Attack Of The Undead

2 O Martelo De Carne Com Maciez De Crânio Bônus


– Laura e agora o que a gente faz?/ falei desesperado. Também, quem não ficaria desesperado vendo a morte subindo as escadas para te comer?

– Já sei, vamos usar a janela. Podemos sair e ir pela laje.

Eu mais que rápido, corri para a janela e com um salto, pulei para o lado de fora. Segurando-me no umbral de baixo do parapeito da janela. Estendi a mão para a Laura.

– sabia que os humanos vieram do macaco. Mas não sabia que você era o parente mais próximo. Macaco branco.

– para de piadinhas e segure logo minha mão. Temos que ir logo.

Ela segurou-se em minha mão, e a puxei para fora. Ajudei-a se equilibrar na telha de barro, e comecei a mostrar a ela onde pisar e onde não pisar.

– eu vou à frente e você vem logo atrás. Cuidado. Um passo em falso e pode ser seu fim

– olha, se você não for logo, esse será o fim de nós dois. Olhe/ falou-me ela, apontando para trás na direção da janela.

Os zumbis já estavam na janela tentando ultrapassá-la, mas acho que não tem inteligência suficiente para isso, pois ficaram todos eles se empurrando com os ombros e braços, com movimentos que acho que nem minha avó morta seria tão lerda assim.

Fomos em direção ao telhado dos vizinhos. Se esgueirando pelo canto para não cair. Até que então, chegamos perto de uma árvore. Comecei a descer na frente, mas a Laura me puxou pela argola da blusa. E se pendurou na árvore.

–primeiro as damas certo?

– tudo bem. Eu deixo você cair primeiro que daí vou ter algo fofinho para aterrissar./ falei com um sorrisinho de canto de rosto

– haha, engraçadinho. Vamos logo antes que eles cheguem.

Descemos pela arvore e fomos em direção a alguns arbustos próximos, e nos escondemos ali.

– e agora o que faremos. / Laura falou um pouco alto demais

– Olha, fala mais alto que eu acho que eles não ouviram ainda.

– eles estão mortos. Mortos não escutam nem veem. Não sei nem porque estamos aqui atrás dessa moita. E esta meio estranho isso aqui, você não acha? Eu e você atrás de uma moita? Não se esqueça de como eu sou.

– eu sei muito bem de como você. E para de pensar nessas coisas ridículas. Você sabe que eu tenho namorada e como eu sou com esse negocio de traição. Eu simplesmente odeio. E falo mais...

– ta, cala a boca e vamos. Você fala de mais nerdizinho. / me interrompeu ela

–tudo bem, mas vê se fica quieta. Porque para sua informação, zumbis são atraídos pelo som. A audição é a única coisa que eles têm que funciona direito. Então calada

– como você sabe disso? Já foi um pra saber essas coisas?

– mas faça silêncio, por favor. Preciso pensar.

– ok senhor genialidade.

"E agora"? O que faremos? Pra onde vamos? Ah se eu tivesse um mapa ou qualquer coisa do tipo. Vamos André pense em algo que o tire dessa situação. Vamos lá. Precisamos de mais pessoas, não muitas, mas o suficiente para organizar uma equipe de sobrevivência. "

– Laura, tive um plano. Precisamos criar um grupo para sairmos daqui. Não pode ser muito grande porque se não, vai desorganizar tudo e iremos acabar morrendo pela fatalidade de alguém. E aliais. Eu preciso ir atrás da minha namorada

Ela ficou parada, olhando fixamente para o chão e com a mão direita no queixo.

"Acho que foi muito egoísmo meu pensar na minha namorada quando tem tanta gente por ai morrendo. Mas o que eu posso fazer? Eu amo muito e tenho que protege la de alguma forma"

– tudo bem, seu plano é bom. E minha cunhada não mora longe. Vamos fazer assim. Buscaremos nossos amigos e as algumas pessoas que encontrarmos pelo caminho, mas de preferência, as que sejam confiáveis. Depois daí iremos para casa da sua namorada e a pegaremos para irmos para... Iremos para onde?

– Não pensei nesse detalhe ainda. Mas, uma coisa de cada vez. Vamos indo então. De vagar e sem fazer barulho entendido?

– sim capitão./ falou ela, batendo uma continência e fazendo uma cara de repugnação.

Fomos esgueirando pela rua, numa posição muito desconfortável. Completamente abaixados e andando como um soldado passando por baixo de arame farpado.

– Deh, o bruno mora aqui na casa que fica na esquina. Vamos chama-lo primeiro

"não o bruno não, por favor. Não me dou bem com esse garoto. Ele me irrita de tal forma. Foco André, precisamos de pessoas pra nos ajudar. E para a Laura, ele deve ser confiável"

ok, pode ser ele mesmo. Mas vamos rápido ok? E você é que vai entrar pra falar com ele.

– o que foi? Ta com medinho Andre?

Eu olhei com uma cara de tamanha raiva que acho que ela entendeu meu recado, pois se virou e continuou indo em frente.

– Deh, tenta se acertar com ele. Ele é uma pessoa boa. Ele pode nos ajudar. E aliais, ele é gamer como você. Deve ter jogado algum desses seus joguinhos chatos de matar gente que já ta morta./ ela do nada parou bruscamente, que me fez esbarrar nela com tudo, e se virou com uma cara de pondo de interrogação./ se a gente mata um zumbi. É um morto a mais ou um morto a menos.

– olha, é uma boa pergunta, mas eu sei de uma coisa. Se você não andar logo, teremos um morto a mais no mundo porque eu irei te jogar para eles e ai você pode perguntar pra eles pra ver se eles vão te responder.

– besta! / falou ela se virando com tudo e continuando a andar.

– eu também te amo peste/ rastejei logo atrás dela.

***

Chegamos à casa do bruno. A porta estava semiaberta, o que me fez dar um passo atrás.

"ele já pode ter se tornado um deles."

– Laura, não é seguro entrar ai. Ele pode já ter sido mordido ou algo pior./ falei enquanto puxava a pistola para fora e a segurava em posição de prontidão.

Ela abriu a porta por completo e um barulho muito forte soou lá dentro. A Laura ficou branca. Por instinto, puxei-a pela blusa, e entrei na casa apontando a arma em qualquer direção ou qualquer coisa que se movesse. Ali estava, no chão, o bruno e um zumbi logo em cima dele. Eles travavam uma luta de força. O zumbi estava em cima, o tentando morder, e ele estava fazendo força para afasta-lo. Ele estava com algo na mão e...

"... Pera. Não creio nisso. Aquilo é um martelo de carne? O que ele ta pensando em fazer com um martelo de carne contra um zumbi? Amaciar a carne dele?"

Corri e dei uma bicuda para o zumbi sair de cima dele. O zumbi rolou para o lado e ficou deitado no canto da parede. Então peguei a arma e atirei na testa do zumbi.

Virei-me para trás e uma pessoas ensanguentada, sem o maxilar, estava, digamos invadindo minha área de privacidade. Eu me toquei que era um zumbi. Tentei ir para trás, mas foi tarde demais. O zumbi caiu sobre mim. Minha arma saiu girando para um canto longe o suficiente para eu não alcançá-la. Ele tentava me morder sem mesmo ter uma boca, mas acho que ele não é inteligente o suficiente para perceber que precisa de uma boca para comer ou ainda não tinha notado a falta de um órgão do corpo.

"Ele é forte e eu não vou conseguir alcançar minha arma para acabar com esse desgraçado".

Meus braços já não aguentavam mais. Minha visão começou a embasar e a dor nos músculos me fazia querer chorar. Comecei a entrar em desespero. Quando um vulto passou e o alivio me tomou. Uma explosão de sangue foi de encontro a meu rosto. Fui rastejando para trás sem ver nada. Limpei o sangue dos meus olhos e vi o bruno, ao lado do zumbi, dando múltiplas marteladas na cabeça do zumbi.

– Morre! Morre! Morre! / gritava o bruno

Ele parou de martelar a cabeça daquele pobre zumbi.

"Nossa, deu até dó do zumbi agora. Ele já não tinha mandíbula e agora esta sem vida, não que ele estava vivo. Ou ele estava vivo mesmo. Ou era um vivo que morreu mais ainda estava vivo. Haaaaaa."

Pani no cérebro.

O bruno se virou para minha direção, e veio chegando mais perto de mim. Senti um medo desconfortável subindo pela minha espinha. O que é? Quem não teria medo de um cara, grande, de quase 1,90 de altura, todo coberto de sangue e com uma arma assassina nas mãos?

Ele me estendeu a mão e me ajudou a me levantar. Olhei para ele e notei os seus detalhes mais de perto. Um cara consideravelmente grande e forte. Cabelos lisos e negros. Olhos castanhos e pequenos. A feição dele era de dor, ele tentava disfarçar mas não isso estava estampado em seu rosto.

– cara, esta tudo bem? / perguntei dando um passo atrás.

– estou sim. Só meu corpo que dói demais. Meus músculos estão doloridos. Você sabe que esse é o fim do mundo não é?

"cara, mesmo esse mundo sendo horrível, sujo, cruel e imperfeito. Ele continua sendo uma moradia para todos os seres humanos. Não existe uma forma de fugir do planeta. Não tem outra escapatória. O que faremos?"

– Nunca, em nenhum jogo, livro ou série, alguém conseguiu achar uma cura para essa "epidemia". / falei andando em direção a porta de saída.

– e sempre é a mesma coisa. A maior parte do grupo morre./ disse-me o bruno, enquanto sentava no sofá.

– precisamos mudar isso. Vamos sobreviver. A união faz a força, correto? Então iremos formar uma equipe e mudaremos esse destino de merda

– Sim, vamos sim. Precisamos de armas, suprimento e, só então, um lugar seguro para ficarmos.

– olha, você sabe mesmo das coisas. Os três procedimentos de sobrevivência num apocalipse zumbi.

– tem como vocês dois parem de "nerdizisses" e vamos logo sair daqui!/ disse a Laura num tom de desprezo.

– bruno, vá atrás de todo o suprimento necessário e armas, qualquer coisa que sirva de armamento por enquanto. Laura fique aqui com o bruno e o ajude. Eu vou atrás de um amigo meu que eu tenho ,mais que certeza absoluta, de que esta vivo.

– correto, mas tome cuidado.

Falou-me a Laura. Ela foi bem ao pé do meu ouvido e disse:

– se você morrer, eu juro que te mato. Sim eu vou te matar. Não duvide de mim./ e então me deu um empurrão para trás e piscou pra mim.

– pode deixa. Depois dessa ameaça de vida, quem não vai querer estar vivo não é?

Dei meia volta e sai pela porta. E já de início, descobri que foi uma decisão nada boa.