Através do fogo e das chamas

Por Pikenna betada por Asthera

One-shot

On a cold winter morning

In the time before the light

In flames of death's eternal reign

We ride towards the fight

A neve branca cobria toda a extensão do chão daquele imenso reino. Podia-se escutar os cavalos brancos correndo, o tilintar das armaduras se chocando contra a cela dourada. Os soldados partiam para a luta, a luta da sobrevivência, a qual eles estavam destinados a enfrentar. Talvez eles pudessem vencer afinal, mas talvez, a morte apenas estivesse ali, aguardando pela chegada deles. O vento brando soprava em direção ao norte. Era para onde os soldados partiam, corajosos e determinados a enfrentar o seu pior inimigo. A predição do mestre era certa, contudo, será que o fim daquela batalha não poderia ser diferente? Uma mulher por baixo da armadura observava seus amigos, um sentimento estranho de nostalgia se apossando dela.

When the darkness is falling down

And the times are tough all right

The sound of evil laughter

Falls around the world tonight

Será que trevas venceriam? Seria esse o final da humanidade? Essas perguntas ecoavam pela mente da mulher que cavalgava rumo a sua morte. Se dependesse dela, não desistiria, lutaria até o fim, só para ver seu povo vencer. Desejava ver novamente aqueles sorrisos vitoriosos e contagiantes do povo, o qual ela governava e zelava. Ao longe já se podia enxergar a silhueta de corpos grandes e medonhos. Era possível sentir a presença do mal, as trevas que acompanhavam seus inimigos e os englobava, nutrindo-os de grandes poderes. Um medo ascendeu a dúvida no coração da jovem rainha, que escondida por uma armadura seguia em direção a batalha. Seus inimigos eram realmente seres de outro mundo, monstros que exalavam escuridão, que faziam os soldados estremecerem de medo.

O general ordenou que todos avançassem e os soldados, obedecendo ao seu comando, deram um grito de incentivo e colocaram seus cavalos para correr, rumo aos seus inimigos. A rainha os seguiu, juntando coragem para enfrentar qualquer coisa que viesse. Ela deixou um suspiro escapar de seus lábios e partiu para a batalha, gritando também.

Fighting hard, fighting on for the steel

Through the wastelands evermore

The scattered souls will feel the hell

Bodies wasted on the shores

On the blackest plains in hell's domains

We watch them as they go

Então os soldados se chocaram com os monstros do submundo, iniciando uma luta que decidiria o futuro da humanidade, do planeta todo. E os soldados enfrentavam com bravura aqueles seres aterrorizantes. Parecia, que aquele medo todo, tinha se dissipado no ar, como poeira. O barulho das armaduras de encontro ao corpo, as espadas batendo umas nas outras, indicavam a batalha árdua que os pequenos e insignificantes humanos daquele reino tão distante, travavam com os seres provindos do inferno, conjurados por uma alma maléfica. Corpos caiam mortos, no chão e no mar. As ondas daquela imensidão salgada vinham de encontro aos soldados e levavam o sangue para longe, lavando a terra árida. A rainha também lutava, reacendendo uma chama de esperança em seu interior. Eles podiam ganhar se continuassem assim, não podiam permitir que a humanidade fosse exterminada. O mal não iria sobrepujar o bem, ela conseguia acreditar em seus soldados novamente.

In fire, pain and once again we know

So now we'll fly ever free

We're free before the thunderstorm

On towards the wilderness

Our quest carries on

O vento veio de encontro a ela, e mesmo com aquela armadura pesada, a rainha pode senti-lo, e aquilo lhe trouxe uma paz inexplicável. Subitamente, seu elmo é retirado pela espada de um dos monstros, revelando sua identidade. O sangue provindo do corte feito em sua bochecha escorre por ele, caindo no chão.“Quando, uma gota de sangue nobre e humano, pertencente a uma mulher, cair na terra onde nada cresce ou sobrevive, o destino da humanidade será traçado, tudo padecerá e retornar-se-á ao pó”.Eram as palavras do oráculo, as quais ela ouvira com atenção. Todos os soldados olharam para ela, sua rainha estava ali, ajudando-os, lutando pela sobrevivência da humanidade. Ela fugira de seu casulo para salvá-los. Afinal, ela não era realmente uma covarde como muitos pensaram.

_Homens, vamos lutar e vencer! Pela humanidade e pela rainha! Vamos dar orgulho a ela! – O general gritou para os soldados e eles responderam em um grito novamente, concordando e voltando para a luta.

Uma lágrima escorreu do rosto da jovem rainha. Seu povo estava confiando, acreditando e depositando toda a esperança nela. Não os decepcionaria.

Far beyond the sundown, far beyond the moonlight

Deep inside our hearts and all our souls

So far away we wait for the day

For the lives all so wasted and gone

We feel the pain of a lifetime lost in a thousand days

Through the fire and the flames we carry on

E o tempo foi se arrastando, trazendo a noite cálida e gelada. Nenhum dos exércitos caiu, ninguém desistia. A rainha estava esgotada, mas, permanecia ao lado de seus soldados, de seu povo, guerreando de igual para igual. Muitas vidas foram perdidas, ela só esperava que essa carnificina não fosse em vão. A esperança aumentava em seu coração, ela não desistiria, tudo pelo seu povo.

E então uma espada atravessa sua barriga, arrancando-lhe muito sangue, contudo, ela não padece. Não permitiria morrer agora, não deixaria seu povo perder e batalhar sozinho. Ela queria ver ainda um sorriso de comemoração em cada semblante. Ela podia suportar a dor, não era nada comparado a dor da perda que sentia no momento. Cada corpo que cai no chão falecido era uma pontada que machucava seu coração.

As the red day is dawning and a lightning cracks the sky

They will raise their hands to the heavens above

Who descend unto their lies

Running back through the midmorning light

There's a burning in my heart

Ela girava sua espada no alto, era habilidosa e se esquivava com maestria dos ataques que lhe eram desferidos.“97, 98, 99, 100...”ela contava mentalmente a quantidade de monstros que matava. Decidiu levar aquilo como uma diversão, para que não enlouquecesse. Chegaria aos 200, ou quem sabe mais. No momento era seu objetivo. O suor escorria por seu rosto, prova de que seu corpo batalhara muito e que estava cansado. Contudo, ela ignorava o pedido dele e continuava a lutar, não mais como uma rainha, como uma guerreira. Sua barriga sangrava muito, ela perdia cada vez mais sangue, precisava estancá-lo. Agachou e rasgou um pedaço da vestimenta de um dos monstros que assassinara e amarrou em volta do ferimento. E voltou a luta.“105, 106, 107...”

We're banished from the time in the foreign land

To a light beyond the stars

In your blackest dreams you do believe, that destiny is tied

And endlessly we're roaming free tonight

And on the wings of a dream so far beyond reality

All alone in desperation

Now the time has gone

_Não desistam homens! Lutem pelo seu reino, honrem o planeta que depositaste em vós toda a confiança. Não deixaremos que o mal governe. – Bradou a rainha, erguendo sua espada.

Os soldados a responderam com um sonoro sim e também levantaram a espada. Ela sorriu e algo em seu interior ganhou uma força descomunal. Havia fogo que a queimava por dentro, mas não a machucava, a ajudava a continuar.“O destino minha filha, só pertence a ti. Pode alterá-lo com apenas uma decisão.”Sábias palavras que seu pai uma vez lhe disse. “E você talvez esteja certo pai, nós podemos mudar nosso destino e eu vou alterar o meu.” Ela pensou, cravando a espada no coração do inimigo.

Ela olhou para a lua, branca e cheia, magnífica em sua extensão. Ela iluminava a nova guerreira e a revelava seus segredos. Um odor acre e conhecido a despertou de sua divagação. Ela se virou para ver o que já sabia. Seu pior inimigo, o rei do submundo, a alma maléfica que despertara os monstros. O humano que traiu seus semelhantes. O homem por quem se apaixonou e se entregou, despertando um sentimento que desconhecia e que agora adormecia nas profundezas de seu coração.“Tu encontrarás com aquele que mais ama e odeia, aquele que traíste sua confiança. Vós batalhareis, todavia, só o mais forte e digno de governar vencerá.”Foram as palavras do oráculo antes que ela partisse. O rei retirou seu elmo, mostrando seu rosto jovial e belo, capaz de encantar qualquer mulher. Abriu um sorriso de canto, repleto de maldade e satisfação.

Lost inside you'll never find

Lost within my own mind

Day after day this misery must go on

So far away we wait for the day

For the lives all so wasted and gone

We feel the pain of a lifetime lost in a thousand days

Through the fire and the flames we carry on

_Então, vejo que nós nos encontramos novamente. O destino é cômico não achas? E o que fazes aqui rainha? Não deverias estar em seu castelo, ladeada por seus súditos idiotas, covardes e incompetentes? – Ele perguntou, as trevas cercando-o e o protegendo.

_Não sou o que pensas. Não sou mais aquela mulher frágil e indefesa. Não percebestes que agora luto ao lado de meu povo? Eu o matarei com a minha espada. O bem prevalecerá. – Ela respondeu, demonstrando confiança e coragem. Não voltaria atrás, não viveria mais como uma covarde.

_Se esta é tua decisão, que venhas com toda a sua força. Mas, já aviso. Tu que cairás aos meus pés, desfalecida. Será realmente um desperdício, tens certeza que não queres torna-se minha rainha? Juntos governaremos todo o mundo, seremos indestrutíveis e tu não precisarás morrer, apenas desistir. Uma mulher dotada de uma beleza tão estonteante.

_Cale-se e lute! – A nova guerreira ordenou, desferindo um golpe de espada no homem a sua frente, iniciando a luta que seria a mais difícil de toda a sua vida.

O rei se esquivou com facilidade e também tentou acertá-la com sua espada forjada com as chamas do inferno. Ela desviou. E assim a luta se sucedeu, até que ele conseguiu atingir o braço direito da mulher a sua frente. Subitamente sua espada se torna pesada e a rainha não suporta tal peso. Seu braço latejava de dor e sangrava muito. Contudo, ela não permitiu soltar a espada e com uma força sobrenatural, provinda de sua vontade de vencer a envolveu, ajudando-a a suportar o peso de sua arma e continuar a lutar.

Now here we stand with their blood on our hands

We've fought so hard, now can we understand

I'll break the seal of this curse if I possibly can

For freedom of every man

So far away we wait for the day

For the lives all so wasted and gone

We feel the pain of a lifetime lost in a thousand days

Through the fire and the flames we carry on

_Nunca sabes quando tem que desistir não é mesmo? Deverias aceitar tua derrota e se entregar. – O rei falou, abrindo um sorriso de canto.

_A batalha ainda não terminou. Cale-te e lute, pobre mortal, condenado a viver uma vida infernal por toda a eternidade. – A rainha respondeu, rodando o corpo e tentando mais uma vez atingi-lo, porém em vão.

Subitamente, o rei desaparece de seus olhos e ela o procura, mas, não consegue encontrá-lo. Com um golpe só, o rei aparece atrás dela, cravando sua espada nas costas da rainha, a qual cai de joelhos no chão, ainda sem largar a espada. Então, o fim era esse? O oráculo estava certo o tempo todo? Esse seria o fim da humanidade? Ela não foi digna o suficiente para vencer o mal? O rei se aproximou da rainha e ergueu sua espada.

_Soldados, parem com a batalha! O reino do sul perdeu sua rainha que acaba de morrer pela minha espada. Já não há mais sentindo em continuar com tal luta, eu ganhei essa guerra! – O rei anunciou e seus soldados bradaram em seguida, erguendo a espada em comemoração.

_Eu ainda não desisti. – A rainha disse afônica.

_Mas é uma tola mesmo! Não percebestes ainda? Acabou. – O homem falou contente com sua vitória.

_Estás... – Ela tentou se erguer, porém não conseguiu, caindo novamente de joelhos no chão – enganado, você ainda não venceu.

_Quando aceitarás que te venci? – Ele se aproximou da rainha. Todos os soldados olhavam para as duas solenidade. – O fim chegou e eu sou o vitorioso. – Ele disse, dando por fim aquela conversa. Cabisbaixa, a rainha abriu um sorriso de canto, deixando o rei do submundo furioso. – Por que estás rindo?

_Nunca aprenderás mesmo não é? Existe algo em mim que ainda queima, é minha vontade de ver meu povo livre, feliz e meu desejo de ver-te morto. – Ela respondeu e com a última força que ainda possuía, a rainha cravou a espada no coração do rei, antes que o mesmo pudesse se desviar, pegando-o desprevenido.

_Não pode ser. Não pode! – Ele não aceitava, não acreditava que tinha sido atingido.

_Tu me subestimastes e veja, quem realmente ganhou foi o meu povo. – Ela disse, olhando os monstros que a ladeavam se tornarem pó. – E como o oráculo disse, o que nascestes do pó, para o pó voltarás. Ele acertou. – E então, o homem explodiu em fumaça vermelha.

O povo comemorou a vitória. Todos estavam rindo, contentes pelo feito da rainha. Ela jamais será esquecida por eles, sua vitória heroica será repassada para várias e várias gerações. Ela também sorriu, dessa vez de felicidade, uma emoção que há muito tinha se esvaído de seu coração. Uma lágrima solitária rolou por seu rosto. Era o que ela almejava, ver o povo que tanto amava feliz. Agora poderia descansar em paz. O futuro da humanidade estava a salvo, sua missão tinha chegado ao fim. Então, a rainha se permitiu fechar os olhos e cair no chão, entregando-se a um sono profundo, deixando o mundo dos vivos, para o qual ela jamais retornará.

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