Atraída
2 Qual o seu nome?
Ela me perguntou como todos os outros que me olhavam.
- Megan, rs. E o seu? — Perguntei com tanto interesse que resolvi dar um passo para trás.
- Rafaella. — Ela disse e logo adentramos na sala.
Assim que entrei, não pude ouvir nem meus pensamentos de tanto barulho. Gritos e risadas me faziam lembrar de minha antiga escola... E isso era bom. Até porque, se essa nova escola for tão boa como a antiga, eu seria muito feliz ali.
Então, apareceu um homem gordo e velho, gritando ainda mais alto do que o resto da turma, mandando todos se assentarem. E eu, puff. Eu não fazia a mínima idéia onde me sentar. Se escolhesse o lugar errado, poderia ser o fim da minha vida escolar. Eu estava olhando fixamente para onde a Rafaella iria se sentar, mas ali, já estava ocupado, pois todos se sentaram, e sobrou só um lugar.
Confesso que fiquei agradecida por me sentar bem à frente da primeira menina que falou comigo... Como era o nome dela? Sim, Gabriela. Ela era até simpática.
Passou-se o primeiro, o segundo e até o terceiro horário, e eu me concentrava somente nela. Eu já estava irritada com isso. Porra! Eu não parava de olhar para ela! Por que? Eu ficava tentando responder isso. Sei lá, talvez fosse o destino. Eu sentia algo diferente por ela, e eu nem a conhecia.
- Ei, Megan! Já vai dar o recreio! Quer descer comigo? — Perguntou a Gabriela.
- Não... Gosto de ficar aqui na sala, só lendo um livro mesmo, rs. Mas obrigada! — Respondi sincera.
E então num sinal de "tudo bem", a garota desceu com todos os outros amigos e colegas de turma. E, adivinha quem sobrou comigo? Oh sim... Ela mesma. Eu observava o que ela fazia e parecia que ela estava ouvindo música e, talvez, cochilando. Me levantei, acho que por impulso para talvez, começar uma conversa e então tropecei na mochila e deixei meus materais caírem no chão.
Eu não diria roxa, mas pelo menos vermelha eu estava. Não conseguia nem olhar para cima, para ver se eu tinha a assustado. Eu estava com muita vergonha. "Porra, Megan! Não consegue fazer nada direito!" — Sim, conversei comigo mesma. E logo vi um vulto se aproximar de mim.
- Haha, o que você arrumou aí, Megan? — Perguntou.
- Ah... É que... Eu, sei lá... Sou desajeitada demais, sabe? — Falei pausadamente. Eu tinha uma leve impressão de que eu estava quase gaga.
- Tudo bem, rs. Vou te ajudar. — Ela disse com aquela voz doce, que me fazia arrepiar a cada sílaba.
Logo, ela pegou meus materias e os colocou em cima da mesa e estendeu as mãos para me ajudar a levantar. E, como sempre, eu me desequilibrei e logo no impulso que ela fez para me levantar, eu voltei e me deparei frente à frente com ela, sendo segurada pelos seus braços.
Foi uma sensação única. Aqueles segundos que fiquei ali, pareciam horas. Eu abri meus olhos e ela estava lá, me encarando. Eu pude sentir sua respiração cruzando com a minha, meu coração estava acelerado e meu corpo arrepiado. Como pode isso? Mal a conheci e meu coração já acelera por aquele ser!
Quando eu senti que já estávamos ali, tempo demais me afastei. Agora posso dizer que eu estava roxa de vergonha. Ela não parecia ter vergonha, parecia que tinha gostado daquilo. Aquela sensação.
- Então... — Ela começou a querer proferir algo, mas eu tive que a interromper.
- Posso te fazer uma coisa? — Falei e já estava arrependida.
- Hum, claro! — Ela respondeu numa semblante de curiosidade.
Eu hesitei por um momento. Ela poderia me crucificar para o resto da vida, ou... Poderia ser algo que mudaria as nossas vidas. Mas eu estava tão confusa! Não queria que isso mostrasse que sou oferecida demais... "MEGAN!! É o seu primeiro dia de aula e já vai fazer isso?" — Minha consciência falou comigo. Mas, era verdade. Talvez eu devesse ficar somente quieta na minha e deixar esses pensamentos para trás. Ou, eu poderia fazer aquilo e arcar com as consequências. O que fazer?
Os segundos já estavam passando e Rafaella estava esperando ansiosa pelo o que eu iria fazer, mesmo sem saber o que era. E a cada segundo que eu pensava mais, eu tinha menos coragem para fazer. Porém, a cada segundo que passava e eu olhava para aquele rosto, me dava mais vontade de fazer.
- E então...? — Rafaella enfim pronunciou, sem paciência.
Já podíamos ouvir os passos apressados que nos indicava que o recreio havia acabado. E eu ainda não sabia o que fazer.
"Foda-se." — Pensei.
Andei um único passo em sua direção, nos fazendo ficar frente à frente novamente. Nossos olhos se encontravam, e eu podia sentir minhas pupílas dilatadas, meu coração aumentava o batimento a cada segundo que passava. Lentamente estendi a minha mão e toquei o seu rosto, que era tão suave que eu nem sentia os meus dedos ásperos. Ela era quente. Acariciei de leve o seu rosto, e ela já tinha percebido o que era. Ela avançou mais, não sei porque. Quero dizer, sei sim. Era aquele momento, aquela hora. Se demorássemos um pouco mais, seríamos pegas. E isso era bom. Aquele sentimento de perigo. Coloquei minhas mãos em sua nuca e acariciei seus cabelos. Lentamente fui achegando ao seu rosto e nossos supiros ficaram mais fortes, eu podia sentir o cheiro da sua boca, era um cheiro gostoso... Como se ela acabasse de chupar uma bala de menta. Seu hálito era suave. Fui me aproximando cada vez mais, até que... Meus lábios encostaram os seus, em movimentos suaves, acabamos nos beijando.
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