Notas iniciais
Olá meninas, demorei mas aqui estou eu, primeiramente gostaria de dar as boas vindas a todas: Carol Stark , The heiress of Time, Lucy e se tiver mais alguém novo, por favor me avisem. Obrigada a todos comentários deixados e gostaria de pedir encarecidamente aos fantasmas que deixem comentários, não custa nada e é uma coisa rápida de ser feito, espero que gostem, e se tiver algum erro me avisem, att

[RECAPITULANDO]

Mas de repente começou a mudar. A névoa clareou e tomou formas, e em segundos Lizzie estava olhando para o que parecia um espelho enorme. E o espelho refletia todo o quarto atrás dela. Só que em outro tempo. Ela podia ver perfeitamente que o papel de parede era diferente assim como as cortinas e os móveis. Tudo. Bem abaixo das cobertas estava o pequeno corpo. Jane? Antes de ficar doente, quando estava bem e forte e saudável? Isso funcionaria. Tinha de funcionar.

Só esperava que não a matasse. Todos os testes até agora indicaram que haveria efeitos colaterais. A xícara que Lizzie passou através do portal uns dias atrás se espatifou. Fez ajustes no aparelho e tentou de novo. A maçã que passou murchou, então fez ainda outros ajustes. O coelho… o coelho morreu. E apesar de Lizzie ter recalculado e feito mais ajustes, não podia ter certeza de que tudo estaria certo desta vez. Sim, provavelmente haveria efeitos colaterais. Sérios. Só não sabia quais, ainda. Mas — deu um pequeno sorriso — estava prestes a descobrir.

— Você vai ficar bem, Jane. Prometo que vai ficar boa de novo!

E Elizabeth Bennet entrou na luz e na hora sentiu uma pancada forte bem entre os olhos.

***

Darcy não conseguia dormir. Sua cabeça estava cheia. Ah, não era a casa. Ela era perfeita, soubera disso no momento em que colocara os olhos nela. Uma construção vitoriana antiga, mas elegante, erguida como um guardião do mar. A areia de Derbyshire abaixo. A canção das ondas que o ninariam.

Seu novo antiquário e oficina que seria destinado a restaurar objetos — Darcy sorriu com as palavras — agora era uma realidade. Pesquisara a área, fizera novos contatos e guardara descobertas locais. Já estava aberto há algumas semanas, e os negócios estavam indo bem. A casa de hóspedes — uma cópia em miniatura da casa principal era perfeita. Até os condados próximos, tinha uma aparência perfeita. O resumo da fantasia de Pemberly. Um lugar que o tempo e o progresso pareciam ter esquecido. Ao andar pelas calçadas de Derbyshire, ele quase esperava virar a esquina e encontrar quatro homens usando chapéus de palha e bigodes, cantando enquanto passeavam pelo parque.

Mas como a avó Anne costumava dizer, quando as coisas parecem muito boas para ser verdade, preste atenção, porque elas provavelmente são.

E se a loja falisse? O que faria então? Correria de volta para Meryton com o rabo entre as pernas?

Não. Essa mudança já havia sido dura demais para Georgiana. Não faria isso de novo. Faria com que desse certo de alguma forma. Tinha de dar, pelo bem da filha.

Mas as preocupações financeiras não estavam sozinhas em sua mente. Estava mais preocupado com a filha do que com qualquer outra coisa. O desejo de Georgiana por uma mãe atormentara seu coração desde o momento em que ela a proferiu no carro. Ela era uma criança inteligente — os professores achavam que era superdotada. Ela sabia que já tivera uma mãe. Mas apesar de não gostar de mentir para a filha, não contara toda a história sobre Catherine. Ela só sabia que a mãe fora uma artista plástica talentosa que morreu quando ela ainda era um bebê. Nunca contou a Georgiana como fora seduzido pelo idealismo e pela sinceridade de Catherine, e a beleza e o significado por trás das obras que cria e expunha nos ateliês em Londres. Quando pensava na rapidez com que se apaixonara…

Fora um tolo. O idealismo de Catherine sumiu no momento em que alguns figurões de Los Angeles a virão em um vernissage e ofereceram para ela um contrato para fazer uma grande exposição. Com um bebê de poucos dias e um jovem namorado que já deixara claro que não queria sua parte na riqueza da família, não se encaixava nos novos planos. Não teria desejado que uma mulher tão irresponsável e superficial criasse sua filha. Agora sabia disso. Mas também sabia que a filha sofria pela falta de uma mãe.

Ah, se ao menos…

Ele olhou melancolicamente para a pintura na parede perto da cama. Elizabeth Bennet. Algumas mechas do cabelo negro e macio saia pelo penteado elaborado sobre atesta e colo, os olhos castanhos brilhavam. O bordado do vestido rosa não escondia o tamanho dos seios. A ponta de um relógio de ouro aparecia no pequeno bolso.

A semelhança da menina com Georgiana o impressionou mais uma vez, e percebeu que deveria haver muitos motivos para gostar tanto daquela obra. As duas estavam sentadas muito próximas, em uma mesa de madeira com um lampião em cada extremidade. Cada uma estava fazendo seu papel, mas, de alguma forma, ainda estava ciente da outra. Era quase possível sentir o amor entre elas. Mãe e filha — saberia disso mesmo se William não tivesse contado. Uma mãe cujo trabalho significava tudo, mas que nunca permitiu que viesse antes da filha. Uma mulher um tanto quanto moderna para sua época, mas mesmo assim...

Se ao menos Georgiana pudesse ter uma mãe como essa.

Darcy suspirou e relaxou afundando-se nos travesseiros. Não adiantava sonhar. Nunca encontraria uma mulher com os valores do século XVIII. Nem nessa nostálgica cidade. E não aceitaria menos que isso. Não queria uma outra mulher para quem a carreira significasse mais do que a própria filha. E também não queria alguém sem ambição, nem uma menininha imatura e irresponsável.

Ele queria…

Seu olhar se voltou mais uma vez para a mulher no retrato. Os lábios carnudos estavam franzidos, o maxilar, contraído, e estava bem perto da menina. A paixão nos olhos era pelo trabalho. Mas era tão intensa, que o fazia pensar, se já fora por um homem. O esposo, o pai da menina, talvez?

Ele sorriu e balançou a cabeça. Estava agraciando a inventora com qualidades que provavelmente nunca tivera. No dia seguinte à mudança, Darcy fora à Biblioteca Pública de Derbyshire pegar alguns livros sobre a história da cidade. Os capítulos sobre Bennet diziam o mesmo. Ela fora uma notória mulher excêntrica, que chegou à cidade grávida, dizendo ser viúva. Com certas ideias na cabeça, fazendo coisas que só eram conferidas a homens. Uma mulher moderna, em pleno século XVIII, com ficou conhecida por um dos autores. Nenhum mencionou como o marido falecera. Pobre mulher.

Mas ainda assim, aquela paixão nos olhos dela chamava por ele.

Toda essa especulação não fazia sentido. A mulher nem estava viva. E provavelmente não era paixão nos olhos dela, mas talvez o começo da loucura. Sendo considerada um gênio e uma mulher à frente de seu tempo, Bennet cruzou, os livros diziam, a tênue linha entre o brilhantismo e a insanidade. E pelo que lera, Darcy achava que a loucura começara a tomar conta dela bem antes da morte da filha. Dois relatos contavam que Bennet anunciara que descobrira uma forma de viajar no tempo. Fora ridicularizada e logo depois se recusou a discutir o assunto. Alguns dizem que foi esse episódio que a levou para o isolamento tanto quanto a morte da filha. Seja qual for à razão, sumiu de vista na década de 1790, e nunca mais se ouviu falar dela.

Uma grande pena.

— Papai! Depressa, papai!