Attack on Zombie

25 PoV Max - Parte 1 - Bem-vindo a nossa corporação


Notas iniciais
Ahá! Voltei antes do fim do ano o/ UAHSUAHSUASHUAHS' Como o PoV do Max tá muuuito grande, eu resolvi dividir ele em algumas partes.... E essa vem de presente de ano novo para vocês :3

Quando o caos do apocalipse se instalou pelo mundo e eu já havia perdido tudo o que era mais precioso para mim, dormir mais cedo parecia a melhor coisa que eu era capaz de fazer. Era inútil, eu sabia, mas queria dormir mais cedo para tentar sonhar por mais tempo: queria ver, mesmo que em seus últimos minutos e mesmo que trouxesse toda a dor da perda de volta, eu queria vê-los mais uma vez.

Ainda que fosse a visão de mordedores devorando meus pais enquanto eu os abandonava para tentar salvar minha irmã, eu queria sonhar. Ainda que eu visse minha irmã sendo mordida novamente e sentir a dor de vê-la sendo consumida pela chama da febre, eu queria sonhar. Mesmo que esses pesadelos me dissessem que eu estava sozinho, eu ainda assim ansiava o dia inteiro para a oportunidade de tê-los.

Eu queria estar com aquelas pessoas mesmo que apenas em minha cabeça. Afinal, era apenas nos sonhos que eu conseguia ver minha família novamente.

*

Mikasa parecia tensa ao conversar com aquela moça loira. Parecia que todo o esforço que eu fiz para deixá-la mais alegre desde a nossa chegada ao abrigo havia desaparecido quando aquela moça mostrou tamanha falta de interesse quanto ao sumiço de Eren.

Eren.

Esse rapaz, desde que eu conhecera Mikasa, estava sempre presente no coração dela. Acho que o odeio por isso. Ele pode estar morto agora e mesmo assim ainda é a coisa mais importante para ela. Mas não é isso que me faz odiá-lo: parece que toda vez que ela se lembra dele ela se fecha mais e fica triste, aflita. Quando estávamos no helicóptero rumo ao Aeroporto de Anchorage, eu percebi que suas memórias voltaram. Eu já estava, de certo modo, acostumado a perder pessoas que amava e pensei que já teria que consolá-la só por Michele, a pequena garota que tinha nos dado alegria naqueles dias sombrios.

Mas não foi só por Michele, nem só por Steven. Quando ela acordou, ela trazia uma tristeza imensa nos olhos: ela estava longe, tão fria e perdida que eu não sabia o que fazer. Seu corpo às vezes passava por um tremor súbito, talvez provocado pelas lembranças. Ela devia ter se lembrado de como perdeu todos, de como o perdeu...

E então ela me disse que não tinha mais ninguém, fazendo meu mundo parar naquele instante. Eu olhei para ela, pensando em quantas vezes eu já não tinha pensado a mesma coisa. Doía lembrar que tínhamos perdido tudo.

Mas doía ainda mais pensar que eu poderia não significar nada para ela.

Seus olhos estavam quase transbordando quando eu sentei ao seu lado e encarei o teto. Ela era tudo o que eu tinha agora. Ela era a única pessoa viva por quem eu tinha algum tipo de afeto e por ela eu estava pronto a fazer de tudo. Naquela hora eu queria ser o seu pilar. Eu ainda estou aqui, Mikasa, eu disse.

Porém eu ainda não era o seu pilar. Ela ainda se preocupava muito com aquele rapaz que provavelmente nunca mais veria.

– Hey! Espere! – O grito de Mikasa me fez sair de meus pensamentos e voltar para a garota loira que estava parada com os pés apoiados na parede. – E os outros? E onde você arrumou esse equipamento?

– Ora, ora, acho que tem gente falante agora. – A garota mirava Mikasa com um olhar vazio. – Amanhã deve ser o último dia antes de começar os testes desse mês. Acho que você se sairia bem na Tropa de Exploração. Boa sorte.

Tropa de Exploração...?

A moça sumiu por entre os prédios enquanto Mikasa a acompanhava com o olhos.

Essa tropa, pelos boatos que eu já tinha ouvido, era a qual saía do abrigo em busca de sobreviventes. Um gelo percorreu meu coração.

– Você vai entrar para essa Tropa? — Perguntei torcendo para ter uma resposta diferente da qual eu imaginava.

Ela não me respondeu, mas mesmo assim eu sabia.

Certamente ela iria entrar para essa Tropa de Exploração.

*

Fiquei no quarto aquela noite pensando no que eu poderia fazer também.

Todos deveriam trabalhar de algum modo e Mikasa escolhera o seu. Eu deveria escolher algum também.

Enquanto eu observava alguns homens jogando cartas, fiquei imaginando o que eles faziam. Alguns, com a roupa ainda suja de terra, deveriam trabalhar na roça, com a agropecuária que alimentava a todos no abrigo. Os outros deveriam ser peões em alguma fábrica, pois, pelo que eu percebi, os superiores dessas firmas conseguiam ter um lugar melhor do que aquele para viver.

Apesar do modo de vida dentro do abrigo se assemelhar ao socialismo, onde tudo era fornecido pelo Estado (no caso a Umbrella), ainda existia aquela hierarquia financeira. Querendo ou não, alguém sempre estaria mais apto a um serviço mais qualificado do que o outro.

Voltei a encarar o panfleto com o mapa do abrigo procurando algum lugar melhor para trabalhar quando um rapaz negro, com os cabelos em longos dreads se aproximou de mim:

— Como vai, rapaz? — ele levantou a mão para tocar na minha. Eu retribui o toque, cumprimentando-o. — Sou Askar. Tá procurando emprego?

— Sou Max. E sim, estou pensando em algo nas fábricas...

— Nossa, as fábricas estão lotadas ultimamente. — Ele passou a mão na testa, como se estivesse preocupado com isso. — Agora pelo jeito é só no campo que você vai conseguir algo. E se você quiser eu te arranjo um trabalho legal lá.

Ele parou e olhou para mim por um momento, mas seu rosto não estava nada alegre: ele provavelmente percebeu a minha repulsa quanto a trabalhar no campo.

Eu não queria fazer isso, eu tinha estudado muito por alguma coisa. Não queria ser só mais um no campo enquanto outros batalhavam por nossa segurança, enquanto Mikasa iria batalhar. Eu queria ser mais útil que isso. Queria fazer algo que valesse a pena.

—Ah, obrigado, mas vou passar essa. — Tentei parecer educado, mas o olhar torto dele me fez pensar que aquilo não tinha sido o suficiente. — Agradeço mesmo pela oferta...

— Mas que coisa hein... — Ele ergueu a voz, de modo que os homens jogando baralho parassem e olhassem para nós. — Você está recusando serviço? Acha que está tudo tão fácil assim?! — Ele olhou para os homens e apontou para mim. — Vocês acreditam que ele recusou trabalhar no campo?!

Os homens começaram a dar risada, aquele tipo de risada que se escuta em bares. Askar, vendo que eu me calei pela vergonha súbita que aquilo me dera, tocou em meu ombro, desfazendo o rosto severo de pouco.

— Relaxa, rapaz. Estou te zoando. Estamos todos perdidos aqui, arrumar encrenca não é a cara de ninguém. Se você quer ser inútil, que seja. Mas quando precisar de emprego é só falar com a gente que vamos te ajudar.

Ele saiu e foi jogar com os outros, que a cada segundo espiavam a minha reação.

Eu não queria ser inútil.

Vasculhei mais uma vez o mapa e vi o Centro de Pesquisas no fundo do abrigo. Eles deveriam ser cientistas que procuravam a cura para tudo aquilo. Eu não tinha estudado Biomedicina à toa. Eu não queria ser inútil. Respirei fundo.

Eu não seria inútil.

*

Um tiro foi disparado na rua e um grito ecoou pela casa.

– MÃE?!

Saí correndo até a porta da sala, quando a avistei gritando para que meu pai corresse mais rápido.

Era o nosso segundo mês dentro de casa, sem sair para qualquer coisa. Estávamos com medo. Meu pai tinha uma arma, mas quando tudo ficava silencioso e podíamos ouvir as dezenas de criaturas para fora, sabíamos que aquela arma não era o suficiente.

Meu pai saiu em busca de suplementos e informação com algum vizinho, mas nenhum deles era mais humano...

Com o tiro vários zumbis começaram a correr atrás de meu pai. Minha mãe chorava na porta enquanto gritava. Quando desci, ela já estava lutando contra a porta para deixá-la fechada enquanto meu pai estava caído no chão, sangrando.

Ele levantou a cabeça para olhar para mim e sua boca se abriu para dizer algo, mas nenhum som saiu. E então o crânio bateu no chão,sem vida.

Minha mãe ajoelhou-se ao lado do corpo ensanguentado, urrando pela dor da perda.

Eu fiquei parado, observando. Meu pai tinha olhado para mim mais uma vez. Novamente eu não consegui ouvir sua voz. Mas ele estava ali... e minha mãe também.

Ela chorava muito, seu rosto estava todo molhado pelas lágrimas e os cabelos encaracolados grudados na pele. Mas eles estavam ali, do mesmo jeito que na vida real.

As mesmas lágrimas e a dor que eu tive naquele momento estavam comigo no sonho.

Mas mesmo assim, um leve sorriso brotou em mim.

Eu estava com eles novamente.

*

— Bem vindo ao Centro de Pesquisas Umbrella Corporation. — Uma voz robótica saía do interfone. — Diga seu nome ou digite a sua senha.

— Sou Max Steam.

Após alguns instantes a voz robótica foi substituída por uma humana:

— Seu nome não se encontra em nenhuma lista. O que deseja, Sr. Steam?

— Eu quero trabalhar com vocês.

A voz do outro lado parou por um tempo, às vezes com barulho do interfone sendo ligado para dizer algo, mas nenhuma palavra era pronunciada. E então um estalo fez com que aquele grande portão de ferro se abrisse.

Dois seguranças apareceram do outro lado e vieram me revistar, me fazendo acreditar que não era normal a presença de visitantes surpresas. Depois que se certificaram que eu não era um terrorista ou seja lá o que pensaram, me escoltaram até o que deveria ser uma recepção.

Atrás de um balcão cheio de telas holográficas havia uma moça loira em um uniforme preto com o símbolo da Umbrella. Ela parecia um pouco assustada quando me viu entrar, mas logo ficou com uma expressão séria no rosto.

— Os seus registros constam que você praticamente acabou de chegar, Sr. Steam. — A voz da moça era a mesma da mulher do interfone. — Antes de tomar alguma providência, devo confirmar o seu desejo de trabalho conosco e perguntar se possui competência para algum cargo aqui.

A moça olhou para mim e aguardou a resposta, mantendo seus olhos azuis claros inexpressivos fixos em mim. Passei rapidamente a vista pelo lugar em que eu estava e logo voltei meu foco para ela.

— Sim, eu quero trabalhar com vocês e realmente acredito que sou capaz disso. Sou formado em Biomedicina e quero ajudar no que for possível.

Ela permaneceu me avaliando por mais um tempo e depois começou a falar algo no microfone em seu rosto. Por fim, antes de voltar para o teclado e para as telas, ela disse:

— Aguarde um momento, por favor.

Não tive muito tempo para admirar aquele lugar tão luxuoso, pois logo um elevador ao lado do balcão abriu suas portas e dois homens com casacos brancos vieram até mim.

— Prazer, rapaz. — O homem mais velho que já possuía cabelos brancos apertou minha mão e começou a chacoalhá-la energicamente enquanto fazia a sua apresentação de forma extremamente rápida: — Sou Arnold Tewis, coordenador geral de cientistas do Setor 1 e 2. Fui noticiado de que deseja entrar para a nossa turma de cientistas.

—Vá com calma, Tewis. — O homem mais jovem e com movimentos mais reservados e intimidadores segurou a mão de Arnold que ainda chacoalhava a minha. — Você vai ter que fazer um teste primeiro. Ah, e eu sou Ezio Frizzoli. Sou Coordenador Geral dos Setores Brancos. Bem, vamos ver do que você é capaz. — Ele olhou me provocando, abrindo um dos braços apontando em direção do elevador.

Entrei no elevador seguido pelos dois homens, e por um pequeno instante o elevador desceu dois andares. Quando a porta se abriu, um enorme corredor iluminado se estendia a minha frente. Arnold saiu na frente e entrou em uma sala à direita, quando saiu acenou para que entrássemos.

Enquanto avançávamos pelo corredor, pelas janelas de vidro eu podia ver pessoas mexendo em computadores de forma concentrada, desviando hora ou outra para checar algum arquivo em outra tela. Tudo parecia muito tecnológico, cada pessoa parecia ter três computadores a sua disposição e em todos os cômodos computadorizados eu podia ver o símbolo da Umbrella em algum lugar.

Quando adentrei pela porta da sala em que Arnold estava percebi o quão escassa ela era em relação as demais: não havia computadores, prateleiras de arquivos ou qualquer outra coisa que havia nas outras. Era uma sala com apenas uma mesa e uma cadeira de metal no centro.

— Por favor, sente-se. — Ezio me empurrou levemente para frente e começou a se retirar.

— Retornaremos logo. — Arnold, diferente de Ezio, parecia muito mais amigável. Acenei com a cabeça confirmando e ele saiu fechando a porta.

Fiquei sentado na cadeira por um bom tempo. Não sabia bem o que eu deveria fazer para conseguir me tornar um deles e aquela espera estava me matando. A sala era clara demais. Limpa demais. Organizada demais... Era como não estar em um mundo caótico ali dentro. Tudo parecia tão impecável que era como se não houvesse qualquer problema ocorrendo.

A câmera instalada no canto da parede me observava. Eu encarava novamente, pensando se alguém me via em alguma tela e se analisava meus movimentos. Talvez aquilo fosse um teste já. Mas que teste?

O silêncio naquela sala já estava me incomodando. O som dos meus dedos batendo na mesa já não era o suficiente. Quanto tempo já havia passado? Algumas horas, com certeza...

Quando a trave da porta se mexeu, eu me levantei eu um sobressalto. Os dois homens retornaram, Arnold com vários papeis em mãos e Ezio com um tipo de relógio.

— Vamos fazer um teste primeiro. — Arnold me entregou as folhas e uma caneta. — Você terá quatro horas para responder essas perguntas. Você disse ter cursado Biomedicina, então isso será a prova de que você é capaz de trabalhar conosco.

— Você terá que acertar pelo menos 85% desta prova. — Ezio colocou a mão na cabeça, como se não suportasse realizar isso. — Espero que não tenha nos feito gastar tempo a preparando para você errar muito. Faz tempo que não temos nenhum candidato para trabalhar no Centro de Pesquisas. Não nos decepcione rapaz.

Ezio colocou o relógio na mesa, o qual já estava marcado quatro horas e apertou o botão, fazendo surgir uma contagem regressiva. Os dois homens saíram sem falar mais nada e me deixaram na sala. Peguei as folhas e a caneta e me sentei.

Noventa questões dissertativas. Era esse o teste. Ao correr os olhos pelas folhas pude notar que o assunto realmente era voltado para a grade curricular de Biomedicina.

Quando notei, já estava sorrindo aliviado por ser o que muitos chamam de ‘nerd’. Faltava alguns meses para o término do meu curso quando o apocalipse começou, mas minha curiosidade desde o início da faculdade me fez estudar todos os assuntos que envolvessem a área de um biomédico e bioquímico.

Percebi que questões de Manipulação Gênica, Imunologia e Parasitologia estavam presentes com mais frequência. Talvez eles estivessem testando se eu seria útil para achar uma possível cura.

Procurei responder da melhor forma possível, tentando colocar todos os meus conhecimentos e encontrar corretamente a resposta esperada.

Quando terminei, ainda faltavam trinta e cinco minutos. Fazer aquele teste era como fazer a prova final da faculdade. E eu queria passar, eu queria deixar meus pais orgulhosos.

Peguei a folha e conferi todas as respostas mais uma vez, até o tempo acabar e os cientistas voltarem para a sala. Ezio pegou a folha rispidamente de minhas mãos e olhou pelo canto dos olhos para mim:

— Pode esperar na recepção ou voltar para o dormitório. Iremos conferir suas respostas e ao anoitecer diremos o resultado para você.

— Espero que tenha ido bem, rapaz. Gostei de você. — Arnold pegou novamente em minha mão e a apertou. Eu não havia falado nada com ele ainda, apenas tinha afirmado com a cabeça tudo o que ele tinha falado. Não era possível ele gostar de mim, mas quando ele olhava com aqueles olhos que parece que todo idoso bondoso possui, parecia que ele dizia a verdade.

Senti os olhos deles me seguindo enquanto eu avançava até o elevador. Não precisei pressionar nenhum botão, remotamente o elevador me levou de volta ao térreo.

Saí do edifício e fiquei andando pelo jardim da frente. Havia alguns bancos espalhados pelo jardim, rodeados por pequenas flores vermelhas e brancas. Era um jardim muito bonito e bem cuidado... e bem vigiado.

Havia uma torre de guarda a certo intervalo de espaço e guardas posicionados na entrada do prédio. Deveria ser difícil entrar ali... ou sair.

Os muros altos separavam aquele lugar do restante da cidade. Caso houvesse uma invasão no abrigo, o Centro de Pesquisas ainda estaria protegido.

Comecei a andar pelo jardim, vendo a extensão além daquele prédio: havia um residencial atrás do prédio, terminando perto da muralha que cortava o abrigo todo. O prédio central do Centro de Pesquisas, o qual eu havia entrado, não parecia ser tão grande para abrigar todas as pessoas que deveriam viver naquele lugar, mas eu sabia que os dois andares que eu desci de elevador eram apenas o começo daquela construção subterrânea. Manter instalações no subsolo parecia uma ótima forma de manter sigilo e proteção.

Passei o resto das horas passeando pelo jardim, analisando cada lugar que eu podia ir sem que um guarda me barrasse, os pontos cegos naquela vigilância que parecia tão forte e meio de tentar escapar de lá caso algum acidente acontecesse dentro do Centro de Pesquisas.

Quando terminei de vasculhar o local, o sol ainda estava predominando o céu. Já deveria ser o meio da tarde e mesmo assim ainda faltava um bom tempo para o anoitecer... Mas eu não sairia daqui. Eu não voltaria para o dormitório ou para Mikasa. Eu queria voltar de cabeça erguida, se possível.

Não queria voltar ainda sendo inútil.

*

Quando o sol sumiu por entre os muros, eu entrei novamente no edifício da Umbrella. Sentei em um dos bancos e fiquei observando a moça loira digitar incansavelmente.

Minha barriga estava apertada pela fome e o cansaço já começava a tomar conta de mim. Ficar sem fazer nada era mais cansativo do que lutar contra os zumbis. Ao menos matar os mordedores me deixava alerta, já o som dos dedos da moça apertando as teclas pareciam me convidar a embalar em um sono.

Mas quando percebi, eu já estava extremamente alerto ao escutar o barulho do elevador. Me levantei em um sobressalto, fazendo com que a moça olhasse para mim. Quando ele se abriu, os rostos daqueles dois cientistas conhecidos surgiram e vieram até mim. Arnold parecia extremamente alegre enquanto Ezio ainda estava com sua cara fechada.

Não sabia ao certo em que expressão confiar, até que Arnold colocou a mão em meus dois ombros e os apertou fortemente:

— Parabéns rapaz! Você foi incrivelmente bem!

— Sério?! — Não consegui suprimir o som de entusiasmo de minha voz ao escutá-lo dizendo isso.

Olhei para Ezio para ver se o velho cientista não estava exagerando, mas ele afirmou com a cabeça.

— Você não é muito humilde, não é rapaz? — Pela primeira vez Ezio demonstrou algum sinal de sorriso. — Poderia ter errado pelo menos uma.

A mão de Ezio posou sobre minha cabeça e ele olhou para mim com uma gentileza que não tinha demonstrado até agora:

— Seja bem-vindo ao Centro de Pesquisas.

Arnold soltou de meu ombro e com um sorriso meio insano me deu as suas boas-vindas também.

— Bem vindo a Umbrella Corporation.

Quando o caos do apocalipse se instalou pelo mundo e eu já havia perdido tudo o que era mais precioso para mim, dormir mais cedo parecia a melhor coisa que eu era capaz de fazer. Era inútil, eu sabia, mas queria dormir mais cedo para tentar sonhar por mais tempo: queria ver, mesmo que em seus últimos minutos e mesmo que trouxesse toda a dor da perda de volta, eu queria vê-los mais uma vez.

Ainda que fosse a visão de mordedores devorando meus pais enquanto eu os abandonava para tentar salvar minha irmã, eu queria sonhar. Ainda que eu visse minha irmã sendo mordida novamente e sentir a dor de vê-la sendo consumida pela chama da febre, eu queria sonhar. Mesmo que esses pesadelos me dissessem que eu estava sozinho, eu ainda assim ansiava o dia inteiro para a oportunidade de tê-los.

Eu queria estar com aquelas pessoas mesmo que apenas em minha cabeça. Afinal, era apenas nos sonhos que eu conseguia ver minha família novamente.

*

Mikasa parecia tensa ao conversar com aquela moça loira. Parecia que todo o esforço que eu fiz para deixá-la mais alegre desde a nossa chegada ao abrigo havia desaparecido quando aquela moça mostrou tamanha falta de interesse quanto ao sumiço de Eren.

Eren.

Esse rapaz, desde que eu conhecera Mikasa, estava sempre presente no coração dela. Acho que o odeio por isso. Ele pode estar morto agora e mesmo assim ainda é a coisa mais importante para ela. Mas não é isso que me faz odiá-lo: parece que toda vez que ela se lembra dele ela se fecha mais e fica triste, aflita. Quando estávamos no helicóptero rumo ao Aeroporto de Anchorage, eu percebi que suas memórias voltaram. Eu já estava, de certo modo, acostumado a perder pessoas que amava e pensei que já teria que consolá-la só por Michele, a pequena garota que tinha nos dado alegria naqueles dias sombrios.

Mas não foi só por Michele, nem só por Steven. Quando ela acordou, ela trazia uma tristeza imensa nos olhos: ela estava longe, tão fria e perdida que eu não sabia o que fazer. Seu corpo às vezes passava por um tremor súbito, talvez provocado pelas lembranças. Ela devia ter se lembrado de como perdeu todos, de como o perdeu...

E então ela me disse que não tinha mais ninguém, fazendo meu mundo parar naquele instante. Eu olhei para ela, pensando em quantas vezes eu já não tinha pensado a mesma coisa. Doía lembrar que tínhamos perdido tudo.

Mas doía ainda mais pensar que eu poderia não significar nada para ela.

Seus olhos estavam quase transbordando quando eu sentei ao seu lado e encarei o teto. Ela era tudo o que eu tinha agora. Ela era a única pessoa viva por quem eu tinha algum tipo de afeto e por ela eu estava pronto a fazer de tudo. Naquela hora eu queria ser o seu pilar. Eu ainda estou aqui, Mikasa, eu disse.

Porém eu ainda não era o seu pilar. Ela ainda se preocupava muito com aquele rapaz que provavelmente nunca mais veria.

– Hey! Espere! – O grito de Mikasa me fez sair de meus pensamentos e voltar para a garota loira que estava parada com os pés apoiados na parede. – E os outros? E onde você arrumou esse equipamento?

– Ora, ora, acho que tem gente falante agora. – A garota mirava Mikasa com um olhar vazio. – Amanhã deve ser o último dia antes de começar os testes desse mês. Acho que você se sairia bem na Tropa de Exploração. Boa sorte.

Tropa de Exploração...?

A moça sumiu por entre os prédios enquanto Mikasa a acompanhava com o olhos.

Essa tropa, pelos boatos que eu já tinha ouvido, era a qual saía do abrigo em busca de sobreviventes. Um gelo percorreu meu coração.

– Você vai entrar para essa Tropa? — Perguntei torcendo para ter uma resposta diferente da qual eu imaginava.

Ela não me respondeu, mas mesmo assim eu sabia.

Certamente ela iria entrar para essa Tropa de Exploração.

*

Fiquei no quarto aquela noite pensando no que eu poderia fazer também.

Todos deveriam trabalhar de algum modo e Mikasa escolhera o seu. Eu deveria escolher algum também.

Enquanto eu observava alguns homens jogando cartas, fiquei imaginando o que eles faziam. Alguns, com a roupa ainda suja de terra, deveriam trabalhar na roça, com a agropecuária que alimentava a todos no abrigo. Os outros deveriam ser peões em alguma fábrica, pois, pelo que eu percebi, os superiores dessas firmas conseguiam ter um lugar melhor do que aquele para viver.

Apesar do modo de vida dentro do abrigo se assemelhar ao socialismo, onde tudo era fornecido pelo Estado (no caso a Umbrella), ainda existia aquela hierarquia financeira. Querendo ou não, alguém sempre estaria mais apto a um serviço mais qualificado do que o outro.

Voltei a encarar o panfleto com o mapa do abrigo procurando algum lugar melhor para trabalhar quando um rapaz negro, com os cabelos em longos dreads se aproximou de mim:

— Como vai, rapaz? — ele levantou a mão para tocar na minha. Eu retribui o toque, cumprimentando-o. — Sou Askar. Tá procurando emprego?

— Sou Max. E sim, estou pensando em algo nas fábricas...

— Nossa, as fábricas estão lotadas ultimamente. — Ele passou a mão na testa, como se estivesse preocupado com isso. — Agora pelo jeito é só no campo que você vai conseguir algo. E se você quiser eu te arranjo um trabalho legal lá.

Ele parou e olhou para mim por um momento, mas seu rosto não estava nada alegre: ele provavelmente percebeu a minha repulsa quanto a trabalhar no campo.

Eu não queria fazer isso, eu tinha estudado muito por alguma coisa. Não queria ser só mais um no campo enquanto outros batalhavam por nossa segurança, enquanto Mikasa iria batalhar. Eu queria ser mais útil que isso. Queria fazer algo que valesse a pena.

—Ah, obrigado, mas vou passar essa. — Tentei parecer educado, mas o olhar torto dele me fez pensar que aquilo não tinha sido o suficiente. — Agradeço mesmo pela oferta...

— Mas que coisa hein... — Ele ergueu a voz, de modo que os homens jogando baralho parassem e olhassem para nós. — Você está recusando serviço? Acha que está tudo tão fácil assim?! — Ele olhou para os homens e apontou para mim. — Vocês acreditam que ele recusou trabalhar no campo?!

Os homens começaram a dar risada, aquele tipo de risada que se escuta em bares. Askar, vendo que eu me calei pela vergonha súbita que aquilo me dera, tocou em meu ombro, desfazendo o rosto severo de pouco.

— Relaxa, rapaz. Estou te zoando. Estamos todos perdidos aqui, arrumar encrenca não é a cara de ninguém. Se você quer ser inútil, que seja. Mas quando precisar de emprego é só falar com a gente que vamos te ajudar.

Ele saiu e foi jogar com os outros, que a cada segundo espiavam a minha reação.

Eu não queria ser inútil.

Vasculhei mais uma vez o mapa e vi o Centro de Pesquisas no fundo do abrigo. Eles deveriam ser cientistas que procuravam a cura para tudo aquilo. Eu não tinha estudado Biomedicina à toa. Eu não queria ser inútil. Respirei fundo.

Eu não seria inútil.

*

Um tiro foi disparado na rua e um grito ecoou pela casa.

– MÃE?!

Saí correndo até a porta da sala, quando a avistei gritando para que meu pai corresse mais rápido.

Era o nosso segundo mês dentro de casa, sem sair para qualquer coisa. Estávamos com medo. Meu pai tinha uma arma, mas quando tudo ficava silencioso e podíamos ouvir as dezenas de criaturas para fora, sabíamos que aquela arma não era o suficiente.

Meu pai saiu em busca de suplementos e informação com algum vizinho, mas nenhum deles era mais humano...

Com o tiro vários zumbis começaram a correr atrás de meu pai. Minha mãe chorava na porta enquanto gritava. Quando desci, ela já estava lutando contra a porta para deixá-la fechada enquanto meu pai estava caído no chão, sangrando.

Ele levantou a cabeça para olhar para mim e sua boca se abriu para dizer algo, mas nenhum som saiu. E então o crânio bateu no chão,sem vida.

Minha mãe ajoelhou-se ao lado do corpo ensanguentado, urrando pela dor da perda.

Eu fiquei parado, observando. Meu pai tinha olhado para mim mais uma vez. Novamente eu não consegui ouvir sua voz. Mas ele estava ali... e minha mãe também.

Ela chorava muito, seu rosto estava todo molhado pelas lágrimas e os cabelos encaracolados grudados na pele. Mas eles estavam ali, do mesmo jeito que na vida real.

As mesmas lágrimas e a dor que eu tive naquele momento estavam comigo no sonho.

Mas mesmo assim, um leve sorriso brotou em mim.

Eu estava com eles novamente.

*

— Bem vindo ao Centro de Pesquisas Umbrella Corporation. — Uma voz robótica saía do interfone. — Diga seu nome ou digite a sua senha.

— Sou Max Steam.

Após alguns instantes a voz robótica foi substituída por uma humana:

— Seu nome não se encontra em nenhuma lista. O que deseja, Sr. Steam?

— Eu quero trabalhar com vocês.

A voz do outro lado parou por um tempo, às vezes com barulho do interfone sendo ligado para dizer algo, mas nenhuma palavra era pronunciada. E então um estalo fez com que aquele grande portão de ferro se abrisse.

Dois seguranças apareceram do outro lado e vieram me revistar, me fazendo acreditar que não era normal a presença de visitantes surpresas. Depois que se certificaram que eu não era um terrorista ou seja lá o que pensaram, me escoltaram até o que deveria ser uma recepção.

Atrás de um balcão cheio de telas holográficas havia uma moça loira em um uniforme preto com o símbolo da Umbrella. Ela parecia um pouco assustada quando me viu entrar, mas logo ficou com uma expressão séria no rosto.

— Os seus registros constam que você praticamente acabou de chegar, Sr. Steam. — A voz da moça era a mesma da mulher do interfone. — Antes de tomar alguma providência, devo confirmar o seu desejo de trabalho conosco e perguntar se possui competência para algum cargo aqui.

A moça olhou para mim e aguardou a resposta, mantendo seus olhos azuis claros inexpressivos fixos em mim. Passei rapidamente a vista pelo lugar em que eu estava e logo voltei meu foco para ela.

— Sim, eu quero trabalhar com vocês e realmente acredito que sou capaz disso. Sou formado em Biomedicina e quero ajudar no que for possível.

Ela permaneceu me avaliando por mais um tempo e depois começou a falar algo no microfone em seu rosto. Por fim, antes de voltar para o teclado e para as telas, ela disse:

— Aguarde um momento, por favor.

Não tive muito tempo para admirar aquele lugar tão luxuoso, pois logo um elevador ao lado do balcão abriu suas portas e dois homens com casacos brancos vieram até mim.

— Prazer, rapaz. — O homem mais velho que já possuía cabelos brancos apertou minha mão e começou a chacoalhá-la energicamente enquanto fazia a sua apresentação de forma extremamente rápida: — Sou Arnold Tewis, coordenador geral de cientistas do Setor 1 e 2. Fui noticiado de que deseja entrar para a nossa turma de cientistas.

—Vá com calma, Tewis. — O homem mais jovem e com movimentos mais reservados e intimidadores segurou a mão de Arnold que ainda chacoalhava a minha. — Você vai ter que fazer um teste primeiro. Ah, e eu sou Ezio Frizzoli. Sou Coordenador Geral dos Setores Brancos. Bem, vamos ver do que você é capaz. — Ele olhou me provocando, abrindo um dos braços apontando em direção do elevador.

Entrei no elevador seguido pelos dois homens, e por um pequeno instante o elevador desceu dois andares. Quando a porta se abriu, um enorme corredor iluminado se estendia a minha frente. Arnold saiu na frente e entrou em uma sala à direita, quando saiu acenou para que entrássemos.

Enquanto avançávamos pelo corredor, pelas janelas de vidro eu podia ver pessoas mexendo em computadores de forma concentrada, desviando hora ou outra para checar algum arquivo em outra tela. Tudo parecia muito tecnológico, cada pessoa parecia ter três computadores a sua disposição e em todos os cômodos computadorizados eu podia ver o símbolo da Umbrella em algum lugar.

Quando adentrei pela porta da sala em que Arnold estava percebi o quão escassa ela era em relação as demais: não havia computadores, prateleiras de arquivos ou qualquer outra coisa que havia nas outras. Era uma sala com apenas uma mesa e uma cadeira de metal no centro.

— Por favor, sente-se. — Ezio me empurrou levemente para frente e começou a se retirar.

— Retornaremos logo. — Arnold, diferente de Ezio, parecia muito mais amigável. Acenei com a cabeça confirmando e ele saiu fechando a porta.

Fiquei sentado na cadeira por um bom tempo. Não sabia bem o que eu deveria fazer para conseguir me tornar um deles e aquela espera estava me matando. A sala era clara demais. Limpa demais. Organizada demais... Era como não estar em um mundo caótico ali dentro. Tudo parecia tão impecável que era como se não houvesse qualquer problema ocorrendo.

A câmera instalada no canto da parede me observava. Eu encarava novamente, pensando se alguém me via em alguma tela e se analisava meus movimentos. Talvez aquilo fosse um teste já. Mas que teste?

O silêncio naquela sala já estava me incomodando. O som dos meus dedos batendo na mesa já não era o suficiente. Quanto tempo já havia passado? Algumas horas, com certeza...

Quando a trave da porta se mexeu, eu me levantei eu um sobressalto. Os dois homens retornaram, Arnold com vários papeis em mãos e Ezio com um tipo de relógio.

— Vamos fazer um teste primeiro. — Arnold me entregou as folhas e uma caneta. — Você terá quatro horas para responder essas perguntas. Você disse ter cursado Biomedicina, então isso será a prova de que você é capaz de trabalhar conosco.

— Você terá que acertar pelo menos 85% desta prova. — Ezio colocou a mão na cabeça, como se não suportasse realizar isso. — Espero que não tenha nos feito gastar tempo a preparando para você errar muito. Faz tempo que não temos nenhum candidato para trabalhar no Centro de Pesquisas. Não nos decepcione rapaz.

Ezio colocou o relógio na mesa, o qual já estava marcado quatro horas e apertou o botão, fazendo surgir uma contagem regressiva. Os dois homens saíram sem falar mais nada e me deixaram na sala. Peguei as folhas e a caneta e me sentei.

Noventa questões dissertativas. Era esse o teste. Ao correr os olhos pelas folhas pude notar que o assunto realmente era voltado para a grade curricular de Biomedicina.

Quando notei, já estava sorrindo aliviado por ser o que muitos chamam de ‘nerd’. Faltava alguns meses para o término do meu curso quando o apocalipse começou, mas minha curiosidade desde o início da faculdade me fez estudar todos os assuntos que envolvessem a área de um biomédico e bioquímico.

Percebi que questões de Manipulação Gênica, Imunologia e Parasitologia estavam presentes com mais frequência. Talvez eles estivessem testando se eu seria útil para achar uma possível cura.

Procurei responder da melhor forma possível, tentando colocar todos os meus conhecimentos e encontrar corretamente a resposta esperada.

Quando terminei, ainda faltavam trinta e cinco minutos. Fazer aquele teste era como fazer a prova final da faculdade. E eu queria passar, eu queria deixar meus pais orgulhosos.

Peguei a folha e conferi todas as respostas mais uma vez, até o tempo acabar e os cientistas voltarem para a sala. Ezio pegou a folha rispidamente de minhas mãos e olhou pelo canto dos olhos para mim:

— Pode esperar na recepção ou voltar para o dormitório. Iremos conferir suas respostas e ao anoitecer diremos o resultado para você.

— Espero que tenha ido bem, rapaz. Gostei de você. — Arnold pegou novamente em minha mão e a apertou. Eu não havia falado nada com ele ainda, apenas tinha afirmado com a cabeça tudo o que ele tinha falado. Não era possível ele gostar de mim, mas quando ele olhava com aqueles olhos que parece que todo idoso bondoso possui, parecia que ele dizia a verdade.

Senti os olhos deles me seguindo enquanto eu avançava até o elevador. Não precisei pressionar nenhum botão, remotamente o elevador me levou de volta ao térreo.

Saí do edifício e fiquei andando pelo jardim da frente. Havia alguns bancos espalhados pelo jardim, rodeados por pequenas flores vermelhas e brancas. Era um jardim muito bonito e bem cuidado... e bem vigiado.

Havia uma torre de guarda a certo intervalo de espaço e guardas posicionados na entrada do prédio. Deveria ser difícil entrar ali... ou sair.

Os muros altos separavam aquele lugar do restante da cidade. Caso houvesse uma invasão no abrigo, o Centro de Pesquisas ainda estaria protegido.

Comecei a andar pelo jardim, vendo a extensão além daquele prédio: havia um residencial atrás do prédio, terminando perto da muralha que cortava o abrigo todo. O prédio central do Centro de Pesquisas, o qual eu havia entrado, não parecia ser tão grande para abrigar todas as pessoas que deveriam viver naquele lugar, mas eu sabia que os dois andares que eu desci de elevador eram apenas o começo daquela construção subterrânea. Manter instalações no subsolo parecia uma ótima forma de manter sigilo e proteção.

Passei o resto das horas passeando pelo jardim, analisando cada lugar que eu podia ir sem que um guarda me barrasse, os pontos cegos naquela vigilância que parecia tão forte e meio de tentar escapar de lá caso algum acidente acontecesse dentro do Centro de Pesquisas.

Quando terminei de vasculhar o local, o sol ainda estava predominando o céu. Já deveria ser o meio da tarde e mesmo assim ainda faltava um bom tempo para o anoitecer... Mas eu não sairia daqui. Eu não voltaria para o dormitório ou para Mikasa. Eu queria voltar de cabeça erguida, se possível.

Não queria voltar ainda sendo inútil.

*

Quando o sol sumiu por entre os muros, eu entrei novamente no edifício da Umbrella. Sentei em um dos bancos e fiquei observando a moça loira digitar incansavelmente.

Minha barriga estava apertada pela fome e o cansaço já começava a tomar conta de mim. Ficar sem fazer nada era mais cansativo do que lutar contra os zumbis. Ao menos matar os mordedores me deixava alerta, já o som dos dedos da moça apertando as teclas pareciam me convidar a embalar em um sono.

Mas quando percebi, eu já estava extremamente alerto ao escutar o barulho do elevador. Me levantei em um sobressalto, fazendo com que a moça olhasse para mim. Quando ele se abriu, os rostos daqueles dois cientistas conhecidos surgiram e vieram até mim. Arnold parecia extremamente alegre enquanto Ezio ainda estava com sua cara fechada.

Não sabia ao certo em que expressão confiar, até que Arnold colocou a mão em meus dois ombros e os apertou fortemente:

— Parabéns rapaz! Você foi incrivelmente bem!

— Sério?! — Não consegui suprimir o som de entusiasmo de minha voz ao escutá-lo dizendo isso.

Olhei para Ezio para ver se o velho cientista não estava exagerando, mas ele afirmou com a cabeça.

— Você não é muito humilde, não é rapaz? — Pela primeira vez Ezio demonstrou algum sinal de sorriso. — Poderia ter errado pelo menos uma.

A mão de Ezio posou sobre minha cabeça e ele olhou para mim com uma gentileza que não tinha demonstrado até agora:

— Seja bem-vindo ao Centro de Pesquisas.

Arnold soltou de meu ombro e com um sorriso meio insano me deu as suas boas-vindas também.

— Bem-vindo a Umbrella Corporation.

Notas finais
Bem, está aí xD O que acharam desses cientistas? #Dica: tenham medo de Arnold, ele é feliz demais. AUHSUAHSUAHSUASH' Mentira, tenham medo de Ezio, ele tem nome de assassino, se é que me entendem.... kkkkkkk' Ou então tenham medo de Max... UAHSUAHSUAHSAUSH' Bem, ano novo é sinal de capítulos novos o/ Prometo voltar a postar com mais frequência u.u Mas é isso, quem ainda lê e acompanha, deixo meu muito obrigada! Tamo junto em 2015 galera o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.