Através do Tempo

24 Uma Doce Nova Rotina


Notas iniciais
Olá, meus queridos leitores! Um capítulo de aquecer o heart pra vcs! Espero que gostem! Bjokas da Lyze =*

Elizabeth admirava-o enquanto ele dormia. Ela sempre o vira atento a tudo e a qualquer som, mas desta vez e pela primeira vez, pode vê-lo dormir profundamente, e ele era lindo aos seus olhos. Ela se aproximara devagar, tocando alguns de seus fios loiros que haviam caído por sua face. Escutara-o respirar fundo e mover-se minimamente, completamente despreocupado e relaxado. Era divertido, ver o sempre sério e preparado sir Elliot Ryan Fawkes, vulnerável e entregue ao sono e ao cansaço. Não importava o quanto o olhasse, não deixaria de admirá-lo. Ele viera até si, enfrentando tudo e todos, ele sempre dava um jeito. Elizabeth tinha noção do quanto Elliot havia abdicado para estar ali, ao seu lado, esperava profundamente que pudesse fazê-lo feliz, porque ela já o era.

- Pretende ficar me olhando assim por quanto tempo? – Uma voz mole e sonolenta lhe dissera. Era bom ver lados dele que ela até então não conhecia.

- Eternamente. – Ele sorrira despretensioso, puxando-a de encontro ao seu peito largo e quente.

- Ah, não! Eternamente é muito tempo... – Elizabeth sorrira, sentindo-se confortável ao ter-se abraçada por aqueles braços maiores que os seus. Ela notara-o aconchegar-se em si, naquele abraço de conchinha.

- É tempo suficiente...

- Para quê?

- Pra amar você. – Ele ficara em silêncio, beijando seus cabelos suavemente.

- Acho que preciso de mais tempo pra isso.

- Mais que a eternidade? – Ele rira.

- Mais que a eternidade. – Dissera, beijando levemente suas costas. Ela sentira-se arrepiar-se por completo.


***


Os dias haviam se passado rapidamente para a nova pequena família, que se unira depois de dois longos e aparentemente, eternos anos. Em uma manhã qualquer, Elliot assentava um cercado ao redor da propriedade, estava procurando coisas para fazer e arrumar na casa, até que seu pequeno viera correndo para ele, trazia nas mãos um grande sapo gordo.

- Papai! – Elliot o mirara vir até si com o animal.

- Olhe só! Onde você o encontrou? – O menino apontara por de trás das árvores, próximo à encosta do rio. – É um belo animal, meu filho.

- É um sapo! – Ele sorrira admirando a pequena criança, Elizabeth também já falava muito bem na sua idade. Elliot ainda se lembrava.

- Sim, é um sapo. Mas você tem que devolvê-lo à água. Ele pertence à natureza e deve estar assustado nas suas mãos. – Ryan concordara, e juntos foram até um corixo próximo, devolver o sapo. O menino olhara com atenção o anfíbio, até desaparecer na mata. – Os animais tem que ficar em seus devidos lugares. Entendido?

- Sim. – Dissera. O sorriso era igual o de Elizabeth, e não se cansava de procurar traços dela, naquele rosto tão genuinamente parecido ao seu.

- Venha, ajude o pai a por a cerca. – Pedira, e a criança o acompanhara prontamente. Elizabeth mirava a cena à distância, enquanto costurava uma roupa de encomenda. Já fazia um tempo que cosia para fora. Aquele vinha sendo seu sustento, junto com outros pequenos trabalhos e limpeza, por exemplo. Fazia quase duas semanas que Elliot havia retornado, mas ainda custava acreditar que o homem que sempre amara, estava ali, naquela casa que vivia somente com seu filho até então.

Sentira-se aliviada por seu pequeno não estranhar a nova presença na rotina, e mais que isso, Elliot fora uma espécie de bálsamo para suas vidas.

Ainda naquela manhã em questão, pedira para ele ir até o centro, comprar algumas coisas que faltavam.

- Posso levar o Ryan?

- Claro que sim. – Ela concordara, antes de vê-lo apanhar Luck e convidar seu filho para dar um passeio consigo, o que fora topado imediatamente.


Elliot havia alcançado o centro da cidadela. Era bem movimentado, havia feiras e pequenas lojas, tendo de tudo um pouco. Ele amarrara Luck, e apanhara seu filho em seu colo, checando a lista que Elizabeth lhe dera.

- Você ouviu os boatos a respeito daquela mulher na última casa, próxima à encosta?

- Aquela solteira que tem um filho?

- Sim, ela mesma. Ouvi que botou um homem em casa.

- Mentira!

- É sério! – Elliot escutara o muxoxo, identificara as mulheres e fora até elas.

- Olá, madames! Sou Elliot Ryan Fawkes. Ex-capitão reformado do exército militar inglês, marido da senhora na última casa próxima à encosta, e pai deste lindo menino aqui presente. Como vocês estão? – Eram duas mulheres de no máximo trinta anos, bem vestidas, usando belos chapéus em suas cabeças.

- Ehh... – As duas se entreolharam embasbacadas e completamente vermelhas. – Es-estamos bem, sim. – Gaguejaram.

- Oh, que maravilha! Eu estava passando, e ouvi as duas conversarem. Perdoem minha ousadia, mas achei de bom tom esclarecer quaisquer maus entendidos que possam haver em nome de minha esposa. Eu fui aposentado por invalidez, infelizmente, devido a um acidente em batalha. Retornei anos depois, após minha recuperação. Elizabeth foi realmente forte, uma vez que passara por um parto completamente sozinha, acreditando que eu estava morto. Enfim, é uma pena que ninguém estivesse ali para ser de amizade. Espero que no futuro, vocês possam medir suas palavras, antes de difamar uma mulher que viveu um inferno em sua solidão, sem ao menos saberem o motivo. Passar bem. – Ele dissera sorrindo alegremente em contraste, fazendo um pequeno gesto de cumprimento, indo embora a seguir, deixando duas mulheres e mais outras pessoas ao redor, sem chão.

- Quem eram elas, papai? – Elliot mirara a criança em seu colo.

- Não sei, mas estavam falando mal de sua mãe, e não se pode falar mal das pessoas pelas costas. Certo? – O menino concordara.


Ele comprara tudo que precisava e alguns mimos para Elizabeth e Ryan. Logo se fora com seu filho.

- Mamãe! Papai conversou com duas mulheres más hoje! – Elizabeth o olhara sem entender, Elliot fizera uma careta.

- Ele é tão fofoqueiro quanto a mãe ouvindo atrás da porta. – Elizabeth gargalhara.

- O que aconteceu? – Ele a olhara de esguelha.

- Você vem sofrendo difamações na cidade? – Elizabeth baixara a face, respirando fundo. Então ele já ouvira as fofocas?

- O que você esperava? Apareci aqui com barriga, sozinha. Ninguém quer uma amizade assim. – Ele fora até ela, abraçando-a fortemente.

- Eu sinto muito. – Lamentara-se verdadeiramente. Não queria que a pessoa que mais amava no mundo, passasse por algo semelhante.

- Você não tem culpa, Elli. Fez o melhor que pode. Eu nunca liguei para os boatos. Sempre estive mais preocupada em criar bem nosso filho. Mas parece que você andou limpando meu nome.

- Ah, eu dei uma ajudinha... Nada demais. – Ela erguera uma única sobrancelha, mirando a cara de pau de seu marido.

- Sei... Acho que te conheço o suficiente pra saber qual ajuda foi essa. – Ele gargalhara, e para si, o som de sua risada era a melhor coisa do mundo.

- Tem algo que eu estava pensando... – Ele puxara uma cadeira e se sentara. Estavam na cozinha enquanto Elizabeth preparava o almoço.

- O que foi?

- Quero trabalhar. Eu servi o exército boa parte da minha vida. Não tem muitas coisas que eu saiba fazer bem, se não lutar. Mas há uma que andei pensando... Há algumas terras que estão à venda próximo daqui, seguindo o rio. Elas são tão férteis quanto esta de nossa propriedade.

- Quer virar agricultor? – Ele gostava no quanto Elizabeth era rápida em seu raciocínio.

- Acha uma má ideia? Eu vi o quanto você cuida bem da pequena horta que há aqui. Você poderia me ajudar, podemos vender pra região e se expandirmos, poderemos vender pras cidades próximas. Andei pesquisando, há novas formas de cultivo, mais práticas, que podemos implantar em nosso negócio. Posso conseguir boas sementes, o setor de cereais está expandindo. Batatas e beterrabas também são muito requisitadas. O que acha? – Elizabeth se sentira contente em ver os olhos de Elliot brilharem ao contar sua proposta. Isso a fazia feliz. Ela se pôs a pensar, sabia que era uma ótima ideia.

- Achei incrível! – Dissera, se voltando para ele, após terminar de cortar algumas cebolas. – Eu sei de algumas coisas também, que aprendi com algumas mulheres que trabalhavam lá em casa. Mas estou disposta a aprender mais.

- Maravilha!

- Mas não temos dinheiro suficiente para comprar terras.

- Vou até a capital. Tenho um pouco por lá. – Dissera ele. Elizabeth ainda tinha o dinheiro do assoalho, que era uma boa quantia, poderiam juntar. Tendo em vista que pouco gastara dele.

- Ainda há as economias que você nos deixou.

- Você não gastou aquele dinheiro? – Indagara surpreso.

- Não, menos de um terço, talvez. A maior parte ainda está ali.

- E como você veio sobrevivendo até aqui? – Elizabeth estreitara os olhos.

- Você me subestima?

- Não, nem um pouco, Eliza, você sabe.

- Eu venho fazendo reparos em costura e alguns trabalhos de limpeza. A horta eu cultivo pra consumo próprio, então quase não gastava pra alimentos, somente coisas que não produzo. – Ele sorrira, se aproximando, lhe dera um selinho.

- Eu nunca subestimei você, só não a conheço completamente. Se me permitir, quero conhecê-la o tanto que puder. – Ela não havia pensado nisso, mas Elliot tinha razão. Não haviam tido tempo pra se conhecerem de maneira minuciosa, não sabiam bem dos talentos, gostos e desgostos um do outro.

- Agora vamos ter todo o tempo do mundo para isso. – Ela dissera, beijando-o de volta.

- Papai! – Elliot sentira um puxão em sua perna, Ryan lhe puxava as calças em busca de atenção.

- Ei, rapazinho, você não sabe falar “mamãe” também? – A pequena criança sorrira, mirando Elizabeth.

- Mamãe. – Ele dissera entre risos.

- Mas é um verdadeiro puxa saco, não é? – Ela dissera sorrindo, antes de Elliot apanhá-lo em seu colo, e os três trocarem cheirinhos e beijinhos nas bochechas.


Notas finais
Eu adoro narrar uma rotina tranquila e fofa como essa.. ^-^ ~ depois de tanto detonar com os personagens ~ ('-' ) Enfim, espero que tenham curtido! E antes que eu me esqueça: façam uma escritora feliz, comentem! *-----*