Até As Últimas Consequências
22 O Convite
Notas iniciais
[RECAPITULANDO]
Ela estava fascinada pela forma que aquele aparelho funcionava, sem nem mesmo ver a pessoa a sua frente.
— Diz a ele que eu já preparei o almoço. — Ela ao fundo ouviu a menina dando o recado ao pai.
— Ele agradeceu e disse que daqui a pouco estaremos aí.
— Tudo bem, até daqui a pouco.
* * * * * *
Darcy estava esperando que sua filha terminasse de trocar de roupa para poderem ir para casa, quando o celular tocou. Ao olhar para o número a princípio não reconheceu, e prontamente atendeu.
— Alô? — perguntou não fazendo ideia de quem seria.
— Poderia falar com Fitzwilliam Darcy? — uma voz masculina perguntou.
— Sim é ele. Quem fala?
— Não acredito que você não está reconhecendo a minha voz Fitz.
Por um momento Darcy não conseguiu descobrir quem era, mas pouco tempo depois reconheceu a voz.
— Minha nossa, por acaso é Charles Bingley?
— É claro que sou eu, o primeiro e único. Poxa, agora fiquei chateado porque você se esqueceu de mim.
Ambos riram.
— Deixa de ser idiota cara, faz um tempão que não nos falamos.
— Sei disso. Desde que eu fui para o Canadá que não conseguimos nos ver.
— Pois é. Quais são as novas?
Ambos se conheceram ainda no jardim de infância, quando no primeiro dia de aula, brigaram para ver quem iria ficar com o mesmo carrinho, desde então se tornaram melhores amigos. Até que sete anos atrás, a empresa que Charles trabalhava, ofereceu a ele a chance de ser transferido para a filial de Toronto, a princípio, ele não quis aceitar, pois ele tinha brigado com a noiva e queria fazer as pazes com ela, com medo de perdê-la. Mas como Darcy sabia que a tal garota realmente não amava o amigo, ele o fez cair em si, dizendo que aquela era a oportunidade para mudar a sua vida.
Aceitando o conselho do amigo e de alguns familiares, Charles se mudou e um ano depois, conheceu uma garota maravilhosa chamada Louisa que veio a se tornar a esposa dele. Agora eles eram pais de duas meninas lindas, sendo que a mais nova havia nascido há três meses.
Darcy e Georgiana foram visita-los diversas vezes e nunca deixaram de implicar um com o outro.
— As novas são que eu finalmente tive coragem, e vim com Georgiana para Pemberly.
— Sério? Quando foi isso?
— Cerca de algumas semanas atrás. Você sabe que eu queria ficar longe daquela loucura toda da minha família.
— Fico feliz em saber disso. A sua família é doida mesmo. — Ambos riram porque sabiam que era a pura verdade.
— Ei que número é esse? Nem reconheci, quando me ligou.
— Esse é o meu novo número, tenho tantas coisas para te contar, que por telefone fica difícil. Por que não nos encontramos para um jantar hoje a noite? Traga a Georgiana, estou com saudades da pequena.
— Mas como assim, não tenho como chegar a Toronto de uma hora para outra.
Mais uma vez, Charles deu aquela risada estrondosa.
— Eu me esqueci de dizer que novamente fui transferido e agora nós voltamos para a Inglaterra, mais precisamente para Rosings. Louisa está amando a cidade.
— Mas isso é magnífico. Rosings fica há meia hora daqui.
— Exatamente. Venha lá pelas sete.
— Tudo bem, posso levar mais alguém comigo?
— Esse alguém usa saia? — Especulou o amigo muito interessado.
— Sim, usa.
— E ela é bonita?
— Deixa de ser curioso.
Darcy ouviu o amigo suspirando do outro lado da linha.
— É claro que eu sou curioso. Desde que meu amigo se tornou um monge, nunca o vi ou ouvi falar em mulher desde que Catherine o abandonou, e eu não estou falando dos seus casinhos aqui e ali. Então não é de se estranhar que eu o esteja questionando.
Darcy sabia que o amigo tinha razão, desde que Catherine o abandonara, nunca antes havia ficando com outra mulher, até Lizzie aparecer e mudar a sua resolução de ter novamente um envolvimento com mulheres de novo.
— Sim ela é perfeita. No jantar você a verá. Levarei alguns bifes.
— Certo, vou passar uma mensagem para você com o endereço. Até mais tarde.
Desligando o telefone, Darcy ficou pensando no que havia dito para o amigo, realmente achava Lizzie perfeita para ele, e não via a hora de chegar em casa e dar um jeito de mostrar isso a ela.
Avistou Georgiana e a avisou que Charles havia ligado.
— Sério papai? Nós vamos a casa dele hoje à noite?
— Sim, querida. Vou comprar uns bifes e um bolo de chocolate para eles. Ligue para casa e avise a Elizabeth que já estamos indo embora, mas que passaremos no supermercado para comprar algumas coisas e que levaremos o almoço, pois daqui a pouco vai dar meio dia.
Assim que a filha desligou o celular, ele já estava estacionando em frente ao supermercado. Não queria perder muito tempo por ali. Pegando a mão da filha, rapidamente foi para o balcão de carnes, escolheu alguns bifes com aparência muito suculenta e assim que apanhou, foi para a confeitaria, como sabia que o bolo preferido do amigo era de chocolate, escolheu o mais bonito, estava quase se dirigindo para o caixa, quando Georgiana puxou o braço do pai, chamando a sua atenção.
— Papai posso pegar um chocolate para levar para Lizzie? Talvez ela gostaria de ganhar e podemos fazer essa surpresa a ela. O que o senhor acha?
— Acho uma ótima ideia. Vai lá escolher um.
— Tudo bem.
A menina correu e escolheu um que vinha em uma caixa em formato de coração.
— Ela vai gostar desse?
— Com certeza. — Agradecendo a filha mentalmente, eles se dirigiram ao caixa, pagaram a compra e foram para casa.
Não demorou muito para que eles chegassem. Ele mal tinha desligado o carro, Georgiana abriu a porta e saiu desembestada para entregar o presente para Elizabeth. Darcy sempre tentou ensinar a filha que um homem podia ser cavalheiro, com pequenos gestos, como abrir a porta quando entravam e saiam do carro, puxar a cadeira ao se sentar, mas aparentemente se esquecera de seu cavalheirismo, quando a própria saiu desembestada, ele nem tentou chamar a atenção da filha dizendo que ela deveria esperar para que ele pudesse abrir a porta do carro para ela, quando a única coisa que viu antes da menina desaparecer foi o calcanhar dela. Resignado ele pegou as compras e desceu, sendo guiado pelo aroma maravilhoso e pelos sons de risada vindo da cozinha.
Sabia que não tinha como pedir novamente para que Elizabeth se afastasse da menina, pois isso seria impossível. O que ele deveria fazer desde já era estar preparado quando a menina percebesse que a sua amada não pudesse mais estar ali com ela.
Ao entrar, encontrou ambas se abraçando. Aquela cena ficou marcado em seu coração. Se não fosse pela filha ele a arrebataria em um tremendo beijo de bom dia.
— Posso ver que você realmente gostou o presente.
Lizzie se endireitou e um brilho de prazer surgiu em seus olhos e ela sorriu para ele com o rosto muito vermelho.
— Sim, não só este presente, como o outro também. — Ela disse dando um sorriso sensual para ele. — Amo receber presentes.
Disse ela em referência as flores em seu travesseiro. Darcy deu respondeu ao seu sorriso, sem entrar no assinto e inspirou o cheiro maravilhoso de comida.
— O cheiro aqui está divino.
— Eu fiz um guisado, estava indo fazer uma salada para acompanhar.
— Eu preparo a salada. Georgiana vai lá para cima trocar de roupa e coloque a mesa, por favor.
— Tudo bem, depois eu quero te mostrar o que aprendi hoje na aula de ballet.
A menina foi fazer o que o pai havia pedido, e aproveitando que estavam sozinhos, Darcy a abraçou acariciando suas costas e fez o que tanto desejou fazer desde que saíra de casa aquela manhã. Levantou seu queixo e a beijou com voracidade que tanto desejava. Fez a sua mão deslizar no seu cabelo, usando-o para puxá-la mais para si. Suas línguas se encontraram como se estivessem famintos, durante um longo tempo.
— Você não faz ideia do quanto eu queria fazer isso mais cedo, mas foi impossível — voltaram se beijar. — Hoje à noite, Lizzie, eu quero você de novo. E dessa vez não vamos ter pressa.
Os braços dela entrelaçavam o pescoço dele.
— Sim. — Os lábios dela, macios e doces, estavam sobre os dele.
Aquela única palavra soou como um sussurro que mal se ouvia.
Fitzwilliam recuou quando as mãos de Elizabeth deslizaram por baixo para se acomodarem na sua cintura. Ele manteve um controle rígido de sua libido até agora, mas sentir os dedos dela fizeram sua visão ficar confusa.
— Temos que parar — disse ele com a voz rouca, xingando a situação e a má escolha do momento.
Poderia ter durado mais, se eles não percebessem que Georgiana batia a porta do quarto e não demoraria a voltar ali para baixo.
— E por sinal você está linda.
— Que bom que você gostou.
— Eu gosto de tudo em você. Não vejo a hora de ficarmos sozinhos novamente. — Ele deixou escapar, antes de soltá-la a acariciou, foi para a geladeira e apanhou os ingredientes que usaria na salada. — Você dormiu bem?
Elizabeth por pouco não se abanou sentindo a grande intensidade vinda daquele homem.
— Sim na medida do possível.
Eles sorriram um para o outro e Darcy resolveu mudar de assunto.
— Um grande amigo meu me telefonou e nos convidou para irmos jantar em sua casa hoje à noite.
— Você quer que eu vá junto? — Ela perguntou feliz por ele estar incluindo no passeio.
— Claro que sim, devemos sair daqui no máximo umas 18h15, pois ele mora em Rosings.
— Estou muito animada para conhecê-lo.
— E eu também.
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