofeno agora.
- John! – Sherlock gritou já no fim do corredor!
- Só um minuto Sherlock. – John gemeu e se forçou a caminhar até seu amigo, que pairava inquieto próximo a uma porta vermelha. O médico se lembrava dela, o único homem armado dentro daqueles salões estava parado a ela, o que teria ali?
- Vamos John! Seja mais rápido! – Sherlock forçou a porta e ela não abriu, aparentemente era a única porta trancada do corredor.
- Por que é a única porta que está trancada? – John perguntou em meio a um gemido.
O moreno não respondeu, ele tirou algo do bolso da calça e começou a inserir na fechadura da porta.
- Vamos com isso, Sherlock! Está trancada. Alguém vai ouvir a gente aqui e não sei nem como explicar a nossa presença dentro de um prédio que explodiu. E eu preciso ir para casa! – O loiro protestou, ele não aguentaria muito mais.
- Silencio John! Essa fechadura é muito delicada, qualquer força desnecessária, pode acionar algum tipo de alarme. – Sherlock estava ajoelhado tentando abrir a porta.
- Pelo amor de Deus, Sherlock! Eu preciso ir para casa, eu preciso descansar! Minhas costelas doem, minha cabeça está explodindo, estou sentindo náuseas e tontura! – John não queria reclamar, mas estava em seu limite.
- Então vá! Tenho coisas mais importantes para fazer do que escutar suas lamurias. – respondeu de forma ácida.
- Você só pode estar brincando comigo? Você me arrasta do hospital para cá e depois me manda embora? – Tinha dias que John gostaria de não ter treinamento militar, pois em dias como hoje, sua vontade de sufocar Sherlock até a morte estava além da sua capacidade de controle. De olhos fechados, ele deu várias respirações profundas tentando se acalmar sem começar a tossir violentamente. – Você só vai depois que abrir essa porta infernal, ver a sala e aí podemos ir embora? – John perguntou sua voz fria.
- Sim, preciso saber o que tem atrás dessa porta, é essencial para a investigação! – O detetive parecia indiferente à raiva do amigo.
- Sai da frente! – John disse em um tom de voz que teria feitos seus subordinados no exército correrem para as montanhas.
- Estou ocupado não vê? E não me atrapalhe. – Sherlock nem se deu ao trabalho de olhar para o amigo.
- OH INFERNO! — John xingou o mais alto que conseguiu, e em seguida puxou Sherlock pelo ombro da frente da porta empurrando-o para o lado, aonde ele caiu e muito rápido ele tirou a arma do cós da calça, atirou na fechadura da porta que abriu em seguida. – PRONTO A MERDA DA PORTA ESTÁ ABERTA, SATISFEITO? Agora ande logo com essa sua investigação dessa sala maldita, pois o barulho da tiro deve ter alertado os seguranças lá de fora.
Sherlock ainda estava no chão olhando para John como se ele fosse louco, talvez estivesse mesmo, a dor faz isso com as pessoas. O moreno se levantou da forma mais digna que conseguiu, tirou uma poeira imaginária da calça e entrou no quarto, John o seguiu em seguida. Mas o quarto não tinha nada dentro, só uma cadeira branca bem no centro
- Viemos aqui para nada? – John olhava ao redor, para a sala vazia e enfim se encostou à parede, sentindo suas últimas reservas de energias esgotadas.
- Não, tem alguma coisa aqui, eu sei! – Sherlock começou a passar a mão pelas paredes brancas do quarto.
- Sherlock, você mesmo disse que os homens do seu irmão estiveram aqui, se tinha alguma coisa aqui, eles levaram.
- Não, a porta estava trancada, eles não encontraram nada. – O moreno continuou a procurar pelas paredes.
- Então, o quê? Eles entraram aqui, limparam, procuraram algo relacionado à festa e não encontrando nada, eles saíram trancando a porta sendo bons samaritanos? Isso não faz sentindo algum, Sherlock. — John começou a sentir muito frio, sua mão começou a tremer. Ele estava começando a entrar em estado de choque por causa das dores intensas, sua visão estava começando a ficar turva, sua boca estava com um gosto estranho.
- Sher..Sherlock... – John chamou com a voz fraca.
John foi escorregando para o chão aos poucos, mas sentiu mãos lhe segurando pelos ombros.
- John? – Alguém chamou seu nome. – Vamos, fique comigo!?
- Eu estou be..bem.. só preciso descansar um pouco.
- Você está entrando em estado de choque por causa da dor, preciso de você acordado!
O médico não conseguia manter os olhos abertos, ele só queria se entregar ao esquecimento e descansar um pouco, ele sentia seu corpo começar a tremer ou a convulsionar, ele não sabia ao certo, não podia fazer nada. A voz de Sherlock era apenas um murmúrio, podia sentir seu rosto doer, não sabia por que, as dores foram ficando mais fortes e a voz de seu amigo era cada vez mais alta, irritada ou quase desesperada. O loiro se forçou a abrir os olhos e viu que seu amigo estava batendo em seu rosto, isso era a fonte da dor.
- She..Sherlo.. Sherlock...
- Oh, John! – Sherlock disse em tom de puro alivio, segurando seu rosto em ambas as mãos e o beijou. O médico sentiu seus olhos se arregalarem ao sentir aqueles lábios quentes nos seus.
Depois de alguns segundos Sherlock se afastou e ficou olhando para o homem loiro sentado no chão, ele parecia procurar algo em seu rosto, o loiro queria perguntar por que ele tinha lhe beijado, mas ao abrir a boca a pergunta foi outra.
- Por que me bateu? – Ele passou a mão pelo rosto e o sentia quente.
- Eu não tinha um cobertor para choque. – Sherlock respondeu um pouco amuado e John começou a rir, sua garganta estava em um estado deplorável, suas costelas estavam lhe matando, mas ele não conseguia parar de rir, sentia lágrimas descendo pelo seu rosto.
- Se eu soubesse que você ia ter esse comportamento idiota eu teria lhe deixado entrar em coma.
- Desculp..desculpe... – disse enxugando as lagrimas do rosto. – É que essa situação toda é ridícula e você preocupado com um cobertor de choque. – Oh Deus, meu corpo todo dói. – John ainda podia sentir um leve tremor nas mãos.
- Tome! – Sherlock lhe jogou uma pequena barra de chocolate. – Um pouco de açúcar, vai lhe fazer bem. – E se levantou e continuou a procurar seja lá o que fosse à parede.
John abriu a embalagem e deu pequenas mordidas saboreando o gosto meio amargo do chocolate, ele ficou com os olhos fechados para ver se a tonteira ia embora. Alguns segundos depois ele pôde ouvir Sherlock murmurando alguma coisa para si mesmo.
- Você vai me contar o quê viemos procurar aqui algum dia? – ele perguntou com os olhos ainda fechados. Mas o amigo não respondeu. – Você sabe que não me importo de ficar correndo por toda a Londres atrás de bandidos e assassinos com você, mas odeio ficar no escuro, Sherlock!
- É só você abrir os olhos.
- Você sabe do que estou falando! – respondeu mal humorado, agora com os olhos abertos viu que Sherlock estava encostado à parede lhe observando.
- Eu já lhe disse, John! – Sherlock se aproximou e se sentou no chão ao lado do loiro.
- Não, Sherlock! Não disse, não disse merda nenhuma!
- Você já percebeu que você usa muitos palavrões quando está com raiva, cansado ou com dor? O que é quase o tempo todo?
- Eu moro com você, esqueceu? Isso é o seu efeito sobre mim. – John olhou para o amigo e ele tinha um pequeno sorriso ameaçando sair no canto de sua boca.
- A pancada na cabeça e a fumaça deve ter arruinado sua memória, ela não era muito boa antes mesmo.
- Você poderia ficar cinco segundos sem insultar minha inteligência, por favor?
- Você sabe que eu detesto me repetir. – Sherlock encostou a cabeça na parede e fechou os olhos.
- Sim, Sherlock eu sei que você não gosta de se repetir. Mas o que eu estou tentando saber é o que está acontecendo por aqui? Viemos a essa festa e você não me disse nada, agora estamos aqui novamente e eu continuo no escuro, para te ajudar eu preciso de informação, você diz que dados são imprescindíveis! – John olhava para o amigo e viu que ele soltou um longo suspiro de frustração. – Não Sherlock, você não me disse nada. – respondeu mesmo sem Sherlock dizer nada. – Posso ter batido com a cabeça, mas não estou ficando burro ou senil.
- Mas eu te falei! – Sherlock disse e gemeu mais frustrado ainda.
- Sherlock, pelo amor de Deus! Se você tivesse me dito algo tão importante, tenho certeza que eu me lembraria. Mas vamos supor, só supor que você me disse alguma coisa, quando foi isso? – John estava começando a se irritar novamente.
- Eu disse antes da festa. – Sherlock se levantou e voltou a investigar a sala.
- Antes da festa? Mas conversamos só sobre nossos papeis lá, que iríamos nos passar por namorados e disse que era para eu não parecer tão militar na minha postura, que era para eu me misturar e conversar com todos e observar tudo.
- Não John, antes.
- Antes? Eu cheguei ao apartamento e você me disse para ir me arrumar, troquei de roupa, você me maquiou e só.
- Não John, mais cedo.
- Mais cedo? — ele pensou um pouco. — Estávamos vendo algo no seu computador, eu fiz chá para Mycroft. – Sherlock bufou ao ouvir o nome do irmão. – Depois ele foi embora, você me mostrou os convites e me perguntou se eu tinha um smoking.
- Tenho que ser exato? Você quer a hora que eu te falei isso? Foi às duas horas e trinta e cinco minutos depois que Mycroft foi embora, preciso o suficiente? – John gemeu e passou a mão pelo rosto, suas dores que até aquele momento estava ignorando voltaram com tudo.
- Sherlock, pelo amor de Deus! Meia hora depois que Mycroft foi embora eu fui trabalhar!!! Você tem que parar de conversar comigo quando eu não estou.
- Não tenho culpa se você não estava prestando atenção.
- Não estava prestando atenção? Sherlock eu não estava lá, como em nome de tudo que é mais sagrado eu poderia escutar e prestar atenção quando não estou presente? Para um futuro próximo, por favor, quando conversar comigo, se certifique que eu estou no mínimo no mesmo lugar que você!
- Chato.
- Sherloc... – John não conseguiu terminar sua reclamação, pois seu amigo simplesmente se levantou e foi para um determinado canto do quarto resmungando algo como: Claro... muito obvio e algo como... muito maçante....
Sherlock apertou algo e a parede a esquerda deslizou para o lado mostrando uma passagem. E sem esperar ele entrou por ela, deixando John para trás, de novo.
Dessa vez o loiro nem se importou, ele ainda estava com raiva e com dor, fechou os olhos e tentava controlar sua respiração, e sentia que sua pulsação estava fraca, em um momento ele ouviu Sherlock chamar seu nome muito longe, John se forçou a abrir os olhos.
- JOHN!!!
- Me deixe morrer em paz! – John gritou e gemeu, ele só queria ficar ali no chão até o mundo parar de girar e a náusea que tinha voltado, cessar.
- John venha ver! – Sherlock chamou novamente.
- Merda! – o loiro xingou e se forçou para se levantar e a andar, tropeçando nos próprios pés, e amaldiçoando sua curiosidade que vencia a dor e a fadiga.
Maldito. Maldito esse amigo que é incapaz de desistir. Quando Sherlock ficava nesse estado frenético, John se sentia capaz de matá-lo por um pouco de sossego. Ou pelo menos por dois minutos de esclarecimentos. Nessas horas ele seria capaz de matar Sherlock com requintes de crueldade, cortá-lo em pedaços e esconder seu corpo na geladeira, e ninguém iria perceber. Talvez Mycroft, mas foda-se, ele não se importava com nenhum Holmes naquele exato momento.
Quando o médico entrou pela passagem ele viu um longo corredor, e caminhando enquanto se escorava pelas paredes, ele considerava que já não estavam mais no mesmo prédio. Depois de um tempo andando, o fim do caminho terminava em um amplo espaço e que era de cair o queixo. O espaço se assemelhava muito a um desses teatros em estilo neoclássico, sua decoração era em vermelho e dourado, mas o que mais lhe chocou foi que o teatro não tinha palco, como era o normal ou tradicional, no lugar das cadeiras, no centro do teatro havia um enorme ringue com grades com arames e dentro tinha algo que se assemelhava a um corpo humano que estava sem os membros superiores e inferiores, sem cabelo, globos oculares ou pele. O mau cheiro que vinha era horrível, John sentiu a bile subir por sua garganta, ele se virou para a parede do fundo e se apoiando com a mão em uma das cortinas vermelhas, colocou para fora o chocolate que tinha comigo há minutos atrás.
Assim que se recompôs, viu que Sherlock tinha se aproximado e segurava em suas mãos enluvadas um pedaço de tecido que tinha escrito: “Você chegou muito perto, mas não o suficiente. Eternamente seu, J.A.”
-x-
John estava sentado na parte traseira de uma ambulância tendo sua pressão medida por uma jovem paramédica. Ela estava dizendo algo sobre ele estar em estado de choque por causa da dor e que ele devia estar em um hospital descansando ou no máximo em casa, mas o loiro não estava prestado muita atenção, estava muito cansado para isso.
- Tudo bem ai companheiro? – John levantou a cabeça e viu Lestrade.
- Olá Greg! – John sorriu cansado.
- Eu sinceramente gostaria de saber como Sherlock descobre essas coisas, e você não deveria estar em um hospital? Oh esqueça... – Disse o inspetor, ele se sentou ao lado de John na ambulância, e passou a mão pelos cabelos grisalhos. – Ficamos aqui à noite e praticamente a madrugada toda revirando cada pedra desse maldito lugar e não achamos nada. E em alguns minutos ele acha aquilo?
John estremeceu ao se lembrar do corpo, pobre coitado, o loiro só esperava que o homem já estivesse morto quando fizeram aquilo com ele.
- O que vocês irão fazer? – John se mexeu desconfortável, ainda tendo a paramédica lhe examinando.
O lugar estava abarrotado de policiais e que mais uma vez tentavam afastar os curiosos que passavam por ali.
- Isolamos a área novamente, vamos levar o corpo para fazer autópsia e ver o que descobrimos. Não sei se encontraremos alguma coisa, o corpo está sem as mãos então nada de digitais, sem os globo oculares, sem sangue e pele para DNA, se tivermos sorte, pelo menos descobriremos do que ele morreu. – Lestrade suspirou. — Sherlock estava brigando com os peritos forenses ensinando o trabalho deles, mais uma vez. – O Inspetor sorriu cansado.
- O meu Deus... – o loiro gemeu.
- Você pode me contar alguma coisa? Estamos meio no escuro aqui e Sherlock se recusa a compartilhar o que descobriu, se ele não cooperar, em algum momento terei que obrigá-lo a ir a Scotland Yard com um mandato e ele não vai ficar feliz com isso. Queria evitar desgastes, mas ele não me deixa outra opção.
Lestrade levantou e começou a andar de um lado para o outro, ele era a personificação do cansaço e da frustração, John sentiu pena do amigo Inspetor.
- Eu não sei o que posso fazer para te ajudar, Greg. – respondeu sincero e Lestrade lhe deu um olhar avaliativo.
- Sherlock não lhe disse nada? Nada mesmo? Como?
- Ele tecnicamente me disse... – John tentava contar ao amigo inspetor sem que a história parecesse absurda.
- Como assim tecnicamente lhe disse? John, não tem meio termo, ele contou ou não?
- Não é tão simples, Greg. – John sentiu a paramédica lhe cutucando as costelas e doeu.
- John pelo amor de Deus! Não pegue os hábitos de Sherlock de esconder as coisas, desembucha. – Lestrade encostou na ambulância e tinha as mãos sobre o rosto.
- Não estou escondendo Greg, não tenho motivos para fazer isso. – disse irritado. – Ele disse que me contou, mas...
- A pancada na cabeça que você levou ontem foi tão forte para apagar parte da sua memória? John, isso é ridículo, se você não quer contar tudo bem eu me viro, mas não precisa inventar desculpas, sei que você é leal a Sherlock e ele deve ter pedido para você não contar nada, mas...
- Não tem nada a ver Greg... céus... – John gemeu frustrado. – Ele disse que me contou, mas eu não estava lá.
- Desculpe... como? – Lestrade perguntou e olhava para o loiro como se ele fosse um louco.
- Eu não estava presente quando ele contou a teoria toda, eu estava trabalhando na clínica. – o ex-médico do exército olhava fixamente para seus sapatos.
- Isso soa completamente ridículo até mesmo para os padrões de esquisitices de Sherlock.
- Eu sei! Isso me enlouquece... ele tem o hábito de conversar comigo quando não estou... e ele está tão envolto nos próprios pensamentos as vezes que não me escuta, não me vê saindo ou chegando. Ele não come ou dorme se eu não brigar muito. Não sei como ele sobreviveu tanto tempo desse jeito, sem mim. – O loiro disse isso tudo em um único fôlego e quando terminou fechou os olhos e quando os abriu Lestrade lhe dirigia um olhar estranho. – O que foi? – perguntou.
- Não, nada. Mas se você souber de alguma coisa você me avisa? Ou obriga ao Sherlock me contar? – O Inspetor pediu e se precisasse ele imploraria.
- Claro Greg. – respondeu cansado e viu que Lestrade ainda o olhava estranho. – Pergunte Greg! – O Inspetor mordeu o lábio incerto, mas não ia deixar essa oportunidade passar.
- Você e Sherlock... são.... hum... estão...
- O senhor Watson, precisa ir para um hospital para ser examinado. – A paramédica disse olhando para o loiro. — Sua pressão está levemente alterada, creio que esta desidratado e o senhor está transpirando muito. – A paramédica interrompeu a conversa dos dois homens.
- É doutor Watson! – a paramédica e Lestrade se assustaram com a presença de Sherlock tão repentina ao lado deles.
- Desculpa...doutor Watson. – ela sorriu se desculpando.
- Não tudo bem, não precisa se desculpar, mesmo porque não teria como você saber minha profissão.
- Ela sabe quem somos, ela está com um papel e caneta do lado da sua perna esquerda e estava esperando uma oportunidade para pedir seu autografo. – Sherlock revirou os olhos. – Provavelmente quando lhe arrastasse para dentro da ambulância com desculpa para lhe levar ao hospital. — A moça ficou com o rosto completamente rosa. – Ele está perfeitamente bem, não precisa de hospital.
- Você sabe quem somos? – John perguntou curioso.
- Ela deve ler aquele seu blog ridículo. – Sherlock olhava para John.
A paramédica olhou de um homem para outro, Sherlock tinha um ar de desdém e John estava com a aparência de que podia matar alguém a qualquer minuto.
- O senhor precisa de mais alguma coisa? – a moça tentou aliviar a situação, a tensão entre aqueles dois era tanta que podia ser cortada com uma faca. Sentia que estava sobrando ali, será que os rumores sobre aqueles dois eram verdadeiros?Ela pensou. Seria uma pena, pois o doutor Watson era um homem tão forte e parecia bastante vigoroso. Ela sorriu com o pensamento.
- Não creio que ele esteja interessado em ter relações sexuais com você, mesmo porque ele já teve um orgasmo que o satisfez muito e você não faz o tipo dele, ele não gosta de loiras.
- SHERLOCK PELO AMOR DE DEUS CALA ESSA BOCA! –John gritou morto de vergonha, se o Tamisa estivesse próximo, seria sua próxima parada. – Sherlock eu juro por Deus, um dia eu te mato!
A paramédica resolveu sair muito rápido dali e foi acompanhada por um Lestrade igualmente muito abalado e com as orelhas vermelhas.
- Doutor Watson?
- O QUÊ? – John respondeu gritando ao escutar alguém chamando seu nome. Ele olhou na direção da voz e reconheceu que era a assistente de Mycroft, Anthea. Se é que esse era o nome que ela estava usando hoje.
- Viemos buscá-los. – Anthea disse, sua voz soando divertida.
- Me desculpe... eu... – John passou a mão pelo rosto.
- Eu entendo perfeitamente o sentimento. – Ela sorriu condescendente.
John olhou para o lado para dizer ao moreno para pedir para algum paramédico tratar do machucado em seu rosto que ainda sangrava, mesmo estando puto com o amigo ele se preocupava, mas viu que seu amigo já não estava mais lá, Sherlock já estava dentro de um carro preto próximo a ambulância e tinha uma expressão entediada no rosto, mas essa expressão não enganaria John, ele estava era na verdade muito irritado. O loiro respirou fundo, se encaminhou na direção do veículo, entrou e se esforçou muito para ficar o mais longe possível do detetive. Ele ficou vários minutos olhando para o trânsito tentando não pensar em nada, quando voltou seus olhos para o interior do carro viu Anthea olhando para ele, ela tinha um pequeno sorriso nos lábios.
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- Ele está bem doutor Watson. Obrigada pela preocupação. – Anthea respondeu olhando para Sherlock que parecia muito interessado em um pequeno ponto preto inexistente na janela do carro.
John suspirou muito cansado, O médico reparou que a assistente de Mycroft tinha um sorriso maior em seu rosto, o que ela via de tão engraçado?
O carro mal parou em Baker Street e Sherlock já estava do lado de fora na frente da porta da entrada do prédio, John suspirou novamente. Ele se virou para a moça e sorriu.
- Obrigado pela carona, Anthea. Foi muito gentil da sua parte. É Anthea não é?
- Para o senhor pode ser Anthea hoje, e é sempre um prazer sequestrá-lo, doutor! – John esboçou um leve sorriso com o comentário da bela mulher. Ele ia saindo do carro quando foi chamado pela assistente.
- Doutor Watson? – John se virou.
- Sim?
A mulher lhe entregou dois pacotes, o médico abriu um e viu alguns remédios que ele tinha quase certeza que eram os que o médico havia prescrito para que ele tomasse e no outro tinha duas caixinhas de comida tailandesa, a preferida de John.
- Oh, obrigado. Não precisava. – John se sentiu tocado pela gentileza. – Dê o meu muito obrigado a Mycroft.
- O senhor poderá fazer isso pessoalmente quando o senhor Holmes vier se certificar que estão bem, hoje à noite.
- Oh! – foi só o que conseguiu falar, com certeza Sherlock não iria gostar da visita de seu irmão em Baker Street. Bom aquilo não era da sua conta, eles que se entendessem e de preferência matassem um ao outro. John voltou a olhar para a bela mulher e então antes que pudesse se segurar perguntou:
- Será que poderíamos tomar café um dia desses?
- Eu adoraria doutor Watson, mas meu chefe não aprovaria. – ela tinha um enorme sorriso nos lábios, se é que isso era possível.
- Por que não? Seu chefe não gosta que suas funcionárias saiam para tomar café? – ele perguntou duvidoso.
- Não aprovaria se for com o senhor! Boa noite doutor Watson. – ela fechou a porta do carro que se pôs a andar.
- O que ela quis dizer com isso? – perguntou, por que será que ele sentia que estava sendo manipulado pelos dois Holmes?
-x-
Quando John se virou para subiu os degraus para ir para o apartamento,Sherlock estava lá parado o esperando, será que ele tinha escutado seu convite a Anthea? John bufou, e daí que ele tivesse escutado? Ele não tinha nada com Sherlock, não tinha que dar satisfação das coisas que fazia ou quem convidava para sair.
O loiro o ignorou, passou por ele nas escadas e começou a subir, John sentia a presença do moreno a suas costas, quando chegou à porta do apartamento se sentiu completamente drenado. Entrou em casa e o que ele mais queria naquele momento era uma xícara de chá, assim poderia relaxar e tomar seus remédios. Antes de se dirigir para a cozinha o loiro se virou e viu que o moreno tinha entrado no apartamento e tirado a camisa que estava rasgada e suja e a tinha jogado ao chão e estava com o torso nu.
Mesmo coberto de sujeira, sangue no rosto por causa do machucado no supercílio, com alguns arranhões, cabelo um emaranhado ruivo e selvagem em sua cabeça ele era uma visão e tanto. John sentiu o sangue correr mais rápido nas veias, luxúria pura e simples se apossava do seu corpo. Como podia se sentir assim quando estava com tanta raiva dele? Aparentemente seu cérebro não se importava com sua raiva, só queria aquelas mãos em seu corpo.
Sherlock parecia alheio ao escrutínio do loiro e se sentou no sofá. Ele parecia imerso em seu “Palácio Mental” analisando sabe-se lá o quê.
Depois de alguns segundos ele se levantou e foi para seu quarto sem dizer nada, John ouviu o som do chuveiro, seu amigo tinha decidido tomar banho. Ele suspirou pela enésima vez naquela noite e tentou ignorar o começo de uma ereção que tinha conseguido “secando” o amigo.
John se encaminhava em direção a cozinha para preparar seu chá quando viu um pacote com o que parecia ser um terno novo com o nome Sherlock escrito em cima dele na mesinha de centro da sala, obra de Mycroft com certeza.
O loiro pegou o pacote e foi em direção ao quarto para guardar a roupa, entrou e colocou o pacote sobre a cama e quando já ia embora viu que Sherlock tinha deixado a porta do banheiro semi-aberta, vapor saia pela fresta, mesmo sem fazer esforço, John podia ouvir pequenos gemidos vindo de dentro do banheiro, e usando toda a sua força de vontade que não era muita naquele momento, saiu do quarto o mais depressa que conseguiu e foi para a cozinha fazer seu chá.
- Chá resolve qualquer problema! — ele recitava isso como um mantra.
O Chá ficou pronto um tempo depois, John pegou um copo e encheu de água para tomar seus remédios, mas escutou um som vindo da sala e foi verificar o que era e quando chegou lá ele viu que Sherlock já tinha terminado seu banho e estava sentando em sua cadeira, ele vestia seu roupão de ceda azul, seus cachos ainda húmidos, agora novamente negros, caiam por sua testa, o amigo estava em sua pose “estou pensando, não perturbe”. John para perguntar algo, mas foi interrompido pela voz do amigo.
- Vá tomar banho, John! Você fede a fumaça. – Sherlock mandou, mas não tinha sequer aberto os olhos.
John passou a mão pelo rosto e contou até dez para não mandar Sherlock para o inferno, e suspirando se encaminhou para o banheiro, pois ele estava se sentindo imundo mesmo, quando terminasse ele tomaria seu precioso chá e remédios.
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Já tinha uns bons minutos que estava debaixo do jato d’água, o calor da água era reconfortante, mas não diminuiu nem um milímetro a tensão em seu corpo dolorido. Ele viu que tinha vários hematomas pelo corpo. Tinha conseguido tirar a barba e o cabelo falso, era bom sentir seus cabelos e rosto novamente. O médico nunca tinha gostado de cabelo grande mesmo antes de entrar para o exército.
John fechou os olhos e se lembrou da festa e sua mente traiçoeira lhe mostrou Sherlock naquela roupa, oh Deus, ele iria ter problemas para dormir se ficasse imaginando Sherlock naquela cueca que deixava à mostra todo o membro do amigo.
O loiro começou a ficar duro de novo, ele mordeu os lábios. Ele se recusava a se tocar pensando em Sherlock, ele tinha que parar com isso, para o bem da sua sanidade e banindo a imagem de seu amigo da cabeça e começou a se tocar muito lentamente, sua mão descendo e subindo por toda a extensão de seu pênis, a cada movimento ele ficava mais duro, ele puxou a excesso de pele da ponta deixando a cabeça de seu pênis à mostra, ele fez pequenos círculos com a ponta do polegar, ele ficou assim por algum tempo.
John sentia a água cair nas suas costas, ele se apoiava na parede com uma mão e com a outra se masturbava com movimentos rápidos e impacientes, ele podia sentir aquela sensação na boca do estomago e o peso em sua bolas, mas o orgasmo não vinha, ele tentou pensar em várias de suas ex-namoradas, conhecidas ou amigas, em seus corpos curvilíneos, bundas, seios, bocas, da sensação de como era estar dentro delas, o calor e o cheiro, mas nada lhe fez chegar. Aparentemente sua mão não tinha mais o efeito de sempre, ou sua imaginação estava muito pobre.
- Merda! – ele xingou batendo com um punho fechado na parede. – Sherlock me estragou para o resto da minha vida! –Ele bateu a cabeça contra o azulejo do banheiro. Com certeza iria parar no hospital com problema que seus amigos do exército chamavam carinhosamente de “Bolas azuis”. Ele abriu a torneira de água fria do chuveiro e deixou a água cair sobre seu corpo quente.
Depois de alguns minutos debaixo da água fria seu corpo se acalmou, John fechou a torneira e pegou a toalha e começou a se enxugar e em seguida a enrolou na cintura e foi para frente da pia, ele passou a mão no espelho para limpar e apoiou as duas mãos nas bordas da pia e ficou se olhando por um longo tempo, suspirou cansado, suas costelas começavam a doer novamente, seu corpo pedia descanso. O loiro repassou tudo que aconteceu com ele: a festa, depois as coisas que presenciou naquele lugar estranho, a explosão, hospital, no prédio novamente e por fim, o cadáver. E o que era comum em todos os cenários era a forma como Sherlock parecia se esquecer dele e se lembrar somente quando lhe convinha.
Isso doía, era uma sensação ruim, péssima. John gostava daquele filho da puta e seus sentimentos só faziam aumentar, mesmo ele sendo um grandessíssimo cretino. Mas esse sentimento só piorava as coisas para sua amizade.
John era um homem que gostava de toques, de tocar e ser tocado, beijos em todos os lugares e a qualquer momento, andar de mãos dadas, sexo... muito sexo...e ele percebeu que a cada dia ele estava entrando cada vez mais no espaço pessoal de Sherlock, seus dedos roçavam os dele quando ele lhe entregava o chá... ele se pegava com uma frequência alarmante olhando para as calças de Sherlock, mais precisamente para a virilha do amigo, para ver se vinha algum contorno, ou olhava para sua bunda quando eles estavam andando e Sherlock ia na frente. A necessidade de intimidade crescia dia após dia e isso o estava matando.
John tinha percebido que Sherlock não sabia o que era espaço pessoal, ou privacidade. Esses conceitos básicos de boa conduta e convivência fugiam da mente daquele homem brilhante. Não que ele estivesse reclamando dos toques ocasionais, das mãos com dedos longos do detetive em seu ombro ou costas, esses pequenos toques amenizavam sua necessidade de contato.
John se perguntava, se o detetive parecia não querer se envolver com ninguém, ou ter qualquer tipo de intimidade, então o que dizer sobre aquele dia no banheiro? E aquele dia no seu quarto quando o seu colchão tinha sido queimado? Ou quando Sherlock o beijou quando ele tinha voltado do Pub e tinha sido drogado? E o dia da dança? E do primeiro dia em que ele dormiu na cama de Sherlock, que eles pararam só porque o alarme do computador do detetive soou? E o que falar da festa??? John queria gritar sua frustração, ele não entendia o que Sherlock queria dele, ou o que estava fazendo, seria algum experimento que o moreno estava fazendo com ele? John tirou as mãos da borda da pia e passou nos cabelos exasperado. O elefante no canto da sala só crescia. Ele não perguntava, Sherlock não falava nada, e ficava por isso mesmo e o elefante só ficava maior e na verdade a essa hora ele já deveria ter desenvolvido para um mamute.
Isso tinha que acabar, ou ele ficaria louco. John sabia que Sherlock nunca retribuiria o que ele sentia por ele. “Casado com o trabalho” Essa frase queimava em seu peito toda vez que lembrava. O loiro preferia preservar a amizade deles do quê tentar algo que estava fadado ao fracasso. Sua amizade com o detetive era a coisa mais importante que ele tinha na vida, Sherlock o salvou de tantas formas que não existia palavras no dicionário que dimensionasse e definisse sua gratidão, e John precisaria viver várias vidas para retribuir e agradecer o suficiente.
O loiro decidiu parar de sentir pena de si mesmo e sair do banheiro e quando o fez só com uma toalha em volta da cintura, ele encontrou Sherlock no quarto em pé de frente a janela, ele tinha os braços cruzados sobre o peito e quando ele se virou, o olhar em seu rosto era nada mais do que perdido.
- Algum problema, Sherlock? – John se aproximou e viu que tinha uma linha fina de sangue que saia da sua têmpora e que descia em direção a sua clavícula.
- Eu preciso de pontos, eu tentei, mas não é minha área... ainda.
- Então vamos nos vestir eu te levo ao A&E. – John foi em direção ao guarda roupa para se vestir.
- Não! Eu não quero ir ao hospital. – Sherlock se afastou da janela e se sentou na cama.
- Você disse que precisava de pontos e eu concordo, isso não vai parar de sangrar e tem que ser limpo para não infeccionar! – John se aproximou da cama.
- Eu não gosto de médicos. – Sherlock disse em um tom baixo. – Nem de agulhas. – Ele olhou para o lado.
- Ora... ora achei finalmente seu ponto fraco. – John comentou tentando fazer piada, mas o olhar que recebeu do detetive era estranho, se ele não o conhecesse bem pareceria quase magoado, mas sumiu logo que apareceu ficando no lugar uma expressão de desdém.
- Você é médico, John!
- E você me recriminando por dizer o óbvio. – Sherlock fez um som impaciente com a boca. – Se você queria que eu desse os pontos era só ter pedido desde o início. – John se afastou e foi buscar sua maleta.
Quando voltou com as coisas que precisaria para dar os pontos no ferimento na testa de Sherlock, o encontrou no mesmo lugar, sentado na cama e ainda sangrando.
- Esse corte deve ter sido muito fundo para estar sangrando desse jeito, talvez só com os pontos não melhore, talvez você deva ir ao hospital.
- Já disse que não vou, John.
- Eu sou médico Sherlock, se eu julgar necessário, você terá que ir. – Sherlock resmungou. – Você confia nos meus conhecimentos médicos, não confia?
- Claro, que pergunta idiota! – ele prontamente respondeu.
- Ótimo! Então me deixe fazer meu trabalho. – John se aproximou e levou os dedos ao rosto do detetive. – Posso?
Sherlock virou o rosto e afastou as pernas para que John pudesse ficar mais próximo dele. O loiro se aproximou e com um pequeno chumaço de algodão começou a limpar a ferida. Levou vários minutos para fazer todo o processo de limpeza desinfecção até chegar ao ponto certo para os pontos. John colocou a linha própria na agulha e parou quando estava próximo a ferida.
- Eu não tenho anestesia. – comentou inseguro. – Irá doer.
- Não tem problema, eu lido bem com a dor John.
- Tem certeza? – Sherlock fechou os olhos e inclinou o rosto novamente.
John começou a fazer os pontos, ele não sabia se ia rápido para terminar com a dor do amigo, ou se iria devagar para que a dor fosse a menor possível. Ele optou por ser o mais cuidadoso o possível.
Cada vez que a agulha perfurava a pele de Sherlock, John mordia os lábios, era como estar machucando a si mesmo. Ele podia sentir a agulha furando, a linha passando pela pele, ele podia imaginar a dor.
- Você está sentindo dor, John? Suas costelas estão doendo? — Sherlock perguntou, John terminou de puxar a linha e parou.
- Dor? Eu? Minhas costelas? Não por quê? – John voltou para o trabalho e deu mais um ponto.
- Você está mordendo os lábios e está com a testa franzida e tem algumas gotículas de suor brotando em sua testa.
- Não, estou bem. E só mais um ponto e termino, desculpe se estou sendo muito lento.
- Você está tentando me causar o mínimo de dor. – Sherlock comentou mais para si mesmo do que para John. – Já disse que sou forte para dor.
- Não se mexa, ainda falta mais um. – John reclamou do amigo que começou a se movimentar na cama. – Eu sei que você é forte para dor, mas esse não é o ponto.
- Seria um ótimo momento para você se vingar e descontar sua raiva. – O moreno comentou e tinha os olhos em John.
- Você acha que eu lhe causaria dor de propósito, só para descontar minha raiva? – perguntou incrédulo, ele tinha parado o movimento com a agulha no meio do caminho.
- Você vive me ameaçando e diz que um dia vai me matar. Só espero que você me surpreenda e não seja uma morte maçante.
- Jesus, Sherlock! Você é um idiota! — John voltou a movimentar a agulha.
- Ai! – Sherlock gritou.
- Oh, desculpe Sherlock! É só que... – John não terminou de falar, só deu o último ponto e terminou. Tirou um pequeno curativo da embalagem e colocou sobre os pontos. – Pronto!
John sentia seu coração acelerado, como Sherlock poderia imaginar que ele lhe faria mal, ou lhe causaria dor de propósito? Que inferno de pessoas Sherlock tinha conhecido para ter esse tipo de visão? Ele era um médico, ele cuidava das pessoas, claro ele tinha dias ruins, mas causar dor de propósito? Não nunca. Ele ia se afastando quando viu algo vermelho na coxa do amigo.
- O que é isso, Sherlock?
- Me machuquei na explosão, mas estou bem. Os médicos do idiota do meu irmão me olharam.
- Eu sou médico, eu avalio se está bem ou não.
John se ajoelhou no chão e afastou o tecido do roupão de Sherlock da perna dele e olhou mais de perto o ferimento, o machucado não era grave, mas precisava ser limpo e de medicação. O loiro levantou os olhos para olhar para o amigo e viu que o roupão estava meio aberto, dava para ver o tórax, barriga e um pouco do...
- “Se controle Watson!” – se recriminou mentalmente e voltou a olhar para o machucado. – Vou colocar um curativo aqui, ok?
Sherlock fez um som amuado e deixou suas costas tombarem na cama, deixando John limpado o machucado na sua coxa esquerda. Depois de alguns minutos e muitas reclamações por parte do detetive, John terminou.
- Agora você precisa descansar, eu preciso descansar e tomar meu remédio. – John se levantou com alguma dificuldade sentindo suas costelas doerem. Deus, ele estava ficando velho. Ele se dirigiu para o guarda roupa para pegar um pijama, pois ele ainda estava só usando uma toalha na cintura. Ele pegou uma cueca qualquer, sua blusa branca com listras prestas e uma calça de pijama velha e estava indo para o banheiro se vestir quando Sherlock o chamou.
- Aonde vai? – Ele ainda estava deitado com as pernas do lado de fora da cama.
- Me vestir.
- Sério? Vai para outro lugar para não ser visto nu? John isso é ridículo.
John o ignorou e entrou no banheiro fechando a porta. Ele sabia que estava sendo ridículo, depois de tantos anos na faculdade, no time de rúgbi e no exército, mas o problema de ficar nu na frente de Sherlock era que ele não sabia o que mais lhe assustava, se era a possibilidade de não se aguentar e agarrar o amigo devido ao seu estado constante de excitação, ou a possibilidade de Sherlock simplesmente o ignorar. O loiro sabia que não tinha mais o mesmo corpo da sua época do exército, não que ele estivesse gordo, nem nada. Mas Sherlock era tão perfeito e lindo que John sentia um pouco incomodado com o próprio corpo.
- Eu sou um idiota. – John disse ao terminar de se vestir.
- Eu concordo! – veio uma voz de dentro do quarto e John mostrou a língua para a porta do banheiro. – Muito maduro da sua parte John.
- Como sabe o que estou fazendo? – John perguntou procurando por câmeras no banheiro. – Eu juro que se eu encontrar uma maldita câmera nesse banheiro eu te mato.
- Só se Mycroft colocou. – veio a resposta do outro lado da porta.
John saiu do banheiro e não olhou na direção da cama, e foi em direção a cozinha, seu chá estava frio em cima da mesa, ele pegou um copo com água e tomou seus remédios, e viu a sacola com a comida que Anthea havia lhe dado, estava mais que frio, mas ele não estava com fome e não seria muito saudável comer comida Tailandesa no café da manhã. Ele podia esquentar o chá e comer alguma torrada, mas se sentia muito cansado para qualquer coisa, o esforço que fez dando pontos na testa do amigo consumiu suas últimas reservas de energia. Então resolveu ir se deitar, mas se lembrou do trabalho na clínica, o médico havia lhe dado dois dias de atestado, ele procurou seu celular e o achou em sua poltrona e ligou para avisar, a chamada foi atendida no segundo toque.
- Messina Clínica, bom dia!
- Daniely, é o doutor Watson!
- Oh doutor Watson! Como foi a noite, agitada?
- Foi boa, obrigado por perguntar. Mas eu tive um pequeno problema e tenho dois dias de licença medica, você pode re-agendar meus pacientes e avisar a doutora Sawyer para mim que estarei fora hoje e amanhã, por favor?
- Claro doutor Watson, mas não é nada grave, não é? – a moça perguntou e sua preocupação parecia sincera.
-Não, não é nada sério, mas requer cuidados. Obrigado por perguntar!
- Desejo melhoras! E seus pacientes já serão re-agendados, não se preocupe!
- Obrigado e o próximo café é por minha conta! – disse sorrindo.
- Vou cobrar, hein, doutor! – respondeu a moça com voz doce.
- Pode cobrar, até mais! -e desligou.
- Não conseguiu sair para tomar café com a funcionária de Mycroft, agora está convidando a recepcionista da clínica? Está tão desesperado para tomar café assim? E você nem gosta de café!
- Boa noite Sherlock. – John foi caminhado em direção ao quarto, Sherlock estava parado no meio da sala.
- É de manhã! – respondeu irritado.
- Não me importo!
O loiro se aproximou da cama, levantou o cobertor e se deitou se ajeitando no lado esquerdo da cama, ele estava tão cansado e também por causa dos efeitos dos remédio que tomou, em poucos minutos estava dormindo.
-x-
Anos de treinamento no exército fizeram com que seus instintos lhe contassem quando algo não estava certo, e com essa sensação ele foi arrancado dos braços do sono e quando abriu os olhos viu um emaranhado de cachos negros e olhos azuis bem próximos a ele.
- Jesus, Sherlock! Que susto! – Sherlock o olhava como se quisesse entrar em seu crânio.
- Nunca mais faça isso! – Sherlock disse e sua voz mostrava uma raiva e descontrole que John não entendia.
- Fazer o quê? – ele perguntou confuso, ainda tonto de sono.
- VOCE SE FOI DUAS VEZES! – Sherlock gritou e se levantou e ficou andando de um lado para o outro no quarto.
- Sherlock, eu não estou entendendo! – John colocou as pernas para fora da cama e se levantou indo em direção a Sherlock. – Como assim eu fui?
- Na explosão... na segunda... você teve parada cardíaca. – Sherlock gesticulava e não parava de andar.
- Oh... eu não sabia...
- Eu... eu não sabia o que fazer.... essas lembranças de você sem respirar nos meus braços e eu sem saber o que fazer... ficam girando aqui dentro. – O moreno bateu a mão do lado da cabeça com força próximo aos pontos, ele parecia com muita raiva.
- Sherlock, pare, você vai se machucar. – John tentou fazer com que Sherlock parasse, mas ele se desvencilhou dos seus braços.
- Eu tentei apagar, mas não CONSEGUI! – Ele gritou assustando John– Você entende?? Claro que não... ninguém entende... você John... você... é ... nunca mais faça isso! — ele disse isso em um tom que John nunca tinha ouvido.
John viu que Sherlock estava tremendo, mas quando seu cérebro tentou processar essa informação, seu amigo o agarrou pelos os ombros e seus lábios se encontraram com muita força, o loiro sentiu gosto de sangue na boca, o detetive pressionou seu corpo ao de John de forma quase obscena. Cristo, John pensou, ele já era duro de novo, ele estava se sentindo um maldito adolescente com os hormônios em fúria.
O corpo de Sherlock estava quente contra ele, magro e firme.
- “Foda-se!” – John pensou em sua cabeça e levou as mãos aos cachos de Sherlock e o puxou para mais perto se isso era possível. Que Deus o ajudasse, ele estava cansado demais de lutar e dizer que não queria e que não podia, ele iria pegar o que lhe estava sendo oferecido e depois ele juntaria o que sobrasse dele e de seu coração.
Continua...
Notas finais
Será que precisarei me mudar de cidade? Estado? País? De identidade? Vocês estão querendo meu sangue? O__O
Eu gostaria de agradecer a todas as pessoas que estão lendo e comentando e as que estão lendo e não comentando também... as vezes são tímidas, ou não saibam o que dizer.
Quero agradecer as pessoas que mesmo com esse HIATUS imenso ainda esperam ansiosamente pela fic. Muitos teriam abandonado e ignorado e pensando: - ahh, mas é só mais uma fic mais ou menos de Sherlock... existem tantas por ai, por que vou me dar ao trabalho de continuar a ler ou esperar que essa bloodyficwriter termine essa fic? Queria poder apertar e morder todos os que me seguem no Twitter, no Tumbrl e emails... ou os que não seguem também xD vocês são lindos e fofos!
Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi do capítulo 19: Histeria, Wellsandra Cumberbatch, Orfieu, Lia Colins, Gabriela Fagundes, Lara, Mika Nyah, Di Lua, Mrs ReNoir, Klastiel, PCHolmes, SweetDream, Mylena, Pistols, Time Lady, Lis, Nathalia Stark, Another, Kisa, Lunny Anjos,
Se eu esqueci de alguém, forgive me!
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Mesmo com a Betagem da Ash Queen se por acaso sobraram alguns erros, lembrem-se eles são todos meus.
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Recomendações da Fic no site Nyah Fanfiction
Mylena: Muito obrigada pela indicação da fic no site Nyah, fiquei muito feliz com suas palavras carinhosas, fico completamente feliz e com cara de besta na frente do computador. Muito obrigada mesmo.
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Contatos: Para quem quiser entrar em contato comigo, fique a vontade e me adicionarem no Twitter: arroba karlamalfoy, Tumblr: karlamalfoy ou pelo e-mail: karlamalfoy arroba yahoo . com . br . Serão todos muito bem vindos!
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Leitura da Fic:
Eu sei que tem pessoas que tem pavor do FFNet, e algum problema com o Nyah, então eu abri conta do AO3 e estou postando a fic lá também, então... agora além do FFnet, Nyah, vocês poderão ler futuramente no AO3.
O AO3 é um site fantástico para leitura de fanfictions, mas por ser nova a maioria das fics que tem por lá são em outras línguas e poucas em português, mas o layout para leitura é melhor, eu acho... =__=
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Próximo capitulo: O que será que vai acontecer com Sherlock e John? O que será esse ataque de pânico de Sherlock? E John vai finalmente jogar tudo as favas e fazer o que quer e aproveitar os avanços de Sherlock? Saiba mais no próximo capitulo...
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Nossa, isso tá parecendo resumo de novela mexicana xD_
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Próximo capitulo: Tempo de Morrer
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Cenas do próximo capítulo:
(...) Pelo amor de Deus, seus amigos o tinham apelidado de Três Continentes Watson não era à toa. John tentou recuperar um pouco de autocontrole. Ele ansiava por tocar Sherlock, era o que ele queria agora, e se ele fosse honesto consigo mesmo, ele queria fazer isso desde o segundo que colocou os olhos naquele rosto de traços fortes e olhos frios e azuis.(...)
(...) se isso estava realmente acontecendo e não era um de seus sonhos malucos, ele iria se jogar de cabeça. Ele lidaria com o elefante no canto da sala depois. Se ele sobrevivesse, se sua amizade sobrevivesse aquilo... (...)
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