Notas iniciais
Olá meninas, aqui estou eu novamente. Antes de mais nada, gostaria de dar as boas vindas a Pequena Sis e obrigada pela mensagens de vcs. Espero que gostem do capítulo.

[RECAPITULANDO]

— Faremos com que ela fique boa de novo, Lizzie. Eu prometo.

Ela virou e o abraçou, puxando-o para bem perto e aconchegou a cabeça em seus cabelos. Ele sentiu as lágrimas que ensopavam a sua camisa e sabia muito bem o que significavam.

— Temos de conseguir — sussurrou ela.

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Georgiana esperou até que o som dos passos se afastasse. Quem quer que estivesse no quarto saiu e desceu as escadas. Agora era sua chance. Saiu do armário, foi pelo corredor até o quarto de Jane e entrou, fechando a porta.

Jane se sentou, os olhos piscando. Parecia que estava terrivelmente cansada. Mas sorriu para Georgiana mesmo assim.

— Oi, Jane — disse Georgiana, chegando mais perto e se sentindo desconfortável. Não tinha certeza do que deveria dizer exatamente, como agir. — Sou…

— Meu segundo desejo?

— Georgiana Darcy.

— Geo o que? — Perguntou a menina, muito interessada na outra.

— Georgiana Darcy.

— Geogiana?

— Mais ou menos isso, mas pode me chamar do que quiser — Esticou a mão e se aproximou da cama.

Jane olhou para a mão de Georgiana e lentamente balançou a cabeça.

— Estou doente.

— Sei. — Georgiana se sentou em uma cadeira grande. — Mas eu já tive essa doença. Só pegamos uma vez.

— Mesmo?

— Hum hum.

— Você teve? — Jane se aprumou um pouco mais reta na cama. — E agora?

— Eu estou bem melhor.

— Mamãe também teve e melhorou. — Ela deu um suspiro triste.

— Eu sei que as pessoas acham que é difícil de ser curado, mas o que eles não sabem, é que existe uma cura. — disse Georgiana, olhando rápido para a porta e de volta para a menina na cama. — Ninguém aqui me conhece, mas existe um remédio capaz de curar.

— Gostaria que fosse verdade — disse ela baixinho. — Estou tão cansada de me sentir mal o tempo todo.

— É verdade — afirmou Georgiana, pegando o pote de comprimidos no bolso e segurando-o. — Esse é o remédio, bem aqui. Trouxe para você. Tentei entrar mais cedo, mas aquela senhora não deixou.

— Eles não deixam ninguém me ver, a não ser mamãe, o médico e a Mrs. Smith, claro. Não deixam sair, nem brincar é chato. — Olhou para o pote. — Meu terceiro pedido — murmurou ela, e então olhou para Georgiana, os olhos arregalados e confiantes. — Eu vou mesmo ficar boa de novo?

— Vai, mas você tem de tomá-lo certinho. De quatro em quatro horas, não pode deixar de tomar um comprimido sequer, ou os outros terão sido desperdiçados.

Jane piscou, mordendo o lábio.

— Eu durmo muito. Não vou conseguir tomar. Talvez fosse melhor falar com os adultos…

— De jeito nenhum. Escute, Jane, eles não acreditariam em mim. Diriam que sou mentirosa. E não tenho como vir aqui a cada quatro horas para lhe dar o remédio. Quando tentei entrar, eles ameaçaram chamar os tiras para me pegar.

— Tiras?

— Eh… O policial. Olhe, Jane, tenho tentado resolver esse problema há algum tempo, e acho que só existe uma maneira de conseguirmos isso.

— Como? Faria qualquer coisa para ficar boa de novo.

— Você tem de fugir — disse Georgiana, decidindo não dar voltas. Alguém poderia entrar a qualquer momento e puxá-la pela orelha. — Agora mesmo, hoje. Encontrei um lugar onde podemos nos esconder. Vou tomar conta de você e lhe dar o remédio a cada quatro horas.

Os olhos de Jane se arregalaram. Respirou fundo e balançou a cabeça.

— Não sei, Geogiana. Por quanto tempo teríamos de ficar?

— Só uns dois dias. Você terá de tomar os comprimidos por mais tempo, mas depois de dois dias você deverá estar tão melhor que eles terão de acreditar em nós. Pelo menos estará melhor para tomar o remédio sozinha sem a minha ajuda.

— Se eu estivesse tão melhor; eles deixariam você ficar — disse Jane, e Georgiana achou que estava pensando alto. — Mas minha mãe vai ficar muito preocupada se eu sair.

— É, mas pense em como ficará feliz quando você voltar forte e saudável.

Jane deu um pequeno sorriso.

— Seria maravilhoso.

— Temos de nos apressar, Jane. Antes que alguém entre.

— Não estou muito forte.

— Carrego você nas costas se precisar. Vamos, você vai precisar de roupas quentes. Levaremos um cobertor também. — Enquanto Georgiana falava, pegou um comprimido e entregou-o a Jane. — É melhor tomar o primeiro agora. Tome com água. — Ao falar isso, colocou água em um copo que estava na mesa de cabeceira. Entregou-o a Jane e a menina obedientemente colocou o comprimido na boca. Foram três tentativas, ela quase engasgou, mas finalmente conseguiu engolir. Então passou as pernas pela beirada da cama.

— As minhas roupas estão lá. — Apontou e Georgiana abriu o enorme armário e tirou um suéter de lã pesada e uma calça. Jane se vestiu, mas era desajeitada e lenta, e quando terminou, se afundou na cama, a cabeça caída e a respiração difícil.

— Você está realmente fraca — disse Georgiana. Ela ajoelhou e vestiu as meias no pé da menina mais nova. Depois calçou um par de sapatos com aparência estranha, e voltou para o armário para pegar um casaco.

— Você está pronta agora.

— Pegue outro suéter — disse Jane, levantando a cabeça apenas o suficiente para falar. — Você não está de casaco. Eu tenho um que é muito grande. Vai servir em você.

Georgiana encontrou o suéter a que Jane se referia, o enrolou e colocou embaixo do braço.

— Está pronta?

— Acho que sim — disse Jane. Levantou-se, mas oscilou e quase caiu. Georgiana foi para o lado dela e colocou o braço de Jane em volta de seus ombros.

— Vamos lá. Não se preocupe Jane, isso vai dar certo.

Jane assentiu e Georgiana abriu a porta e a guiou pelo corredor, para longe da escada pela qual os outros dois tinham descido. Conhecia bem a casa e sabia que havia uma escada que levava direto para a porta dos fundos. Estavam indo devagar. Jane mal conseguia andar, mas logo chegaram à noite estrelada e gelada.

Jane se apoiou em Georgiana e respirou fundo.

— Faz muito tempo que não saio de casa.

— Acredito.

— Onde é nosso esconderijo, Geogiana?

— No estábulo do outro lado da estrada. Fiquei lá mais cedo e não tinha ninguém por perto. Estaremos seguras. E tem um monte de lugares para nos escondermos se alguém aparecer.

Jane levantou a cabeça e olhou para o estábulo lá longe.

— Não acho… que eu consiga chegar tão longe.

— Você tem de conseguir. Vamos lá, sei que é difícil, mas…

— Não, espere — interrompeu Jane. — Eu tenho um pônei. Na cocheira, lá.

Georgiana olhou e piscou, surpresa. Não havia nenhuma cocheira no quintal em 2017. Mas agora tinha uma lá, exatamente onde deveria estar à garagem. Cara, isso era como "Além da imaginação" ou algo assim. Assentindo, ajudou Jane a atravessar o jardim, a encostou em um fardo de feno e abriu a porta da cocheira.

Um pônei marrom de crina loira e tranquilo as cumprimentou com um relincho e um movimento da cabeça peluda. Georgiana pegou o cabresto do pônei e o levou para fora. O animal saiu, parando ao lado do fardo em que Jane estava sentada, e a cutucou com o focinho. Os grandes olhos castanhos pareciam dizer que sabia exatamente o que estava acontecendo. E o animal ficou parado enquanto Georgiana ajudava Jane a subir nas costas dele.

— Que pônei bom — disse Georgiana, pegando o cabresto de novo e acariciando o focinho do animal.

— O nome dele é Pete — informou Jane.

— Sempre quis um pônei.

— Eu também. Mas como estou doente, há muito tempo não posso montar.

— Então vai gostar disso. — Georgiana desenrolou o cobertor e o colocou em volta dos ombros de Jane, fazendo um nó para prendê-lo. — Segure firme e avise se precisar parar.

Georgiana virou e guiou o pônei e a menina pelo jardim e depois pela estrada. Então começou a levá-la na direção do estábulo e rezou silenciosamente para que não encontrassem viajantes antes de chegarem lá.