Através do Tempo
26 Através do Tempo
Notas iniciais
Ryan havia se decidido. Naquele ano, iniciara seus estudos e treinamento, com a ajuda de seu avô, para admissão no exército, já que só poderia ingressar com dezesseis anos, assim como fizera seu pai. Elliot não estava muito feliz com a decisão de seu filho, mas não queria seguir o exemplo de Charlie, podando-o em suas próprias escolhas. Alertara-o e o guiara, como um bom pai faria, e o resto caberia a ele decidir.
A relação com Charlie se estreitara, e ele se aproximara consideravelmente da família, ao ponto de se mudar para uma casa próxima, levando Richard, o mordomo, consigo. Eles mantinham contato frequentemente.
Os negócios se expandiram, Elizabeth e Elliot eram donos de terras férteis, indo na contra mão da revolução agrícola da época; consolidaram a oferta de trabalho com salários justos para seus empregados. Rena e Luck ainda estavam com o casal, eram idosos mas muito amados e queridos, uma vez que fizeram parte da história dos amantes, e os ajudaram em seu reencontro.
Em junho do ano seguinte, Juliet viera ao mundo. Cabelos fartos, enrolados e escuros; olhos negros como os da sua mãe. Ela tinha a personalidade sagaz de Elizabeth e a inteligência de Elliot, e seu pai podia ver na pequena menina, sua amada.
- Juliet! Não corra! – Ryan gritava em pânico, ao ver sua irmã correndo pelos corredores do casarão, segurando nas pequenas mãozinhas, um sabre prateado, cravejado de esmeraldas, que ela sabia pertencer a sua mãe.
- Me ensine a lutar! – Ordenava a menina a seu irmão. Ele se aproximara o suficiente para apanhar a menina em seu colo, e retirar dela a espada.
- Eu ensino, mas nunca mais faça isso! É perigoso! Você me entendeu? – A menina de quatro anos quisera chorar, mas não o fizera. Ryan achara graça em sua atitude. Bagunçara seus cabelos, beijando seus cachinhos negros.
Juliet era sempre alegre e determinada, Ryan ensinara-a movimentos fáceis de esgrima com uma espada de madeira e Elliot voltava no tempo ao mirar os irmãos; um dia, fora ele a ensinar Elizabeth o que sabia sobre defesa e luta. Observar seus filhos, era o melhor de seus passatempos. Para si, não existia prazer maior do que acompanhar o crescimento de vidas que ajudara a criar, com a mulher que mais amava em todo o universo.
A menina era extremamente apegada ao seu irmão, e por isso sofrera com sua partida ao exército, assim como seus pais. Aos poucos ela fora se recuperando e voltando a ser a Juliet sorridente e determinada que conheciam. A casa ficara mais vazia, porém a pequena menina ainda preenchia os quatro cantos com sua alegria.
- Acho que Juliet fora como um bálsamo para nós, já que Ryan está seguindo seu destino. – Elliot refletia, enquanto faziam um piquenique no jardim e observavam a pequena brincar com as flores. Elizabeth se encostara em seu braço, respirara fundo refletindo com ele.
- Tem razão, se não fosse por ela, a ausência de Ryan por aqui seria insuportável. – Ele beijara seus cabelos, desejando em segredo que o filho mais velho voltasse logo para casa.
***
Em um dia comum, enquanto Elliot visitava uma das plantações com Juliet, notara sua atenção total voltada para tudo que acontecia por ali.
- Papai, quero plantar também! – Dissera a menina, notando o processo de plantio de batatas.
- É mesmo?
- Sim!
- Então vamos ajudá-los! – A menina sorrira, animada com a perspectiva de poder mexer na terra com aqueles trabalhadores. E logo estavam os dois, pai e filha, lambuzados de terra, ajudando os funcionários a plantar. Ficaram por ali até o sol se esconder, e ele achar que sua esposa o mataria se não levasse logo a criança de volta. Quando estavam em visita às terras de plantio, a família ficava na antiga casa da cidadela, que ainda estava lá e pertencia ao casal.
- Mas vejam só! É assim que vocês dois voltam para casa? – Elliot trazia uma Juliet completamente suja de terra em seu colo, e ele não estava muito diferente.
- Se você me ama de verdade, irá nos dar um beijo. – Brincara seu marido. Elizabeth gargalhara, e então beijara-o com um selinho, e dois beijinhos nas bochechas rosadas da criança, que rira sem parar de seus pais.
A menina era falante, logo pegara amizade com os trabalhadores, e sempre que podia, Elizabeth e Elliot a levavam para os campos de plantio. E conforme os anos se passavam, mais ela mostrava interesse nos negócios da família. Com isso, seus pais viram nela a oportunidade de passar à diante, o legado que haviam construído juntos. O que não fora um grande problema, uma vez que era inteligente e determinada. Ryan por vezes voltava para casa, em visita a sua família, o que os deixavam extremamente felizes. Ele se sentira em alívio ao saber que sua irmã mais nova tinha aptidão para os negócios, uma vez que ele próprio não o tinha.
A vida seguia seu curso, e agora, tudo estava onde deveria estar.
***
- O que você está lendo? – Elizabeth se aproximara do marido, que escondera a folha de uma carta, datada antes dele se reencontrar com Elizabeth, em baixo de seu travesseiro, segurando-a entre seus dedos.
- Nada demais... Alguns papéis que encontrei no meio de suas coisas. – Elizabeth erguera uma sobrancelha. Ele sondara, esperando uma reação.
- Tudo bem... eu não tenho segredos com você. – Elliot sorrira, puxando-a para si, beijando seus cabelos.
- Eu penso que, quando eu me for deste mundo, vou te procurar e vou te encontrar, de novo, e de novo, e de novo...
- Ah, é mesmo?
- É claro que sim! Então me espere. – Elizabeth beijara seus lábios.
- Eu vou esperar por você, quantas vezes forem necessárias. – Um sorriso se formara, e ele a beijara de volta; a carta em questão escapara de seus dedos. Uma brisa leve entrara pelo quarto, e com a luz da luminária de velas, pode ser lida uma pequena e genuína declaração. Essa mesma declaração, marcaria o coração e a consciência de Elliot, e como prometido, ele sempre procuraria por Elizabeth; afinal o amor age através do tempo, não importando os anos que se passem, e nem a distância que seja preciso percorrer.
"Querido Elliot, obrigada por ser parte da minha história, obrigada por me inspirar! Com você comigo, descobri lados meus que eu nem sabia que existiam. A verdade é que você sempre esteve aqui, mesmo quando não estava. Te agradeço por fazer parte de mim; é uma verdadeira honra! Pois você é uma das pessoas que mais admiro no mundo. Por favor, esteja bem, onde quer que seja; saiba que, o verdadeiro amor, atravessa as existências. E quando a dor e a saudade bater, lembre-se: eu amo você."
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Através do Tempo – Escrita Por Evelyze Nunez
Março de 2025.
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