Attitude

1 Get a little bit tacky too.


Notas iniciais
É, estou postando isso pelo aniversário da Lyn-z. Não sei quantos daqui leem fics hétero, acho que descobrirei agora o/
Espero que gostem :)

Ela se perguntou por um momento como as pessoas a viam. Só por um momento. Sentada no metrô, com amor em sua mente. Mas, espere, eles não sabiam o que estava em sua mente, sabiam? Sua expressão era indecifrável, da forma que ela aprendeu a construir ao longo dos anos. Sempre adorou deixar todos confusos, sem saber o que ela pensava. Usava uma máscara constantemente, simplesmente pelo prazer de observar as pessoas tentarem tirá-la e não conseguirem.

Eles procuravam detalhes íntimos de toda espécie, tentavam conhecê-la. Era como se o vazio dela estivesse chamando por você, te atraindo hipnoticamente até que você desistisse. Todos desistiam eventualmente.

Ou é o que acontecera até agora. Antes de Gerard Way aparecer.

Ela não esperou nada de diferente vindo dele. Era só mais um curioso que tentaria inutilmente se aproximar. O que ela não contou, porém, foi que ele também fosse inalcançavel. E, antes que pudesse perceber, ela se encontrava presa à ele, procurando entrar de alguma forma, do mesmo jeito que tantos fizeram com ela.

Ela sorriu. Estava pagando pelo o que fez, puro carma. Por que não se permitia aproximar de ninguém? Por que era tão satisfatório ver todos caindo como moscas, suas asas coletadas e expostas como troféus em seu coração? Isso não podia ser saudável, mas era o que ela gostava. E, agora, estava odiando pensar mais nele do que nela própria. Ele estava roubando muito de sua mente, e isso a irritava. Isso, sim, não era saudável. Amor, paixão, obsessão, fosse qual fosse o nome que as pessoas davam, não combinava com ela. Ela nunca quis nem precisou de ninguém além dela mesma. Por que agora isso mudaria?

Ela se recostou mais no banco e observou vagamente o trem parar na plataforma. Seus pensamentos ainda voavam, enquanto ela tentava encontrar uma resposta para a nova situação. Era diferente, novo, e o pior, impalpável. Ela não sabia como lidar com aquilo, e isso a fez passar mais tempo sozinha nas últimas semanas do que já era normal. Ela queria pensar, raciocinar sem Gerard por perto para distraí-la, entender o que estava sentindo. E, o mais importante, entender o que fazer com isso, apesar de, no fundo, já saber a resposta. Ela deveria dar um pouquinho de atitude, um pouquinho de algo novo à sua mente, a si mesma...

— Lindsey.

A voz a sobressaltou. Assustou-se por um momento, então reconheceu quem estava à sua frente. Frank Iero. Saíra do trem e a encontrara ali, muito perdida para percebê-lo.

— Ah, oi, Frank. Senta aí.

Ela se esqueceu de que fora lá para ficar sozinha; Frank era sempre uma boa companhia, independente da hora. Ele se sentou ao lado dela no banco e a fitou penetrantemente.

— Que foi? — ela perguntou, com um ligeiro medo de ouvir a resposta.

— Você sabe. Precisamos conversar. Imaginei que você estaria aqui.

— Já estou ficando previsível?

— Não, eu que estou ficando estranho.

Ela riu baixinho e encarou os próprios pés.

— Então, o que você quer? — murmurou.

— ... Gerard.

Ela suspirou. Já sabia disso, e era o principal motivo para estar parada até agora. Por mais que a perspectiva de estar apaixonada a assustasse, ela nunca foi de demorar tanto para tomar uma decisão. Mas o problema era que, com Gerard, veio Frank, e nunca foi intenção dela ficar entre os dois. Mas era exatamente o que estava acontecendo.

— E? — ela falou. — O que está te impedindo?

— Ele está me impedindo.

— Hm. E o que eu tenho a ver com isso?

— Você é o motivo. Pare de fazer perguntas óbvias, você é mais inteligente do que isso.

— O que você quer que eu pergunte? Se eu posso fazer algo pra ajudar?

Frank riu, o que foi um sincero alívio para Lindsey. Ele não estava tão mal quanto seria de se esperar.

— Isso não é nem uma pergunta óbvia, é uma pergunta idiota.

— Então fala só você, besta.

— Ok, eu falo – ele se virou mais no banco para encará-la e ela sentiu a necessidade de fazer o mesmo. — Eu só estou perturbado com uma coisa nisso tudo, e não é o fato do Gerard querer você ao invés de mim.

Lindsey abriu a boca, mas ele ergueu a mão, pedindo silêncio.

— Não, Lyn-z, não quero sua piedade. Você já me deu muita até agora. Eu só quero saber uma coisa. Sei que você é fechada e tudo, que ninguém sabe muito sobre você, mas eu só vou conseguir dormir em paz se souber de pelo menos uma coisa: você ama o Gerard?

Ela sentiu um calafrio. Ouvir era bem pior do que pensar. Formou o "não" com os lábios, mas não conseguiu soltar as palavras. Nunca se sentiu tão impedida de mentir antes... talvez porque não soubesse que era uma mentira até agora.

— Certo – disse Frank, sorrindo um pouco, como se ela tivesse respondido. E talvez tivesse. — Eu precisava ter certeza disso, porque ele com certeza te ama.

Lindsey sentiu seu corpo esquentar suavemente e evitou olhar para Frank.

— Como você sabe? — perguntou. — Ele é tão fechado quanto eu. Ele nunca disse que me ama nem mostrou isso. Na verdade, é difícil até mesmo de saber se ele se importa comigo.

— Eu sei como ele é, Lyn-z. Eu o conheço há muito mais tempo do que você, e eu consegui chegar à lugares no coração dele que ninguém chegou antes. E talvez nunca chegue.

— Hmm, valeu pelo incentivo.

— Deixa eu terminar. Eu o conheço de uma forma que você provavelmente nunca vai conhecer, e o amo de uma forma que você talvez nem saiba que existe. Mas eu não sou dono de todo o coração dele. Sempre existiu aquela parte inalcançável, deserta, infeliz. E foi lá que você chegou. Agora que ele te encontrou, ele pôde dizer que está completo.

— Mas você faz parte disso – ela falou, sem raiva, simplesmente afirmando. — Você é necessário para que ele esteja completo.

— Espero que sim – Frank sorriu de leve novamente. — Sei que ele é necessário pra mim. Mas isso não me impede de querer que ele seja feliz... de verdade. Mesmo que não seja comigo.

Lindsey o observou cautelosamente, procurando sinais de arrependimento ou algo assim em qualquer lugar, mas havia nenhum.

— Como você consegue encarar isso tão bem? — ela perguntou, baixo.

Frank deu de ombros e olhou para frente.

— Como eu disse, eu o conheço há muito tempo. O que eu sinto não é de hoje. Mas ele é hétero, e isso não é o tipo de coisa que se dá pra mudar. Então eu não tenho escolha, realmente, e aprendi a me acostumar com isso.

Ficaram em silêncio por alguns segundos.

— Você é mais forte do que eu – ela disse subitamente.

— Ah, nem pensar. Eu não aguentaria ficar sozinho por tanto tempo quanto você conseguiu, sem amigos, sem nada. Na verdade, Linds.. — ele se virou para ela de novo. — Eu te admiro. Mesmo. Você é... como a filha perigosa em uma saia de oncinha, sabe? Uma câmera polaroid gravando a sujeira, mas nunca participando dela, sempre afastada. Eu vejo os detalhes íntimos de cada uma de suas cenas, vejo como se fosse uma aula, e percebo que, o tempo todo que te tive como amiga, você estava abrindo portas para mim.

Lindsey corou violentamente e voltou a fitar seus pés com grande interesse. Aquilo estava sendo pior do que se Gerard tivesse se ajoelhado e a pedido em casamento; porque, nesse caso, era só dar uma resposta e estaria acabado.

— Não precisa ficar com vergonha – Frank falou. — Eu só estou mostrando como as coisas vão dar certo. Você vai ficar com o Gee, eu não vou precisar me afastar dele, e, de quebra, ainda continuo com você também. Está tudo muito bem.

— Você é estranho mesmo – ela sussurrou, e ele riu.

— Aprendi com a melhor. — ele parou por alguns instantes, até que ela levantou o olhar novamente. — Agora vai lá, vai. Ele está te esperando.

Ela o encarou, confusa.

— Ãhn?

— O Gerard, Lindsey. Está te esperando do lado de fora. Liguei pra ele no trem e o mandei ficar lá até que eu terminasse de conversar com você. Agora que você já não me vê mais como um problema, só resta... viver. Você está precisando viver.

Lindsey levantou, assustada, e olhou para os lados, como se esperasse ver Gerard surgir de algum buraco na parede.

— Não, não, eu não estou preparada ainda... não era só você, eu não consegui admitir nem pra mim mesma que...

— Então admita – Frank disse calmamente. — Dê um pouco de atitude, um pouco de algo... rude. Faça de uma vez. O Gerard gosta disso.

Lindsey ofegou. Nunca se sentira assim antes, deprotegida, despreparada, ansiosa. Fora até ali para pensar nos próprios sentimentos, não declará-los!

Ela fechou os olhos e suspirou. Calma, disse a si mesma. Você não é assim. Frank está certo. Atitude. Você é feita de atitude, mulher.

— Você vem comigo – ela disse de repente, agarrando o braço de Frank e o fazendo acompanhá-la.

Assim que chegaram às escadas, Frank ficou para trás e Lindsey subiu

— Gee? — perguntou ao ver um homem de costas para ela, e Gerard se voltou, com uma expressão curiosa.

— Oi, Linds. Frank disse que você queria conversar com-

Pronto. Era isso o que ela quis dizer. Atitude.

-

Frank viu das escadas o beijo com que Lindsey surpreendeu Gerard. Ele sorriu, um pouco triste, mas era um sorriso. Ficou feliz que ela não tenha tido subterfúgios. Era exatamente isso o que esperava que acontecesse: ela o beijando, as mãos dele indo para sua cintura, o beijo sendo correspondido apaixonadamete. Ele não correspondera quando Frank o beijou, muitos anos antes, e foi aí que ele percebeu que Gerard precisava de mais alguém além dele.

Ele se esgueirou para longe do casal, só dando uma olhada para trás e sorrindo quando Lindsey o encontrou com o olhar. Virou-se e tomou seu caminho, satisfeito consigo mesmo. Gerard estava feliz, e Lyn-z também. Era o importava. Ainda que aquilo tenha ficado um pouquinho brega.

Frank riu sozinho e continuou a andar, sentindo, pela primeira vez, um grande orgulho no peito. Era um homem de atitude, agora sabia. Talvez devesse tudo à Lyn-z, que, como ele disse, abrira portas para ele.

Mas, interessantemente, ele percebeu que acabara de abrir a maior das portas para ela.


Notas finais
........... SIM, EU COLOQUEI FRERARD NUMA FIC PRA LYN-Z.
Me internem.
Não sei o que achei dessa coisa, mas eu não importo aqui. Comentem!
xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!