Atraídas Pela Morte
3 Capítulo 2 - Coração em Chamas
Notas iniciais
Explicando, a parte em terceira pessoa foi feita por mim, e os PVOs são todos da Hiru-chan! Quando não é especificado o PVO, é em terceira pessoa. Só para esclarecer.
Atenção, minna: esse capítulo, lá pro finalzinho, tem um ecchi moderado.
Hm, e Hiru-chan disse estar imaginando estar escrevendo sobre o Neves-kun numa parte do capítulo. Imagino se você adivinha qual, haha.
Boa leitura!
Layla Heartphilia amava livros.
Livros de todos os tipos, cores e formas. Livros com figuras. Livros de receita. Livros com rostos. Longos livros de história. E seus favoritos, livros de aventuras incríveis e fantasiadas por mentes extraordinárias. Quando sua filha Lucy tinha um pesadelo, costumava bater em sua porta com um de seus livros na mão, ávida por ouvir as palavras doces da mãe sobre os reinos fantásticos e criaturas mágicas maravilhosas e cheias de bondade, que com toda certeza não deixariam que nada acontecesse a eles.
Onde estavam as criaturas naquela tarde?
Ela acordou, arfando baixo, porém audivelmente. Seu marido deitava-se ao seu lado, desleixado, bagunçando a cama e reclamando o espaço. Ela riu, levantando-se, de modo que ele pode finalmente se esticar por toda a cama de casal, abraçando-a. Bom, não conseguiria dormir de novo mesmo. Tivera mais um sonho sobre o seu marido correndo perigo. Deu-lhe um beijo na testa. Relaxado. Nem uma linha de preocupação em seu rosto.
Talvez eu só esteja sendo boba, pensou.
Vestiu um robe, desceu as escadas. Procuraria a segurança e calma de sua biblioteca, se refugiaria num livro suficientemente grande e só voltaria quando se sentisse incrivelmente bem. Não era necessário perturbar sua família com tais preocupações.
Foi aí que ela escorregou.
Ah, não foi um grande escorregão. Nada importante. Bateu a cabeça no primeiro degrau da escada. Um eco que se formou por toda a casa. Bom, ao menos não caíra da escada. Esperava que Jude não tivesse acordado.
Parou para escutar. Nenhum som foi ouvido. Seu corpo doía um pouco, mas não precisava de maiores preocupações. Apenas uma queda. Corriqueiro. Rotina.
Então o aroma doce chegou as suas narinas. Algo pingava na beira da escada. Vermelho.
Algo que se parecia assustadoramente com sangue.
Respirar. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Regularizar as batidas do coração. Respirar. Fundo. Não gritar. Levantar-se devagar. O sangue seria dela? Quem quer que esteja ali ouvira sua queda?
Desejava um daqueles seus livros fantásticos.
Poderia muito bem ainda estar dormindo, ponderou. A mansão dos Heartphilia. Totalmente impenetrável. Uma invasão era uma hipótese absurda.
Mesmo assim, ela tirou as pantufas. Com cuidado, temendo fazer qualquer barulho, desceu as escadas, procurando a biblioteca. Já tivera muitos pesadelos assim. Era só mais um deles. Nada com o que se preocupar.
Atrás dela. Uma sombra. Virou-se rapidamente, encarando a claridade refletida na parede. A janela atrás dela estava aberta. Alguém, sentado displicentemente nela.
Virou-se. Uma arma apontada diretamente para seu rosto.
– Bu – disse o menino. Quantos anos teria? Não muito mais velho que sua filha Lucy. Lucy, pensou e sentiu uma pontada de dor. Ela ficaria bem?
Claro que ficaria. Estava em Paris. Estava a salvo.
O garoto começou a andar, sem nem ao menos olhar para trás para saber se ela o seguia. Cabelos pretos desalinhados. Olhos puxados e ameaçadores. Bastante sérios também. Uma arma do lado do corpo. Ele não parecia se importar com isso. Virou-se, as sobrancelhas erguidas. Era um menino, mas obviamente não desejava ser contrariado. Suspirou, começando a andar e se perguntando o que faria um jovem como aquele invadir sua casa.
Peculiar, mas ela não tinha nada a esconder.
Felizmente, aquele garoto era o mais calmo dos três que, embora ela não tivesse a mínima pista disso, invadiam sua casa procurando os outros habitantes.
Ele levou-a para a sala das histórias. O cheiro do papel a deixou entorpecida. Fechou os olhos, aspirando enquanto a calmaria voltava a ela.
– Anda – disse ele. Mandou-a sentar numa cadeira, ligou uma luz fraca para ver seu rosto. Puxou uma foto dela, um pouco amassada.
A mulher engoliu em seco.
– Layla Heartphilia, casada com Jude Heartphilia, certo?
Assentiu, mesmo sendo uma pergunta retórica. Era óbvio.
– Bom, prometo que será rápido, Senhora Heartphilia. Só precisamos reunir vocês. – ele sorriu. – por favor, fique aqui quietinha. Se isso não acontecer, terei que demorar. Infelizmente.
E saiu como um gato. Não fazia ruído. Ela suspirou derrotada. O que havia a fazer? Se fugisse, ele a torturaria antes de mata-la. Nunca o venceria, ele possuía aquela arma, enquanto ela nunca nem ao menos praticara esportes. Não parecia uma luta nada justa, na verdade. Nem um pouco justa.
Ela rezou para que Jude achasse um jeito de escapar.
Este ainda estava na cama. Jude era uma pessoa séria e organizada; uma simples quedinha não afetaria seu relógio mental. Tinha o dia livre, portanto acordaria às 10h30min da manhã, daria um beijo de bom-dia em sua mulher. Comeria. Iria ver Lucy e Levy no aeroporto, decidido a checar se estavam mesmo bem. Demoraria longos minutos insistindo que vão com ele para casa, mas nada adiantaria. Depois disso, iria ao trabalho e voltaria já tarde demais para que a mulher perceba sua presença.
Tudo estava em sua mais completa normalidade.
Até que abriu os olhos. Seus braços esparramados sentiram algo duro, e tentou acostumar os olhos à claridade.
– AAAAAAAAAAH! – gritou, logo depois de ser silenciado por um soco de ferro em sua bochecha. Xingou baixinho.
Sua mulher deitava-se ao lado dele como sempre, porém feita de puro ferro.
Pânico. Correr. Gritar? Ele não sabia. Correu os olhos pelo quarto. Um vulto escuro, grande e ameaçador, lia um livro. Apesar de corpulento, parecia uma pessoa normal – se Jude ignorasse o fato de um de seus braços ser feito de ferro grosso. O homem sorriu.
– Olha só, parece que peguei o mais covarde. – Tirou do bolso uma foto que mostrava seu rosto em um ângulo perfeito, e sorriu. – É o senhor mesmo, senhor Heartphilia. Deveria dizer à sua mulher que ela possui um bom gosto para livros. Porém são todos muito infantis. Muito felizes. A vida real não é assim. Principalmente a sua, não, senhor Heartphilia?
O homem riu de modo grotesco, dentes afiados se destacando em sua boca.
– É por isso que nunca leio esses tipos de livros. Apenas idiotices. Nada que irá me ajudar no mundo real. – ele se levantou, alongando-se. – Vamos lá. De pé. Precisamos saber se há alguém restando. Lembre-se, nem uma palavra, ou serei menos gentil ao usar essa coisinha aqui – disse, sorrindo ao mostrar seu braço. – ou talvez pegue apenas minha arma normal. – Uma arma letal, negra e reluzente, foi mostra no campo de visão de Jude, que engoliu em seco.
O jeito que o homem falava. Implorava que o desafiasse e desse um motivo para mata-lo. Ele desejava matar.
Ele era uma besta, concluiu Jude.
Então bem atrás dele ouviu passos. Todo o seu corpo tremeu.
– Você viu o Natsu, Gajeel? – disse uma voz atrás dele. Haviam mais deles? Muitos? E poderiam fazer o mesmo que Gajeel fez com sua mulher?
Eles poderiam ser... magos?
– Desde quando eu ligo – disse o corpulento, voltando à andar – para qualquer coisa que o lança-chamas idiota esteja fazendo? Fico surpreso que ainda não tenha quebrado essa maldita mansão, nunca o vi controlado por mais de cinco minutos. Talvez tenha matado a garota e ido sem nós. É impossível para aquele cara seguir algum tipo de ordem. É um imbecil completo.
E abriu a porta da biblioteca, onde Layla Heartphilia sentava no meio da sala. Todo o seu corpo relaxou instantaneamente. Abraçou-a, tentando confortá-la ao máximo. Os empregados da família estavam arrastados pela biblioteca. Um deles possuía um longo ferimento sangrento.
Não podiam fazer isso com sua família. Virou-se para os homens com fúria. O primeiro, Gajeel ou o que seja, agora possuía duas mãos, e também uma arma engatilhada. O outro sumira. Procurando alguma coisa?
– Posso ao menos descobrir porque invadiram minha casa? – disse, a voz furiosa. Todos os empregados sofrendo. Precisava, ao menos, descobrir o porquê.
– Ah sim, senhor Heartphilia. Por alto – disse Gajeel, rindo enquanto abria a carta que receberam – você sabe demais sobre nossa pequena organização. Sabe coisas que não deveria saber, e alguém precisa silenciá-lo.
– Jude? Do que ele está falando, Jude? Jude? – disse Layla, apreensiva. Gajeel riu com mais gosto, Gray parecia perturbado.
– Onde está aquele imbecil...
– Senhora Heartphilia, será possível que a senhora não saiba...? Todo bem, vou contar-lhe uma pequena história, tão bonita como as de seus livros imbecis. Era uma vez – Ele riu enquanto fingia seriedade ao narrar uma história – um homem com uma mulher e uma filha, uma grande riqueza, porém sem a mínima proteção. Por isso, decide se aliar à uma organização secreta. Proteção familiar em troca de dinheiro para construir as sedes, comprar armamentos e motos, e para pagar a nós, os assassinos. Nunca imaginaria que não soubesse disso.
– Jude – a mulher finalmente desabou em lágrimas – como você pôde esconder isso? Como?
– Espere! – gritou o homem. – eu pedi proteção! Isso não é nada parecido com proteção! Vou parar de cumprir a minha parte do acordo e nenhuma moeda de minha posse-
– Oh, senhor Heartphilia! Você ainda tem alguma mixaria para se gabar! Todos sabemos a crise em que o senhor se encontra. Todo o país o faz. É exatamente por isso que estamos aqui hoje. Você está em crise. Para de pagar. E nós – um sorriso sádico e cavernoso apareceu em seu rosto, desfigurando suas feições – iremos deixar de lhe proteger.
– ONDE DIABOS ESTÁ AQUELE GAROTO EM CHAMAS? – Gritou Gray, irritado, do outro lado da sala. – E vocês aí, querem parar de bater papo? Ou pelo menos me incluam na conversa!
Gajeel riria, porem a porta se abriu, e de lá saiu um garoto de cabelos cor-de-rosa, um dos braços sangrando um pouco.
– O QUE DIABOS ACONTECEU COM VOCÊ, IDIOTA? EU DEVERIA TE MATAR AGORA! TIVE QUE AGUENTAR LONGOS MINUTOS GASTANDO TEMPO COM AS PESSOAS MAIS INSUPORTÁVEIS E CHARAMINGONAS COM QUE JÁ TRABALHEI! E VOCÊ AINDA VOLTA DE MÃOS VAZIAS! ONDE ESTÁ A PORRA DA GAROTA?
– PARA DE GRITAR, SEU FERRO-VELHO! A PORRA DA GAROTA NÃO ESTÁ NA PORRA DA CASA! Finalizem esses daí, eu a encontrarei depois. Não importa agora. Só andem logo com isso para podermos sair daqui. E lembrem-se, nada de magia.
E começou a sair, parecendo desconfortável. Layla e Jude deram-se as mãos, à espera do fim.
Então, um barulho. O telefone da casa tocou. Uma, duas, três vezes. Por causa do silêncio, o som parecia estranhamente amplificado.
Natsu se virou de supetão e todos apontaram suas armas.
– Ninguém se mexe. – disse Gray. – você – e apontou para um dos empregados, que se encolheu assustado – atenda. Ponha no viva-voz. Qualquer gracinha, e todos serão torturados durante no mínimo seis meses antes de reavaliarmos se podem morrer.
O homem adiantou-se devagar, na mira da arma assustadora de Gray, e ligou o telefone, seguindo as instruções.
Ninguém parecia respirar.
– Alô? – ouviu-se uma voz calma do outro lado da linha. Os olhos do empregado se encheram de lágrimas, mas Gray o olhou como quem alertava.
– Lucy-chan... É bom ouvir sua voz de novo!
– Ah, olá Eido-san! Mamãe está por aí? Queria avisar a ela… estou de volta. Foi muito divertido! Comprei alguns livros para ela.
– S-s-sim... Quero dizer, não... sua mãe e seu pai... acordaram cedo... foram para a cidade... querendo lhe comprar um presente....
– Ah... claro... Eido-san, está tudo bem por aí? Sua voz parece estranha.
– H-hai, Lu-chan. – forçou-se a dizer enquanto a arma pressionava sua têmpora – tenho que desligar agora, o almoço precisa estar pronto.
– Claro... Obrigada!
O conhecido toque de fim de chamada aliviou o medo de todos, mas não por muito tempo.
– Pois é, onde nós estávamos? Ah sim. Matem-nos. – disse Natsu, mas logo após isso, seu celular tocou. Todos viram ele olhar irritado para a tela e gritar “PAUSA!” como se estivesse diante de uma filmagem. Todos se calaram. – Nem um pio. Nem. Um. Pio.
E atendeu ao telefone.
– Oi, pai.
– Olá, Natsu... Como andam as coisas por aí? – uma grande mania de Igneel. Ligar. Perguntar. Infelizmente, ele não sabia o quão perigoso era fazer perguntas.
– Está tudo bem... Estou com o Gray e com o Gajeel... Estamos bem, nada com o que se preocupar. Wendy vai bem?
– Ela está ótima, mas sente sua falta... Vai reclamar muito quando nos visitar. Ah, conseguiu um novo emprego?
– Bom, quanto a isso, eu... Estou me virando... Como... – ele olhou desesperado para Gray e Gajeel, a procura de ideias, quando viu um pequeno pote branco numa cadeira – entregador de sushi! É estranho, mas se eles pagam bem o bastante para que eu sobreviva, não posso reclamar.
– É... Claro, Natsu. Com certeza você encontrará alguma coisa.
– É, é. Pai, tenho que ir, o Gray está, hm, tirando as calças de novo.
Outro olhar fuzilante e Gray deu um berro, como se tivesse acabado de notar que estava sem roupa.
– É claro. Vá ajuda-lo. Ainda tenho minhas dúvidas se esse rapaz é completamente são. De todo jeito, apareça, Natsu.
– Claro. Vou tentar.
Ele desligou, aliviado.
– Ah, sim. Pois é. Esse era o meu pai. Ele é estranho. Bom eles – apontou para seus companheiros – também são estranhos. Eu sou estranho. Eu tenho um cabelo rosa.
Ele sacudiu a cabeça.
– Andem logo, idiotas. Ainda temos uma festa para ir.
Examinou o ferimento do seu braço, mas parecia estar tudo bem. Pelo menos o sangue não atingira seu precioso cachecol. Ele realmente deveria parar de enjoar ao ver coisas se movendo – de todo jeito, era apenas um barco em miniatura.
Ele ficava enjoado só de pensar.
Enquanto o pai e a mãe de uma pobre garota Heartphilia eram aniquilados, lembrou-se de sua própria família. Escondia um segredo nesse exato momento, e três pessoas poderiam morrer se algo desse errado.
Rezou para que seu destino fosse diferente, enquanto o sangue do Senhor e Senhora Heartphilia, assim como se seus empregados, envolvia o chão.
Narrado por Lucy
É como dizem... Tudo que é bom dura pouco, mas foi uma viagem inesquecível!
Eu e a Levy estávamos arrumando nossas últimas malas, a gente fez muita bagunça no quarto do hotel.
Noite passada foi realmente maravilhosa! Pena que teremos que deixar Paris e voltar para o Japão. Mas até que isso não é tão ruim, pois meu peito ainda estava pesado, às vezes uma tristeza me invadia e o pior é que eu não sei por que.
Assim que eu chegar ao Japão irei ligar para minha mãe.
Fui tomar um banho, Levy já estava pronta. Não sabia o que vestir, tínhamos comprados muitas roupas durante a viagem. Na verdade compramos malas novas também, para dar todas aquelas coisas.
Como estava muito difícil de escolher peguei uma blusa tomara que caia azul com detalhe amarelo, um bolero azul com mangas e uma saia azul (na verdade era um conjunto).
Quando estava quase pronta coloquei os acessórios, um cinto marrom, brincos, um colar e um pouquinho de maquiagem. Era manhã ainda, maquiagem pesada de dia não fica legal.
–Vamos logo Lu-chan! — Levy trajava um daqueles vestidos fofos que só cabem nela. Era verde bem clarinho, meio rodado, uma fofura.
Pegamos um taxi e fomos para o Aeroporto, não demorou muito e embarcamos. Pela janela do avião via Paris ficar cada vez mais distante, cada vez menor. E em alguns minutos só conseguia ver as nuvens que tomaram o céu, empatando minha vista. Era cedo ainda, umas oito horas, chegaríamos lá à tarde e vamos direto para a festinha do namorado da Erza.
Como ela disse que vai ser só a gente, então é uma coisa mais íntima. Levy é meio tímida, por isso fica meio contraída em lugares com muita gente. Confesso que também fico com vergonha.
Recostei a cadeira e fui me recordando dos maravilhosos momentos da viagem, irei sentir falta com certeza, mas já estava morrendo de saudade de minhas amigas e principalmente dos meus pais.
Quando chegamos ao aeroporto Mira e Erza nos aguardavam com uma plaquinha nada discreta, eu e Levy demos muita risada ao vê-las.
–OKAERI LUCY! OKAERI LEVY! – Disseram as duas ao mesmo tempo. E literalmente pularam em cima da gente. Quase a gente caiu no chão, mas se elas não fizessem isso, não seriam elas.
–Vamos logo! Os meninos vão chegar daqui à uma hora! Temos que está sedutoras e lindas! — Disse nossa amiga ruiva puxando Levy pelo braço.
–Os meninos? Como assim os meninos?- Indaguei. Ela não havia comentado nada que haveria mais pessoas.
– Ah! São uns amigos do Gérard. – Fiz uma cara de “por que não me avisou antes sua maluca?” – Eu ia avisar! Mas você já tinha desligado o celular e... Poxa gente é o aniversário dele! Vou impedir meu gatinho de levar os amigos dele para se divertirem? – Eu, Levy e Mira nos entreolhamos. Soltei um suspiro.
–Ok, Erza. Então vamos? – Ela tinha razão. Era aniversário do Gerard e não da Erza.
No caminho nos fomos discutindo o que faltava para arrumar e conversamos um pouco sobre a viagem também.
Quando chegamos à casa da Erza (que morava junto com a Mira) percebemos que estava quase tudo pronto, então fomos tomar banho. Tinha apenas dois banheiros lá então sorteamos a ordem pelo velho jo-ken-po. Era um pouco infantil, mas divertido.
Como eu não tenho muita sorte fui por ultimo junto com Mirajane.
Bom, se iríamos ter convidados então tenho que me vestir o mais arrumada possível. Hum... Vamos ver, saia? Muito curta. Calça? Está muito calor para usar calça. Optei por um vestido azul na altura do joelho, era meio colado no corpo, mas nada vulgar. Não era esse tipo de mulher com o ego extremamente frágil que precisava vestir tudo colado ao corpo para ser olhada e não entrar em depressão. Mas em alguns casos era o gosto da pessoa então não julgo ninguém pelas roupas, não sou fútil.
Coloquei um salto básico, maquiagem, alguns acessórios, deixei meu cabelo todo solto.
Ouvi vozes desconhecidas lá em baixo, provavelmente Gérard já chegou com seus amigos.
Erza, Levy e Mira já estavam lá embaixo, só que atrasei um pouco. Acabei relaxando de mais no banho, mas estava um pouco cansada da viagem.
Fui descendo devagar a escada, degrau por degrau, sem pressa. Quanto mais eu ia descendo mais a sala ia aparecendo e consequentemente as pessoas. Mas a primeira pessoa que eu vi me chamou muito atenção. Era um homem mais ou menos da minha idade... Não, eu diria um pouco mais velho que eu, de cabelo rosa e cachecol? Nesse calor? Realmente algo que não se vê todos os dias, mas mesmo com todas essas coisas raras de se encontrar por aí, o homem era bem bonito.
Terminei de descer tudo e me juntei a todos. Erza estava abraçando Gérard e não queria mais largar, Mira fazia a mesma coisa com seu namorado, o Freed.
Tinha outros dois caras, um que deve ter mais ou menos minha idade de cabelos negros. Ele trajava uma blusa polo azul escuro e calça preta. Um visual muito fechado eu diria. Pendurado no bolso direito da calça estava uma corrente. O outro com cara de marrento, devia ser o mais velho dos três e tinha cabelo longo da mesma cor do outro. A roupa dele era toda preta, blusa preta, calça preta e ainda usava luvas de couro. Sabe aquelas luvas que deixam os dedos à mostra? Era uma dessas.
Mas o de cabelo rosa estava com um visual mais leve. A calça preta ainda predominava, mas usava uma blusa branca, e por cima um blazer que dava um toque muito elegante. E é claro o cachecol branco. Apesar de um pouco exótico, estava muito bem arrumado. Não que os outros não estejam arrumados, pois estavam, mas ele tem algo, hum... Não sei explicar, mas chamou minha atenção.
Depois de desgrudar do namorado Erza começou as apresentações.
–Lucy, Levy o Gerard você já conhecem né?!
– Prazer em vê-las novamente garotas. – Ele se aproximou de nós duas e nos cumprimentamos com um beijo da bochecha.
–Sim, faz um bom tempo não é? Acabamos viajando e passamos mais tempo fora do que havíamos planejado. — Disse Levy.
–Certamente, estava com saudades da farra que fazemos aqui na casa de minha ruivinha. — Ele deu um selinho na Erza. — Mas permitam-me continuar com as apresentações.
Concordamos então ele prosseguiu.
–Este é o Gajeel Redfox. –Apontou para o cara que estava todo de preto, que assentiu com a cabeça cumprimentando a todos. Fizemos o mesmo. – Este é Gray Fullbuster. – Apontou para o homem de camisa azul. Ele foi mais social e apertou a mão de cada uma. — E por fim este é Natsu Dragneel. – Finalmente chegou a vez dele, o cara que mais chamou minha atenção. Talvez pelo cabelo, não sei, mas algo me atraía nele. Natsu foi o mais social de todos e nos cumprimentou da mesma forma que Gerard, com um beijo na bochecha. Após cumprimentar minhas amigas chegou a minha vez. Ele apertou minha mãe e lentamente me deu um beijo na bochecha. O lugar que os lábios dele tinham tocado estava queimando, isso é realmente estranho.
Ele continuou segurando minha mão e eu podia sentir que apertava cada vez mais, como se não quisesse que eu fugisse. Natsu olhava fixamente em meus olhos, como se quisesse ler minha reação ou meus pensamentos. Mas eles estavam tão confusos que nem se ele pudesse ler mentes entenderia alguma coisa.
Ficamos assim por alguns segundos e quando ele finalmente se soltou, percebi que todos olhavam para nós, tentando entender o que estava acontecendo.
Logo após cumprimentei o namorado da Mira, o Freed.
A festinha foi bem divertida, conversei um pouco com cada um deles, mas a minha conversa com Natsu foi a que mais se estendeu.
Bebemos muito vinho, na verdade eu bebi muito vinho. Não sou muito forte para bebidas, mas a Erza é. E sempre me convence a beber mais um pouquinho, mais um pouquinho, mais um pouquinho. Quando eu vejo não consigo nem somar dois mais dois.
–Chega Erza, eu nem estou conseguindo andar direito! – Puxei minha taça antes dela encher novamente. Estávamos todos sentados ao redor da mesa que ficava no centro da sala. O único que não bebeu nem uma gota de vinho foi o Natsu, talvez não gostasse de beber ou fosse fraco que nem eu.
Tentei me levantar, mas me desequilibrei e cai para trás. Antes de minha cabeça atingir violentamente o chão, Natsu me pegou pela cintura.
–Você está bem? – Ele indagou.
–Sim, mas acho que não devia ter exagerado. Obrigada por me segurar — Ele me levantou. Foi tão rápido que nem vi ele se levantar para me segurar. Mas eu estava um pouco bêbada, era normal não ver as coisas. — Acho melhor eu ir para casa.
–Neste caso, faço questão de leva-la. – Disse ele delineando um sorriso. Um lindo e sedutor sorriso. Eu simplesmente... Não conseguir dizer não.
– Mas você está conversando com as pessoas e...
–Que nada, já está na hora de eu ir pra casa. Tenho trabalho amanhã cedo.
–Se não for incomodar...
–Nunca. Faço questão de leva-la — Ele sorriu pra mim de novo, ah... Que sorriso lindo! O que você está dizendo Lucy?! Você deve estar bêbada mesmo né?! Ah! Se minha mãe visse isso... MÃE! Na hora que eu liguei um dos empregados atendeu. Estava com um tom de voz estranho, mas disse que estava tudo bem. Não sei por que, mas fiquei com um aperto no coração. Amanhã iria dar uma passada lá.
Despedi-me de todos, Levy estava ocupada discutindo com o Gajeel e gritou que iria depois. Esses dois são engraçados juntos.
Natsu pegou minha bolsa que estava no sofá.
Então sai junto com ele. Natsu tinha uma moto, muito bonita por sinal. Ele pegou o capacete e colocou.
–Segurança nunca é de mais. — e colocou outro em minha cabeça. Eu só consegui ficar olhando pra ele que nem uma idiota.
–Cla... Claro. – me sentia tonta, eu realmente estava bêbada para ficar sorrindo que nem uma idiota.
Montei na moto e Natsu deu a partida.
–Segure-se bem firme, não queremos nenhum... Acidente não é mesmo?- A voz dele soou estranha, mas não liguei. Passei meus braços pela cintura dele apertando de leve. Ele acelerou bruscamente e apertei seu abdômen bem forte. Pensei que iria cair então ele soltou uma risada bem baixinha.
Ele... Ele é tão quente. É uma sensação indescritível, é como se eu estivesse totalmente segura com ele.
Por que será... Que meu coração está queimando?
Narrado por Levy
Estava um pouco cansada depois daquela viajem longa, mas tínhamos prometido a Erza ir à festinha.
Vesti uma calça leg preta com uma blusa verde sem mangas. Não estava com muita paciência para procurar uma roupa no meio de tantas então peguei a primeira que eu vi.
Coloquei uma sapatilha, soltei meu cabelo, fiz uma maquiagem leve e desci.
Depois que a Lu-chan veio juntar-se a nós, Gerard apresentou os amigos.
Ficamos conversando até a madrugada, sentados no chão ao redor da mesinha que tinha no centro da sala.
Mas aquele Gajeel, ele me irritava profundamente.
– Levy é uma advogada bem competente Gajeel. – Explicava Gerard que estava sentado ao lado da Erza. — Uma garota extremamente inteligente também.
–Arigato, Gerard-kun. Você gosta de ler, Gajeel?
–Ler? Gastar meu tempo lendo aquelas idiotices que esses viadinhos escrevem?
–Então está dizendo que Shakespeare escreve idiotices? – falei irritada.
– Não entendo porra nenhuma.
–Claro, é um ignorante!
–O que disse sua baixinha?
–Não sou baixinha!
–Não, imagina. Só tem um metro e meio!
–Idiota!
– Metida!
–Bruto!
–Baixinha!
–Levy, estou indo para casa. Você vai agora também?
–Não! Vou daqui a pouco! Seu ignorante!
– Desculpe se não gosto de perder meu tempo com isso!
–Leitura nunca é perda de tempo!
Fiquei discutindo com esse Bruto por um tempo. Tadinha da Lu-chan, acabei gritando com ela sem querer. Vou me desculpar quando eu chegar em casa .
Narrado por Natsu
Lucy... Ela é muito mais bonita do que na fotografia.
Ela foi a única da família Heartfilia que não estava na mansão no momento que fomos executar nossa missão. Então meu trabalho ficou pendente.
Voltamos para a Seven Black e encontramos o Gerard voltando de uma missão também.
Ele nos convidou para a festinha que a namorada iria fazer para comemorar o aniversário dele. Gajeel não queria ir, mas Gerard insistiu e disse que as amigas da namorada estariam lá.
Levy e Lucy.
LUCY! Era possível? Então Lucy Heartfilia estaria tão perto assim? Interrompi a discussão que Gajeel estava iniciando e disse que nós aceitávamos ir.
Depois que Gerard saiu, Gajeel ficou me xingando de todos os nomes que você possa imaginar, mas então eu expliquei a situação. Então os dois aceitaram me acompanhar.
Eu estava disposto a mata-la assim que ela saísse daquela casa. Ela foi a ultima a descer , eu fui o primeiro a fita-la . Realmente ela era muito bonita.
Gerard nos apresentou, apertei a mão dela e em seguida lhe dei um beijo da bochecha. Não soltei sua mão, não conseguia parar de olha-la. Depois me toquei que todos estavam olhando, então soltei.
Ficamos conversando a festa inteira, descobri que além de linda ela era, inteligente, gentil, engraçada, educada além de ter um sorriso lindo e provocante.
Meu peito ardia, palpitava e o pior de tudo é que eu não sei o por que. Nunca me senti assim.
Será que eu estava doente?
Todos estavam bebendo vinho, mas eu não queria beber. Iria levar Lucy em casa e descobrir seu endereço da forma mais sutil possível e tinha que estra cem por cento bem para gravar o caminho. Um bom assassino tinha que ter uma boa memória.
Lucy já estava meio bêbada quanto tentou levantar, se desequilibrou. Antes que ela caísse eu a segurei pela cintura. Acho que fui rápido de mais para uma pessoa que teoricamente é normal, mas ela estava com muito álcool no sangue e não iria dar importância a esse pequeno detalhe.
Ofereci carona, a princípio ela recusou, mas consegui convence-la.
Dei tchau para todos e fiz um sinal, que apenas eu Gajeel e Gray sabíamos, avisando o que eu iria fazer.
Ela foi me guiando pela cidade até chegarmos a uma casa grande em um bairro calmo.
Ajudei-a sair da moto e entrar na casa. Despedi-me, agora sabia onde ela morava. Iria investigar mais um pouco para depois concluir minha missão, pois como diz o ditado “apressado come cru”.
Mas meu coração ainda estava batendo mais rápido.
O que está acontecendo comigo?
Narrado por Erza
Modesta parte a festinha que eu e Mira fizemos para o Gerard ficou bem legal. Nos divertimos muito e bebemos muito também ..... Ou melhor, bebemos além da conta.
Todos foram embora, Mira foi dormir na casa do Freed. Quando terminei de dar tchau para ela, fechei a porta.
Gerard estava no sofá, ainda bebia vinho.
– Enfim sós... – disse com uma voz manhosa. Gerard delineou um sorriso malicioso no canto da boca.
– E o que está pensando em fazer?- Ele queria me provocar com certeza.
– Surpresa.
– Odeio quando você esconde algo de mim. — Ele colocou a taça em cima da mesinha de centro. Sentando em seu colo de frente para ele e coloquei meus braços em volta de seu pescoço. Gerard colocou as mãos na minha cintura me beijando de leve.
Colocou uma das mãos dentro de minha blusa e subia cada vez mais.
–Não, não e não. — Disse levantando. Ele estava apressado... Como sempre.
– Odeio quando você faz isso também. – Ele sorriu de novo, levantou e caminhou em minha direção me beijando com mais intensidade.
–Vai estragar a surpresa. — Digo no curto espaço de tempo que nos afastamos para respirar.
– E o que seria?
–Está lá em cima. Esqueceu que ainda não dei seu presente? Vem! – O puxei até o segundo andar. Entrei no quarto e tranquei a porta.
Narrado por Gerard
Odeio quando ela me excita assim e acaba cortando do nada. Mas é isso que me fascinava nela.
Eu sou completamente apaixonado pela Erza, a amo com todas as minhas forças e faria o que fosse necessário para protegê-la. Nunca me perdoaria que algo acontecesse com ela.
Ela me jogou na cama e foi buscar algo no closet e voltou com um pacote na mão.
Desembrulhei, era um perfume, muito cheiroso por sinal.
–Para ficar ainda mais cheiroso para mim.
– Claro minha ruivinha. Pra quem mais seria? – Coloquei perfume na mesinha que tinha ao lado da cama.
Erza subiu na cama ficando em cima de mim. Não estava mais me aguentando, ela adora me tortura .
Começou a distribuir beijos pelo meu pescoço e à medida que ia descendo, desabotoava um botão da minha blusa. Eu ficava arrepiado quando ela fazia isso. Erza sabia e usava isso como mais uma arma para me torturar.
Ela tirou minha blusa toda e foi descendo ainda mais até tirar minha calça também. Chega de ser torturado, agora é minha vez! Inverti as posições ficando em cima dela, a fazendo soltar uma risada. Ela se divertia com a minha impaciência.
Agora é a minha vez de tortura-la, vou fazer ela provar do próprio veneno. Comecei a beijar o seu pescoço.
–Hum... Gerard, você sabe que eu não... Hum... — Ela não gostava disso. Ela odiava quando eu a torturava, ela era mais impaciente que eu. Só fazia tudo bem lentamente quando queria me torturar, mas agora é justamente ao contrario.
–Então... – Tirei a blusa dela e continuei distribuindo meus beijos... — Pimenta nos olhos dos outros é refresco?!!
–Hum... Assim não vale... Menino mau! – Adorava ouvir os gemidos de minha ruiva, ela iria me bater se eu continuasse torturando.
– Sou muito mau, mas sei ser bonzinho também. Depende da minha prisioneira. Sei ser um cavalheiro. Então, o que minha princesa quer? – Disse tirando a minissaia jeans que ela usou durante a festa, deixando toda a lingerie branca a mostra.
– Hum... Quero que pare...
–Isso eu não posso fazer. Vossa alteza me torturou no dia do meu aniversário. Nada mais justo que eu tortura-la um pouco também.
Me livrei da lingerie e ela fez o mesmo com minha box. Fique admirando minha ruiva por um bom tempo e ela começou a corar.
–Por que está me olhando assim? Seu tarado!
– Só estou vendo o quanto você é linda. E a tarada aqui é você!
Ela me beijou, mas desta vez foi diferente, foi um beijo quente, acolhedor, um beijo apaixonado.
Minha ruivinha, prometo de proteger até a minha morte.
–Eu te amo, Erza.
–Eu também te amo, Gerard.
Notas finais
Mandem reviews, sim? A partir de agora, postaremos semanalmente (no máximo até quarta).
Até o próximo capítulo!
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