Attack on Zombie

5 Capítulo 5 - O homem que parecia voar


Voltamos ao acampamento sem trocarmos mais nenhuma palavra. Ao chegarmos lá, Steven arrancava as flechas das cabeças dos mordedores. Então ele olhou para nós:

– Vamos subir antes que escureça.

O circuito de redes fazia um triângulo por entre as árvores, o que dava uma perfeita visão para os outros dois. Será que eles conseguiam dormir facilmente? Será que eu iria conseguir? Meu corpo estava cansado por não ter dormido na noite passada, mas eu estava com medo. Medo por principalmente não saber o que estava acontecendo com o mundo.

Virei-me para olhar para eles. Max estava deitado de costas com o braço sobre os olhos e Steven estava sentado na rede se equilibrando enquanto checava as poucas armas de fogo, já que a maioria que tínhamos eram armas brancas. Quando voltei meu olhar para Max, ele estava virado para mim e sorria. Por um instante meu coração acelerou e desviei o olhar, mas pude ouvi-lo dando risada.

– Max! Não assuste a mocinha! – disse Steven com um ar risonho.

– Não estou assustando ela Steve! Estou tentando decifrá-la – nisto seus lábios alargaram-se em um grande sorriso. Steven também havia deitado e estava olhando para mim. – Vamos Mikasa, me ajude a te decifrar...

Acho que eu não poderia ajudar muito, já que eu mesma ainda não tinha me decifrado.

Max, vendo que eu não responderia, virou-se novamente de costas e começou a falar:

– Antes de tudo isso começar, eu era um estudante do último ano de Biomedicina. – Sua voz, que antes estava com um tom arteiro, ficou calma e triste. – Eu não consegui salvar minha família... e nem teria me salvado se não fosse por Steve: Ele era um tenente do exército!

– Um tenente-general, meu rapaz.

Pela sua voz foi possível perceber o orgulho que tinha daquele título. Então isso explicava a força e a boa atiraria que ele tinha apesar da meia idade. Steven voltou o seu rosto para mim com um sorriso doce:

– E você, pequena? O que era antes disso tudo começar?

– Eu... não me lembro...

Max que estava deitado de costas, ao ouvir minha resposta virou-se drasticamente quase caindo de sua rede.

– Como assim?!

– Eu acordei ontem sem nenhuma lembrança... demorou até eu lembrar de meu próprio nome. Mas eu sei que preciso encontrar uma pessoa.

– Ah, é? Pelo menos dessa pessoa você se lembra?

– Sim! Eren Yeager! Vocês o conhecem?

Os dois entreolharam-se e negaram com a cabeça.

– Me perdoe garota, mas não o conhecemos. – Steven conseguia falar com um ar um tanto paternal comigo – Mas, o que ele era seu? Pai, irmão, um amigo ou então... um namorado?

– Ele é... minha família. – Eu podia sentir meu rosto a queimar-se de vergonha. O que ele era meu na realidade? Ele era mesmo a minha família?

Quando voltei de meus pensamentos, os dois davam gargalhadas. Eles conseguiam rir no meio daquele pesadelo, e isso me fez sentir um pouco alegre.

Steven começou a contar histórias de sua vida, sobre o início da epidemia e sobre o dia em que conheceu Max, há quase seis meses atrás.

– Max estava preso no trânsito e sua irmã tinha sido mordida. Várias pessoas estavam saindo do carro e se arriscando a sorte, Max foi uma delas. Ele carregava a irmã até ela morrer e se transformar. Se eu não estivesse lá para mata-la, ela teria mordido Max. Nós salvamos mais várias pessoas, mas apenas cinco vieram conosco. Ensinei todos eles a atirar, mas uma a uma foram morrendo. Só sobramos nós dois, sempre rumo ao porto de Seattle.

– Seattle...? – O que haveria de tão importante por lá?

– Eles virão nos buscar. Agora, vamos seguir o exemplo de Max e descansar um pouco... teremos um longo dia pela frente.

Steven virou para um lado e ficou em silêncio. Como deveria ter sido minha vida naquele caos? Enquanto eu tentava lembrar, o sono veio fazendo minha vista escurecer.

Tinha uma mulher muito parecida comigo que estava a me ensinar a bordar e um homem que foi abrir a porta. Depois, tudo era apenas sangue.

Já fazia três dias que estávamos na floresta. Era incrível a velocidade com que podia surgir uma grande amizade em tão pouco tempo, mas aqueles dias não nos davam outra escolha.

Já fazia três dias que eu tinha o mesmo sonho. Algumas vezes eles vinham com mais recordações sobre aquelas pessoas que eu chamava de pai e mãe, mas todos terminavam com o sangue. E em nenhum deles o Eren aparecia.

– Muito bem pessoal. Fim da linha. Hora de nos abastecer. – era o fim da floresta e a entrada para uma cidade. – Vamos Mikasa, a balestra é sua agora! Lembre-se: sempre na cabeça!

Era a hora de provar que os treinamentos com Steven não tinham sido em vão. Eu fui na frente, atirando nos zumbis conforme apareciam e Max arrancava as flechas dos crânio deles e as limpava para mim.

Quando chegamos no centro, Steven entrou em um mercado e Max fazia uma ligação direta em um dos carros. Não havia muito movimento em terra, mas tinha um no ar. A sombra de um homem que parecia voar apontou em um prédio e eu pude ver ele se abaixando cada vez mais até perder o controle e bater com as costas em uma parede da próxima esquina.

Coloquei uma espada curta em minha cintura e andei com a balestra pronta para atirar. Quando virei a esquina eu vi o homem caído escondido por entre os carros tendo nos braços uma garotinha. O problema era que eu não era a única a ter visto ele cair.

Notas finais
Esse capítulo foi mais sossegado, não é? Mas agora a coisa começa a ficar séria .... ou não >.< Espero ver comentários sobre o que estão achando :)