Atração Fatal

7 Capítulo 7: Am I Ready For Love?


Katniss estava pensativa ao colocar o seu vestido, ciente de que o que se passara há minutos atrás foi diferente de tudo o que ela já sentiu. Havia sentido prazer, não foi obrigada como antes.

Aquilo era impossível.

Se pegou pensando no marido, ele não assustava mais, não como quando se casaram. A garota espantou os pensamentos, não devia estar pensando nele.

—Está tudo bem, Chérie?- aquela voz a fez assustar. Peeta saía do banheiro agora, com os cabelos molhados e bagunçados juntamente com a toalha em uma das mãos secando-os.

—Por que não estaria?- falou sem pensar. Ele entenderia como segundas intenções, mas ela não tentou consertar.

—Você nem notou a minha presença quando saí do banheiro...pensando no que?- ele estreitou os olhos, fazia isso sempre quando estava interessado em algo. Katniss não respondeu nada, não devia satisfações ao marido.

—Suas mãos me machucam, não consigo me tocar sem sentir dor...só estava pensando nisso- a Everdeen ajeitou os cabelos antes de girar o pé para sair do quarto. Peeta só a observava, agarrando seu pulso logo depois.

—Essas mãos te machucam, Chérie?- Katniss sentia o coração acelerar após aquele toque, porém não sabia a verdadeira razão daquilo. O que estava acontecendo afinal?- Só que por incrível que pareça são essas mãos que fizeram você se arrepiar a minutos atrás.

Ela o afastou imediatamente. Infelizmente viu um sorriso vitorioso se formar nos lábios do marido, Peeta pensava que tinha vencido. Contudo ele estava vencendo, a garota tinha se entregado totalmente.

Peeta pegou sua camisa e logo em seguida vestiu-a, juntamente com o colete. A esposa olhava aquele vulto que sorria a sua frente, sentindo seus olhos arderem e de repente, já soluçava. O marido fechou o riso e a encarou. Katniss chorava, as mãos dela tentavam limpar as lágrimas que insistiam em sair.

—K...Katniss?— por um momento perguntou preocupado, não imaginara que aquela simples brincadeira poderia tocar assim, a moça- Você está chorando?

—Me deixe em paz, Peeta! Eu não quero mais te ver!- a garota correu para fora do quarto. Aquelas malditas lágrimas insistiam em sair.

Peeta ficou incrédulo. Ele não queria vê-la chorar, então logo pensou até em ir atrás dela.

“Não Peeta, isso é só uma simples cena”, pensou consigo mesmo.

Katniss voltaria a mesma minutos depois, mulheres tinham mania de manipular os homens assim. Seu sorriso de vitória voltou, ele havia conseguido, estava fazendo a vida dela um inferno. Assim ele poderia finalmente ter o que queria.

Saiu do quarto tranquilamente e enquanto isso, Katniss chegou ao lado de fora da mansão. Num canto bem isolado, onde ninguém a veria. E gritou. Gritou de ódio de si mesma.

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A moça sentiu a claridade em seu rosto e fez uma careta, ainda de olhos fechados. Percebeu que estava deitada e braços fortes a abraçava. Não sabia exatamente o que fazia ali, ciente de que em breve havia um jantar com Finnick, assim como uma visita a criancinhas em um orfanato e …Não acreditava.

Annie tinha saído com Mr. Odair, se lembrava muito bem disso.

Ele tinha a levado em um restaurante luxuoso no centro da cidade, eles conversaram, riram juntos e ele foi um cavalheiro. Porém Annie se encheu de champanhe, ela delirava, nem lembrava de suas próprias palavras. Reclamou de frio e Finnick a acolheu, tentando resolver algo.

— Bom dia querida- uma voz sedutora falou. A moça percebeu estar deitada sobre o peito de alguém, abriu os olhos devagar e viu que estava sem as suas roupas, só com o lençol sobre si.

—Ah Meu Deus!— se sentou rapidamente, tentando se cobrirde uma forma desesperada. Finnick gargalhava colocando as mãos por trás da cabeça, deixando o seu abdômen definido a mostra.

—Que foi? Vergonha de mim, docinho?- aquilo não estava acontecendo. Lady Mellark tinha ido para a cama com Mr. Odair, e infelizmente, isso era um fato- Só saiba que não tem nada aí que eu não tenha tocado ou beijado.

—O ...O que aconteceu? O que nós fizemos?- ela o olhava assustada.

—Sabia que você é tão irresistível...Você arrepiava só de eu chegar perto, e quando eu te beijei...- falou com um belo sorriso safado.

—Cala a boca, Finnick! Eu...Eu não acredito que fiz isso!

—Já que temos certa intimidade agora, pode me chamar do que quiser, docinho- ele acariciou o rosto dela- Você estava tão excitada ontem...

—Não toque em mim seu...seu safado!— ela deu um tapa em sua mão- Cachorro! Como pode fazer isso?

—Não se faça de difícil, querida- a garota se levantou da cama enrolada nos lençóis e Finnick a seguiu, mas sem os panos.

—Vá vestir uma roupa! Não me toque ou eu grito!- Annie tampou os olhos com uma mão e com a outra, tentava se cobrir. Ninguém merece ver aquela criatura como veio ao mundo.

—Que isso docinho, não há nada aqui que você também não tenha visto- ele tentou se aproximar mas recebeu um belo tapa em seu rosto, um que deixou as marcas dos cinco dedos de Annie, bem perfeitinhos- AI! Mas que...

Finnick não terminou a frase. Sua voz foi abafada pela batida da porta do banheiro. Sorriu, sabendo que conseguiu o que queria. Annie se fazia de difícil mas era porque ela, no fundo, tinha gostado.

O rapaz vestiu as roupas e deixou o quarto do simples hotel, já que não havia muitos desses nessa época, riu feito um bobo, enquanto uma pessoa chorava descontroladamente ao sentir a água cair em seu corpo.

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—Mrs. Mellark? É você?- uma voz doce a chamava. Katniss ainda chorava isolada no jardim, continuando a sentir nojo de si mesma.

—Quem é? -perguntou secando as lágrimas. Pensava que aquele lugar era vazio, não gostava de ser interrompida.

—Sou eu, Gale. O que faz aqui?- o rapaz surgiu do meio das rosas do jardim. Como estava no verão, fazia sol durante o dia e o rosto de Gale era iluminado pela claridade.

—Eu é que te pergunto, como me achou?

Gale voltava do escritório. Como sempre, dava uma checada no local. Olhava para ver se tudo corria bem. Ele teve uma conversa séria com o pai hoje, era sobre casamento. O rapaz pediu para se casar, queria alguém ao seu lado. Mas Haymitch não parecia ouvir. De volta a casa, ouvira soluços de alguém e resolvera ver quem é, até encontrar Katniss no meio do jardim, com as mãos sobre o rosto.

—Então quer se casar?- Katniss perguntou depois de um longo tempo de conversa. Gale estava sentado ao seu lado na grama, agora vestindo só as calças, a camisa, o colete e os sapatos. O calor era de matar ali com aquele tanto de pano.

—Não posso ficar sozinho pelo resto da vida, preciso de alguém- ele sorriu para a Everdeen. E pensar que um dia ela seria a sua prometida- Preciso dar amor a alguém.

Katniss o encarou. Ah se Peeta fosse assim, ela se sentiria nas nuvens. Gale era tão amoroso, mal a conhecia e já a tratava como alguém especial. Ele a fazia rir em questão de segundos, coisa que o marido nunca conseguiria. Peeta não tinha sentimentos.

—Tudo bem, Katniss?- ele perguntou percebendo que a garota voltaria a chorar- Vo...você não me contou porque chorava.

—Não precisa se preocupar Gale, eu estou ótima- eles já tinham criado certa intimidade, por isso só se chamavam pelos primeiros nomes.

Gale secou uma lágrima que escorreu pelo rosto dela. Katniss se lembrou das últimas horas, no momento em que ela estava com o marido, tudo parecia tão perfeito. Ele foi carinhoso por um minuto, por aquele mínimo de tempo o Mellark não a machucava, ela fez aquilo porque quis. Ela se virou para beijá-lo porque quis. Quando viu, Katniss já chorava intensamente enquanto sentia os braços do amigo em volta de si.

Ela o abraçou de volta, não tinha saída. Gale perguntou novamente o motivo daquilo, mas ficou sem resposta. E de repente entendera tudo, era ele. É óbvio, Peeta poderia ser a única razão. Sua Katniss chorava por causa do idiota do seu irmão. Então ele fez o que o seu coração mandava, correu de volta a casa. Mesmo com os gritos da garota, ele seguiu o caminho. Andou com passos fortes até o escritório do outro Mellark.

—PEETA!— gritou com a voz grossa dentro da mansão. Contudo não obteve resposta, só o silêncio.

Voltou a andar. Subiu as escadas e avistou o escritório. Nem bateu na porta, não tinha paciência para fazer isso, se acertaria com o irmão depois. Agora ele queria era tirar satisfações, Katniss estava sofrendo. Abriu a porta com força vendo Peeta, que estava sentado em sua mesa, tendo em mãos fotos e papeis.

—Mas o que foi...- a voz de Gale ficou no ar. O irmão não teve tempo de guardar as fotos espalhadas.

Os dois não falaram mais nada. Peeta, estático e nervoso, só olhava para Gale, que encarava o rosto da mulher na mesa do irmão. Na verdade, eram vários rostos, todos os mesmos. A feição delicada e angelical. Nas cartas, a caligrafia pequena e com belos traços.

Quem era aquela mulher?

—O que é isso, Peeta?- perguntou sem o olhar.

—O que faz aqui? Já disse para não entrar no meu escritório sem bater!- o loiro falou rude. Se levantou da cadeira indo em direção à Gale imediatamente.