Atrevida
1 Uma atrevida em meio ao nada.
É impressionante como filmes e livros clichês tentam nos empurrar goela a baixo uma mentira deslavada de que o amor está logo ali, só ti esperando, que você vai virar um corredor e BAM! vai esbarrar naquele carinha perfeito que vai olhar nos seus olhos e vai se descobrir perdidamente apaixonado, mas trago verdades não é bem assim que funciona! ;Ou será que o problema é só comigo?
— Que cara é essa Cacá ?
Fui trazida dos meus devaneios por Julia, minha melhor amiga ao menos o clichê da melhor amiga eu vivo e o melhor ou pior de tudo por assim dizer é que eu sou melhor amiga de uma garota perfeita,sem exageros.Julia realmente é bonita sem esforços algum, uma pele naturalmente bronzeada graças a combinação de um pai negro e uma mãe branca, longos cabelos cacheados,uma pele impecável,um corpo de dar inveja as praticantes de academia,alta e como o universo achou pouco, um belo par de olhos verdes.Sério ,Julia ganhou na loteria da beleza e chamava atenção por onde passava e ela nem tinha noção dessa beleza toda ou do efeito que causava nos outros,não só garotos;sinceramente Deus não da asas a cobra,pois se eu venho no lugar da Julia certeza que seria uma dessas meninas más.
Em contra partida cá estava eu Camila, ou Cacá como a maioria me chamava pois é assim que Julia sempre me chamou desde o maternal e acabou pegando,diferentemente de Julia ,eu sou baixa,branca de mais, olhos castanhos escuros,com cabelos castanhos que no momento estão cor de rosa, agora tá mais pra cor de algodão doce pois o rosa está desbotando, mas para meu total desespero eu tenho tanto corpo quanto uma pré adolescente de 12 anos e tudo que você menos quer no alto dos seus 17 anos é parecer uma pré adolescente, desprovida de seios ou qualquer aparato que possa lhe tornar atraente.
— Só estava pensando, já percebeu que todo mundo tá começando a namorar, ou tá apaixonado por alguém ou ao menos pensando em alguém romanticamente falando e eu acho todos os caras babacas neandertais.
— Amiga, você precisa parar de se comparar aos outros, não é por quê está "todo mundo namorando, se apaixonando ou flertando com alguém" que você precisa fazer o mesmo.
— Eu sei, mas poxa eu queria sentir algo, ao menos pra saber como é, eu nunca gostei de ninguém de ficar pensando nessa pessoa e suspirando e tal.Isso é tão estranho, eu acho que não sou normal, Julia é sério eu acho que eu vim com algum defeito de fabrica.
— Para de bobeira, você só é mais evoluída que todos nós, você acha que eu queria gostar de alguém que não está nem aí para mim? Sério o David nem olha quando passo, ele deve me achar uma criança teimosa por ficar tentando puxar assunto o tempo todo.
E pronto, lá estava a cara de desiludida de Julia, tinha vontade de socar o David toda vez que ela ficava com essa cara, ela tinha todos os caras a seus pés e foi se apaixonar logo por quem? pelo vizinho bonitão e também o cara mais galinha da cidade e que tratava as garotas como nada, pensando bem eu tinha que socar a Julia também, o cara era encrenca na certa, se envolver com ele e pior se apaixonar seria o mesmo que pedir pra ter seu coração pisoteado e entregue aos cães.
—Esquece esse David sério, você merece coisa muito melhor .
A pausa para o almoço terminou e nos encaminhamos de volta a sala de aula, se tinha uma coisa que eu destetava era o colégio, enquanto íamos para nossa sala, as pessoas tentavam falar com a Julia, chamar sua atenção a todo custo, mas ela era tímida de mais e ficava sem graça com tanta atenção e eu me mantinha séria e revirava os olhos pros cachorrinhos babões, pois era assim que eu os via.
— Não aguento mais isso em pensar que faltam duas semanas para as férias de verão, eu tenho vontade de cortar meus pulsos.
—Ei, não fale assim você sabe que não é legal.
Julia me olhou com ar reprovador e preocupado, desde que comecei a cortar o cabelo e descolorir é como se ela esperasse ouvir que estou usando drogas também. Difícil ser amiga da perfeita Girl.
— Eu sei,eu sei, só estou brincando, você já deveria ter se acostumado com minhas piadas.
As duas semanas passaram mais lentas do que eu gostaria, mas finalmente acabaram.
Julia estava indo tirar férias em uma das melhores cidades do mundo e eu fui convidada, mas minha família tinha outros planos para mim,não que minha opinião importasse é claro.
— Cacá desfaz esse bico você vai amar o contato com o campo, a natureza, contato com os animais,se você se esforçar você vai gostar, veja o Noah como está feliz.
—Mãe Noah tem 5 anos, ficar feliz faz parte dele, ele é uma criança,na idade dele eu também gostava desse lugar,agora eu sou adolescente, eu preciso de tecnologia para sobreviver,mãe essas serão as piores férias da minha vida.
— Camila, você tem duas escolhas apenas, procurar gostar ou ficar emburrada no canto até que termine,eu não vou me deixar a bater pelo seu mal humor juvenil.
Assim minha virou se para frente dando a conversa por encerrada, meu pai dirigia e se manteve calado como sempre, meu pai era tão calado que as vezes até esquecia da presença dele, meu irmão Noah dormia na cadeirinha ao meu lado.
A cidade ia ficando para trás e cada vez menos casas eram vistas e mais matos, devo ter dormido e acordado inúmeras vezes, mas o caminho era eterno,não me recordava de ser tão distante assim não voltamos aqui desde o nascimento de Noah.
Em um dado momento perdida no mundo dos sonhos ouvi uma senhora gritando "Eles chegaram!". Abri os olhos e percebi que estava na fazenda, o cheiro de mato e algo mais me acertou em cheio, estava quente e abafado e antes que eu pudesse me dar conta de tudo, meus pais já estavam fora do carro, meu pai tirou Noah da cadeirinha e ele saiu correndo atrás do que parecia, um cabrito ?
— Filha, apenas se esforce está bem?
Meu pai disse sorrindo daquele jeito tranquilo e que calmo único dele. Não podia prometer nada, mas sai do carro e toda uma família de mosquito veio me dar as boas vindas.E também toda minha própria família.
Quando todos os abraços e exclamações sobre como eu cresci e já estou uma mocinha cessaram eu dei graças aos céus.A casa da fazenda era antiga porém enorme, pertenciam a família de mamãe, na fazenda moravam Tia Luci uma senhora muito bem conservada para sua idade, talvez viver assim em contato com a natureza tivesse lá suas vantagens, tio Ernest era o marido de tia Luci, haviam outros adultos pela casa, e muitas crianças, não avistei nenhum outro adolescente,a maioria veio passar as férias e claro que os adolescentes espertos devem ter fugido!, nem sinal de celular pega aqui!,internet pelo o que sei tem que ir até a outra cidade para conseguir. Eu estou literalmente no meio do nada.
Ao menos teria um quarto só para mim, era um quarto antiquado e datado mas serviria. A noite logo chegou e junto com ela fizeram uma "festa" em comemoração de nossa chegada e dos demais da "família".
Alguns vizinhos se juntaram e as horas foram avançando, adultos estavam bêbados e falando coisa com coisa já, as crianças já dormiam há tempos e eu nem tinha sono e nem podia fica bêbada ou meus pais me dariam um sermão eterno. Me afastei de todo aquela bagunça, eu realmente cheguei ao meu limite. Comecei a caminhar em direção ao rio que me lembrava ser próximo dali, o caminho era mal iluminado mas eu precisava de um pouco de paz e silêncio.
Estava em um ponto que eu não conseguia mas ouvir a música, o local estava bem escuro mas conseguia ver o rio a minha frente, achei um tronco cortado que provavelmente era usado como banco e me sentei.
Eu estava absorta em meus pensamentos ou na ausência deles, quando alguém se sentou ao meu lado e eu congelei na hora com o susto.
— Oi pequena, aqui não é perigoso para você ficar sozinha?
Era um rapaz apesar do escuro, podia ver que era alto e musculoso, sua voz era grave e parecia ter uns 20 anos ou mais.
— Só queria ficar sozinha, se é que me entende.
— Você não é muito nova para estar aqui sozinha?
Revirei os olhos com a pergunta, ele devia achar que eu tinha 12 anos,como a maioria.
—Eu tenho quase 18 anos, ok.
Falei de forma arrogante e quase gritando, mas não me senti culpada.
— Nossa, mas é quase uma adulta... foi mal é que realmente não parece, parece que você tem bem menos.
Começou com deboche,mas ao ver minha cara mudou o tom e ficou sério.
—Eu sei, já escuto isso sempre, mas é sempre bom um estranho reforçar.
—Tudo bem,desculpe me, eu sempre venho aqui pra...só pra ficar olhando o rio passar mesmo e não esperava que tivesse alguém aqui, meu nome é Sebastian, sou da fazenda ao lado.
Ele esticou uma mão para que eu apertasse e eu gostei, pois finalmente ele não estava falando como se eu fosse uma criança.
—Camila.Prazer.
Apertei sua mão o mais forte que pude, mas não deve ter feito nem cosquinhas, até suas mãos eram musculosas e cheia de calos.Senti um arrepio,mas devia ser só a noite esfriando.
—Tem algum problema se eu me sentar aqui com você?
Ele disse realmente parecendo indeciso entre ir e ficar.
— Tanto faz, você que sabe.
Ele finalmente se sentou e de repente uma lanterna apontava para o meu cabelo,enquanto eu olhava sem acreditar ele estava com ar surpreso e divertido.
—O que você está fazendo?
— Eu precisava ter certeza de que cor era o seu cabelo, sabe não temos muito disso por aqui.
Ele disse segurando uma mexa do meu cabelo.
— O que você quer dizer com disso?
—Ah sabe, as garotas aqui do interior não fazem esse tipo de coisa a maioria é bem, como dizer...normal.Nunca vi alguém de cabelo colorido por aqui,bem legal.
Ele ficou olhando pro meu cabelo como se fosse a coisa mais legal do universo e não largou, com a luz da lanterna consegui ver seu rosto melhor, tinha um cabelo um pouco cumprido de mais para quem morava em uma fazenda, uma barba rala e olhos negros que brilhavam a luz da lanterna.
— Então, acho que já pode largar sabe.
Ele sorriu sem graça e largou, ficamos em silencio ouvindo só o som do rio que passava,mas era um silencio bom e nada constrangedor,uma voz lá no fundo me dizia que eu não devia estar com um completo estranho, sozinha no escuro, que isso era errado, mas outra voz dizia, que ele parecia o ser mais inofensivo e que adoraria que ele não fosse tão inofensivo assim.
E foi nessa hora que eu tive uma ideia, uma péssima ideia talvez, cá estava eu no meio do nada literalmente, podendo ter as piores férias da minha vida,nunca me apaixonei por ninguém e não sou do tipo que se apaixona, então eu poderia simplesmente ter umas porcarias de férias ou transforma las em ferias incríveis e ter algo realmente interessante para contar para Julia na volta.
—Então Sebastian, e se você fosse o primeiro cara daqui a ficar com uma garota de cabelo colorido ?
Assim que as palavras sairão da minha boca tive vontade de coloca las de volta, me senti enrubescer e agradeci o escuro que estava que o impedia de enxergar o rubor de meu rosto, mas tentei me manter firme e confiante e para o meu total choque ele começou a gargalhar como se a melhor piada tivesse sido contada.
—Eu e você, ficar? Certo e a continuação da história sou eu sendo preso acusado pelos seus pais,claro.
Me ofendi com suas palavras e ele continuava rindo, me senti menor do que já era, na minha mente ele se sentiria honrado e a gente ia se envolver mas sem todo o lance de paixão e tudo mais.
— Eu já disse que tenho 17 e você não pode ser tão mais velho assim.
Ele finalmente parou de rir da minha cara e ficou me olhando como se estivesse se preparando para explicar algo muito difícil a alguém muito lerdo.
—Camila eu tenho 24 e não, não tenho namorada, mas me diga o que eu um homem de 24 anos vou fazer com uma menina de 17 anos, que sinto informar parece ter bem menos.
Senti como se levasse um tapa na cara mas não podia desistir fácil assim, tudo bem que eu não pensei em todos os detalhes direitos, mas eu não aceito não como resposta.
—Sebastian, não se deixe enganar afinal eu sou uma garota da cidade grande e você um rapaz daqui do meio da nada, em experiencia eu certamente já sou bem mais velha que você.
Fiz uma cara séria e passei um dedo em seu rosto descendo ,pelo pescoço e chegando ao seus peito musculoso, onde ele segurou a minha mão para que parasse.
_ Camila, estou falando sério, eu e você, não vai acontecer, apesar de aqui ser só o meio do nada para você, somos muito leais e respeitosos.
Ele colocou minha mão de volta ao meu colo e se afastou como se eu tivesse alguma doença contagiosa, já me dando as costa,mas eu ainda não estava pronta para desistir.
_Mas então me diga, você não quer mesmo ou apenas está com medo de ser pego, em pensar que eu achei que você fosse um homem forte e corajoso que não liga para o que os outros pensam.Já sei você gosta de homens.
Terminei a ultima palavra em um sussurro, pois Sebastian se virou e me agarrou em seus braços com força e posso dizer até um pouco de raiva em suas ações.
_Você é uma garota muito atrevida sabia?
Ele era realmente muito alto, minha cabeça não chegava nem aos seus ombros e eu estava na ponta dos pés me recusando a desviar os olhos negros que me encaravam.
—Sim e você ainda não viu nada.
Aproveitei que ele estava parecendo pensar no assunto e o puxei pela camisa para que sua boca encontrasse a minha, era tarde demais para desistir e esse o cara mais velho que eu beijaria, um completo estranho de lugar nenhum, mas isso me animava ainda mais, certamente eu sou uma garota estranha e nada peculiar.
Ele não se moveu um centímetro e continuou me encarando enquanto sorria, mas quando pensei que ele fosse me dizer não outra vez e me largar ele finalmente me beijou e foi o melhor beijo que eu já havia dado, uma mistura de violência,com força e desejo.
Em algum momento ele me puxou para seu colo e eu o envolvi com minhas pernas e envolvi seu pescoço com meus braços, seu cheiro era maravilhoso.
Ele me apertava tanto que sabia que ia deixar marcas, mas agora finalmente minhas férias estavam começando a valer a pena.
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