Até As Nerds Sabem Lutar!
14 Capítulo 14 - Atacados pela irmã malvada da Medusa
Notas iniciais
Acordei com Annabeth me balançando pelos ombros. Esfreguei os olhos e me espreguicei. Do lado de fora da barraca, Alice ria a beça. Ela estava montada no Bluesky e ele voava com ela por todo o canto. Quando ela desceu do Bluesky, seu cabelo parecia um ninho de passarinho. Ela acariciou o focinho dele e lhe deu uma maçã. Em resposta, ele relinchou feliz. Eu peguei uma toalha, um sabonete, uma calça jeans, uma camiseta lilás e levei as meninas até um riacho que havia na floresta. Precisávamos muito de um banho. Fomos todas de biquíni, pois temíamos que os meninos nos seguissem e fizesse gracinha. A água estava um gelo e se não puxássemos a Alice para dentro do riacho, ela não teria entrado. Tomamos nosso banho e voltamos morrendo de frio. Eu agarrei a minha mochila e tirei de dentro dela o meu casaco de esqui branco, enquanto os meninos iam tomar banho. Alice entrou na floresta e quando voltou, vestia uma calça jeans meio rasgada, suas botas e seu casaco de couro e uma camiseta camuflada rosa choque que dizia: Ready to War! Seu cabelo havia voltado ao normal e seus olhos estavam totalmente escuros novamente. Ela não usava mais aquela gargantilha que parecia uma coleira de cachorro. No lugar dela, ela havia colocado um colar com um pingente de palheta de guitarra, prateada. Ela trazia em uma cesta, laranjas, maçãs, morangos e uvas para comermos no café da manhã.
Depois de todos tomarmos café da manhã, Annabeth começou a planejar o que iríamos fazer.
— Não temos nenhuma dica de onde pode estar o Carro do Sol! – Annabeth disse – Como iremos fazer isso agora?
Subi em uma árvore próxima a nós e sentei em um de seus galhos observando o horizonte. Isso geralmente sempre me ajudava a pensar. Revisei todo o nosso caminho até lá. Tínhamos ido de Bellwood a San Francisco passando por Nova York para buscar o Percy. Annabeth e Percy discutiam lá embaixo. Eu não conseguia pensar direito com aquela gritaria.
— Aí! Dá para vocês calarem a boca? Estou tentando pensar! Só temos cinco dias para o mundo entrar em completo caos! – eu gritei
Era isso! Caos! A deusa do caos era Éris! Ela era uma das deusas mais odiadas no Olimpo! Só podia ter sido ela! Foi ela que criou a guerra de Tróia! Ela estava tentando criar discórdia novamente! Pulei da árvore triunfante e expliquei tudo a todos.
— Da última vez ela criou a guerra de Tróia por que não foi convidada para o casamento de Tétis, e dessa vez? Por que será? – eu disse
Annabeth correu para dentro da barraca e revirou a sua mochila procurando algo.
— O que você está procurando, Anne? – Percy perguntou
Annabeth tirou um caderno de dentro da mochila e o folheou.
— Achei! – ela gritou – Deuses não podem roubar objetos de outros deuses. Deve ter sido algum dos filhos dela que fez isso e fez pelo mesmo motivo que o Ethan Nakamura entrou para o exército de Cronos.
— Para o exército de Cronos? – eu perguntei sem entender nada – Cronos não deveria estar cortado em 1.000 pedaços e jogado no Tártaro?
— Devia! Mas não estava! Eu o derrotei no Olimpo. Vocês não notaram os grandes acontecimentos do verão passado? Terremotos, tempestades e coisa e tal? – Percy perguntou
— Não! – Gwen, Alice, Kevin, Ben e eu dissemos juntos
— Pow! Onde vocês estavam que não perceberam isso tudo? – Annabeth perguntou
— Bom... Gwen, Kevin e eu estávamos em outro planeta tentando salvar o universo!
– Ben respondeu
— E eu passei as férias em Toronto, no Canadá dentro de uma floresta de pinheiros. Lá é muito frio! O sol não é muito de aparecer lá. E onde eu fiquei, era inverno o ano inteiro. Parecia uma geleira! – eu disse
Espera! Toronto, Canadá, frio, sem sol. Se o Carro do Sol fosse parar lá, seria um caos! Era isso! O Carro do Sol só podia estar lá! Eu acho que eu daria uma boa detetive algum dia! Contei o que havia deduzido aos meus amigos e Annabeth me perguntou se eu tinha certeza que não era filha de Atena. Eu lhe disse que tinha certeza absoluta e começamos a agir. Desmontamos o acampamento e todos, exceto eu e a Alice, entraram no carro do Ben. Bluesky insistiu que montássemos nele e lá fomos nós. Antes de montar no Bluesky, Alice encheu uma bolsa com maçãs. Eu torcia para estar certa. Até chegarmos a Toronto, levaríamos mais ou menos uns três dias. Com paradas para descanso e para comer é claro. Com as batalhas e ataques de monstros que com certeza nós enfrentaríamos, estaríamos em cima do prazo. Olhei para Alice atrás de mim e lembrei-me dela quando ela era pequena. Lembrei-me de nós duas correndo pela floresta e brincando de pega-pega, enquanto nossas mães conversavam na varanda de casa. Eu tinha quatro anos e Alice? Eu não lembrava qual de nós era a mais velha.
— Quantos anos você tem, Alice? – eu perguntei
— Vou fazer 16 anos dia 31 de outubro, por quê? – ela respondeu
— Você faz aniversário no dia das bruxas?
— Faço! E você faz 17 anos dia 28 de fevereiro, não é?
— Exato! Você ainda lembra?
— Anotei na agenda do meu celular. Olha só! – ela disse mostrando-me o seu celular
Estávamos em setembro. Faltava mais ou menos um mês para o aniversário dela. Quando a missão terminasse, eu compraria um presente bem legal para dar para ela. Eu estava tão distraída com os meus pensamentos, que nem percebi uma pedra vinda na minha direção até a Alice gritar e o Bluesky mergulhar. Lá embaixo, Ben freava bruscamente, raspando o pneu no asfalto com um chiado. Bluesky pousou ao lado do carro do Ben e entrou em pânico ao ver uma górgona saindo do meio da fumaça.
— É a medusa? – Gwen perguntou confusa – O Perseu não havia matado ela nas histórias?
— Monstros renascem. E essa não é a Medusa. Eu matei a medusa há quatro anos. Deve ser uma das irmãs dela. – Percy disse
Eu tenho um sério problema para derrotar górgonas. O cabelo delas é feito de cobras. Eu morro de medo de cobras! Eu não fiquei muito feliz quando as cobras do caduceu do Hermes falaram comigo. Eu temia que elas se soltassem dali e me engolissem de uma vez só. As cobras do cabelo da górgona chiavam ameaçadoramente. Eu precisava ser corajosa! Não podia deixar uma mulher com cabelos de cobra atrapalhar a missão. Eu achava que não iria precisar entrar na batalha, afinal, eu tinha um monte de amigos para me proteger, certo? Errado! A górgona jogou no chão um saco cheio de aranhas e a Gwen e a Annabeth se acovardaram na mesma hora. Elas estavam tão aterrorizadas que nem perceberam que haviam agarrado os garotos errados. Gwen estava agarrada ao Percy e Annabeth estava agarrada ao Kevin. Ben riu das caras das meninas e após levar um tapa, girou o disco do super omnitrix e se transformou no gosma, o que não ajudou nada da batalha, é claro. Annabeth e Gwen estavam tão aterrorizadas com as aranhas, que não deixaram que os meninos entrassem na batalha. Percy e Kevin me olharam de um modo que dizia: “Sobrou para você!”. Olhei novamente para a górgona e a vi se aproximar cada vez mais rápido de nós. Ou melhor, de mim. A górgona queria me pegar! Aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!! Ok! Não deu para não entrar em pânico! Porém, quando a górgona ia me pegar, alguém pulou na minha frente e lhe desferiu um golpe mortal. A górgona gritou de dor e mesmo sem ver (porque eu estava de olhos fechados de medo), eu soube que ela havia se transformado em uma chuva de pó dourado. Abri os olhos hesitante e vi Alice na minha frente com uma espada na mão. Um líquido verde escorria da lâmina da espada.
— Eca! Sangue de górgona! – Alice disse se arrepiando toda
Alice ia limpar a espada com um pano que ela havia acabado de tirar do bolso, quando a Annabeth gritou:
— Espera! De que lado você acertou a górgona? Direito ou esquerdo?
— Acho que foi o direito, por quê? – Alice perguntou indiferente
— O sangue do lado direito de uma górgona cura tudo, enquanto o do lado esquerdo mata tudo. – Annabeth disse
Annabeth pegou um frasco de dentro da bolsa e colocou o sangue de górgona dentro dele. Essa da górgona, nem eu sabia. Podia ser útil em alguma parte da nossa jornada. O meu pânico ainda não havia passado totalmente. Eu ainda tremia e mal conseguia falar.
— O-onde v-você arrumou essa espada, A-alice? – eu gaguejei
Alice me lançou um sorriso e puxou uma fina corrente que havia no punho da sua espada.
Instantaneamente, a espada transformou-se em um colar com pingente de palheta de guitarra.
— Seu colar se transforma em uma espada? – eu disse boquiaberta
— Assim como a caneta do Percy e os seus anéis em arco. – ela disse colocando o colar novamente no pescoço – Minha mãe me deu de presente de aniversário quando eu fiz 15 anos. No dia em que ela morreu para ser exata.
Essa última frase ela disse olhando para o chão e forçando-se para não chorar. Eu sabia como ela se sentia, com o meu arco e a minha aljava havia sido a mesma coisa. Eu havia passado pelo que ela estava passando. Abracei-a e a levei de volta para perto dos nossos amigos. Percy a elogiou e disse que ela tinha arrasado no golpe.
Eu e a Alice montamos novamente no Bluesky e o resto de nós voltou para o carro do Ben. Não demorou muito e paramos novamente para almoçar. Pedi que Bluesky se escondesse e lhe dei algumas maçãs, enquanto Ben estacionava o seu carro no estacionamento de uma lanchonete. Entramos na lanchonete e fizemos nosso pedido. Eu pedi um sanduíche de queijo e uma vitamina de morango, enquanto Ben pedia uma porção bem grande e gordurosa de batatas fritas e Kevin pedia um sanduíche duplo de carne. Acho que esses garotos não sabiam o que era saúde. No final, pedimos um Milk shake para cada um e pagamos tudo antes de irmos embora. Retomamos a nossa jornada e só paramos novamente para o jantar. Depois do jantar, retomamos novamente a nossa viagem e depois de umas duas horas, paramos em uma cidade na beira da estrada. Paramos em uma pequena e antiga pousada e pedimos quartos para nós. Em cada quarto, havia duas camas e ficamos divididos assim: Percy e Kevin em um quarto, Ben e Gwen em outro e eu, Annabeth e Alice em um último. Bluesky se escondeu na floresta do outro lado da estrada. Eu estava com uma estranha sensação. Como se aquele lugar e os donos dele não fossem confiáveis. Comentei isso com a Annabeth e a Alice e elas disseram que era só impressão e me mandaram dormir. Não demorou muito para eu pegar no sono, foi só pensar no que enfrentaríamos daqui para frente. Já fomos atacados por uma fúria, acertados por um raio disparado por Zeus e depois tivemos que enfrentar uma das irmãs da Medusa. Tinha como ficar pior?
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