Atraídas Pela Morte

4 Capítulo 3 - Tempo Impiedoso


Notas iniciais
Yooo minna!! Aqui é a Hiruno! ( Kyahh >.<) Estou aqui para postar mais um capitulo para vocês!
E para agradecer as lindas reviews *--------------*
muito obrigada a todos!!!
O capitulo ficou menor que o 2 mas achei que ficou legal O.O rsrsrs
Boa Leitura
PS: NAÕ CONSEGUI REVISAR TUDO T.T

Natsu não mentira quanto à velocidade da moto. Ela deixava todos os outros veículos comendo poeira, e logo chegaram ao seu destino. Lucy, ao chegar, já conhecia Alice, Miranda, Hime, Hiru e Ryuu como se fossem amigas há anos. Natsu era hilário; falava a respeito delas como se realmente se sentissem nojentas quando sujas e tristes quando não eram usadas regularmente, dizendo até mesmo que Beni faria aniversário na próxima semana, portanto seria mais usada.

Ela o devolveu o capacete, indo direto até a porta e tocando a campainha. A sensação crescia em seu peito, sem nenhuma razão, e só então percebeu como a casa está escura; o pai normalmente trabalhava desde cedo. Suas mãos suaram, e olhou para os lados, apenas por precaução. Apenas Natsu estava ali, parecia concentrado em algo.

Tudo bem. Natsu dava nome a motocicletas e entregava sushi. Não tem como ser menos perigoso do que isso, certo?

Tocou mais uma vez, se demorando no botão. Por que eles não atendiam a porta? Suspirou. Tudo bem. Não ficaria desesperada na frente de Natsu.

Ele a observava como se estivesse em dúvida sobre algo muito sério. Segurava a respiração, tenso. E finalmente...

– Eles podem ter acordado tarde. Você não tem a chave?

Ela riu. – É claro! Eu sou mesmo uma idiota. Eles têm que ter acordado tarde... Eu vou abrir.

Girou a chave. O hall de entrada estava no mais completo silêncio.

Um barulho.

– Ah! Natsu!

– Desculpa, eu tropecei... – disse atrapalhado, e ela o viu guardar algo no bolso.

Faça isso logo, pensou ele. Mantenha-se focado.

Resolveu esperar até que encontrassem os outros mortos, seguindo o plano original.

– Desculpe ir entrando. Não se importa, não é?

– C-Claro que não... – ela parecia estar repentinamente com frio, os olhos arregalados, suor frio em todo seu rosto. Ele fingiu não notar. Tudo acabaria em poucos minutos.

– Onde você acha que deveríamos procurar?

– Bom, se eles estão dormindo até tarde... vamos começar subindo.

Subiram as escadas devagar. Cada passo agonizava Lucy, ele notou. Ela parecia um porco em direção ao abate.

Bom, era exatamente o que ela era.

No meio de uma escada, a garota escorregou, sendo logo aparada por ele, que a segurou pela cintura. Seus olhos se encontraram, os dela cheios de medo, o rosto repleto de suor. Ela era tão, tão linda.

Foco na missão.

Ele odiava vê-la sofrendo. A pele dela era tão macia. Ele aproximou o corpo dela ao seu.

FOCO NA MISSÃO!!!!!!!!!!!!!

Colocou-a ao seu lado no mesmo instante, sacudindo a cabeça. Percebeu superficialmente que ela agradecia, desajeitada, olhando um pouco chocada para ele, mas seus pensamentos se sobrepunham às palavras. O que ele estava pensando? Ele era um assassino. À sangue-frio. Coração de pedra quando se tratava de garotas. Ela era apenas mais uma vítima.

De todo jeito, acabaria bem ali. E assim que acabasse, procuraria um médico. Aquilo não era normal, com certeza estava doente.

– Natsu... – a voz dela repleta de medo o trouxe de volta à realidade. – Natsu, isso é sangue?

Ele olhou para a escada, onde Lucy escorregara. Ali estava uma gigante poça vermelha, que emanava o cheiro que ele tão bem conhecia, já seco.

Ela levou as mãos à boca, com medo de vomitar. Lágrimas encheram seus olhos, e correu antes que Natsu pudesse segurá-la, invadindo todos os cômodos, desesperada, no meio do escuro.

Corria pela biblioteca procurando chegar a seu quarto quando tropeçou novamente, caindo no chão com um barulho. Seu corpo doía, mas ela não lhe deu atenção.

Ela tropeçara em um braço.

– Natsu? – sem resposta. – NATSU? NATSU! NATSU CADÊ VOCÊ?

A luz foi acesa, e os olhos da garota se arregalaram.

Os garotos haviam feito um ótimo trabalho. O sangue, já seco, ocultava quase todo o piso, e os corpos dos empregados e da família estavam rodeados pela biblioteca.

Os livros que a mãe e ela prezavam tanto.

Encharcados com o sangue.

Tudo estava encharcado com sangue.

Procurou Lucy sobre o mar de corpos, e lá estava ela, o único ser vivo do quarto à exceção dele próprio, ao lado de uma Layla Heartphilia estática, pressionando suas mãos num ponto abaixo do coração há muito parado, porém sem conseguir atingir um ritmo devido à tremura de suas mãos. Tapava as narinas da mãe, tentava fazer respiração boca-a-boca, se agarrando a qualquer esperança, qualquer uma, de que isso não fosse real, freneticamente.

Ele olhou para o seu bolso, em que um minúsculo, porém letal canivete repousava, e sorriu. Vamos terminar logo com isso. Lucy parecia ter esquecido que ele estava ali, o que o alegrou, e andou sem fazer o menor ruído até ela, aproximando-se até conseguir uma mira perfeita. Nenhuma probabilidade de erro.

Adeus, Lucy Heartphilia, pensou. Foi um prazer conhecer você.

Algo cortou o silêncio sem fim da casa. Um grito estrangulado e cheio de desespero. Ela enterrou o rosto no corpo da mãe, ensopando seu corpo com o sangue, que era logo depois varrido pelas lágrimas.

Era o sofrimento mais genuíno que já vira, e por um instante Natsu se viu como uma pessoa cruel.

No momento seguinte estava ao lado de Lucy, tocando a pele fria da mulher, fechando seus olhos, tirando a garota o mais delicadamente que pôde. Ela o arranhava, socava, chutava, mordia, tentava mutilá-lo de qualquer maneira possível para voltar para o lado da mãe.

– Lucy, não adianta, o corpo dela já está muito frio; Lucy olhe para mim. Luce...

Ela parou de lutar, murchando em seus braços, enquanto ele a abraçava, ouvindo seus soluços, acariciando seus cabelos, até os grandes olhos fechados se fecharem; os sonhos continuavam a assombrá-la, revivendo o momento, imaginou ele.

Ela teria muitos pesadelos assim de agora em diante, ele sabia.

Enquanto a embalava em seus braços, cogitou um milhão de vezes mata-la ali mesmo; isso não tiraria a dor? Não tiraria todo o sofrimento? Mas algo em seus gemidos e gritos desesperados o machucavam mais que qualquer ferimento infringido a ele desde que entrara naquela organização.

Ele não conseguia mata-la.

Por quê? Havia algo de errado com ele? Deveria pedir à um dos outros para assumir o trabalho? Mas assim se mostraria fraco; um assassino que não mata, uma pessoa digna de pena. Não, não faria isso.

E a principal pergunta: Porque ele se importava?

***

Avisou a uma amiga dela da festa, Levy, sobre o ocorrido, que imediatamente convocou as outras meninas. Quando aquela brigada de mulheres preocupadas apareceu, Natsu soube que a deixara em boas mãos, embora não quisesse de fato deixa-la. Temia que sofresse desse modo novamente, e percebeu que isso se tornara seu maior medo.

As meninas levaram-na, chamando imediatamente uma funerária. Fariam o enterro no dia seguinte, no jardim ao lado da mansão Heartphilia, como uma homenagem. Lucy gostaria disso.

No dia seguinte, ela estava indiferente. O mundo de Lucy acordara embaçado pelas lágrimas que chorara; ela ouvia os tons pesarosos e sentia as mãos em seus ombros, porém nada a consolava, nada chegava à sua consciência. Ela se sentia flutuando por um mar de dores, sem ouvir nada do que diziam; Levy tinha os olhos inchados e a abraçava a cada minuto, porém ela não sentia nada – embora talvez seja apenas porque Levy era a amiga mais leve que possuía; Todas a abraçavam, a incitavam a fazer pequenas coisas (“vá comer um pouco Lucy, tome um banho Lu-chan”) às quais ela obedecia mecanicamente, sua mente como um borrão. Ela sabia que as amigas tinham a melhor intenção do mundo e as agradecia de verdade, mas até mesmo elas sabiam que de nada adiantaria, nada diminuía a dor da perda.

Todos foram para o enterro. Os velhos amigos de seu pai, colegas de trabalho, mil e tantos sócios; as amigas de sua mãe, as meninas que conversavam com ela sobre livros, os amigos dos empregados, amigos da própria Lucy; ela estava vagamente consciente que Erza colocou um braço em sua volta, abraçando-a de forma gentil; e Natsu estava lá, longe, olhando em seus olhos. Seus lábios produziram um pequeno “Tudo bem?” ao qual ela balançou a cabeça antes de voltar ao torpor que a mantinha a salvo da dor.

E num piscar de olhos, tinha acabado e ela estava só; o vestido negro esvoaçando com o vento, as rosas brancas – as favoritas da mãe – em seus braços. Ela se ajoelhou em frente aos túmulos, postos lado a lado; ela podia imaginar que eles davam as mãos por toda a eternidade. Isso a confortou um pouco.

Pousou as flores, a dor voltando de repente, como se pertencesse a Lucy dali em diante, e as lágrimas voltaram a cair, molhando as lindas flores, murchando-as. Os pássaros cantavam alegremente, e isto a irritava um pouco; como algo podia ser feliz, no meio de tanto sofrimento? Pegaria uma pedra, espantá-los-ia, se a mãe não gostasse tanto do canto dos pequenos.

Algo perturbou o canto; passos, caminhando em sua direção. Deixem-me sozinha, deixem-me sozinha, deixem-me sozinha...

Uma mão quente tocou seu ombro, e ela virou-se, por entre lágrimas, para o homem que a observava.


Narrado por Natsu


Ela estava sozinha, perante o tumulo dos pais. Aproximei-me e toquei seu ombro, ela estava com o rosto inchado de tanto chorar e lágrimas ainda corriam por sua face pálida.

Sempre que a toco sinto uma energia diferente, uma coisa viva, não sei explicar.

–Natsu...

–Shiiiu, não fale nada. Nesses momentos palavras só atrapalham. — Ela assentiu com a cabeça e me abraçou. Foi um movimento inesperado, pelo menos eu não esperava. Fiquei estático, meus olhos se arregalaram. Por que meu coração está tão acelerado?

Retribui o abraço a envolvendo em meus braços e a apertando contra meu peito. Mas por que eu estava fazendo isso? Por que eu estava confortando ela se minha missão é mata-la?

Minha cabeça estava confusa, eu não conseguia entender minhas próprias ações.

–Eles não podiam ir embora assim. Não é justo, não é justo... – Lucy se lamentava ainda em meus braços.

–A vida não é justa, infelizmente temos que estar preparados para momentos como este. Já enterrei muitos amigos. – Sim, muitos companheiros da Seven Black já morreram em minha frente lutando contra magos corrompidos. Magos corrompidos... Uma “raça” ruim e perigosa.

–Já?

–Sim, foi muito difícil para mim, mas meus amigos sempre estavam por perto, então me mantive firme. – ela agora me fitava. Nossos olhares se encontraram.

– E você vai ficar por perto?

–Sempre — Delineei um sorriso. Não podia esquecer de minha missão, mas quando eu estava com ela, quando via seu sorriso ou suas lagrimas eu simplesmente hesitava. Isso nunca aconteceu. Eu nunca hesitei... NUNCA!

Enquanto Lucy estava em meus braços sentia uma energia fluir entre nossos corpos, isso é estranho. Nunca aconteceu isso comigo. Ultimamente venho experimentando sensações novas. Realmente eu só podia estar doente.

–Venha, vou te levar em casa. Você tem que descansar nem que seja um pouco. – Disse a conduzindo para a saída.

–Não, espere! Eles... – Ele olhou para o túmulo dos pais.

–Eles iam querer que você ficasse bem... – essa é uma das frases que mexe bastante com o psicológico da pessoa nessa situação. Nós magos, não temos apenas que ter muito poder magico ou saber manejar uma arma. Tínhamos que saber também como mexer no psicológico do inimigo, isso é de extrema importância.

Somos treinados para vivenciarmos situações difíceis e conseguir escapar com facilidade. Ou manipular uma situação para reverte-la em seu favor, ou... Ou... Confortar alguém... Nunca pensei que esse tipo de arma serviria para confortar alguém.

– Vem, eu vou cuidar de você. — tinha que mata-la, assim a livraria desta dor, certo? Eu preciso fazer isso, é a minha missão, é o meu dever! Mas... Mas...

–Obrigada Natsu. – Disse Lucy me abraçando.

Passei meu braço pelas costas dela e a conduzi até a Beni.

–Diga se ela não é linda?- Disse na tentativa de arrancar um sorriso dela, mas tudo que eu consegui foi um aceno com a cabeça. — Ah vamos, assim a Beni vai ficar ofendida. Ela gosta do seu sorriso, assim como eu. –Ela deu um sorriso, mas não era o mesmo sorriso que ela dera na festa. Comecei a sentir uma dor por dentro, uma tristeza que foi me consumindo. Aquele sorriso era falso, ela estava tentando mascarar a tristeza que sentia. Sei como é isso, por que... É exatamente o que eu faço.

–Lucy... Por favor, não fique assim. – eu abaixei a cabeça, não sei por que estava tão frustrado por não conseguir anima-la. Me sentia a pior das pessoas, afinal eu vi os pais dela serem mortos, pior eu arquitetei a morte dos pais dela... Não, pior... Eu quis mata-la.

Quis? Não quero mais? Mas que diabos está acontecendo comigo?

– Me leva para casa, por favor. – Ela abaixou a cabeça também e sentou na moto. Andei até ela e coloquei o capacete em sua cabeça.

–Segurança em primeiro lugar! – Fiz uma cara de “eu sempre estou certo”. Mas ela continuava de cabeça baixa.

Montei também, coloquei meu capacete segui para a casa de Lucy, afinal já sabia o caminho.

Ela apertou meu abdômen e encostou a cabeça em minhas costas.

Lucy, como sua tristeza consegue alcançar até a brecha mais profunda de meu coração?


Narrado por Lucy

Mãe... Pai... Por quê? Por quê? Eu passei tanto tempo sem vê-los por causa da viagem e quando eu volto encontro eles... Mortos? Até os empregados! Todos me viram crescer, eu os amava, eu... Eu...

Não precisava nem a policia ter dito que foi um assassinato, isso estava bem óbvio. Mas quem faria isso? E por que faria isso?

Não tenho cabeça agora para fazer teorias malucas, apenas quero ir para casa, tomar um banho e deitar na minha cama e só levantar amanhã... Ou nunca.

Como segurei em frente sem meus pais? Sei que é o ciclo da vida, mas nesse caso eles foram levados violentamente de mim. Um borrão, essa palavra resumia minha mente no momento. Não conseguia pensar em nada, ver nada, apenas queria meus pais de volta. Queria eles aqui ao meu lado, quero o colo de minha mãe. Quero ver o sorriso do meu pai.

Mas agora tudo que eu consigo pensar é que não vou mais vê-los, que não vou mais ouvi-los, não vou mais ler livros com minha mãe, ou conversar com meu pai, que ficarei sem seus sábios conselhos, que ficarei sem seus sorrisos.

Apesar de minha relação com meu pai ter sido meio conturbada nos últimos tempos, eu o amava... Eu o amo!

Mãe... Pai... Preciso de vocês aqui comigo, preciso de vocês... Voltem... VOLTEM POR FAVOR!

O vento batia em meus cabelos, eu estava com a cabeça nas costas do Natsu, agarrada a ele. Eu morria de medo de moto, mas nem ligava. Só quero ir para casa. Comecei a chorar me lembrando dos momentos que passei ao lado dos meus pais. Tão lindos, mas tão dolorosos ao mesmo tempo. Isso me machucava, relembrar aqueles momentos felizes me machucava profundamente. Mas eu não podia evitar, era involuntário.

E continuava chorando. Lágrimas discretas, lágrimas tímidas. Eu não queria parecer fraca na frente de ninguém. Queria segurar as pontas, assim como o Natsu fez. Quero poder erguer minha cabeça e me orgulhar dos pais que tive.

Tive...

Todas as frases agora serão empregadas no pretérito, que foi imperfeito, mas perfeito ao mesmo tempo. Um passado que não volta.

Sim, o tempo não para... Não é mesmo Lucy? Você pode parar, mas o tempo não. Ele continua seguindo e seguindo e seguindo. Sem se importar se você está conseguindo acompanha-lo ou não.

Ele simplesmente... Segue.

Sem olhar para trás...

Sem pena ou piedade.

–Chegamos Lucy. – Disse Natsu desligando a moto e tirando o capacete. Ele fez o mesmo comigo e conduziu para dentro de minha casa. Ajudou-me a subir as escadas. Fui tomar um banho e quando sai ele estava sentado na minha cama, olhando os detalhes do meu quarto.

Levy não estava em casa. Pediu mil desculpas, mas tinha que ir resolver muitos problemas no trabalho. Eu consigo entender, ela não pode parar por minha causa não é? Não seria certo com ela.

–Bonito quarto. – Disse Natsu, ainda analisando cada canto, cada detalhe.

–Obrigada. – Disse sem emoção.


– Lucy...

–Obrigada. Muito obrigada. Não era sua obrigação fazer nada disso. Cuidar de mim como se eu fosse uma criança. Obrigada e desculpa por estar te dando tanto trabalho. Nos conhecemos a tão pouco tempo e você já...

–Lucy, não precisa agradecer. Fiz isso por que eu quis. Não fui obrigado por ninguém, eu largo tudo por meus amigos.

–Sou sua amiga? – disse surpresa.

–E por que não seria? Amigos de meus amigos são meus amigos também e eu acabei gostando muito de você. Uma garota inteligente, educada, independente, decidida, de personalidade marcante, uma garota incrível! – Por que eu estava me sentindo tão feliz? O que foi esse sentimento que invadiu meu peito? Como se meu coração estivesse aquecido. Como no meio de tanta tristeza eu pude sentir tanta alegria? Sou uma filha ingrata? Sinto-me culpada por estar feliz...

–Natsu...

– Não precisa falar nada. Você está cansada, deite, descanse. Você precisa de uma boa noite de sono.

–Mas ainda são 18 horas e eu...

–E você precisa dormir! – Ele me empurrou de leve até a cama, ajeitou meu travesseiro e me cobriu.

–Natsu...

–Oi?

–Por que está fazendo tudo isso? – Indaguei.

–Eu... Eu não sei. Mas sinto como se devesse protegê-la. – Ele respondeu, sentando na ponta da cama ao meu lado.

–Me... Proteger? Agora que você falou isso... É possível que quem matou meus pais... Ele... O assassino. — respirei, tentei me acalmar. — tem possibilidade de ele vir atrás de mim, não é?

–Sim, tem a possibilidade.

–Eu tenho certeza que ele virá... — disse me encolhendo. Eu estava com muito medo.

–Não fique com medo, ele não vai conseguir nem te tocar, pois não irei permitir.

–Não me deixe sozinha nesta casa. — disse quase chorando.

–Nunca deixarei você sozinha. – Ele começou a acariciar meu rosto.

Comecei a chorar novamente e ele me abraçou, enterrei minha cabeça em seu peito. Só queria um ombro amigo para chorar. Eu me sentia tão segura em seus braços, tão... Aquecida.

Obrigada... Natsu.



Narrado por Natsu


Ela ficou chorando um bom tempo em meus braços. Estava frágil e ainda mais vulnerável. Era a chance perfeita de mata-la, mas eu apenas conseguia abraça-la, queria arrancar essa tristeza que ela estava sentindo. Eu sei muito bem a dor de uma perda.

De tanto chorar, Lucy adormeceu em meus braços. Coloquei-a de forma confortável e sentei na cadeira que tinha em um dos cantos do quarto (que era bastante amplo).

Tirei o blazer e encurtei as mangas da minha camisa. Encostei minha cabeça na parede para tentar relaxar. Eu estava errado, minha missão é mata-la! Droga! Natsu, foco! O que está acontecendo comigo? Eu estou muito confuso. Mas tinha certeza de uma coisa...

Eu não vou conseguir matar a Lucy.

Meu celular vibrou em meu bolso.

–Alô?

–O que pensa que está fazendo, hein pirralho? Acha que isso é uma brincadeira de pega-pega?-Era ela, Ultear. A porta voz do líder da Seven Black. Ultear disse que como ele era muito ocupado não tinha tempo para dar ordens diretamente a nós. Então ela ficou responsável por isso. Nunca aceitei isso, nunca gostei dela.

–Boa tarde, Ultear.

–Péssima tarde! Meu mestre quer a cabeça de todos, eu disse TODOS os Heartphilia’s. Mas falta a filha do desgraçado do Jude! Cadê a cabeça dessa garota?

– Eu estou trabalhando nisso. – Eu estava TENTANDO trabalhar nisso, mas...

–Você é muito molenga! Só por que seu grupo é considerado um dos melhores da organização, isso não te da o direito de atrasar os planos do meu mestre!

– Não trabalho para os planos do SEU mestre. Eu trabalho em prol da ideologia da organização! É nela e exclusivamente nela que eu acredito!

- Não interessa em quem você acredita, não interessa a ideologia. MEU MESTRE QUER A CABEÇA DESTA GAROTA AGORA! ENTENDEU? OU QUER QUE EU DESENHE? Se você não acabar com ela em uma semana eu mando outro assassino, um que goste de torturar as vitimas antes, um bem cruel. Sim, ele será mais competente que você, seu pirralho de cabeça rosa!

Outro assassino? Mas assim Lucy seria morta. Espera, mas não é essa minha missão? Mata-la! Mas eu... Eu... Eu não queria.

Eu não queria? Droga! Por que eu não quero que ela morra?

–Se apegou a garota foi? HAHAHAHA vocês homens são tão frágeis, tão carentes. Não podem ver uma garotinha ingênua que logo...

– Cale-se! Não fale o que não sabe, maldita! – a raiva subiu minha cabeça. Como ela se atreve a falar essas coisas? Lucy não é esse tipo de mulher e eu não sou esse tipo de homem! Ultear, ela me dava nos nervos!

–ENTÃO MATE LOGO ESSA GAROTA!

–JÁ DISSE QUE ESTOU TRABALHANDO NISSO!

–TRABALHE MAIS RAPIDO!

– NÃO GOSTO DE NINGUÉM ME APRESSANDO!

–Você tem uma semana...

–Duas.

–Uma!

–Duas e ainda levo o sangue dela em um frasquinho.

– Proposta tentadora cabeça de fogo. Aceito. Você tem duas semanas, nem um dia a mais, nem um dia a menos.

– Certo. – Certo? A quem você está querendo enganar Natsu? Ultear podia até ser irritante, mas de burra não tinha nada.

–Ótimo, até daqui a duas semanas, Natsu Dragneel. –O telefone ficou mudo. Essa mulher...

Logo em seguida recebi uma mensagem do Gajeel. Depois me xingar de todos os nomes possíveis , ele mandou eu voltar para casa. Ele e Gray precisavam conversar comigo. Acho que já sei do que se trata.

Caminhei até Lucy, a admirei. Agachei ficando na mesma altura que a cama. Acariciei o rosto dela.

–desculpe Lucy, terei que ir. Mas eu volto certo? – A beijei na testa.

Desci as escadas e escrevi um bilhete avisando que tive que sair para resolver uns problemas, mas que amanhã eu voltaria para vê-la.

Coloquei meu capacete, montei na Beni e sai a toda velocidade.

Lucy, eu não vou conseguir mata-la. Algo dentro de mim está me impedindo de fazer isso, algo aqui dentro dizia para eu abraça-la e nunca mais soltar.


Notas finais
Bom, em primeiro lugar .. desculpem qualquer erro de português, não consegui revisar . estou muito cansada e não tive condições de fazer isso. Mas amanhã estarei revisando.
Em segundo lugar .. o cap anterir tinha alguns errinhos ( culpa da Laary! ) é que uma revisa a parte da outra e acabou que ela deixou passar algumas coisas, mas ja está tudo certinho la!
Mandem suas lindas reviews!!! Elas são importantes para os autores!
Até a proxima semana minna!!
Hiruno