Através das Lentes
7 O Shopping
Notas iniciais
Poucos dias se passaram e Rony não conseguia tirar Hermione de seus pensamentos. Ela era como uma obsessão para ele, e até em seus sonhos a morena aparecia, contudo, não era apenas a presença da jovem que o perturbava, e sim a sua resistência em abrir espaço para alguém novo. O ruivo simplesmente não conseguia assimilar tanta recusa por parte da jovem.
A todo lugar que ia o rapaz procurava por ela, na esperança de lhe encontrar e pedir o numero de telefone que havia lhe prometido na última vez em que se viram. Chegou até a pensar em perguntar a Harry os horários de saída para que assim pudesse encontrá-la, contudo, lembrou-se que havia feito uma promessa e não pretendia quebrá-la.
Em uma tarde de sábado enquanto caminhava distraidamente por um shopping da cidade que Ronald a viu. Hermione caminhava de mãos dadas com uma menininha de cabelos tão fofos como os seus. Ambas pararam na sala de jogos e o ruivo não satisfeito em somente olhá-las foi também até lá. Ronald parou ao lado de Hermione e cruzou os braços, contudo, a morena estava tão concentrada na menina que não notou sua presença.
– Acho que alguém me deve um número de telefone! — Ele disse orgulhoso, fazendo com que a jovem o notasse ali pela primeira vez.
– Definitivamente, você está me seguindo! – Ela respondeu sem desviar os olhos da menina que brincava alegremente e um dos brinquedos.
– Não, não estou. Estava indo embora quando vi você e a menina. Ela é sua sobrinha? — Ele perguntou, e como Hermione não o respondeu, o rapaz insistiu.
– É minha filha. — Por fim a morena olhou dentro dos olhos azuis como o fundo de um oceano e respondeu a insistente pergunta. — Acha que é algo do outro mundo, não é?
Rony então olhou novamente para a menina e constatou que ela se parecia demais com a jovem ao seu lado.
– Na verdade não, só estou surpreso. Quando Harry me falou sobre você ele não chegou a mencionar isso.
– Isso porque o Harry é um dos meus melhores amigos e vive dizendo que eu tenho que viver e conhecer pessoas novas.
– Eu concordo com ele.
– Acontece que, eu não posso simplesmente esquecer que tenho a Rose e sair por ai feito uma adolescente rebelde. Ela precisa de mim. – Hermione parecia já estar exausta de repetir as mesmas coisas diversas e diversas vezes.
– Você poderia deixá-la com o pai, ou com os avós enquanto se divertia um pouco.
– Não há essa possibilidade. – A morena respondeu ríspida, negando com a cabeça. – Rose não tem pai, minha mãe é falecida e não me dou com meu pai que vive em outra cidade. Ela só tem a mim.
Ronald soltou um longo suspiro devido a tanta informação que recebeu de uma só vez, e segurou-se para não continuar no assunto, porém, antes de continuar a conversa, a pequena menina de vestido florido chegou onde ambos estavam.
– Quem é esse, mamãe? — Ela perguntou curiosa, analisando o ruivo com os redondos olhinhos castanhos.
– Esse é o Ronald, um amigo da mamãe. — Hermione respondeu.
– Pensei que só tinha o dindo e aquele outro de óculos. — O ruivo abaixou-se até ficar na altura da menina.
– Pode me chamar de Rony. — O ruivo disse. — Então Rose...eu sou um amigo novo da mamãe.
– Mamãe, o Rony pode lanchar com a gente? — Ambos olharam para Hermione esperando uma resposta. A morena hesitou, mas no final acabou cedendo.
Os três foram para a praça de alimentação e Rony fez questão de pedir o sanduíche que é acompanhado de um brinde somente para dar de presente para Rose.
– Você também é professor? — A menina perguntou enquanto comia suas batatas fritas. O ruivo negou com a cabeça. — Então como conheceu a minha mamãe?
– Rose, sem muitas perguntas. — Hermione alertou.
– Deixa ela. — Rony interviu. — Eu conheci a sua mãe em uma festa de aniversário.
– E vocês dançaram?
– Não, nós não dançamos. Mas acho que podemos dançar um dia, não é Hermione? — Rony lançou um olhar sugestivo para a morena que apenas revirou os olhos.
– Mamãe deixa o Rony dançar com você? – Rose perguntou enquanto bebia o refrigerante.
– Um dia talvez. Agora termine essa batata para irmos pra casa.
Hermione apenas observava a enxurrada de perguntas que Rose fazia, e sempre que tentava fazer com que a menina parasse, Rony insistia que não havia problema algum, e que ele responderia a tudo.
A tarde rapidamente se tornou noite e quando Hermione deu por si o shopping já começava a esvaziar.
– Vamos embora, Rose.
– Ah mamãe, a conversa está tão legal.
– Outro dia nós o convidamos pra ir lá em casa, não é Rony? — A morena olhou diretamente para o ruivo como se pedisse que ele concordasse.
– Sim. A sua mãe vai me passar o número de telefone dela para podermos marcar um piquenique um outro dia, não é Hermione? — Rose olhou do ruivo para a mãe na espera que ela fizesse o que ele havia dito, e o fez somente porque havia prometido na última vez em que esteve com o rapaz.
Hermione entregou para Rony o número de telefone anotado em um guardanapo, e o ruivo acompanhou-as até o estacionamento do shopping. Por educação a morena perguntou se ele aceitava uma carona, mas o rapaz disse não precisar, pois estava de moto. Rose ainda fez questão de dar um forte abraço em Rony antes de entrar no carro.
Com um sorriso bobo nos lábios, o rapaz foi até a moto. Tirou o capacete do pequeno baú acoplado, ligou o veículo e ainda conseguiu sair praticamente junto com o carro de Hermione, tomando as ruas da cidade em diraçao oposta a morena.
Fale com o autor