Um rapaz, de nome Luigi, corria a toda pressa, enfrentando a chuva que caía e empapava suas roupas, que não eram próprias para o frio que começava a fazer. Ele vestia uma calça jeans, uma camisa polo de manga curta azul royal e tênis pretos com detalhes em azul. Seu cabelo preto, mais escuro que o céu da meia noite quando não há lua, caía em seus olhos prateados. Quando ele de repente, parou, colocou as mãos nos joelhos e tomou fôlego, se ergueu, passou a mão direita pelos seus cabelos, afastando-os de seus olhos e olhou em seu relógio, já passava das 19 horas, estava muito atrasado.

–Maldita seja! –Ele exclamou olhando para o céu. – Ele vai me matar. –Terminou murmurando. Respirou profundamente e voltou a correr em direção ao prédio em que vive seu melhor amigo, que também é seu amor, apesar desse pequeno detalhe, ninguém mais saber.

Quando parou novamente estava em frente a um prédio residencial de 15 andares. Ele tocou o interfone do apartamento 1019, e esperou alguns minutos, até que uma voz profunda em um tom seco respondeu.

–Sobe! – Ele entrou no prédio, se dirigiu até o elevador, apertou o botão do décimo andar, e se encostou a parede esperando até que o elevador chegasse ao seu destino. Ele sabia que estava em problemas, e o pior, é que nenhuma desculpa crível vinha em sua mente. O elevador finalmente parou no andar de seu torturador, quer dizer de seu amigo/amor.

Caminhou até em frente da porta do apartamento 1019, que estava aberta e com um homem de aproximadamente 1m90 de altura, cabelos pretos, olhos verdes, corpo atlético, vestido com uma camisa e calça jeans pretas, botas coturno de couro pretos, com os braços cruzados, encostado no marco da porta esperando por ele, com uma expressão que dizia:

–Espero que tenha um ótimo motivo por me fazer esperar, se não... – Luigi engoliu em seco, passou a mão direita pela nuca, num gesto nervoso, olhou para seu amigo e começou a dizer:

–Eu... sabe... é que... –Foi interrompido seu balbucio por uma frase esculpida entre os dentes.

–Você está mais de uma hora atrasado. –Se um olhar matasse, foi o pensamento do Luigi, eu estaria estirado no chão dando meu último suspiro.

–Peço desculpa pelo meu atraso, Rodrigo. –Respirei fundo e continuei. –Tive que vir correndo até aqui, pois meu carro está na oficina e não consegui nenhum táxi com esse tempo. –Rodrigo me olhou por mais um minuto, enquanto eu mordia meu lábio inferior em um claro indicio de desconforto. Ele suspirou, se desencostou da porta, esticou seu braço esquerdo, passando-o por cima do meu ombro e disse:

–Entra logo, idiota. Molhado desse jeito vai acabar pegando uma pneumonia. –Me levou até o banheiro e mandou. –Toma um banho quente, enquanto consigo uma roupa seca para ti. E depois temos que conversar.

–Sobre o quê? –Perguntei confuso.

–Banho primeiro, depois nós conversamos. –Ele disse saindo do banheiro e fechando a porta atrás de si. Retirei minha roupa molhada, e liguei o chuveiro no mais quente que eu podia suportar. –Luigi! Deixei a roupa em cima da minha cama. –Rodrigo me avisou através da porta.

–Ok! –Respondi.

–Estarei na cozinha fazendo café para nós, quando você estiver pronto, me encontra lá.

–Ok! –Respondi mais uma vez. Estava intrigado com o que o Rodrigo queria falar comigo. Geralmente quando me atraso, que é quase sempre, ele fica mais de meia hora me repreendendo por minha falta de pontualidade e respeito pelos outros e blá, blá, blá. Mas hoje a conferencia foi menos de cinco minutos e agora ele quer conversar comigo, deve ser algo sério, importante ou os dois.

Desliguei o chuveiro, me sequei, enrolei a toalha na minha cintura e fui até o quarto do Rodrigo ao final do corredor. Sobre a cama havia uma cueca box preta, uma calça jeans preta, e um blusão de lã, adivinha, também preto. Rodei os olhos, Rodrigo deveria diversificar mais nas cores de seu guarda-roupa. Pensando bem, não me lembro a última vez que o vi vestir algo que não seja preto, cinza ou azul, as duas cores tão escuras que se confundiriam com o preto.

Enquanto me vestia pensava que no próximo aniversário do Rodrigo deveria comprar algumas camisas de outras cores, como vermelha, ou verde, ou ainda uma azul clara, talvez assim ele entenda a indireta e comece a usar cores mais variadas, e não sempre roupas que o fazem parecer um vampiro, ou um fantasma com a pele clara como o marfim que ele tem.

Após terminar de me vestir, dobrei um pouco as pernas da calça e as mangas do blusão, pois sou uns 15 centímetros mais baixo que o Rodrigo. Saí do quarto, deixei a toalha que usei no cesto de roupa suja do banheiro e me dirigi a cozinha para encontrar o dono do apartamento e do meu coração.

Chegando à cozinha, vi o Rodrigo apoiado com as duas mãos no balcão, com os braços esticados e a cabeça abaixada pensativo. Quando ele me viu, suspirou profundamente, se desencostou e fez sinal para que me sentasse junto a mesa. Ele colocou uma xícara de café bem quente em minha frente, pegou outra para ele e se sentou ao lado contrário da mesa, ficando diretamente em minha frente.

Ficou olhando vários minutos olhando fixamente nos meus olhos, como eu estava ficando nervoso e desconcertado, bebi meu café, para desviar o meu olhar do dele. Ele suspirou, olhou para sua xícara e finalmente disse.

–Eu sei o que você sente por mim. –Eu congelei por um segundo com os olhos arregalados, então rapidamente levantei-me, derrubando a cadeira no chão, com meu movimento brusco e deixando que a xícara caísse das minhas mãos.

Do que você está falando? –Perguntei apavorado, abaixando minha cabeça, olhando para o chão sem ver nada. Ele não pode saber. Não quero perder ele. Prefiro tê-lo só como amigo a não o ter de maneira nenhuma. E se ele souber mesmo, ele vai me odiar, ele não irá querer ter nada mais haver comigo. Comecei a entrar em pânico e não notei as lágrimas começando a cair de meus olhos.

Ele também se levantou, com mais calma do que eu, parou na minha frente, colocou sua mão esquerda sobre o meu ombro direito, e com sua outra mão levantou o meu rosto e disse.

–Eu sei o que você sente por mim. Sempre soube. E peço desculpas por ter te feito sofrer tanto, saindo com várias mulheres e as desfilando na sua frente. –Ele está pedindo desculpas, mas por quê? Estava confuso, não sabia o que dizer.

–Eu... –Comecei, mas ele colocou um dedo sobre os meus lábios para me calar.

–Sss... Não fale nada ainda. –Ele sussurrou. –Eu comecei a notar a forma como você me olhava e como sua atitude em relação a mim foi mudando com o tempo, e comecei a perceber o que você sentia por mim já não era mais somente amizade. –Ele suspirou, fechou os olhos por um segundo, encostou sua testa contra a minha e voltou a falar. –Eu fiquei em negação por muito tempo, primeiro tentando me convencer que meu melhor amigo não tinha sentimentos amorosos por mim, e depois, quando já não pude mais negar seus sentimentos, comecei a negar os meus.

–O que você está tentando me dizer, Rodrigo? –Perguntei num sussurro também, com nossas testas ainda unidas e meus olhos fechados. Tinha medo, estava apavorado, mas também uma pequena fagulha de esperança estava começando a surgir dentro do meu coração. Parei de respirar por um segundo enquanto ele dizia.

–O que quero dizer é que finalmente me dei conta que quero estar contigo também. Que eu também te amo. –Soltei a respiração, e cai de joelhos, pois minhas pernas pareciam feitas de gelatina, minhas lágrimas voltaram com tudo, mas agora eram de felicidade e incredulidade. Senti Rodrigo se ajoelhando na minha frente e pedindo. –E então? –Olhei para ele e disse.

–Então o quê? –Dei um sorriso de lado ao meio das lágrimas e esperei. Ele olhou para cima, como se pedisse paciência e perguntou.

–Estamos namorando? Ou você quer que eu te compre flores, bombons, faça uma serenata e somente depois você vai aceitar? –Perguntou ele com sarcasmo. Rodei os olhos e disse.

–Não sou uma garota. Não preciso de flores, nem nada disso que você falou. –E me atirando nos braços dele, contra seu pescoço finalmente respondi. –Sim. –Ele me afastou um pouco e logo nos beijamos. Ainda temos muito que falar, mas no momento quero apenas aproveitar a sensação dos seus lábios contra os meus, o resto pode esperar mais alguns minutos ou algumas horas. Pensei sorrindo por entre o beijo.

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