Atualização de Dados do Minetta
1 Capitulo 1 - O caderninho pervertido
Notas iniciais
Domingo, o dia mais calmo da semana para Bakugou. Era o dia em que todos aqueles idiotas que não largavam de seu pé iam estudar com a Rabo de Cavalo e o deixavam em paz. Exceto, talvez, por Kirishima, que sempre aparecia em algum momento. Katsuki resolveu assistir um pouco de TV na sala antes de dormir, já que a sua não funcionava. Ela servia basicamente para jogar vídeo game e assistir vídeos na internet então ele não havia trazido uma antena para captar os canais.
Depois de procurar alguma coisa útil por alguns minutos, finalmente deixou rolar um antigo filme de guerra que ele encontrou do tempo em que humanidade ainda não possuía individualidades. Era bem interessante, tinha ação e o roteiro não deixava a desejar, como a maioria dos filmes sanguinários que ele costumava ver.
Estava indo tudo bem até que a manada de idiotas surgiu na sala gritando sobre alguma coisa estúpida e sentaram-se no sofá, deixando-o com uma cara irritada e o espinhando nos nervos. Bakugou ignorou qualquer merda que eles tivessem falando até que percebeu a calmaria suspeita dos garotos e resolveu dar atenção a eles.
Katsuki percebeu que, em algum momento, o suco de uva apareceu, com um caderno liso, similar a um caderno de desenho, mas em brochura, de folhas A4 e um suporte de partitura, no qual havia esticando o caderno. Bakugou virou-se e reparou que havia um péssimo desenho de alguma coisa (claramente com peitos e bunda) ao lado de uma folha com muitas anotações.
— Bem, garotos, agora está na hora de irmos para nossa querida Asui – babou Minetta virando a página.
— Mas que porra vocês estão fazendo? – bufou Bakugou virando-se ligeiramente para os colegas sentados comportadamente.
— Eu estou fazendo uma pequena atualização de dados sobre as garotas da classe 1-A – respondeu Minetta com um sorriso psicótico.
— Nós só estamos acompanhando para ver o desenvolvimento delas – completou Kaminari sem jeito – sabe, os treinos e tudo mais. Para comparar se elas estão indo bem na escola... – explicou ele esfregando a nuca, envergonhado.
— Vamos completar um ano na UA, elas devem ter... evoluído bastante – concordou Sero também tentando mascarar seu interesse.
— Eu só estou garantindo que eles não façam nenhum comentário pervertido – Declarou Kirishima determinado e ligeiramente inconformado com a coisa toda – Isso não é nada viril!
— Oh, mas é completamente viril, meu caro Kirishima – argumentou Minetta voltando para o desenho de Asui – Essas anotações contêm todas as informações possíveis sobre nossas amigas do sexo feminino na 1-A.
— Tch, idiotas – resmungou Bakugou voltando sua atenção ao filme.
Seus amigos estavam falando de garotas, não admira que Kaminari e Sero sejam tão burros, ao invés de estar estudando para as provas estavam estudando o corpo das garotas. E Kirishima é um idiota por perder o tempo dele com isso.
Querendo ou não, em alguns momentos ele continuou ouvindo a conversa, especialmente quando Minetta se exaltava e Kirishima o repreendia. Tudo o que ele queria era ver a porra de um filme. Era melhor os imbecis terminarem logo com isso.
— Por último, e a menos importante – anunciou Minetta alto demais para o gosto de Bakugou – Jirou Kyouka. – terminou ele virando a página dramaticamente.
Katsuki se enfureceu por um segundo, primeiro porque Jirou estava no maldito caderno, segundo porque Minetta a considerava a menos importante. De um jeito ou de outro, Kirishima e Jirou eram os mais próximos de Bakugou. Kyouka era mais próxima dos garotos em geral — com exceção da Rabo de Cavalo e a Alien Rosa, claro. De qualquer forma, pensar que aquele suco de uva maldito pensava em Jirou como menos importante, sendo ela melhor do que ele em muitas coisas, o fez ficar irritado.
— Aparentemente, nossa amiga nada feminina continua sem absolutamente nada no corpo – alegou Minetta reforçando um retângulo com perninhas e uma cabeça mal desenhada no caderno. – Mesmo como treinamento da UA, ela não mudou muita coisa, diferente das outras garotas.
— Mentira – disse Bakugou sem nem ao menos virar-se para eles.
Todos os garotos olharam para ele confusos. Nem sequer lembravam que ele estava lá.
— Desculpa, o quê? – perguntou Kaminari inclinando a cabeça. Bakugou suspirou irritado.
— É mentira. Earphone mudou para caralho – respondeu ele lentamente, para que seus amigos idiotas entendessem.
— Não, não mudou – contrariou Minetta pondo as mãos na cintura. Era uma ofensa alguém pensar que ele não repararia qualquer mudança em uma garota.
— Claro que sim! As pernas e coxa estão mais definidas – rosnou ele tentando prestar atenção no filme.
— Quê?! – exclamaram os três surpresos.
Katsuki grunhiu irritado enquanto largava o corpo na poltrona para não espancar esses tapados que não conseguem entender nada do que ele diz.
— Ela tem uma bunda boa – declarou ele levantando-se e caminhando até o suporte com o caderno, tomando o lápis da mão de Minetta – Ela esconde muito bem as coxas e o quadril com as roupas, mas tem bastante curva nessa área – explicou ele desenhando perfeitamente no papel.
— Como tu sabe disso?! – exclamou Sero piscando.
— Ela não usa roupas de freira quando vi jogar vídeo game, imbecil – retrucou ele revirando os olhos – Não sei como ela pode falar da Rabo de Cavalo usando aqueles shorts mais curtos que o uniforme da riquinha.
— E você checou? – provocou Kaminari.
Bakugou não ligou para o amigo, na verdade, ele nem ouviu, estava concentrado em ajeitar aquele desenho estúpido que estava atacando seus nervos de tão ruim que era! Ele havia desenhado as pernas e o quadril, ele estava agora consertando o rosto quando suspirou cansado da estupidez dos outros garotos.
— Mas que porra – reclama ele apagando o restante do retângulo onde seriam os seios – Ela não tem muita comissão de frente, mas não é uma merda dessas! – ele colocou pequenas curvas para simbolizar os modestos seios de Kyouka antes de corrigir o pescoço e olhar contemplativo, tentando comparar seu desenho com a realidade e ficando satisfeito com o resultado.
— De novo, como você sabe disso? – Dessa vez foi Kirishima quem perguntou.
— Ela sempre tira o casaco quando se empolga para tocar. Alguma coisa estúpida sobre querer contato da guitarra com a pele – explicou ele recostando-se no sofá –
— Não Bakugou, não é isso que nós estamos perguntando – começou Kirishima com um sorriso sugestivo.
— Uhu hu hu, parece que alguém tem uma queda pela garota punk – brincou Sero.
— Mas o quê?! Claro que não!
É verdade que depois do festival cultural eles ficaram mais próximos, já que Bakugou começou a tocar a bateria de Kyouka no quarto dela. Com o tempo Kirishima começou a chama-la para jogar vídeo game com ele e Bakugou, e quando viu, eles estavam revezando os sábados entre os quatros um do outro. Bakugou até mesmo se ofereceu para ensinar um golpe ou dois para Jirou na academia. Mas ele nunca, NUNCA, teve e nem vai ter uma queda por garota nenhuma!
— Claro, e você também não acabou de descrever a única garota que nem o Minetta prestou atenção – debochou Kaminari rindo do amigo.
— Ele até desenhou – gargalhou Minetta.
— Ei! Não é minha culpa se a Earphone parece uma mendiga quando está tocando no quarto! – protestou ele soltando algumas explosões para intimidá-los.
— Bakugou, se acalma – pediu Kirishima tentando prender o riso.
— Não, mas é sua culpa ter checado ela, você checou, não foi? – insistiu Kaminari pondo-se atrás de Kirishima, às vezes ele burro o bastante para ser corajoso.
— Nós temos a prova – riu Minetta erguendo o caderno com o desenho.
— Morram! – berrou ele tomando o caderno e o explodindo tantas vezes que ele começou a queimar – Foda-se todos vocês.
Katsuki saiu da sala bufando e soltando pequenas explosões. Ele estava realmente irritado, esses pervertidos pensam que ele é como eles. Com algumas promessas de morte, ele entrou no elevador e foi para o quarto dormir.
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