Atualização de Dados do Minetta
4 Capítulo 4 - Só uma noite de sábado qualquer
Notas iniciais
O sábado foi realmente bem tranquilo. Bem, tão tranquilo quanto Bakugou conseguia ficar. Ele ensinou Kirishima aquelas matérias ridículas que ele não acreditava que alguém poderia não entender, ele jogou vídeo game com o bakusquad, ele correu pelo campus e treinou na academia, como todo sábado.
As garotas estavam fazendo uma festa do pijama que sempre fazem no último fim de semana do mês, então ele e Kirishima comeram um bolo comestível que Sato as ajudou a fazer. Ele dormiu cedo, já que Kaminari convenceu Kirishima a ver um filme de comédia idiota pela milésima vez, ele não ia perder o tempo dele assistindo “A casa monstro” de novo enquanto podia estar dormindo.
Diferente dos outros sábados, ele quase não viu Jirou – a festa do pijama – ainda assim, sonhou com ela novamente. A esse ponto Bakugou não se importava, ele ainda se sentia culpado por isso, mas, porra, eram bons demais para reclamar. Eram apenas sonhos, de qualquer forma, certo?
Ainda não era dez da noite quando Katsuki desceu para fazer um lanchinho noturno. Ele sentiu um pouco de fome depois de um sonho particularmente agradável. Quando o elevador abre na sala comum, Bakugou avista imediatamente Denki e Kyouka em pé, atrás do sofá, conversando.
— Eu nem sei jogar isso, Jamming Whey – disse Kyouka descontraída.
— E daí? Eu também não sou muito bom – argumento Kaminari – Todo mundo diz que Poker é sobre blefe, e você é ótima nisso!
— Então qual o ponto de me chamar para jogar um jogo que você vai perder? – retrucou Kyouka rindo e batendo o indicador na testa de Kaminari.
— Vamos, Jirou! Vai ser divertido – insistiu ele fazendo beicinho.
— Ok, mas não até muito tarde – concorda ela deixando cair os ombros — nós ainda vamos estudar com a Yaomomo amanhã.
— Isso! – comemora Kaminari fechando o punho e o trazendo ao peito.
— Você não vai para lugar nenhum – interrompeu Bakugou guiando Kyouka pelos ombros em direção à cozinha.
— O quê? Quem–Bakugou?! – remexeu-se ela surpresa – O que você está fazendo?
Kyouka finalmente se solta e olha para ele confusa. Katsuki percebe que não vai funcionar simplesmente arrastá-la dali, e que esses pervertidos estão empenhados demais para deixar Jirou inconsciente da situação.
— Eu preciso da sua ajuda na cozinha – declarou ele brandamente sem olhar para ela.
— Quê? – piscou ela
— Só vem comigo – bufou ele puxando-a pelo braço.
Kyouka olhou para Kaminari em busca de respostas enquanto era arrastada por Bakugou até a cozinha, mas o loiro tinha a mesma expressão preocupada e confusa de sua amiga.
Katsuki só a soltou quando chegaram à cozinha. Ele pegou um cesto de maçã, uma face e uma tábua de cortar e calmamente começou a parti-las e tirar as sementes.
— Se importa em explicar? – questionou Kyouka cruzando os braços
— Não vai com o curto-circuito – respondeu ele sério — Eu ouvi ele e suco de uva falando sobre essa merda de Strip Poker.
— Quê? Por quê? – disparou Jirou. Ela é esperta, não precisou de mais explicações para que entendesse o que estava acontecendo.
— O que você acha? O que sobra se você tirar suas roupas?! É para isso que serve Stripp Poker!
— Eu sei disso! Eu quero saber por que eu?! Eles deveriam me ignorar!
— Claramente não está funcionando! – debochou Bakugou batendo a faca na tábua, irritado.
Katsuki recuperou o ritmo lento de cortar e limpar as maçãs. Jirou esfregou as têmporas, tinha alguma coisa que não estava encaixando.
— É por isso que Minetta tem agido estranhamente legal comigo? e Kaminari também? Por que eles estão fazendo isso? – começou Kyouka pensando alto. Bakugou enrijeceu e o som dos cortes parou, chamando a atenção de Jirou – Bakugou – Chamou ela inquisitiva — Por que eles estão fazendo isso?
Ele não respondeu imediatamente, continuou parado por um ou dois segundos antes de formular a melhor resposta.
— Eles... estão anotando algumas coisas... sobre vocês garotas – explicou ele solenemente
— Eles o quê?!
— O suco de uva tinha um maldito caderno com coisas sobre as garotas e aquele desgraçado quer atualizar essa merda! – rosnou ele o melhor que pode sem se delatar.
— Aqueles pervertidos! – começou ela furiosa — Eu preciso avisar as garotas e — como você sabe sobre isso?! – Jirou desviou o foco bruscamente.
— Ei! Não me olhe assim! Eu estava assistindo a porcaria da TV e eles começaram a falar sobre essa merda, que a propósito, ele deve ter desde o começo o ano, então eu não tenho nada a ver com isso – Defendeu-se Bakugou gesticulando com a faca. Então ele retornou ao corte das maçãs, agora fatiando as muitas metades empilhadas ao seu lado.
— Arg, nojentos. – desprezou ela encostando-se no balcão — Por que eles estão tão curiosos sobre mim agora? – ela resmungou retoricamente.
Katsuki hesitou novamente e isso não passou despercebido por Kyouka.
— Bakugou? Tem algo mais que eu deva saber? – interrogou ela cruzando os braços
— Tch, não
— Mesmo?! – insistiu ela incrédula
— Morre! – ameaçou ele explodindo uma ou duas vezes.
Ela só esperou. Curiosa demais para ir embora e com medo demais para insistir. Ele enfiou uma metade toda na boca e mastigou lentamente para tentar encerrar o assunto ou ter tempo para pensar. Ele engoliu com dificuldade e ainda sem olhar para ela respondeu
— Talvez eu tenha dito uma coisa ou duas sem querer – confessou ele em um sussurro.
— Você o quê?! – exclamou ela com a voz um tom mais alto.
— Porra, eles não calavam a boca e então eles começaram a falar de você e como você não tinha nada. Então eu disse que não era verdade.
— Por que você diria isso?! – continuou ela beirando o histerismo.
— Por que não era a porra da verdade!
— Então você decidiu contribuir para a minha sessão no caderninho pervertido? – retrucou ela com todo o seu sarcasmo e irritação
— Hey! Eu queimei aquela merda!
— Ah, muito obrigada, por que isso com certeza parou aquele anão roxo! Que porra você estava pensando?!
— Eu só queria assistir a porra da tevê!
Ela esfregou as têmporas, grunhiu com os dentes cerrados e apertou os olhos. Foi aí que ela percebeu que Bakugou comentou sobre ela com outros garotos, não só sobre ela, sobre sua aparência.
— O-O que você disse a eles? — murmurou ela envergonhada.
Bakugou não era conhecido por dar elogios e Kyouka não era uma garota... fisicamente desenvolvida. Ela sentiu-se mal só de pensar nas coisas horríveis que ele deve ter dito.
— Nada demais – respondeu ele claramente desconfortável com o assunto.
— Ah, qual é! – reclamou Jirou irritada — Eu estou aturando esses dois por sua causa, você me deve isso.
Era seu direito saber, ela não conseguiria ficar perto de Bakugou imaginando as coisas ofensivas que ele poderia ter dito sobre ela. O melhor era saber tudo agora enquanto sábado, ao menos daria para chorar o resto da noite sem ter que acordar cedo amanhã.
Ele se empertigou, limpou a garganta e desviou o rosto quase corado para o lado.
— Eu só... — limpou a garganta novamente – só disse que, bem, você esconde seu corpo com suas roupas e... – ele engoliu saliva — que você tem uma bela bunda.
— Como?! – soltou Jirou depois de alguns segundos. Ela estava corada e realmente surpresa.
— Eu não vou repetir – gemeu ele como uma criança que perde o argumento. Houve um silencio constrangedor, sem nenhum dos dois se encarar — Eu posso explodir aqueles idiotas se isso fizer você se sentir melhor.
Kyouka, com a testa franzida, finalmente encarou-o por um segundo ou dois antes de exibir um sorriso diabólico.
— oh não... eu tenho uma ideia melhor, e você vai me ajudar com isso.
Ela o puxa da cozinha em direção ao hall parando um pouco antes só para espiar o espaço. Kaminari estava lá, enterrado no sofá com a TV ligada.
— Ok, só me siga e quando eu perguntar “Quem mais você quer saber?” Responda “Uraraka” – sussurrou ela
— Não me dê ordens! – protestou ele também sussurrando
— Você me deve – afirmou ela autoritária, andando em direção ao elevador do outro lado do salão com Bakugou seguindo-a – Bem, ela tem uma cicatriz aqui debaixo na costela – ela traçou uma pequena linha em um canto bem abaixo do seio – e uma marca de nascença no bumbum direito. Quem mais você quer saber?
Jirou falou tão natural e animadamente que Bakugou ficou um pouco confuso. Contudo, quando ele ouviu a pergunta pré-determinada ele respondeu quase imediatamente, dando uma olhada na cabeça inclinada de Kaminari em direção a eles.
— Uraraka.
— Oh, sim. Ela tem uma tatuagem na barriga, nós fizemos juntas nas últimas férias. Ei! Eu me esqueci completamente de te mostrar essa nova! – comentou ela segurando a mão de Bakugou e o encarando com um sorriso entusiasmado sem parar de caminhar – Quer ver? Eu fiz do outro lado do quadril. Eu vou te mostrar, está incrível!
Então Jirou puxou Bakugou correndo para o elevador e fechou a porta. Quando o elevador começou a subir ela caiu na gargalhada.
— Você viu a cara dele? Ah, cara, eu queria ter tirado uma foto!
— Você não tem mesmo uma tatuagem, tem?
— Claro que não! Eu sou de menor, ainda não posso fazer uma. – desdenhou ela ainda se recompondo da risada – Isso foi só para matar o Kaminari de curiosidade, ele vai contar ao Minetta e os dois vão ficar sonhando com detalhes que nem existem.
O elevador chegou ao andar de Bakugou e os dois entrar caminharam para o quarto do loiro explosivo.
— Tch. Você é completamente maluca. – bufou ele abrindo a porta e entrando.
— Ah, não se preocupe, eu ainda nem comecei. – ela também entrou no quarto e sentou-se na cama dele — Quando eles começarem a enlouquecer sobre isso e tentarem ver com os próprios olhos, eu vou tortura-los um pouco mais estando lá para impedir qualquer coisa que eles tentem e ver as caras de choro desses nojentos. – terminou ela com satisfação recostando-se na parede colada na cama.
— Um lado vingativo da porra, eu gostei – Bakugou sorriu ardilosamente. – Não use em mim ou eu explodo você.
— Oh, mas eu já me vinguei. Agora Kaminari acha que eu te contei cada detalhe sobre as meninas. Ele e Minetta vão te infernizar por alguns dias com perguntas que você não. Tem. como. responder. – explicou Jirou com uma voz malévola.
— Ei! Eu já me desculpei! – berrou Bakugou soltando fumaça das mãos.
— Na verdade não se desculpou – interrompeu Jirou fazendo Bakugou piscar.
Então os dois ficaram novamente em um momento constrangedor.
— Desculpe – resmungou Bakugou o mais alto que o seu orgulho deixou.
— Ok – foi o que Jirou respondeu.
Os dois ficaram parados olhando para frente sem dizer nada. Jirou se remexeu um pouco e olhou para os joelhos enquanto Bakugou tamborilava os dedos na cama. Ele estava um pouco inquieto, agora que eles pararam um pouco o garoto explosivo ficou nervoso imaginando se havia perdido a amizade da garota punk agora que ela sabia o que ele achava dela. Bakugou sabia que Kyouka odiava Minetta e Denki por serem tão pervertidos e, bem, ele começou a pensar se ele também não era assim depois de todos os pensamentos sujos que passaram pela sua cabeça.
— Olha, se você estiver desconfortável aqui... – começou ele olhando para ela de soslaio
— Está tudo bem, Bakugou – interrompeu Jirou puxando as pernas para cima da cama e abraçando os joelhos – É só... estranho.
— Eu entendo. Sabe, se não quiser mais me ver...
— Não você, quer dizer, também – tentou ela, isso fez Bakugou inclinar a cabeça e olhar para ela – Eu só não estou acostumada com esse tipo de atenção – Kyouka apertou ainda mais as pernas e apoiou o queixo nos joelhos ainda olhando para baixo.
— Como assim? – perguntou ele genuinamente confuso.
Kyouka olhou para ele sem mudar de posição e ergueu uma sobrancelha.
— Se você não notou, eu não me encaixo exatamente no padrão de beleza – resmungou ela afundando ainda mais o queixo nos joelhos.
Ela parecia... chateada? Era isso mesmo? Bakugou não dava muita atenção a garotas até alguns dias atrás quando ele percebeu o quanto ele observava Kyouka. Ele não imaginou que Jirou se importasse com essas coisas.
— Foda-se os padrões. Eu não menti quando disse que você tinha uma bela bunda! – exclamou ele mais veemente do que pretendia.
Isso arrancou um sorriso tímido e algumas manchas vermelhas no rosto de Kyouka. A garota deitou o rosto nos joelhos para olhar para Bakugou e agradecer.
— Obrigada, eu acho – ela franziu um pouco o cenho – Mas não precisa fazer isso.
— Fazer o quê? Eu estou dizendo, orelha, você é gostosa!
Na mesma hora que Bakugou disse isso ele encolheu os lábios desejando não ter dito. Os olhos de Kyouka se arregalaram e ela ergueu a cabeça tão vermelha quanto uma pimenta. “Porra, porra porra” Bakugou se amaldiçoou internamente. Quando parecia que a amizade deles ia voltar ao normal ele explode tudo pelos ares.
— E-eu não quis dizer desse jeito – tentou Bakugou nervoso e tão vermelho quanto Kyouka – N-não que você não seja, mas e-eu eu não...
— Está tudo bem – murmurou Kyouka com a voz um pouco aguda – Eu sei que você não me vê desse jeito – ela concluiu tão baixo... parecia quase... decepcionada?
Foi o que pareceu a Bakugou. Por um segundo ele pensou estar imaginando coisas, então ele olhou para ela com queixo novamente afundado nos joelhos e com um leve beicinho triste. Seu coração bateu mais forte, ele ponderou fazer uma coisa muito idiota. “Isso não está acontecendo. Você está delirando, são quase dez da noite, lembra por que você não está dormindo, seu idiota?” Pensou Bakugou. Ah sim, ele se lembrou do sonho completamente inapropriado que o acordou.
Ele corou só de lembrar-se disso estando tão perto de Jirou, soava errado demais para ele. “Foda-se” foi o ultimo pensamento de Bakugou antes de abrir a boca.
— E se eu visse? – soltou ele com a voz rouca.
— Hm? – Já fazia algum tempo desde que eles falaram algo então a pergunta pareceu desconexa para Jirou.
— E se eu quisesse você? – relembrou Bakugou – Desse jeito.
Ele se aproximou lentamente lambendo os lábios de nervoso, a boca seca o coração nos ouvidos. Jirou soltou suas pernas e olhou para Bakugou completamente surpresa. Bakugou engoliu seco e diminuiu ainda mais a distancia entre eles. Kyouka também inclinou-se para a frente apoiando-se na mão esquerda enquanto mantinha as pernas dobradas.
Ela estava respirando com a boca entreaberta de antecipação e Bakugou não conseguia tirar os olhos dos seus lábios. Os dois tremiam com o nervoso, esperando um pelo outro até que Kyouka decidiu seguir em frente e fechou a curta distância entre eles.
Os dois começaram um beijo desajeitado e faminto. Bakugou não sabia exatamente o que fazia quando enfiou a língua na boca de Jirou. Ele só esperava que esse também fosse o primeiro beijo de Kyouka para que ela não pudesse compará-lo com ninguém.
Jirou esticou as mãos para a nuca de Bakugou e aprofundou o beijo. Quem eu estou tentando enganar? Isso é bom demais para ela nunca ter feito isso antes. Bem, mesmo se não fosse, o gemido baixinho que ela soltou era um bom sinal de qualquer forma.
Isso foi uma deixa para Bakugou apoiar a mão na cintura de Kyouka e com a outra puxá-la mais para mais perto de si. Agora eles estavam encontrando um ritmo muito bom que estava deixando Bakugou zonzo, ele não tinha certeza se era a falta de ar ou se era os movimentos que Jirou estava fazendo enquanto percorria com os dedos o cabelo e o pescoço do garoto explosivo.
Merda, isso deve ser outro maldito sonho Pensou Bakugou. No entanto, ele esta aproveitando demais esse momento para se sentir culpado por sonhar com Jirou novamente. Tudo o que ele queria era apertá-la ainda mais contra o seu corpo. Infelizmente as pernas dela estavam dobradas de lado e atrapalhavam um maior contato.
Bakugou não se importou em continuar tentando. Ele começou a apertar o quadril de Jirou na tentativa de aproximá-la de si e gemeu em frustração quando não conseguiu. Kyouka também estava ardendo por mais contato, quando deu por si ela ergueu-se nos joelhos e passou a perna direita por cima de Bakugou, deixando-o sentado entre suas pernas. Ao mesmo tempo, por conseguir alguns centímetros de vantagem sobre ele, a garota punk segurou o rosto do amante com as duas mãos e capturou a língua dele, sugando-a por alguns segundos fazendo os dois gemerem.
Esse com certeza é a porra de um sonho! Bakugou gemeu um pouco decepcionado. Esse provavelmente o melhor sonho que ele já teve, ainda assim era errado pensar na sua amiga desse jeito. Ele deveria parar com isso e forçar-se a acordar.
Nesse momento Jirou montou em cima de Bakugou em um ponto extremamente sensível e movendo os quadris de forma delirante. “Foda-se, é só a porra de um sonho, não tem nada de errado em aproveitar ele todo” Com esse pensamento Katsuki voltou a apertar Jirou contra si, deslizando suas mãos pelo corpo da garota para cima e para baixo. Até que passou pela coxa e quando retornou ao quadris enfiou a mão esquerda por dentro dos shorts largos e por baixo do tecido da calcinha.
Jirou congelou e parou o beijo na hora soltando um suspiro assustado. Bakugou apenas desceu os lábios para o pescoço da garota e começou a guiar os movimentos do quadril dela com a mão.
— Bakugou – chamou Jirou com a voz tão rouca que ela quase não se reconheceu.
Bakugou apenas gemeu um “Hm” em resposta e percorreu a mão livre pelas costas de kyouka.
— Bakugou! – chamou ela de novo dessa vez afastando-se um pouco.
— O quê? – perguntou ele um pouco zonzo e ofegante.
Jirou estava vermelha e ofegante, sustentava uma pitada de vergonha no rosto enquanto olhava com o canto dos olhos para a mão de Bakugou dentro de seus shorts. O garoto olhou para ela e olhou para as pernas de Jirou. Então, como se levasse um choque, ele retirou a mão dos shorts da garota e ergueu os braços. Na mesma velocidade, Kyouka desceu do colo de Bakugou e sentou-se ao seu lado com os joelhos colados, os braços esticados apoiados nas coxas pelas mãos e o rosto encolhido entre os ombros para esconder o rubor.
Bakugou também estava uma bagunça, a roupa de dormir amarrotada e o cabelo em uma confusão maior do que o normal. Ele apenas escorou-se na parede, ficando meio deitado meio sentado, respirando fundo e afundando as unhas na pele por dois motivos 1) ele não estava mais tão confiante se isso era um sonho ou não; 2) ele tinha um problema entre as pernas com o qual um pouco de dor ajudava a resolver.
Novamente o silêncio constrangedor reinou. Nenhum dos dois moveu um único músculo, até mesmo a respiração contida.
— Então... – começou Jirou ainda com os olhos fixos no chão. – Eu... devia ir embora?
— É o que você quer? – perguntou Bakugou receoso. Ele levantou e olhou para ela.
— É o que você quer? – repetiu ela desviando o rosto.
— Nós acabamos de dar uns amasso.
— É, nós damos. – Concordou Kyouka remexendo-se na cama. Novamente instaurando o silêncio constrangedor – Você... quer fazer isso de novo? Talvez... em outra hora?
— Sim.
Os dois olharam para todos os cantos da sala exceto um para o outro. Kyouka balançando as pernas no ar e Bakugou beliscando a ponta dos dedos.
— Mas... Não precisa ser tão rápido, certo? – Pediu ela finalmente olhando para ele. Bakugou piscou e sacudiu um a cabeça em surpresa, ele não tinha ideia do que Jirou estava falando – Quer dizer, esse foi meu primeiro beijo e acabou com a sua mão dentro do meu short.
— Ei! Só para você saber, esse foi meu primeiro beijo também! – protestou Bakugou – Não é minha culpa se você praticamente montou em mim. Achei que fosse outro sonho! – terminou ele largando-se na cama e cruzando os braços indignado.
O embaraço manteve Kyouka em silêncio por alguns segundos antes dela ignorar o rubor no rosto e confirmar o que tinha ouvido.
— O-outro sonho? – murmurou ela sem olhar para Katsuki, ele gemeu alguma coisa em confusão – Você... sonhou comigo?
— Não! – Exclamou Katsuki pondo-se reto novamente — Quer dizer, sim. Mas eu não sou como aqueles pervertidos! – ele rosnou irritado, ele não queria admitir isso para Jirou.
Kyouka gargalhou, para a surpresa de Bakugou, para ele, a garota iria odiá-lo por vê-la dessa forma. O problema de ter tão poucos amigos é que Bakugou era extremamente sincero com eles, e quando se tratava de Kirishima e Jirou, ele não tinha problemas em contar até alguns segredos. E agora isso estava atrapalhando bastante, visto que era de Kyouka que ele queria manter segredo.
— Do quê você tá rindo, Earphone?! – resmungou ele irritado.
— Desculpa. É que. Isso é tão. Tão não você. – ela respirou tentando recuperar-se das risadas
Ela parou de rir e recostou-se ao lado dele na cama, finalmente um silêncio sem constrangimento, apenas silêncio.
— Então, o que é isso? – perguntou Bakugou gesticulando entre eles dois.
— Isso o quê?
— Isso – continuou ele – Você, eu, nós ainda somos amigos?
— Claro – concordou Kyouka levantando o tronco.
— Então você mudou de ideia sobre fazer isso de novo.
— Não...? – respondeu ela em dúvida – Você mudou?
— Não. Então... o que você quer dizer é que somos amigos que se pegam? – perguntou ele erguendo uma sobrancelha desconfiada.
— Talvez?
— Porra nenhuma! – resmungou ele – Você é minha namorada agora. Fim da história. – decretou ele unindo os pés e recostando-se na parede calmamente.
Kyouka piscou e o encarou como se tivesse crescido uma segunda cabeça.
— Tem certeza?!
— O quê? Você não quer?
— Não! Quer dizer, sim. – Corrigiu ela gaguejando, confusa –Eu quis dizer não para pergunta e-eu...
— Então o quê?
Kyouka respirou fundo e rápido para se recompor, então explicou-se:
— Eu sei que você pode ser um grande idiota às vezes. – começou ela com ironia, sua melhor arma contra o nervosismo — Mas ainda assim, eu tenho certeza que tem muitas outras garotas interessadas.
— Tch. Todas burras ou frescas – resmungou ele aproximando-se dela – Eu escolhi você, então você vai ser minha, alguma objeção? – instigou Katsuki altivamente, o rosto bem próximo e a malícia na voz.
— Nenhuma – concordou ela espelhando o sorriso travesso de Bakugou.
— Então... ahem – começou ele ligeiramente desconfortável – Nós... Você sabe.
— Claro – permitiu Kyouka beijando-o novamente.
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