Notas iniciais
Olá meu povo como vão?? Obrigada pelos comentários deixados. Aqui está a continuação do outro capítulo. Espero que gostem. Até o próximo.

Música do Capítulo

THE MANHATTANS — KISS AND SAY GOODBYE

[RECAPITULANDO]

— E a minha, como fica?

— Talvez custe a vida dela, Lizzie. — Acariciou o cabelo dela e a beijou outra vez, e então outra. Abraçou-a nua, o corpo tremendo em seus braços, e desejou com todas as forças que ela nunca precisasse ir embora.

***

— Mas não tenho dúvida de que minha filha perderá a dela se eu não continuar. Tenho de tentar.

Passando a mão pelo rosto úmido dela, ele murmurou:

— Sinto muito, Lizzie. Mas não vou permitir. Não vou permitir que faça isso.

E eles ficaram lá, cada um sentindo a própria dor e a do outro. Cada um desejando fazer o que fosse necessário para salvar suas filhas. Só se olharam, e Darcy sabia que isso a estava destruindo, assim como o estava também. Não podia nem ficar furioso com ela pelo que dissera, e que sem dúvida tentaria fazer.

Com as mãos trêmulas de tristeza, ele pegou a camiseta e, com ternura, a passou pela cabeça dela. Ela colocou os braços nas mangas, enquanto se ele abaixou e vestiu o moletom.

Suspirando, Elizabeth se afastou dele, secando o rosto e voltou a olhar para ele.

— Vou subir para me trocar.

— Poderia aproveitar e chamar Georgiana para mim, fazendo um grande favor?

Ela assentiu e saiu da cozinha com os ombros caídos.

Fitz sinceramente não sabia o que fazer, e estava matutando uma forma dela entender que não podia voltar para o passado quando uma forte batida na porta o assustou. Darcy viu o policial parado lá com uma bola de pelos nos braços.

Ele lançou um olhar arregalado para o policial ficou se perguntando há quanto tempo o policial estava parado lá, olhando pelo vidro.

Por sorte, ele se lembrou que não deveria estar lá a muito tempo, pois ele teria visto se o policial o havia pego no flagra quando estava com Elizabeth um pouco mais cedo.

Suspirando aliviado ele foi atender a porta.

— Bom dia, achamos seu cachorro — disse o policial, colocando cachorro peludo multicolorido em seus braços. — Não pense que ela gosta de andar de carro, não. Arranhou meu estofamento todo.

Darcy olhou para o animal que parecia um filhote, mas disse apenas:

— Obrigado.

Senhor, sua voz parecia morta.

— Darcy, me diga uma coisa, o que aquela sua menina anda fazendo?

Darcy franziu a testa e ficou alerta por um momento.

— Georgiana ainda está dormindo — disse Darcy. — Por quê?

Samuel riu e balançou a cabeça.

— Ah, certo. Talvez agora. Mas acho que você deveria ir lá em cima vê-la. A julgar pelo flash de luz que vi saindo da janela do quarto dela quando passava por aqui umas horas atrás, diria que houve algum curto-circuito no computador ou algo assim.

— Flash de… — Os olhos de Darcy se arregalaram e ele olhou para o cachorro, que por pouco não deixou cair no chão. Aos poucos sentiu que o pânico ia tomando conta dele. E não podia se permitir aquilo.

— Fique de olho nessa cachorra agora, viu? — Younge se virou e voltou para o carro.

Assim que viu que o policial indo embora, fechou a porta e foi em direção às escadas correndo, o cachorro ainda aninhado em seus braços. Ao chegar ao andar de cima, encontrou Elizabeth que acabava de deixar o seu quarto e o olhava sem entender.

— Eu estava indo chamar Georgiana. — Percebendo o olhar assustado dela, ela perguntou, tomando o cachorro da mão dele. — O que aconteceu?

— O policial Younge, acabou de me trazer essa cachorra e de quebra me disse que algumas horas atrás, ele viu um flash vindo do quarto de Georgiana.

— Céus, não pode ser.

Os joelhos de Lizzie começaram a fraquejar. Darcy viu o jeito que ela cambaleou e agarrou seus ombros para ajudá-la a se equilibrar. Ela tremia como vara verde e estava mais branca do que um pedaço de giz, mas se endireitou e ambos foram em direção ao quarto de Georgiana.

— Georgiana! Georgiana, me responda!

Ele irrompeu pela porta do quarto. Mas estava vazio. Darcy virou a cabeça para todos os lados, examinando o quarto inteiro, murmurando o nome da filha em desespero. E então ficou paralisado. Lizzie seguiu os olhos dele até o aparelho, caído no chão. A tampa de trás se soltara e os fios haviam saltado para fora.

Lentamente, Lizzie passou por ele até chegar ao ponto no meio do quarto. Sentiu a eletricidade estática eriçar seus pelos, sentiu a carga no ar. O cachorro ganiu assustado, escapou dos braços de Darcy e saiu correndo do quarto.

— O portal foi aberto — disse ela devagar. — Nas últimas horas.

— Não.

Ela se abaixou para pegar o aparelho, o examinou e praguejou.

— Está…? — disse ele.

— Todo quebrado. — Ela encontrou os olhos chocados dele. — Parece que Georgiana o largou antes de passar.

— Passar?

Ela fitou os olhos vidrados dele, vendo o terror, o pânico, a sensação doentia de impotência, que conhecia tão bem. Ele balançou a cabeça em negação, desviou o olhar e saiu correndo do quarto. Ela ouviu os passos dele, os gritos desesperados ao entrar de quarto em quarto procurando a filha.

— Georgiana, cadê você? Responda!

Lizzie abaixou a cabeça aflita. Duas crianças agora, em vez de uma. E ambas podem estar fora de seu alcance.

Senhor amado, o aparelho não estava totalmente recarregado quando Georgiana o usou. Não deve ter chegado ao momento do qual Lizzie partira, mas a alguma época mais recente. Não tinha certeza se conseguiria encontrar a menina. Uma respiração entrecortada fez com que levantasse a cabeça e visse Darcy na porta, o rosto marcado pelas lágrimas. Ele se aproximou dela.

— Conserte — disse ele. — Conserte agora, Elizabeth.

— Eu… — Olhou nos olhos dele e não conseguiu terminar a frase. Ia falar que não sabia se poderia consertá-lo, mas as palavras não vieram. — Vou consertar — escutou-se falando, embora soubesse que havia uma forte chance de ser uma mentira. Ela desviou seu olhar da esperança que via nos olhos dele, incapaz de encará-lo sabendo que poderia fracassar. Arrumou um pedaço da mesa em que ficava o computador de Georgiana, pôs o aparelho lá e foi pegar suas ferramentas na bolsa. Começou a desmontar a pequena caixa.

— Os comprimidos desapareceram — sussurrou Darcy. — Estavam na mesa de centro, mas sumiram. Georgiana deve ter escutado nossa conversa ontem… Deve ter me escutado. Queria tanto uma irmã…

— Eu sei.

Ele foi até a janela, abriu as cortinas para olhar para o lado de fora. Então enrijeceu e se virou para ela.

— E se ela estiver doente? Senhor, você estava muito mal quando chegou aqui! Será pior para ela… E se…?

Ela se levantou e foi até ele, segurando forte em seus ombros.

— Pare com isso.

— Lizzie, e se não conseguirmos trazê-lo de volta? Senhor, e se eu a perdi? — Soluços tomaram conta de seu corpo, fazendo com que aquele homem forte se transformasse em frangalhos. Ela o abraçou. — Antes você não tivesse aparecido aqui com as suas invenções estúpidas, Elizabeth! Deveria ter ficado onde estava, e deixar o destino cobrar o seu preço! Nós estávamos muito bem aqui antes de você aparecer e estragar tudo!

Escutar aqueles palavras ditas de forma tão cruel, trouxeram lágrimas aos olhos de Elizabeth ao ouvir a acusação na voz dele. Ela sabia que as pessoas tendiam a ser totalmente sinceras quando estavam bêbadas ou com raiva, e se sentiu uma tremenda estúpida. Antes tivesse ficado no seu canto, e não cruzasse o caminho dele. Mas por outro lado sabia que Darcy estava certo. Se não tivesse vindo para cá… Ah, mas não tivera escolha. E mesmo a acusando, se afastou dele como se tivesse sido queimada.

— Me desculpe, não deveria ter dito isso.

Agora não era hora de mostrar o quão magoada estava.

— Ambos estamos nervosos, me desculpe, só me abrace — sussurrou ele a puxando para si.

— Estou abraçando.

— Não consigo sentir.

Os braços de Lizzie apertaram mais, e os dela envolveram a cintura dele com o mesmo desespero, a mesma força.

A angústia dele fazendo com que a dela viesse à tona, embora ele achasse que a manteria escondida. Todos os medos de que não venceria esse conflito contra o destino, todas as incertezas, todas as dúvidas emergiram, refletidos tão intensamente na aflição dele.

— Sou pai dela. Não devo deixar que nada de mal aconteça.

— Eu sei.

— Quando ela está machucada ou triste… Sempre consigo fazê-la melhorar. Sempre. Não deve ser assim.

Levantou a cabeça para olhar para ela, que tirou o cabelo que estava grudado nos olhos dela.

— Foi assim que você se sentiu antes de vir para cá, não foi?

— Foi, Fitz. É como ainda me sinto.

— Sinto muito… Sinto por ter tentado impedir… Eu estava…

— Você estava protegendo sua filha. Eu teria feito o mesmo.

Ele fungou, e Lizzie enxugou as lágrimas do rosto dele com a ponta dos dedos.

— Nada mudou — disse ele. — Você sabe disso.

Estava errado sobre isso, pensou ela. Algo mudara.

Sentia isso bem dentro do seu ser. Mas agora não era a hora de tentar entender o que mudara.

— Ainda podemos causar mais problemas impensáveis tentando mudar o passado.

— Não podemos pensar nisso agora — disse ele. — Só podemos nos concentrar em voltar lá, encontrar nossas filhas e mantê-las a salvo. Pensaremos nas repercussões de nossas ações depois.

Mais lágrimas escorreram no rosto dele, que parecia cheio de dúvidas.

— Pensaremos, Fitz — disse ela, tentando inserir certeza em sua voz, pois sabia o quanto ele precisava escutar isso. — Vamos pesar cada movimento antes de agir. Prometo.

— Tudo bem. — Olhando além dela, em direção à mesa onde o aparelho estava desmontado, ele murmurou: — O que posso fazer para ajudar?

Notas finais
E ai o que acharam da reação deles? Eu particularmente gosto muito dessa banda, e acho que de alguma forma ela se encaixa bem com esse capítulo.