Notas iniciais
Isso não é uma fanfic. É o primeiro capítulo do meu romance de estreia, que estou liberando como uma prévia, para saber se o feedback é positivo o suficiente para eu postar ele inteiro. Porém ele será postada regulamente de 5 em 5 capítulos no wattpad. Então se quiserem acompanhar é só procurar lá: dyhBarreto02 Espero que o primeiro capítulo agrade vocês e que estejam dispostos a sorrir e chorar com esse romance bem dramático e divertido. Aproveitem!


Olhei mais uma vez de relance pela janela e o vi saindo da padaria e encostando na parede do lado de fora, falando ao telefone. Perdi as contas de quantas vezes já fiz isso! Era um hábito, um vício, eu já fazia inconscientemente. Quando via, já estava o admirando.
Não é possível, que eu observe esse homem há quase um mês, desde que me mudei, e nunca nem se quer passei pela porta daquela padaria. Sempre fazia Bianca ir até lá, admirava ele somente de longe. Ponto alto da minha mudança!
Quem poderia imaginar que eu, Elisa Duarte, uma carioca assumida, apaixonada pela minha cidade, iria sair do Rio de Janeiro. Foi um choque para todos quando decidi me mudar.
Não me arrependo! Emprego novo, vida nova e distância da família difícil de lidar, e bem, ter a Bia aqui era um ponto a mais, já que nunca nos largamos e ela topou morar comigo. De qualquer forma, o Rio não era meu lar, sempre faltou algo e no final, sair de casa foi um alivio.
Quando vim para Florianópolis, sabia que minha vida ia se transformar completamente. Nada tinha me dado tanta esperança, como quando atravessei aquela ponte cheia de luz, que me prometia tanto, até essa ilha.
A cidade grande não foi um desafio, já tinha me acostumado o suficiente com os barulhos de carros e da vida que me cercava, os grandes prédios, hotéis, bares, sons de conversas e alegria rebelde. Eu não morava em meio aqueles enormes arranha-céus, mas trabalhava em um deles e toda vez que me dirigia ate lá, ainda olhava em volta, sentindo liberdade e leveza.
Não intimidação. Nem medo.
Somente curiosidade em desvendar tudo ao redor.
Meu apartamento ficava num local um pouco menos vasto, do que no centro da capital, mas era um bairro acolhedor e rodeado de restaurantes, cafés, padarias, lojinhas e outros comércios. Eu já amava estar ali.


— Você poderia pelo menos disfarçar, quando estiver secando o bonitão da padaria – senti meu coração parar, quando ouvi a voz da minha querida amiga.


— Eu não estava olhando ele. – eu definitivamente odiava ser pega nessa situação e odiava ainda mais o sorrisinho presunçoso, que ela exibia agora.


— Claro, você com certeza estava admirando a fachada da padaria – diz erguendo a sobrancelha.


— Eu só o acho intrigante – lá estava eu, na defensiva.

— E forte, atraente, irresistível e se eu fosse você, faria uma visita à padaria, ele é simpático! – diz dando seu famoso sorriso de canto.

— Espera, você falou com ele?-

— Olha! Se não é a senhorita “não estou interessada” – Bia estava me provocando e eu já sabia, que ela ia me convencer a tomar uma atitude.

— Eu não estou.

— Quando você vai parar com essa timidez em relação aos homens? Eles não vão te morder Elisa, é só falar com ele.


Eu sabia, que não era um bicho de sete cabeças, mas eu não tenho a beleza e charme da minha amiga, que deixa todos babando. Uma bela loira dos olhos azuis, fora o corpo de matar que ela tem por conta do trabalho. Bia é Personal Trainer e conseguiu emprego fácil na região, uma ótima profissional. Já eu, uma sedentária. Agradeço a Deus pela genética, que meus pais me proporcionaram ou estaria acima do meu peso agora.


— Olha Bia, ótima argumentação, mas eu dispenso, só acho ele bonito – Pela cara da minha amiga, não fui convincente.


— Você o observa tanto, que já deve ter guardado na mente até as manias dele, você nunca perguntou nem o nome do moço bonito. – a verdade é que eu temia demais, temia saber mais dele e não conseguir parar de me aproximar, então depois que ele soubesse o que causa em mim, me acharia patética.


— Não me mudei pra cair de paixão por um rostinho bonito, não quero continuar debatendo sobre isso – senti ela me observando, enquanto eu procurava minha bolsa, enfim se dando por vencida.


— Tudo bem Elisa, a senhorita está em cima da hora, trabalho te espera!


— Tranca a porta quando sair – Bia é extremamente distraída e bom, ela só vai para o trabalho às 10:00, já eu 8:00 em ponto tenho que estar dentro da minha sala na agência. Sem falsa modéstia, sou uma excelente publicitária e amo criar.


A manhã está quente e eu estou confortável, me sinto leve e preparada para meu dia no trabalho. Abri a porta do carro e notei que o homem da padaria estava desligando o celular e caminhava de volta para dentro em passos longos e firmes. Eu não sabia o que era isso que me fazia sentir a presença dele a quilômetros de distância, porém, desde que cheguei e meus olhos bateram nele a primeira vez, eu não parei mais de olha-lo um dia se quer. Só não sabia se ele já havia notado.
O que eu estou pensando? Ele pode ter uma namorada, ser casado, gay, ou simplesmente me achar horrível.
E sou uma medrosa, isso sim, semanas olhando ele sem parar e não tenho coragem nem de ir à padaria comprar um pão, com medo da minha reação frente a frente ao dono daqueles olhos negros. Ele era intimidante. Alto, forte, cabelos e olhos escuros, pele bronzeada, uma barba perfeita, lindo e eu não conseguia deixar de reparar em cada vez mais detalhes sobre ele. Ele sempre aparentava estar distante, cansado ou irritado e isso me contorcia de
curiosidade... de vê-lo sorrir, pelo menos uma vez.

E assim que ele fez menção de olhar para trás, talvez se sentindo observado, eu entrei no carro e não olhei na direção da janela.Eu sempre gostei de dirigir, graças a Deus nunca pego trânsito, o que já melhora 80% meu humor. Subi pelo elevador e caminhei em passos rápidos até minha sala, cumprimentando a todos e recebendo muitos sorrisos.
Parece que não sou só eu, que estou de bom humor hoje.


— Bom dia, Elisa! – minha chefe entrou na sala fazendo-me sobressaltar sobre a cadeira.

— Bom dia, a que devo a honra? Algum problema na última campanha?

— Na verdade temos uma nova campanha, sei que é de última hora e que você teria que fazer tudo em tempo recorde, porém preciso dela daqui a 3 dias, é uma grande chance pra nossa agência. – seria complicadíssimo e eu precisava me destacar sendo novata aqui, não ia falhar, eu amo o que faço e tenho fé o suficiente em mim mesma, para saber o quanto posso crescer e ela agora me avaliava. Porque eu sabia. Aquela não era uma grande oportunidade apenas para a agência, mas para mim também.


— A senhora sabe, que vou me esforçar ao máximo para satisfazer esse cliente, já vou convocar uma reunião e vamos decidir o modo mais rápido de projetar essa campanha – eu quase podia sentir o peso do olhar dela, me testando.


— Confio em você minha querida, tem feito um ótimo trabalho.


— Obrigada – piscou pra mim e saiu.


Minha chefe é uma mulher jovem, inteligente, extremamente elegante e bem sucedida e aprovou meu desempenho até agora, nesse primeiro mês. Minha carreira estava se iniciando muito bem. Meu emprego antigo, não me agradava e a empresa era pequena. Aqui é estimulante criar e o quanto posso crescer, me deixa animada. Oportunidades, é isso que eu estou conquistando aqui.
Sempre foi importante pra mim conquistar algo, sem ganhar de mão beijada da minha família, o famoso empurrãozinho. Me mudar foi um salto de libertação, sem os olhares de todos.
Esperando.
Observando.
Na espreita, para ver se eu iria ser tão bem sucedida, quanto meu irmão.
Não posso mentir e dizer, que vim morar aqui por causa do novo emprego. Fugir dos meus pais era a prioridade. Amo minha família, mas não aguentava ser controlada e pressionada. 24 anos é uma idade onde posso muito bem decidir as coisas sozinha, ainda mais tendo terminado a faculdade tão cedo.
São anos desejando esse momento onde eu poderia sair do casulo e me bancar sozinha. Com esse novo emprego e dividindo apartamento com Bianca, tudo ficava mais fácil. Eu imaginei muitas vezes eu dividindo casa com minha amiga, tendo meu canto, do meu jeito, porém nunca imaginei, que eu ia trocar até de cidade. O prazer era maior ainda, de viver em um local como esse, tranquilo e maravilhosamente lindo.
Antes de me mudar eu morava com meus pais e meus avós. Meu irmão tem uma enorme empresa de turismo e mora sozinho, apesar da namorada passar grande parte do tempo na casa dele. Luca até me ofereceu um cargo na sua empresa, quando eu comecei, entretanto eu quis andar com minhas próprias pernas. Nunca quis um cargo fora da área em que eu fiz faculdade. Não quis depender nem do meu irmão e nem de ninguém. Eu consigo sozinha. Ele era um homem feito e meus pais tinham orgulho e eu farei o meu melhor, para ser tão boa quanto. Sempre tive medo de falhar e acho que isso me motivou aalcançar meus objetivos. Não iria conseguir lidar com o sentimento de inutilidade.
Quando Luca abriu a empresa e ela começou a crescer gradativamente, abrindo sedes em outras cidades, e enfim se tornou uma das maiores do país,eu me vi pressionada a não ser um fracasso na família, não ia ser a filha sem sucesso profissional. O medo me motivou. Ser fria e focada sempre foram pontos fortes meus, sincera também. Nunca consegui manter a língua dentro da boca, mas com Bia e Luca, eu sempre pude contar todos os meus segredos e decepções, inclusive as amorosas. Tudo bem, que não tive vários relacionamentos, nem sou tão linda assim pra chamar atenção, tenho uma beleza mais natural e discreta, mas os poucos namoros que tive, me deixaram em alerta total de como não sirvo pra isso, ou tenho dedo podre. Talvez os dois.


— Elisa, a primeira reunião do dia será agora. Vamos?


Juntei minhas coisas e fui acompanhando minha colega de trabalho, até a sala de reuniões.
As horas passaram voando. Depois de muito trabalho e ter enfrentado várias discussões sobre as campanhas desse mês, inclusive a campanha surpresa, que eu terei que trabalhar para ficar perfeita, pude entrar no meu carro, a caminho de casa. Já passava das 17:00, quando estacionei na garagem do edifício.
Meu apartamento é em um prédio pequeno e encantador, com cinco andares e eu tenho a vantagem de admirar o lindo homem da padaria, todos os dias. sentia que estava na hora de pelo menos olhar na cara dele, estou a tempo demais fugindo de encarar aquele belo rosto de perto.
Ótimo esqueci a chave de casa no trabalho e Bia só chega daqui uma hora! Olhei para os dois lados da rua perdida, sem ter como entrar em casa. Eu sou muito burra não é possível! Agora... posso ficar igual uma estatua encostada no meu carro, ou arrumar um local pra esperar ela. A padaria era minha única opção e eu já estava pensando seriamente em ficar esperando ali mesmo.
Medrosa. Eu era uma grande medrosa, era só entrar lá e não olhar na direção dele, eu só acho ele bonito, nada demais. Forcei meus pés a atravessarem a rua e entrei o mais discretamente possível, me sentando em um canto no fundo do local. Puxei um livro da minha bolsa e comecei a ler para passar o tempo.


— Licença, a senhorita deseja algo? – ergui meus olhos vendo um jovem loiro me perguntar – já olhou o cardápio?

Desculpe, nem tinha notado o cardápio na mesa, vou querer um cappuccino e dois brownies de nozes.
Observei ele anotar o pedido e ir até o balcão passar para o atendente.
Era ele!
Ombros largos, seus olhos bastante concentrados no computador. Agora olhando de perto vejo uma tatuagem na parte interna de seu braço direito, uma flecha. Lindo! Suas sobrancelhas estão franzidas e ele presta bastante atenção no que faz, não ergue os olhos, não me vê. Se olhar de longe é bom, imagine meu coração como está batendo freneticamente agora, tão perto. Oh Deus, como um homem que eu nunca troquei uma palavra pode mexer tanto comigo?
De longe, observei o jovem loiro andando em minha direção e fingi ainda estar prestando atenção no livro, ele deixou o pedido em minha mesa e voltou para trás do balcão, se sentando ao lado do homem, cuja beleza me deixava desnorteada. Resolvi me concentrar no cappuccino e retirei meu casaco,pendurando atrás do sofá onde estou sentada. A padaria é tão confortável, quente e aconchegante, que se Bia demorar, nem vou me importar.Continuei lendo e hora ou outra espiava o relógio para me certificar, que ia vê-la chegando da academia.
Virei-me para vestir o casaco novamente e sem querer esbarrei na xícara, derramando conteúdo no meu colo. Ótimo! Além de tudo sou desastrada, muita sorte não estar fervendo, o que restou do meu cappuccino. Levanto e procuro o banheiro tentando limpar minha saia com um pedaço de guardanapo, que nem noto alguém andando em minha direção e para completar meu estado de lerdeza, acabo colidindo e indo parar no chão. Sinto minhas costas doerem no impacto com o chão e fico extremamente envergonhada, quando vejo uma mão estendida na minha direção, não me resta nem coragem de erguer o olhar, para saber em quem esbarrei, mas aceito a ajuda, já preparando o pedido de desculpa a quem quer que seja.
Ergo meus olhos. Meu coração para.
Olhos negros e braços fortes, na minha frente.
Ainda seguro sua mão, a palma é quente contra meus dedos frios.
Observo o rosto do rapaz, o qual admiro por semanas e vejo em seus olhos preocupação e um pouco de divertimento, ao falar comigo.


— Se machucou? – não consigo parar de encara-lo e me sinto uma idiota – consegue me responder?


— Tudo bem, estou bem, só me distrai – abaixo os olhos, encarando a mancha na minha saia e o ignoro, porque não consigo olhar no rosto dele sem me sentir uma tola – desculpa se quase te atropelei.


Ele riu baixo, quase um sussurro e minhas pernas tremeram, ergui meus olhos. Ele continuava me encarando, curiosidade estampada em seu rosto.
Minhas bochechas coraram.


— Turista?

— Não, moro do outro lado da rua, só nunca tive tempo de vir aqui – mentirosa, minha mente gritava.


— Quase me sinto ofendido, somos a melhor padaria da região – passo as palmas das mãos na minha saia, de tão suada que elas estão.


— Eu sei – ele arqueia as sobrancelhas e logo acrescento – a Bia, minha amiga sempre compra café, bolos e doces daqui.


— A doidinha é sua amiga? – como se fosse minha salvação, olhei através da janela e vi o carro dela estacionar, quase suspirei de alivio, mas me contive.


— Nós dividimos apartamento e sim, ela é minha melhor amiga – fiz sinal para o garçom que me atendeu e notei que ainda estava parada no meio da padaria conversando com aquele estranho, que assombrava meus sonhos – eu tenho que ir, ela já chegou!


Eu estava visivelmente nervosa. Ele me avaliava. Enquanto eu pegava minha bolsa e pagava a conta ao loiro que me atendeu, me despedi dos dois com um aceno e segui para porta. Antes de sair eu ouvi, bem no fundo, alguém gritando da cozinha.


— Vicente! Venha aqui.


Olhei para trás e o vi caminhar até lá. Então esse era o nome dele. Vicente.
Tão lindo quanto o dono.
Continuei caminhando para fora, na direção de Bianca, sentindo meu coração bater descontrolado. Não a olhei. Peguei a chave em sua mão, abri a porta e entrei, sem conseguir falar, ainda sentindo o calor da mão quente dele e ciente da furada na qual estava me metendo.

Notas finais
Esse livro é dedicado a horas de conversas sobre amor e decepções com minha amiga Brenda Lucas, que acompanhou minhas dores, assim como eu acompanhei as dela. História inspirada em um capítulo de aventura da vida dela. Te amo! Dedico também a todas as pessoas que me apoiaram em tornar esse sonho real, minhas amigas, família e leitoras que aprovaram esse projeto. Vocês são importantes para mim. Amo todos. Curtam o capítulo e todas as outras informações deram postadas no wattpad e atualizações da história também. Instagram: dybarreto_ Bookstagram: fascinio.literario
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.