Através das Máscaras
3 A tensão.
Notas iniciais
A mulher também sorriu, mas seus lábios formavam uma expressão surpresa. Cerrou os olhos, maneando a cabeça, logo esboçando um sorriso mais alegre, ao sentir o toque de Alphys em sua mão. Ambas se encaminharam para a pista, ainda de forma tímida.
Pararam de frente uma para a outra, dançando silenciosamente e de forma desastrada, apenas arrancando risos abobados das duas. A pequena monstra estava encantada com sua nova companhia, pela forma que ela parecia profissional em uma dança. Quando a música fora trocada, resolveram dançar em união, com passos em sincronia, deixando-as surpresas. Alphys aos poucos se afastava da sua parceira por causa do receio, mas fora puxada para perto novamente.
— Hã... — Questionou em um volume baixo, corando levemente. Desviou o olhar, tentando diminuir a vergonha por ter a mão da moça em sua cintura, mas ainda permanecendo dançando. — Por quê?
— Você estava se afastando!
A companhia respondeu, falando alto. No entanto, sua voz estava abafada graças à música e a conversa das pessoas. Rodopiou, segurando a mão da pequena que estava quase vermelha da cabeça aos pés. Sorriu, para complementar.
— Eu não sei o seu nome! — Alphys comenta, tentando falar o mais alto possível, mesmo que fosse complicado: Sua timidez e os outros ruídos sonoros a atrapalhavam. No entanto, Undyne pôde associar “não sei” e “seu nome”, como uma pergunta.
— Eu sou Undyne! — Respondeu, vendo o rosto de Alphys se contorcer em dúvida. Deu outra risada humorada, antes de pronunciar novamente. — Undyne!
— Ah, Undyne... — Murmurou baixo, para si mesma. — Eu sou Alphys! — Pronunciou em um tom mais alto que podia, fazendo Undyne assentir com a cabeça como se captasse o nome.
As duas fecham os olhos, estando totalmente satisfeitas e em seguida, retornaram a dançar. Em músicas agitadas, os passos eram mais animados e livres, porém em músicas lentas, dedicadas aos casais, dançavam devagar.
Undyne se aproximou de forma delicada, questionando próxima ao ouvido da companhia, fazendo-a ruborizar mais:
— O que você faz da vida, Alphys?
— Eu sou investiga... Policial! Sou policial.
A primeira regra era não revelar com o que você trabalhava.
— Uau! — Undyne expressa surpresa, se afastando. Olhou para os lados, tentando imaginar como uma pequena monstra poderia ser uma policial. Negou com a cabeça, bailando suavemente até uma área menos movimentada. — Eu sou treinadora.
Alphys hesitou em perguntar “Treinadora Pokémon?!", pois isso soaria bizarro e quiçá, infantil. E tudo que ela menos queria era passar vergonha, diante de uma pessoa tão bonita.
— Treinadora de que?
— Em um centro de luta e autodefesa, digamos assim. Geralmente são crianças e alguns adultos que treinam comigo. — Observou como Alphys estreitava os olhos, parecendo desconfiar. — É divertido!
Sorriram.
Graças ao horário, a pista estava se tornando vazia. Além disso, estava chegando ao fim do primeiro dia do evento. Dançavam em passos unidos, vagando pela pista livremente. Observavam como alguns convidados permaneciam sentados e conversando, outros largados no chão, por causa da alta quantidade de álcool ingerido. Na opinião de ambas, aquilo soava engraçado.
Alphys parou de dançar, separando suas mãos da de Undyne. Pegou o celular no bolso do vestido, parando para verificar as horas, para aquele lugar estar perdendo o movimento aos poucos. E espantou-se, ao perceber que era tarde da noite. Pôs em sua mente que, se não fosse embora agora, não teria energia o suficiente para trabalhar amanhã.
Não notou como Undyne parecia estar atenta, acima de sua cabeça.
— Oww, esse fundo do seu celular é uma gracinha! Eu não sabia que você gostava das Duper Gatinhas. — Pronunciou, apontando para o fundo do celular, fazendo Alphys se espantar e apagar a tela com os dedos apressadamente.
— Você... Também gosta de animes?! — Indagou, encontrando os olhos da peixe.
— Ah, se eu gosto! Foram os animes que me deram essa inspiração para virar treinadora.
— Isso é tão legal!
Com um largo sorriso com seus lábios vermelhos, Undyne esboçava incitou para começarem a conversar sobre animes, algo tão desejado pela Alphys, que mais parecia um sonho distante. E então, o momento de diálogo fora interrompido por Sans, que chegava mais perto, desviando das pessoas bêbadas em seu caminho, que ainda insistiam ficar em pé. Semelhava-se a zumbis, caminhando para cá e para lá, cambaleantes.
— Oras... você está aqui. — Ele iniciou, se aproximando, Parou perto de Alphys, olhando Undyne de cima a baixo, com um olhar brevemente desconfiado de alguma coisa. — Alphys, eu pensei que você já tinha ido embora.
— Eu não posso ir embora sem você, Sans. Afinal, andamos sempre juntos! — Comentou de forma humorada, dando um soco no braço dele, logo rindo. Lembrou-se de Undyne ali. — Que falta de educação a minha... Sans, essa é Undyne.
— Oh, olá Undyne. Eu sou Sans. — O esqueleto apertou a mão da mulher peixe, que retribuiu o gesto duramente. Em seguida, soltaram as mãos, se encarando estranhamente, permanecendo em silêncio mútuo.
— Podemos ir? — Alphys questionou, se pondo no meio dos dois, fazendo dissipar o clima tenso entre ambos ali. Undyne continuou observando, enquanto Sans negou com a cabeça, parecendo voltar à realidade.
— Uh? Claro, claro. — Ele estende o braço para Alphys e ela enlaça o braço nele, tornando os dois mais próximos um do outro. A maneira que a mulher olhava para os dois, era como se esboçasse uma reação surpresa com o nível de amizade deles, que parecia passar além daquilo. — Bom, tchau Undyne.
— Tchau, Sans e Alphys...
Ambos estavam se encaminhando para a saída, conversando entre murmúrios brincalhões. Sans revirou os pontos luminosos de seus orbes, ao escutar o barulho do salto-alto de Undyne se aproximando, tornando auditivo. Alphys olhou para trás, ao escutar também.
— Ei, Alphys! — Gritou. — Você vem amanhã?
Alphys parecia analisar alguns minutos, enquanto Sans olhava-a com uma expressão moldando um sorriso do gênero “sabia que você ia gostar”. Riu baixo, tentando não cortar a linha de pensamento da amiga.
Queria ter dito não.
— Eu irei vir sim, Undyne! — Alphys gritou de volta, acenando sorridente para ela, em seguida indo embora com o Sans, que negava com a cabeça.
— Pelo visto, você arrumou uma companhia. — Sans comenta, olhando de canto para a amiga, que estava corada com um sorriso bobo.
— E você também, não? — Perguntou. O rosto do esqueleto, se pudesse, arquearia uma sobrancelha de forma duvidosa. Alphys riu, observando a confusão dele. — Estou falando da mulher cabra... Você não acha que ela era muito alta ‘pra tu não? — Caçoou, recebendo um beliscão no braço. Empurrou Sans, dando um tapa nele.
— Para de palhaçada! — Ele esbraveja tornando-se “azul”, retornando a ficar mais próximo da Alphys. — Ela é uma amiga... E você sabia que ela é a esposa do Asgore?!
— Mentira...
— Verdade.
Fale com o autor